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terça-feira, fevereiro 23, 2010

"Sinais de Fogo"?

João Rodrigues, no “Arrastão”, acha que Miguel Sousa Tavares se mostrou mal preparado na entrevista de ontem a José Sócrates. Acho que sim; acho terá alguma razão. Mas o facto é que já em sua anterior e recente prestação televisiva, no “Prós & Contras”, sobre a questão do porto de Lisboa e dos contentores, MST se tinha mostrado claramente inseguro e mal preparado. Espero não se esteja a tornar norma. Mas adiante.

O que é um facto é que, independentemente da qualidade, conhecimentos e preparação do entrevistador (e já tenho assistido a excelentes entrevistas coordenadas por MST), o êxito de uma boa entrevista depende muito da escolha oportuna do entrevistado e, neste momento, José Sócrates, apesar da sua condição de “homem do momento”, talvez não tivesse sido a melhor escolha: já disse o que tinha a dizer (até, acho, já falou demais), não disse o que nunca poderia dizer e, para além das questões de actualidade política cujo interesse estaria sempre limitado pelo que afirmo no início desta frase (ou alguém pensa que o político experiente que é José Sócrates iria escorregar numa casca de banana?), José Sócrates não é, nem tem obrigatoriamente de ser, uma personalidade fascinante que valha por si só uma boa e fluente conversa. Assim, “Sinais de Fogo” (título um pouco pretensioso) não foi mais do que um “remake” de uma qualquer “Grande Entrevista” de Judite Sousa, sem a solenidade que a RTP1 lhe concede, com um entrevistador pior preparado e, como naqueles concertos "rock" com uma das maiores vedetas do espectáculo, uma primeira parte que não guardaremos na memória e da qual nos queremos ver livres rapidamente para assistir ao que realmente interessa.

Deixo um recado para o próximo programa e para MST. Importam-se, efectivamente, de nos surpreender?