Se existe actividade em que a xenofobia impera à rédea solta, essa é o futebol. Começa com a discussão idiota sobra a chamada ou não à selecção de jogadores que não tenham tido sempre a nacionalidade portuguesa, que, recorde-se, podem ser deputados ou membros do governo mas aos quais, para serem internacionais por Portugal, se exigem provas de "portugalidade" acrescida tão "importantes" como o local onde passam férias, a nacionalidade do cônjuge, cantarem ou não o hino (eu, que nasci em Portugal e tive sempre a nacionalidade portuguesa, recuso-me a cantar aquela cretinice dos "egrégios avós" e do "às armas") e outras igualmente abstrusas. Acaba com o tratamento escandalosamente diferenciado dado pelo jornalismo indígena a jogadores portugueses e estrangeiros.
Ontem, o sérvio Djuricic e o português Ivan Cavaleiro marcaram ambos golos de excelente execução. Golos aparte, realizaram exibições - quanto a mim - de valia idêntica, relativamente medianas. Veja-se, contudo, a diferença de tratamento dada a ambos na capa do número de hoje de um dos mais importantes jornais desportivos. Simplesmente, um nojo.