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domingo, agosto 08, 2010

SLB: uma equipa "lost in translation"

Contrariamente ao que parece pensar Jorge Jesus com as suas hesitações na pré-época, não é fundamentalmente o sistema de jogo (4x4x2; 4x3x3, etc) que as ausências de Ramires e Di Maria põem em causa, mas sim algo mais profundo: alguns dos princípios essenciais (transições rápidas, jogo profundo e esticado pelo flancos) que fizeram o sucesso da equipa na época passada. Sem aqueles dois jogadores, mas com Gaitán e as duplas actualmente possíveis no flanco direito (Maxi e Amorim ou Martins), a equipa não só perde essa profundidade pelos flancos como tem tendência para privilegiar a posse e circulação de bola em detrimento das transições rápidas, o jogo em tabelas e desmarcações em curtos espaços de terreno mais centrais em prejuízo de um futebol mais explosivo, acutilante e aberto que era o de Ramires e Di Maria.

Estes são os problemas, com alguma autonomia face ao sistema de jogo (seja ele o 4x4x2, o 4x3x3, o 4x1x3x2 ou qualquer outro) e que o precedem, e daí o ter-se visto ontem a equipa como que “apática e abúlica” (como diria Alves dos Santos). Por sobrecarga de pré-época? Quase de certeza; mas também como que perdida e confusa nos princípios orientadores do seu jogo (um pouco "lost in translation") e na sua compatibilidade com os jogadores que a compõem.

Em devido tempo, já o tinha previsto aqui!

quarta-feira, outubro 02, 2013

SLB: uma equipa "lost in translation"

Claro que perder em Paris é normal, até ao Bayern ou Real Madrid tal poderia acontecer. O que não é normal é perder por "falta de comparência" de uma equipa que não pressiona, não tem agressividade nem intensidade de jogo. Vendo bem, nem sequer tem uma ideia de como deve jogar e do que deve fazer em campo, perdida que parece estar entre o modelo de jogo das quatro épocas anteriores, que as críticas externas e a insegurança de Jorge Jesus parecem ter condenado à extinção, e uma qualquer ideia nova, mais baseada no "posse e circulação", ideia que a equipa não entende ou não consegue interpretar, parecendo desconfortável e perdida no campo. Aliás, essa ausência de uma ideia de jogo consistente foi até bem evidente no jogo contra o CF Belenenses, no qual a equipa se limitou a enviar bolas por alto para a "grande área" esperando por um milagre. É isso, sem tirar nem pôr, que fazem as equipas sem ideias. Olhando para o jogo de hoje e o da primeira jornada do campeonato (e então ainda não existiam lesões), verifica-se que a equipa não evoluiu e a única diferença foi mesmo o adversário, então o modesto CS Marítimo, agora o milionário PSG. E, repito, Sulejmani e Djuricic parecem-me ser muito mais jogadores para jogar "em posse" do que no tradicional modelo de transições rápidas, o que parece aumentar ainda mais a confusão. Que é feito de Ola John, que custou sete milhões de euros e parece ter sido sugerido por Jorge Jesus?

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

A "atitude"

Bom, o tema acabou por me ser lembrado por um comentário de um leitor que destacava aquilo que ele designa por (grande)“atitude” da equipa do SLB nos últimos jogos e, mais concretamente, ontem. Vou ser claro: na maior parte dos casos (não excluo um ou outro, pontual, que possa não se enquadrar no que vou dizer) quando falamos da boa atitude de uma equipa, mais do que a “vontade”, o “querer”, a “garra” e por aí fora, tal significa que o colectivo e os jogadores que o compõem se sentem confortáveis com os princípios, modelo e sistema de jogo que a equipa perfilha, isto é, que eles são adequados os jogadores utilizados e resultam quando postos em prática colectivamente. Um pouco como tudo parece mais fácil, se desenvolve de modo mais mais fluído e nos “dá mais gozo” quando pensamos e executamos um trabalho cujo tema dominamos, do qual gostamos e que tivemos facilidade, desde o seu início, em ordenar e esquematizar. Se e quando isso acontece, se o trabalho é adequado à nossa personalidade, conhecimentos e começamos desde muito cedo a nele nos reconhecermos, facilmente nos entusiasmamos e os resultados serão bem melhores.

É isso que acontece com agora com o SLB. Depois de um início de época em que a equipa parecia, como por aqui fui afirmando, um pouco “lost in translation” (foi a expressão que usei), perdida entre dois modelos, por inadaptação de jogadores como Gaitán e Jara a princípios e modelo “importados” da época passada, por “desconfiança” simultânea em a equipa assumir sem medo as transições ofensivas rápidas por via da insegurança demonstrada, nas suas costas, por Roberto, individualmente e na sua relação com os jogadores à sua frente, parecendo com isso revelar pouca “atitude”, a adaptação destes jogadores e a consistência acrescida trazida por Salvio a estes princípios e modelo permitiram que a equipa se sinta hoje muito mais confortável na sua pele, fazendo crer que a sua “atitude”, colectiva e individualmente considerada, terá mudado. Nada disso: ao sentir-se finalmente confortável no modo como joga, tudo se torna mais fluído, o que se reflecte no acréscimo dos valores de confiança demonstrados. Não foram, portanto, a “garra”, o “querer” ou a “vontade de ganhar” que mudaram; mas, se virmos bem e com “olhos de ver”, algo que tem muito mais a ver com questões de carácter técnico, resultantes do trabalho efectuado nos treinos ao longo da época.