Uma parte significativa dos depósitos nos bancos cipriotas é oriunda das máfias russas? Dizem que sim e a afirmação parece ser verdadeira. Mas uma parte não menos significativa pertencerá a empresas e cidadãos da UE, incluindo cipriotas, mas essas origens pouco vejo discriminas. No fundo, a repetida menção às máfias russas tem aqui uma função ideológica bem definida: tornar o confisco de uma percentagem dos depósitos existentes nos bancos de Chipre política e moralmente mais aceitável; apetece-me dizer, mais "tragável". Felizmente, parece não o estão a conseguir.
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
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terça-feira, março 19, 2013
domingo, março 17, 2013
E a loucura espalha-se como mancha de óleo que impregna tudo à sua passagem
- Agora imagine lá que, de repente, lhe diziam que a sua conta bancária - grande, média ou pequena, não importa -já não era de x euros mas, por decisão de terceiros - governo, UE, FMI e por aí fora -, passaria a ser de x menos y (ou menos z, se o montante dos seus depósitos fosse superior a um dado valor). Não, leu bem, não estou a falar dos juros gerados por esses seus depósitos, ou dos impostos a que se obrigaria por os ter, mas do dinheiro que você tem no banco, à guarda deste. Vão-se a ele e...zás, dá cá uma parte. Assim a modos que um género de BPP, mas em grande, e sem que você pudesse sequer suspeitar de nada ou ter escolhido entre a concorrência disponível. E você não tem tempo para "tugir nem mugir", pois quando chega ao Banco para levantar "o seu"... não há nada para ninguém até lhe "raparem" a fatia em causa, que será de 9.9% se você tiver mais de 100 000 euros ou 6.7% se o valor for inferior (ora faça lá as continhas...). Pois, acredite ou não, é isto que está a acontecer em Chipre, país da União Europeia e da zona Euro, para o caso de estar esquecido. O sistema bancário cipriota estava "inchado" e era sede de lavagem de dinheiro das máfias russas? Pois, dizem que sim, mas que culpa tem o cidadão disso, que, na sua boa fé, lá depositou as suas economias e os seus rendimentos? Ou as empresas, que lá têm os seus fundos para pagamentos e investimento? Vai tudo raso, "o bom, o mau e o vilão". Imagina a raiva dos nossos concidadãos cipriotas, não imagina? Pois...
- Não é só a credibilidade bancária na UE que está em causa, principalmente nos países sob intervenção ou perigo dela, o que levará à fuga de capitais para os países "sólidos", pelos que o podem fazer, e para dentro do colchão, pelos outros. Não é apenas o carácter recessivo da medida que está em causa e a falta de confiança que irá gerar, é toda a credibilidade das instituições, políticas e financeiras, a partir deste momento arvoradas num género de Irmãos Metralha legalizados, que está em causa, sejam a Banca, os governos, a Comissão Europeia, o BCE, o Eurogrupo, o FMI e tutti quanti. E sabe você onde isso nos pode levar? Olhe, a Grande Guerra começou, em 1914, numa pequena cidade (Sarajevo) do então Império Austro-Húngaro. Espero o fim da Zona Euro e da UE não tenha começado numa pequena ilha do Mediterrâneo de menos de um milhão de habitantes.
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