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quarta-feira, julho 18, 2012

Mantorras e o mito

Sou pouco ou nada dado a sebastianismos, para não dizer mesmo me situo nos antípodas de tais concepções mitológicas e mistificadoras. Por isso, devo dizer nunca me inclui no vasto grupo de adeptos do SLB que construíram ou colaboraram na edificação do "mito Mantorras". Lembro-me mesmo de dizer, "in illo tempore", isto é, no início do percurso de Mantorras no "Glorioso", que não entendia como se colocava nos ombros de um jovem jogador "sem escola", isto é, com a agravante de não ter percorrido o trajecto normal da formação, indispensável no futebol do século XXI, a responsabilidade de carregar consigo, às suas costas, uma equipa com o "peso", o historial e as ambições desportivas do SLB. Independentemente de quaisquer teorias da conspiração que envolvam questões de ordem financeira - que ignoro e sobre as quais não especulo - o "mito Mantorras" teve um objectivo e cumpriu a preceito uma função, nessa altura e nesse tempo: contribuir para a afirmação de Luís Filipe Vieira como dirigente e futuro presidente no Sport Lisboa e Benfica. A infelicidade que constituiu a sua lesão apenas ajudou a cimentar o mito, qual Jim Morrison ou James Dean do futebol indígena: "morrem cedo aqueles que o povo ama". Com uma diferença, nada negligenciável:  Mantorras era, quando muito, apenas e só uma esperança, transformada num mito que LFV e a direcção do SLB de então precisavam alimentar para manter viva a "chama imensa" num período de péssimos resultados desportivos para o clube.

Enfim, devo dizer que, com bastante desconforto e alguma melancolia, lá fui assistindo ao entusiasmo do povo benfiquista quando, já no rescaldo da sua lesão e em desespero de causa, Mantorras se levantava do banco com a missão de salvar a "honra benfiquista". Já nos tempos históricos deste "blog" manifestei opinião de que manter aquele Mantorras no plantel do SLB era, em termos de gestão de recursos humanos,  um erro crasso no qual um clube profissional de futebol não poderia incorrer, muito menos reincidir. Jorge Jesus compreendeu (honra lhe seja feita) o problema e, como os tempos (felizmente) já eram outros, até um LFV já afirmado no clube percebeu que tinha chegado ao fim uma época e que era necessário um novo tipo de relacionamento com a "rua" benfiquista. Assim sendo, e como seria impensável destruir o mito, era necessário este assumisse novas e renovadas formas. Hoje à noite iremos talvez assistir ao último capítulo dessa construção.  Fiel aos meus princípios, não vou estar.