- A saída de Matic do SLB, para além do que já aqui tinha afirmado, coloca um problema a Jorge Jesus que vai muito para além da sua substituição pura e simples, jogador por jogador. Sendo um centro-campista polivalente, que recupera bolas, sabe sair a jogar, acima da média no "um para um" e que ocupa uma enorme área de terreno (assim um género de "6" que também é "8" e até faz de "10"), isso tem permitido à equipa jogar frequentemente com apenas dois homens no meio-campo e começar a construir os lances de ataque bem "cá atrás". Daí o SLB poder adoptar quase sempre um sistema 4x2x4, com dois "pontas de lança" e com muita gente a aparecer na área contrária. Isto significa que qualquer que seja o substituto do sérvio, e porque não há por aí muitos jogadores como ele (só me lembro de Ya Ya Touré), Jesus vai ter, provavelmente, não só de alterar o seu sistema de jogo, como também de efectuar correcções significativas a alguns dos princípios de jogo da equipa, o que não é tarefa fácil a meio da época.
- A eleição do "jogador do ano" pela FIFA não é um concurso de patriotismo, seja lá o que for essa história do patriotismo. Por isso mesmo, e não pertencendo eu ao séquito de aduladores de Carlos Queiroz nem tendo por ele ou pelos seus métodos de trabalho qualquer simpatia, não percebo porque se aponta o ex-seleccionador a dedo, quase o acusando de "traidor à Pátria", por não ter votado em Cristiano Ronaldo e ter preferido Messi (digo eu, que votaria em Cristiano e acho o seu prémio justíssimo). Colectiva ou individualmente, votou naquele que achou ser melhor e, para si, esse não foi Cristiano Ronaldo. E depois?
- Se é normal Cristiano ter mencionado Eusébio na sua declaração (são ambos futebolistas, de origem humilde e oriundos de regiões periféricas do país - no caso de Eusébio mesmo de uma colónia onde se travava uma guerra pela independência), o que justifica aquela menção a Mandela? Como é óbvio, não está em causa grandeza política e humana de Mandela, mas, de facto, constata-se que o politicamente correcto está a tornar-se insuportável a a "abafar" qualquer tentativa de pensamento e expressão mais autónomos.
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
terça-feira, janeiro 14, 2014
Matic e Jesus; Queiroz e Cristiano
segunda-feira, agosto 15, 2011
Selecções jovens
domingo, setembro 12, 2010
O "caso" Queiroz: perguntas e respostas
P: Teria sido possível para Madaíl optar por outro seleccionador quando contratou Carlos Queiroz?
R: Claro que possível teria sido sempre. Mas sejamos honestos: depois da saída de um seleccionador que tinha contra si a força dominante do futebol português (FCP) e que vinha sendo acusado, numa clara preparação para a contratação de CQ, de votar as categorias de formação ao ostracismo, também daquela que era, na altura, a opinião mediática largamente dominante, inclusivamente tendo esta lançado atempadamente e como acção promocional a inverosímil possibilidade de CQ vir a substituir Alex Ferguson, digamos que a margem de manobra de Madaíl ou de qualquer outro presidente ou direcção da FPF era muitíssimo reduzida ou quase nula. Sejamos, pois, honestos e admitamos que, ao tempo e em função do caldo de cultura dominante, a solução encontrada foi a “normal”.
P: Teria sido desejável um contrato apenas por dois anos (renovável), até final do Mundial 2010?
R: Uma vez mais: desejável, claro que sim. Mas possível? Sendo o maior activo de CQ os resultados obtidos com as categorias de formação (de que modo e usando que processos não vem aqui ao caso) e constituindo a principal acusação dos detractores de Scolari (e defensores da opção CQ) o facto de LFS só se ter preocupado com a selecção principal, um contrato de dois anos, de curto-prazo, seria dificilmente defensável para um “projecto” deste tipo. Acresce que CQ se encontrava ao serviço no Man. United e sempre foi vendida a ideia de que apenas um projecto de longo-prazo, “à medida do seu perfil”, seria susceptível de o atrair.
