Já me parece completamente despropositado e fora deste modelo o investimento de 4.5 milhões de euros (quase o dobro do investimento na linha Lisboa-Caia!!!) na linha Lisboa-Porto, distanciadas apenas 300 Km e, actualmente, 2.45 h por comboio pendular, tempo que pode ser encurtado (até duas horas e quinze?) através da intervenção na infra-estrutura existente o que tornaria o comboio perfeitamente competitivo com o avião. Investir 4.5 milhões de euros para poupar ½ hora num trajecto entre as duas cidades ou transformar a rede de alta velocidade numa rede regional de caminhos de ferro é um erro estratégico grave. Este é o modelo megalómano “grande plataforma litorar” da península e hub aeroportuário na Ota, para competir com Madrid, com TGV internacional a ligar-se à linha interna de alta velocidade formando o “tal” “T”, parece que entretanto já alterado(?). Não tem qualquer consonância com a realidade e é destinado ao fracasso. De si próprio e do país."
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
quarta-feira, fevereiro 06, 2013
TGV revisitado, ou um "post" com quase 6 anos
Já me parece completamente despropositado e fora deste modelo o investimento de 4.5 milhões de euros (quase o dobro do investimento na linha Lisboa-Caia!!!) na linha Lisboa-Porto, distanciadas apenas 300 Km e, actualmente, 2.45 h por comboio pendular, tempo que pode ser encurtado (até duas horas e quinze?) através da intervenção na infra-estrutura existente o que tornaria o comboio perfeitamente competitivo com o avião. Investir 4.5 milhões de euros para poupar ½ hora num trajecto entre as duas cidades ou transformar a rede de alta velocidade numa rede regional de caminhos de ferro é um erro estratégico grave. Este é o modelo megalómano “grande plataforma litorar” da península e hub aeroportuário na Ota, para competir com Madrid, com TGV internacional a ligar-se à linha interna de alta velocidade formando o “tal” “T”, parece que entretanto já alterado(?). Não tem qualquer consonância com a realidade e é destinado ao fracasso. De si próprio e do país."
segunda-feira, março 26, 2012
TGV, governos e incumprimentos contratuais
quarta-feira, setembro 28, 2011
A alta-velocidade e a velocidade "assim-assim"
quarta-feira, setembro 21, 2011
A entrevista de Pedro Passos Coelho: as dúvidas (2)
quinta-feira, maio 05, 2011
"Memorando de Entendimento" e TGV
quarta-feira, abril 13, 2011
A propósito ou a despropósito do aeroporto de Beja
- Aquela "bimbalhice" do presidente da Câmara Municipal de Beja organizar uma excursão para "ir ver o avião" no aeroporto de Beja é bem o retrato de algum país autárquico. Não há quem lhe chame a atenção para o ridículo?
- Tanto quanto sei, quando foram iniciadas as obras (ou tomada a decisão da sua construção, não me lembro) do aeroporto de Beja, o novo aeroporto de Lisboa estava planeado para a Ota. De que modo a sua transferência para Alcochete e, agora, o adiamento da sua construção alteram o que estava previsto para Beja em termos de tráfego, rentabilidade, etc? De que modo o aeroporto de Beja se passou a enquadrar na estratégia do governo (se ainda existe uma) para o sector de transportes?
- Já agora: seria interessante que o próximo governo apresentasse um plano estratégico credível para o sector dos transportes e logística, nele incluindo ferrovia (com o projecto de alta-velocidade e linhas de bitola europeia), estruturas aeroportuárias, plataformas logísticas, portos e tudo o mais. E, embora eu não seja adepto de demasiados unanimismos, que esse plano fosse um daqueles objecto de consenso alargado. A ver se nos entendemos, definitivamente, neste ponto e uma decisão tão estruturante deixa de servir objectivos eleitorais ou populistas, de um ou outro lado.
domingo, maio 09, 2010
TGV ou, com mais rigor, bitola europeia?
