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sexta-feira, maio 22, 2015

Tumultos no Marquês: marginais à paisana e marginais fardados

Tumultos no Marquês. PSP diz que força estava ajustada a um "contexto festivo"

Mas então não ocorreu à "ultra-profissional e bem preparada" PSP que depois da divulgação nas redes sociais das imagens da agressão em Guimarães ao cidadão José Magalhães poderia estar criado o ambiente adequado a uma tentativa de revanchismo por parte de alguns dos marginais que proliferam nas claques? E a PSP não se preparou para essa eventualidade? Vivem onde? Em Marte? Ou ninguém nas forças de segurança e no MAI vê televisão, tem conta no Facebook ou no Twitter?

O que aconteceu é que a falta de previsão e preparação demonstradas pela PSP transformou aquilo que deveria ter sido uma normal acção de manutenção da ordem pública por parte das forças de segurança, caso isso viesse a revelar-se necessário, num quase confronto entre dois grupos rivais de marginais, uns à paisana e outros fardados, como se prova pelas imagens em que se vê um polícia a arremessar uma garrafa contra os desordeiros numa total demonstração de falta de profissionalismo ao estilo "cada um por si e o resto ao ataque".

Já agora. Embora a instituição especialista e responsável pela segurança seja a PSP, alguém da CML ou do SLB também poderia ter chamado a atenção das forças de segurança para a possibilidade de acções de revanchismo. É menos grave, mas também não saem desresponsabilizados.

quarta-feira, maio 20, 2015

Um polícia sem cabeça é sempre o pior dos cidadãos

Exactamente o que um polícia, principalmente um graduado, nunca, em qualquer situação, pode fazer: "perder a cabeça". Se se sentiu ofendido, e admito isso tenha acontecido, restava-lhe identificar o cidadão, levá-lo para a esquadra e, depois, apresentá-lo a um juiz sob a alegação de desobediência e ofensas à autoridade. Não o tendo feito e tendo actuado da forma que conhecemos, o subcomissário Filipe Silva prova que não está preparado (ou foi mal preparado, o que é pior pois envolve toda a corporação a que pertence) para as funções que desempenha e é um péssimo profissional. Até admito possa continuar na PSP depois de cumprir castigo adequado, mas em funções de "back office", administrativas, nunca em situações de manutenção da ordem pública ou que impliquem contactos com o cidadão, até porque perdeu toda e qualquer autoridade e legitimidade. E a sua progressão na carreira, na PSP, a bem de todos nós, deve ficar-se por aqui. Envergonhou o país e a instituição a que pertence. Que tal retratar-se publicamente e pedir desculpa a José Magalhães e seus filhos?
E que tal a PSP, a sua direcção e a tutela, também pedirem desculpas públicas por este comportamento "abaixo de cão"?
Nota: Infelizmente, não foi só a reacção tardia da ministra Anabela Rodrigues que foi vergonhosa (um polícia agredir selvática e desproporcionadamente um cidadão não é um julgamento na praça pública?). Mostrando que já cheira a poder e sentindo que talvez possa ter um lugar de ministro da Administração Interna à sua espera, igualmente vergonhosa foi a reacção do ex-ministro socialista Rui Pereira. Por contraste, o ex-ministro Miguel Macedo, talvez pelo facto da sua carreira política ter terminado - mas não quero estar a ser injusto - produziu declarações bem mais equilibradas.

segunda-feira, maio 18, 2015

Justiça e polícias em "roda livre"

Depois de lermos o conteúdo de alguns acordãos, mormente dos casos Face Oculta e do julgamento de Duarte Lima; depois de sabermos da existência e conteúdo de um grupo de magistrados no Facebook destinado a comentar a detenção de José Sócrates, ficámos a saber que a Justiça em Portugal anda em "roda livre" e o melhor é nunca termos de nos defrontar com ela.

Depois de lido o comunicado da PSP sobre a bárbara agressão a um adepto após o jogo que opôs o Vitória Sport Clube ao SLB ontem em Guimarães, e perante o silêncio de ministra e secretários de Estado respectivos perante o incidente, ficámos também a saber que as polícias agem sem tutela e em descontrole total e quase absoluto.

Perante o silêncio dos deputados que, quase sempre muito céleres a pedir a comparência de governantes na Assembleia da República por "dá cá aquela palha" quando tal serve as suas cores partidárias, deveriam ser os primeiros a exigir a presença da ministra Anabela Rodrigues ou de algum dos seus secretários de Estado no parlamento, ficamos a saber que nós, cidadãos que julgamos viver em democracia, estamos afinal indefesos perante a arbitrariedade e violência policiais. 

Assim começam as ditaduras e, como muito bem diz Pacheco Pereira, para este governo a política parece resumir-se às empresas, a "fusões e aquisições", à venda a estados ditatoriais ou a empresários de reputação duvidosa (ou da qual ninguém duvida porque abaixo de toda e qualquer suspeita) de activos nacionais e à desvalorização das qualificações e do  trabalho. Não espanta que para muitos dos actuais membros da elite política dominante e do governo a referência não sejam as democracia mais desenvolvidas e os países mais civilizados, mas a praça financeira de Singapura e o seu regime autoritário.Não podemos alegar não estarmos avisados.