Se basear o esquema narrativo do filme na estrutura de "As Mil e uma Noites" é uma boa ideia e revela criatividade, isso não chega e há que ir ao conteúdo. E aqui, se por vezes o filme consegue atingir algum humor iconoclasta (a história do galo é de facto impagável) e outras vezes surreal (a cena da baleia tem muito de "Amarcord"), noutras, principalmente nos depoimentos directos e por muito que eles nos toquem, é demasiado déjá vue e não evita algum (ou até muito) primarismo ideológico.
Também, e infelizmente, na sequência das "negociações com a troika", onde o tal humor iconoclasta seria naturalmente muito bem-vindo mas que resulta "pesadão" e com pouca graça, o diálogo descamba para um calão "hard core" que nada acrescenta e a única nota de humor e verdadeiro achado vem da pronúncia brasileira (ou mais ou menos, o que ainda tem mais graça) do tradutor interpretado por Carloto Cotta.
Uma certa desilusão depois do quase excelente "Tabu".
Dá para ir ver os dois últimos "tomos"? Não sei...