P: Teria sido melhor despedir CQ no final do “play-off”?
R: Não me parece. Depois de um mau início, a selecção foi conseguindo os resultados necessários à qualificação. Poder-se-ia argumentar facilmente que era incorrecto e desestabilizador o seu despedimento após ter conseguido o apuramento, mesmo que sem brilho, e o percurso da selecção ter vindo, pelo menos em termos de resultados, a ser percorrido de forma ascensional. Acresce que a equipa resolveu o “play-off” de forma clara, com duas vitórias.
P: A cena de “pugilato” com Jorge Baptista teria sido uma boa oportunidade para despedimento com “justa causa”?
R: Não sendo jurista, duvido, no entanto, que tal pudesse ser aceite em termos legais. Acresce que bem pior se tinha passado com LFS, no final do Portugal-Sérvia, e a FPF tinha resolvido o assunto com recurso a uma simples multa. De qualquer modo, acho que uma sanção pecuniária por parte da FPF, se tal fosse legalmente defensável, e um aviso público poderiam ter tido um efeito pedagógico e contribuído para evitar males futuros. Na altura, estranhei o silêncio da FPF.
P: CQ deveria ter sido objecto de um processo disciplinar e possível consequente suspensão por parte de FPF e ADoP logo na sequência da “cena” da Covilhã?
R: Na fase de preparação para o Mundial e a duas semanas do seu início? Alguém ousaria sem que Portugal inteiro, com diáspora e tudo, lhe caísse em cima??? Heróis já haverá poucos e parece que estúpidos ainda menos!... Pretender tal coisa é simplesmente ridículo e tal afirmação apenas poderá ter origem em alguém mal intencionado.
P: A FPF deveria ter rescindido o contrato com CQ logo após o Mundial?
R: Ora bem... Em termos de resultados, e disse-o neste “blog”, o seleccionador não pode ser criticado: qualificou a equipa para os 1/8 de final e perdeu pela diferença mínima com o futuro campeão do mundo. As exibições deixaram a desejar? É uma questão secundária face aos resultados e não me parece algum treinador possa ser avaliado, com justeza, em função de tal coisa, demasiado subjectiva. Mas atenção!: também o disse, algo muito diferente terá sido o que se passou nos bastidores, no relacionamento com jogadores, restante equipa técnica, médica, dirigentes, etc, etc, e isso também deveria ter sido tido em conta na avaliação. Mas aí terão (acho) começado as divergências no seio da direcção federativa e uma rescisão por esses motivos (relacionamento dentro do grupo), até porque dificilmente os jogadores, mesmo de “candeias às avessas” com CQ, se disponibilizariam para depor em qualquer processo, dificilmente poderia ser pretexto para alegar “justa causa”, o que terá fortalecido a posição dos que defendiam a continuidade do seleccionador. C’os diabos, três milhões são... três milhões! Restava, pois, rebobinar o filme e procurar por onde pegar, lançar cascas de banana, fazer a vida de CQ num inferno e esperar ele “escorregasse”. E escorregou!, principalmente com a história do “polvo”. É sacanice? Será, mas o mundo das relações de trabalho está cheio destas coisas e ninguém é menino do coro...
P: E Laurentino Dias? Deveria ter-se mantido à parte, não interferindo no "livre associativismo"?
R: Dever... devia. E até teria sido bem melhor se pudesse não o ter feito. Seria a situação ideal. Mas sobre a intervenção do Estado e dos governos no tal “livre associativismo”, para não perdermos mais tempo sugiro leiam o que escrevi aqui e aqui. É a vida e essa será cada vez mais uma realidade. E não podemos fingir que o mundo não existe ou é igual ao que era há 50 anos. Ponto final, pois.
terça-feira, setembro 07, 2010
Queiroz: e se ficasse em casa?
