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segunda-feira, julho 29, 2013

"Va Pensiero", "Senso", o "Risorgimento" ou aprender com a História

Giuseppe Verdi - "Va Pensiero" (da ópera "Nabucco")

Não sou um "Verdiano". Costumo mesmo dizer que de Giuseppe Verdi prefiro o Requiem às óperas. Mas a Alda Telles teve a simpatia de me chamar a atenção para este vídeo em que o coro "Va Pensiero", da ópera Nabucco, é interpretado pelo Coro e Orquestra do teatro de Ópera de Roma dirigidos por Riccardo Muti. E a chamada de atenção da Alda (que agradeço) não tem fundamentalmente a ver com a qualidade interpretativa, embora esta esteja presente, seja excelente, e, acrescento, o mesmo acontecendo com a beleza plástica da cena. A razão da Alda Telles prende-se bem mais com a intervenção política de Muti (a partir dos 7'), recuperando uma tradição do "Resorgimento" quando as letras que compõem o apelido Verdi eram lidas como Vittorio Emanuele Re d'Italia e "Va Pensiero", o coro em que os escravos hebreus evocam a sua pátria, foi transformada numa canção patriótica, que, aliás, como as óperas de Verdi, que eram grandes êxitos populares, era cantado nas ruas e corria de "boca em boca". Penso que esta espécie de retorno ao "Risorgimento" dá bem a medida da situação política e social que se vive na Itália de hoje.

Por sinal, o vídeo não deixou de me fazer lembrar uma outra ópera de Verdi, "Il Trovatore", e a sequência inicial daquele que é seguramente um dos filmes mais operáticos da história do cinema, "Senso", de Luchino Visconti. É também aproveitando a representação de "Il Trovatore" num teatro La Fenice cheio de militares austríacos, então ocupando o norte da península, que os patriotas italianos desafiam o poder ocupante gritando "Viva Itália" e fazendo voar das galerias (a ópera era um espectáculo popular e os lugares nas galerias vendidos a preços relativamente acessíveis) panfletos de propaganda da sua causa. Qualquer semelhança com a actualidade, nos países do sul da Europa, talvez não seja apenas mera coincidência.

"Senso", de Luchino Visconti - excerto da sequência inicial

terça-feira, fevereiro 03, 2009

"Il Ballo"

"Il Gattopardo", de Luchino Visconti (1963)

Talvez por causa da primeira valsa das noivas, em que o pai “entrega” a filha ao noivo agora marido, um baile é sempre excelente metáfora fílmica para uma transição de poder. Não sei foi usada antes ou tornou a ser utilizada depois como tal metáfora na História do cinema, mas por certo nunca antes ou depois assumiu a mesma notoriedade, a mesma carga política, o mesmo encanto – já agora, a mesma duração. Até porque nunca mais teve Claudia Cardinale, “esta” Claudia Cardinale. Também Lampedusa e também Verdi, como o Verdi do "Trovatore" teria o “Senso”.

Devo dizer que não sou especial admirador da operática Verdiana; prefiro o seu “Requiem” e na ópera o seu contemporâneo Wagner, um dos meus génios de cabeceira e tenho tão poucos. Como também não sou de Brükner, e nunca vi e ouvi ambos, Verdi e Brückner - o Brückner de “Senso” –, tal como também Mahler, tão bem e tão a propósito como em Visconti. Mas também, devo dizer, que nunca como em Visconti vi tão bem filmada uma gloriosa decadência e aqui também me lembro de “La Caduta Degli Dei”, que também um dia transportarei comigo para o outro mundo ou, maiscerto, mundo nenhum.

Pois aqui está um pequeno excerto desse mais famoso baile, de um filme ("Il Gattopardo") que tive a rara felicidade de rever não há muitos anos reposto no Nimas, que isso de “cinema em casa” é bem mas para outras “fitas”.

Ah, a valsa! Pois é a “Valsa Brilhante” de Giuseppe Verdi, claro.