Mostrar mensagens com a etiqueta Cinq chansons revolutionaires. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cinq chansons revolutionaires. Mostrar todas as mensagens

domingo, fevereiro 22, 2009

"Cinq chansons revolutionaires" (5)

Anna Marly - "Le Chant des Partisans"
O que não deixa de ser curioso é que a autora de “Le Chant des Partisans”, canção associada à esquerda e não poucas vezes aos comunistas, tenha sido uma aristocrata russa “branca”, Anna Yurievna Betulinskaya (Анна Юрьевна Смирнова-Марли), cujo pai fora executado durante a revolução de Outubro e que mudou o seu nome para Anna Marly não por quaisquer razões políticas mas por uma questão de dificuldade de pronúncia para os franceses, país onde a sua família se tinha refugiado. Esteve, claro, ligada às FFL ("Forces Françaises Libres") durante a WWII – tendo actuado para as forças aliadas – e, mais tarde, viveu nos USA tendo adquirido mesmo a nacionalidade americana. É também autora de “The Partisan”, tema gravado por Leonard Cohen e incluído no álbum de 1969 “Songs from a Room”. Morreu em 2006 e, em 1985 e assinalando os 40 anos do fim da WWII, tinha sido condecorada com a Legião de Honra pelo presidente François Mitterrand.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

"Cinq chansons revolutionaires" (4)


Léo Ferré - "L'Affiche Rouge" (Léo Ferré-Louis Aragon)
Léo Ferré compôs a canção em 1959. Um poema de Louis Aragon, datado de 1955, que evoca um dos acontecimentos mais marcantes da resistência francesa à ocupação alemã durante a WWII. Durante anos, envolto em alguma controvérsia.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

"Cinq chansons revolutionaires" (3)

Yves Montand - "Le Temps des Cerises"
Canção sempre associada à Comuna de Paris, ela foi, no entanto, escrita uns anos antes por Jean-Baptiste Clément. Posteriormente, seria dedicada pelo seu autor a uma enfermeira morta durante a Comuna, em 1871.

Para mim, contudo, a Comuna de Paris estará sempre mais ligada aos escritos de Marx e Engels e ao conto de Karen Blixen em que se baseia o excelente filme de Gabriel Axel “Babettes gæstebud” do que à canção que aqui trago hoje. Isso, claro está, não impede que se trate de um tema belíssimo, tocante, “émouvante” - perdoem-me que recorra ao francês tão a propósito.

Também, para mim, “Le Temps des Cerises” será sempre a voz de Yves Montand, talvez por ter sido a primeira versão que ouvi; talvez por Montand ter sido durante muito tempo associado à esquerda e esta é uma canção claramente “à esquerda”; talvez, também, por causa do “Chant des Partisans”, canção que me habituei a ouvir na sua interpretação nos tempos da ditadura. No fundo, talvez porque Montand sempre tenha sido “muito cá de casa”!

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

"Cinq chansons revolutionaires" (2)

"La Carmagnole"
La Carmagnole é o nome de uma canção anónima com origens no Piemonte italiano. Também o nome do casaco usado pelos "sans-coulotte", a arraia miúda, o “povo de Paris” da revolução. Mais do que uma canção de combate, ao contrário de “Ah, Ça Ira” era uma canção de festa, destinada muitos vezes a celebrar acontecimentos vitoriosos para as forças revolucionárias, mas também de punição: dançar e cantar a “Carmagnole” era muitas vezes castigo infligido, para gáudio dos revolucionários, aos inimigos da revolução, quer fossem aristocratas ou membros do clero.

A canção tornou-se popular principalmente após a prisão de Luís XVI e a tomada das Tulherias (1792), alguns dos versos referindo mesmo o massacre da guarda suíça do rei.
“Suisses avaient promis
Qu'ils feraient feu sur nos amis
Mais comme ils ont sauté
Comme ils ont tous dansé !”

Reapareceria várias vezes, com versos adequados ás circunstâncias, durante o conturbado século XIX francês e europeu.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

"Cinq chansons revolutionaires" (1)

Edith Piaf - "Ah, Ça Ira"
“Ah, Ça Ira”, expressão atribuída Benjamin Franklin para se referir à evolução da revolução americana, é o título daquela que é talvez a mais famosa canção da Revolução Francesa. Composta por um tal Ladré, cantor de rua, tendo como tema uma popular “contradança” (o nome vem de “country danse”) da época (diz-se que a própria Maria Antonieta a tocava no cravo), acabou por ter direito a várias versões, sendo duas delas as mais conhecidas: uma a que chamaríamos hoje de "soft-core" (a original) e outra "hard-core", ("Les aristocrates à la lanterne, les aristocrates on les pendra") adoptada pelos "sans coulottes", digamos que a “arraia miúda” da revolução.

Esta é a “hard-core”, a mais conhecida, aqui interpretada por Edith Piaf no filme de Sacha Guitry “Si Versailles m' était conté”, de 1954.