Suspenso pela sua própria entidade empregadora e não, ao contrário do que aconteceu com Scolari, por uma instância como a FIFA ou a UEFA, seria bem melhor que Carlos Queiroz se decidisse a ficar em casa, vendo os jogos pela TV, e se abstivesse de assistir a esses mesmos jogos da selecção no estádio, em Portugal ou no estrangeiro, num claro desafio à autoridade da FPF e à legitimidade da decisão por esta tomada. Poupar-nos-ia também assim - a todos, incluindo jogadores - às cenas tristes e pouco edificantes a que temos assistido, sujeitando-se a pagar bilhete e viagens do seu próprio bolso para ver jogar a equipa num péssimo exemplo a que um verdadeiro líder nunca se deveria sujeitar.
É que não basta invocar a “honra”, o “polvo”, Amândio de Carvalho, a “porcaria” e arrolar Alex Ferguson como testemunha. É preciso, em primeiro lugar, dar o exemplo e começar por aprender como se comportar.
sexta-feira, setembro 03, 2010
Queiroz: duas perguntas
- Onde está a contradição principal? Entre um governo que pretende afastar Queiroz rapidamente e uma direcção da FPF que, até por contradições internas, não age com a pretendida celeridade ou entre uma direcção federativa, maioritariamente, sintonizada com o governo mas que não obtém do Conselho de Disciplina a cooperação esperada?
- Sendo óbvio que o modo, mais ou menos pacífico ou mal ou bem-educado, como se terá processado o controlo “anti-doping”, na Covilhã, é apenas um pretexto (o que, aparentemente, estava “mais à mão” para ser usado), qual ou quais as razões de fundo que estarão por detrás da óbvia e convicta intenção governamental (e da FPF?) de levar o seleccionador à demissão?
terça-feira, agosto 31, 2010
Ainda duas perguntas a propósito de Queiroz...
- Ofender gravemente em público, numa entrevista ao “Expresso”, um superior hierárquico (Amândio de Carvalho) e, com ele, a sua entidade patronal (FPF) não será motivo mais do que suficiente para despedimento com justa causa? Ou para uma entidade patronal invocar tal motivo, será mesmo preciso um assassinato com transmissão televisiva, em directo e “ao vivo”?
- Pergunta aos comentadores que afirmam deveria a FPF, se quer despedir Queiroz, pagar a indemnização prevista contratualmente: que fariam se o dinheiro fosse vosso ou estivessem a gerir a empresa pela qual eram responsáveis perante os accionistas?
sexta-feira, agosto 20, 2010
Queiroz
sexta-feira, agosto 13, 2010
Um estranho "Bebé"...
Bom, abomino teorias da conspiração, fujo mesmo delas a “sete pés” e nem mesmo sei, no caso presente, em que moldes elas poderiam ser equacionadas. Mas perante tão evidente conto de fadas e conhecendo um pouco o futebol, em vez de chorar e fazer chorar todas as pedrinhas da calçada permitam-me, pelo menos, me interrogue sobre se, nesta história, tudo bate mesmo muito certo... Baterá?
terça-feira, agosto 10, 2010
Pergunta...
segunda-feira, julho 26, 2010
Queiroz...
sexta-feira, julho 02, 2010
Seleccionador ou director-técnico?
O tal "projecto estruturante" de Queiroz, permanentemente invocado por alguns dos seus indefectíveis como Freitas Lobo e Rui Santos, ameaça tornar-se na cortina de fumo que tenta esconder um futebol decepcionante, um grupo que parece carecer de liderança e resultados que, enfim, lá vão cumprindo os serviços mínimos.
Sejamos claros. Queiroz, independentemente de todo o trabalho meritório que tenha realizado ou possa vir a realizar na FPF, é, em primeiro lugar, o seleccionador nacional, e é sobre o modo como desempenha este cargo e não o de um hipotético director-técnico da Federação que deve ser, fundamentalmente, ser avaliado.
quarta-feira, junho 30, 2010
Selecção: apreciação final
- Disse aqui neste “blog” quando a selecção portuguesa perdeu com a Alemanha nos ¼ de final do Europeu de 2008 que considerava esse resultado normal e que a participação da selecção portuguesa na prova estava de acordo com as expectativas, nada, em termos de prestação desportiva, podendo ser apontado à equipa técnica então dirigida por Scolari. Da mesma forma, afirmei aqui antes deste Mundial que consideraria normal o apuramento de Portugal para os 1/8 de final no segundo lugar do grupo e a sua posterior eliminação pela Espanha nessa fase, caso fosse este, como tudo faria prever, o adversário que caberia em sorte às “quinas”. Coerentemente, em termos de puro e simples “resultadismo” – que, em última análise é o essencial – tudo de acordo com a normalidade, não existindo razões de fundo, neste campo, para colocar em causa os responsáveis.