Parece-me estar errado o Eduardo Pitta. O que vai ser construído entre o Poceirão e Caia, com ligação à rede de Espanha, não é propriamente o TGV: é uma linha em bitola europeia, que permitirá a alta-velocidade com comboios do tipo AVE e TGV, mas se integra também no projecto de movimentação e transporte de mercadorias que inclui o porto de Sines e a plataforma logística do Poceirão. Claro que a sua rentabilização e total aproveitamento num futuro próximo tornam indispensáveis a terceira travessia do Tejo e o transporte de passageiros Lisboa-Madrid (sooner the better), mas, entretanto e apesar do adiamento destes, o projecto parece-me, mesmo assim, dotado de alguma autonomia.
quinta-feira, novembro 12, 2009
Revisitar o TGV
Pergunta: todos estes dados têm sido considerados para a actualizar os estudos sobre o TGV Lisboa-Madrid? Pode, nestas condições, o combóio de alta velocidade continuar a ser competitivo com o avião?
Sou um defensor da ligação Lisboa-Madrid por combóio de alta velocidade, pois parece-me penalizador para Portugal, em termos competitivos, ser a única região da Península a ficar fora da respectiva rede ibérica. Mas, em primeiro lugar, tudo tem um limite, mesmo as decisões onde a racionalidade económica pode ceder, por vezes, o passo a questões de ordem política; e, em segundo lugar, refazer as contas perante este novo cenário irá certamente alterar os parâmetros do negócio, com todas as suas consequências, inclusivamente para o bolso dos contribuintes. A ter em consideração...
quinta-feira, setembro 17, 2009
O TGV ibérico e o "eurocepticismo"
Que quero dizer com isto? Bom... Sendo este, talvez (e aqui estou de acordo com José Sócrates e espero não ter de pedir desculpa por isso), o PSD mais à direita de que tenho memória, será que este discurso, ou pelo menos “este sair da boca para fora” nacionalista (já entrevisto em algumas afirmações “não oficiais” quando do caso TVI), corresponde mesmo, e apenas, a uma táctica eleitoral sem consequências ou tem, efectivamente, a ver com esse deslizar para a direita do partido, tendo na sua base uma ideologia “atlantista” e "eurocéptica" - e evidenciando também uma muito envergonhada simpatia por uma “España: una, grande y libre” - tão cara a alguns dos sectores do partido e, principalmente, à inteligenzia mediática que o apoia?
Não, não me estou só a referir a José Pacheco Pereira, actualmente o ideólogo de serviço e cujas posições anti-europeias (hesitei, mas acho chamar-lhe “eurocéptico” pecaria por defeito) são por demais conhecidas. Se estivermos atentos aos jornalistas e comentadores que, de uma forma mais ou menos militante, têm estado na linha da frente, ideologicamente falando, da campanha do PSD, desde a chegada de Ferreira Leite à sua presidência (e estou a lembrar-me de José Manuel Fernandes, Vasco Pulido Valente e muita gente na “blogosfera”), o “eurocepticismo” ou a ausência de "euroentusiasmo", sob a forma de uma UE politicamente mitigada, e o “atlantismo”, este menos evidente e esperando “melhores dias” desde a saída de W. Bush, são ambos bem evidentes.
Uma versão do “ovo da serpente”? O futuro o dirá...
terça-feira, junho 30, 2009
Desemprego ou endividamento? Competitividade!
Portanto, e no que diz respeito às tão faladas obras públicas, a questão essencial será: qual ou quais delas permitirão ao país tornar-se mais competitivo, aumentando o valor e a quantidade dos bens transaccionáveis no mercado internacional e atraindo mais investimento estrangeiro qualificado? Parece-me ser a resposta a esta tão simples pergunta determinante para uma decisão.
