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segunda-feira, novembro 04, 2013

Henrique Monteiro não acerta uma!



Infelizmente, Henrique Monteiro não acerta uma e, como quase sempre, fala por falar - ou porque gosta de se ouvir (ou ler). Existe, de facto, uma direita conservadora em Portugal, tal como existe uma esquerda conservadora ligada ao PCP e, em algumas questões, também ao Bloco de Esquerda. Mas não só têm existido um centro-esquerda e até um centro-direita reformistas, embora com ritmos diferentes desde a estabilização democrática (o primeiro governo de José Sócrates foi o executivo mais reformista da democracia e só não o foi mais porque acabou por soçobrar às mãos de alguns grupos profissionais, como os professores, por exemplo), que foram capazes de desenvolver e fazer evoluir Portugal no sentido de uma aproximação aos valores e modo de vida dos países europeus mais civilizados (Monteiro deve estar esquecido do que era o país há 30 ou 20 anos), como o drama actual nada tem a ver com o conservadorismo, da esquerda ou da direita, mas exactamente com o seu contrário: com o facto do poder ter sido ocupado por uma "clique", uma "vanguarda iluminada", que pretende substituir o reformismo que até aqui tem vigorado - embora com ritmos e estados de espírito diferenciados, concedo -  pelo voluntarismo e experimentalismo revolucionários, tomando como centro fundamental da sua actuação a natureza e as funções do Estado. O drama não é pois o conservadorismo impedir a continuação de uma desejada atitude reformadora, mas o facto desta estar a ser posta em causa pela natureza revolucionária da facção da direita actualmente no poder. 

segunda-feira, novembro 26, 2012

Henrique Monteiro e a greve

Henrique Monteiro, que até foi maoísta e, nessa qualidade, integrou a redacção da "Voz do Povo" (UDP), sendo portanto de admitir tenha pelo menos "passado os olhos" pelos clássicos do marxismo, mostra-se muito admirado por apenas 20% dos portugueses alguma vez ter feito greve. Confesso o que me admira é a percentagem ser tão elevada, num país que desde o 25 de Novembro de 1975 tem uma situação democrática estável e normalizada e onde, desde o 25 de Abril, a esmagadora maioria dos cidadãos viu as suas condições de vida muito melhoradas. Esquece Henrique Monteiro que, exceptuando situações de grave ruptura, revolucionárias ou pré-revolucionárias, a greve é sempre uma questão de minorias lutando por objectivos muito concretos e tentando alcançar vantagens negociais e, assim sendo, excepto se o direito à greve for ilegal, haverá sempre grupos sociais ou profissionais que, por serem mais coesos, exercerem a sua actividade em sectores-chave ou qualquer outra razão de teor semelhante, conseguem tirar mais vantagens do recurso à paralização laboral. Como, de igual modo, haverá no lado dos empregadores sectores que, pela sua situação específica, conseguem obter para si próprios mais vantagens na sua relação com o poder. É assim que acontece nas sociedades livres e, já agora, convém também lembrar Henrique Monteiro que mesmo em situações revolucionárias de "tomada do poder", historicamente, a iniciativa e a direcção dos movimentos pertence sempre a uma minoria tida por mais "esclarecida" e "empreendedora", a chamada "vanguarda". Pretender que metade ou mais de metade dos portugueses já tivessem alguma vez participado numa greve é, portanto, uma utopia e não serve para justificar o que quer que seja.

Outra coisa, bem diferente, é debater a actualidade do recurso à greve como forma privilegiada de luta laboral, a sua capacidade para mobilizar sectores para além de algumas classes e grupos profissionais muito específicos, as suas virtualidades como forma de pressão para obter vantagens negociais, o seu papel no sindicalismo reformista e a situação dos sindicatos na actualidade. Essa é a discussão que vale a pena, muito diferente da demagogia populista de Henrique Monteiro que, embora em versão "soft", não deixa de se integrar na actual campanha que por aí vai medrando contra o democrático reconhecimento constitucional do direito à greve.