- Tendo dito isto, confesso reconhecer algo de diferente nestas duas participações. Em 2008, Portugal venceu a Turquia por 2-0 e a República Checa por 3-1. Perderia com a Suiça por 2-0 num jogo “a feijões” e com a Alemanha por 3-2 nos ¼ de final. Agora, não só não conseguiu ganhar a nenhuma das equipas do “seu” campeonato, como não foi sequer capaz de marcar qualquer golo. É que defender bem - Mourinho provou-o - não significa a mesma coisa do que a equipa esgotar-se nos processos defensivos, e Queiroz pareceu-me sempre demasiado obcecado pelos “serviços mínimos”, sem qualquer outra alternativa, talvez porque soubesse isso lhe garantiria um mínimo de contestação e o consequente cumprimento integral do seu contrato com a FPF. Provou, uma vez mais, tratar-se de um académico: profundo, certinho, mas sem rasgo ou chama, muito menos capaz de decidir rapidamente perante uma situação inesperada. Teria sido diferente com Nani e Bosingwa? Seriam duas opções que permitiriam melhorar o desdobramento ofensivo da equipa, mas a sua ausência não justifica tudo.
- Chega de atirar com as culpas para cima de Cristiano Ronaldo, apesar da sua inenarrável atitude no final do jogo (não foi ele que se institui capitão). É demasiado fácil fazê-lo: é famoso, milionário, joga no maior clube do mundo e “papa uma gajas boas”. Se jogava bem no United e joga bem no Madrid a responsabilidade da sua má prestação quando joga por Portugal será só dele? O facto é que parece existir uma incompatibilidade entre o modelo de jogo da selecção e a rentabilização de um jogador como Cristiano, com as suas características. Penso que para isso não acontecer a selecção teria que jogar mais á frente, num bloco mais alto. No Real Madrid é isso que acontece quando toda a equipa tende a acompanhar as suas cavalgadas e os “raides” de Kaká, chegando mesmo a desposicionar-se defensivamente. “Nem tanto ao mar”..., mas, penso, vedetismos e cenas de menino mimado à parte que compete ao seleccionador controlar, seria necessário que a equipa jogasse uns bons dez metros mais à frente e adoptasse diferentes procedimentos ofensivos para vermos outro Cristiano.
- Simão e Deco. Qual a surpresa? Também por aqui afirmei, antes do início do Mundial, que tinham feito épocas “desgraçadas”. Confirmaram. Alternativas? Moutinho fez igualmente uma má época numa equipa moralmente de rastos e Carlos Martins nada mostrou nas oportunidades que teve na selecção – e teve algumas; era um risco. A selecção teve aqui um enorme problema.
- O mesmo se passou com Miguel, sendo, para mim, uma surpresa a sua convocação. Sem Bosingwa, a melhor opção (disse-o aqui atempadamente) teria sido Amorim. Mas Queiroz só viu o problema do lateral direito demasiado tarde e quando Amorim já se tinha lesionado. Acertadamente, e face às más experiências nos jogos anteriores, tentou Ricardo Costa contra o Brasil, para ver no que dava - e deu mal. Não devia ter insistido, mas, digamos, na hierarquia dos problemas, este até nem foi o mal maior.
- Resta aquilo que se pode eventualmente ler nas entrelinhas do “caso” Nani, das afirmações de Deco e Hugo Almeida, do destempero de Cristiano e que a FPF deve ter em conta. Mas os problemas de liderança e de falta de carisma de Queiroz não são de hoje, pois não? Exemplo? Todos ainda utilizamos hoje em dia expressões como o “mata-mata”, “e o burro sou eu”, etc, etc, que ouvimos a Luiz Felipe Scolari. De Queiroz só nos lembramos mesmo do já longínquo “ varrer a porcaria que existe na federação”. Pois é...