A minha opinião de cidadão não-técnico mas interessado nestas coisas? Francamente, e assim pela rama, não me parece uma linha de alta velocidade Lisboa-Porto, diminuindo em ½ hora o tempo de viagem (será bom lembrar que com alterações na linha o Alfa pode efectuar o percurso em 2 horas) contribua decisivamente para um aumento da competitividade do país. Tenho algumas (sérias) dúvidas sobre a capacidade de um hub aeroportuário para competir com Madrid ou Barcelona, ou mesmo sobre o modelo de desenvolvimento e de integração de Portugal na Península que ele pressupõe. Tenho menos dúvidas sobre a ligação de Portugal à rede ibérica de alta velocidade, na medida em que me parece pouco admissível para esse aumento de competitividade que o país possa vir a ser a única das nacionalidades peninsulares (e a sua mais importante porque país independente) a ficar “de fora” dessa rede, o que contribuiria para um agravamento da sua situação periférica.
Em função deste factor (competitividade) queiram pois fazer o favor de reavaliar.
quinta-feira, junho 18, 2009
PSD e alta velocidade
segunda-feira, junho 15, 2009
TGV ou o "Gato Maltês" "fishing for compliments"
quarta-feira, janeiro 14, 2009
A candidatura conjunta ao Mundial de 2018 e os benefícios não tangíveis
Uma hipotética candidatura vencedora de Portugal e Espanha ao Mundial de 2018 não terá qualquer impacto na rentabilização dos estádios construídos para o Euro 2004; apenas se utilizariam os estádios dos três grandes, que não precisam disso para se rentabilizarem, e, possivelmente, mais um (Algarve?), e não seria por aí se realizarem mais dois ou três jogos que ele seria rentabilizado.
Mais: sem ter números para afirmar o que digo, arrisco que o valor de um tal evento para o turismo seria – tal como o foi com a realização do Euro 2004 – relativamente residual, já que, hoje em dia, existe uma indústria de viagens a operar neste tipo de realizações que se limita a transportar as pessoas para verem os jogos, poucas sendo as que aproveitam a deslocação para outro tipo de actividade turística complementar que não seja "emborcar" umas cervejas. Mais ainda, não me parece que a muito abstracta promoção do país, tantas vezes, nestes casos, propagandeada, tire de eventos deste tipo benefícios claros e sustentáveis.
Bom, tendo dito isto penso que os benefícios de uma candidatura conjunta Portugal-Espanha estarão muito mais perto de uma questão pouco ou nada tangível do que de qualquer outra coisa mais directamente mensurável: o aprofundamento da colaboração e cooperação política e institucional entre os dois países ibéricos e o acentuar da imagem da Península como um grande mercado e espaço únicos (o que em parte já é) multifacetado nas suas várias nacionalidades em termos culturais e linguísticos. Para já, penso que apenas a Espanha o percebeu.
É exactamente por esse motivo que – e já por aqui o tenho dito – a única das grandes obras públicas previstas que efectivamente tem uma justificação política e estratégica – e que defendo - é a ligação por TGV Lisboa-Madrid, claramente aquela que se revela de mais difícil rentabilização económica. Um aviso para as vistas curtas daqueles que têm da política uma visão puramente contabilística.
sábado, dezembro 13, 2008
Descodificar Belmiro...
No caso do TGV e do novo aeroporto (leia-se: a nova “grande cidade” aeroportuária), questões onde Belmiro até tem maioritariamente razão (apenas a ligação Lisboa-Madrid é defensável e, no curto prazo, de um ponto de vista fundamentalmente político, embora no longo prazo o caso possa mudar de figura e ter um carácter estruturante), todos sabemos que a construção de ambos tenderia a secundarizar e regionalizar o aeroporto Sá Carneiro e, em alguma medida, a região norte centrada no Porto, sendo lícito pensar que poderiam contribuir para fazer da Grande Lisboa o principal polo competitivo do país em termos peninsulares. Ora não só Belmiro de Azevedo já manifestou o seu eventual interesse na gestão das Pedras Rubras, autonomizado dos restantes aeroportos nacionais, como estas duas grandes obras públicas teriam como consequência algum enfraquecimento da posição negocial e reivindicativa do “norte” (leia-se: Porto), algo que estaria bem longe de se mostrar favorável aos interesses do grupo Sonae que cresceu e alcançou notoriedade e importância cavalgando e contribuindo para a “onda nortenha” do pós 25 de Abril (décadas de 70 e 80 do século passado)

Quanto à Banca, bom... nunca os esforços de Belmiro de Azevedo para conseguir uma posição significativa no sector financeiro foram coroados de correspondente êxito. Portanto... e à bon entendeur...
domingo, novembro 02, 2008
A entrevista de Manuela Ferreira Leite
Apenas mais um reparo. Por muito que a ligação por TGV Lisboa-Madrid (especificamente criticada por MFL e a única que defendo) seja de rentabilidade duvidosa é a única politicamente defensável, já que se vê com dificuldade como possa Portugal ficar excluído da rede ibérica de alta velocidade numa península economicamente integrada. Acrescem ainda duas questões. O seu custo é significativamente inferior (menos de metade) ao da ligação Lisboa-Porto; mesmo que a sua rentabilidade esteja assegurada, não consigo imaginar qual a função estruturante da linha Lisboa-Porto sem a respectiva ligação a Madrid.
segunda-feira, outubro 06, 2008
O governo, a crise e os projectos. "E pur se muove"?
Senão vejamos... Mudou uma boa parte do enquadramento macro-económico. As taxas de crescimento previstas para o PIB europeu e português foram revistas em forte baixa, alguns países entraram (ou vão entrar) mesmo em recessão técnica e a confiança nas instituições de crédito e nos mercados sofreu rude golpe. A inflação, essa, ou melhor, o seu comportamento futuro em função das tensões que a injecção de dinheiro nos mercados possa vir a causar, está para se ver, como também estará a atitude que o BCE possa vir a tomar na circunstância, e o petróleo... bom, esse é melhor nem nos preocuparmos muito com ele se quisermos manter a nossa sanidade mental ainda intacta (ou quase). De que modo é que este enquadramento irá afectar muitos projectos, mormente aqueles que têm tudo a ver com o tráfego aéreo e ferroviário, de passageiros e mercadorias?
Não chega? Bom, então falemos da componente financeira. Financiamento dos projectos? Disponibilidades de crédito e seu custo, uma componente com certeza importante no custo total, custo este onde a crise, porventura, apenas poderá trazer consigo de favorável uma diminuição dos custos de mão de obra, partindo do princípio académico que haverá mais gente disposta a trabalhar por menos dinheiro no lower end do mercado de trabalho, isto é, na construção civil (leia-se, imigração).
Mais ainda, e agora vamos às questões da política “pura e dura”, algo que parece andar esquecido nesta discussão. Em face da nova realidade - a crise - as opções políticas estratégicas e de curto prazo do governo devem manter-se? Em que medida? Por exemplo, a estagnação e o aumento previsível do desemprego devem levar o governo a reforçar as políticas que permitam um crescimento económico a curto prazo , reforçando assim a opção pelo betão e sacrificando, de certo modo, o desenvolvimento sustentado de médio longo prazo e a aposta na chamada “economia do conhecimento”? As incertezas do presente, com as subsequentes dificuldades de planear a longo prazo, podem, e devem, levar o governo a, sempre que possível, fasear projectos (o novo aeroporto parece, a este nível, ser um caso paradigmático)? O comportamento do preço do petróleo, nos últimos tempos, é razão para acelerar os projectos ligados às energias alternativas ou aqueles menos dependentes de elevados consumos energéticos, em sacrifício de outros? Em face da realidade ocidental actual, deve ou não o governo fomentar ainda mais os investimentos nas economias emergentes, menos afectadas pela crise mas de maior risco político?
Chega? São apenas algumas perguntas avulso, escritas por um cidadão comum “ao correr do teclado”, que isso da “pena” já lá vai há muito. Uma prova de que o governo deveria reunir, fazer o trabalho de casa e chegar finalmente à conclusão de que, apesar de parada, a Terra parece contudo mover-se. Lá chegará o governo a essa conclusão, esperando não o faça demasiado tarde.