Não sou dos que sobrevaloriza a acção do treinador nas substituições, mas ontem fez bem a diferença - além de outras coisas, claro!
"...El gol lo marcó como es costumbre Villa. La clave, sin embargo, estuvo en la entrada de Llorente. Aunque la organización eligió a Xavi como jugador del partido, el futbolista del día fue Llorente... "
Na apreciação individual aos jogadores:
"Llorente - El hombre de la noche porque cambió el partido. A diferencia de Torres, que se dejaba caer a las bandas, el riojano se metió entre los centrales y desajustó a la defensa de Portugal mientras permitía la entrada por la banda de Ramos y mejoraba la actividad de los medios. Remató en plancha al poco de salir e intervino también en el gol de Villa."
terça-feira, junho 29, 2010
E pronto... acabou-se!
- Só uma equipa quis ganhar o jogo e jogou para isso: a Espanha.
- Para agravar Queiroz fez a substituição errada - e incompreensível - e Del Bosque a certa, que esteve na base do golo.
- A partir daí Portugal, que, excepto com a Coreia, jogou sempre para o 0-0 (com o Brasil entendia-se porque o empate chegava e perder apenas por alguns também), demonstrou não o saber fazer de outra maneira e desapareceu do jogo. A Espanha jogou como quis.
- A selecção portuguesa acaba o Mundial sem marcar um só golo a uma equipa do seu campeonato. Assim não se consegue ganhar a ninguém que valha a pena.
sexta-feira, junho 25, 2010
Portugal-Brasil: queriam ópera?
Foi “chato”? “Chatérrimo”!; mas entre “este” Portugal e “este” Brasil, para os quais o empate chegava, queriam o quê? Queriam ópera? Isso é no São Carlos ou era no Coliseu nos tempos das récitas populares. O que é facto é que, talvez no grupo mais difícil e que incluía o Brasil, a selecção portuguesa consegue o apuramento sem derrotas, 5 pontos e com um “score” de 7-0. E finalmente vejo a selecção portuguesa a estudar os adversários e actuar em conformidade.
Podemos gostar mais ou menos de Queiroz... e eu não simpatizo demais com o personagem. Mas, depois disto, que querem que mais diga?
quinta-feira, junho 24, 2010
Queiroz...
Queiroz não tem CV que se veja? Nunca ganhou nada de relevante como treinador sénior? Verdade: nas suas passagens como treinador principal por clubes, mesmo pelo Real Madrid e pelo SCP, e selecções de segunda linha nunca venceu uma prova importante. O contraste com José Mourinho chega a tornar-se cruel e o povo, nas suas análises, é tão cruel e impiedoso como as crianças quando marginalizam o “gordo” da turma.
Os seus títulos de sub-20 pouco ou nada valem? O seu valor é relativo se consultarmos a lista de selecções que venceram títulos na categoria - onde não constam Itália, Inglaterra, Holanda, França e a Alemanha já desde o longínquo ano de 1981, ainda como RFA - e o método utilizado para os conquistar: Queiroz, ao mau estilo terceiro-mundista, retirou os jogadores aos clubes durante longos períodos de estágio e, desse modo, fê-los ganhar consistência de equipa e evoluir prematuramente. De qualquer modo, veremos de seguida como esse trabalho e essas conquistas se enquadram bem no seu perfil.
Significa isto que Queiroz "não percebe nada de futebol" e é apenas um treinador para os “miúdos” ou um bom adjunto? Mais devagar. Carlos Queiroz é, com certeza, um profundo conhecedor do futebol. Possui uma licenciatura adequada com especialização na área, treinou em grandes equipas do primeiro mundo futebolístico, conviveu com excelentes treinadores, clubes com uma estrutura organizada, selecções nacionais, etc, etc. Então o que tem falhado?
Em minha opinião, Carlos Queiroz parece ter fundamentalmente o perfil de um académico, e como acontece frequentemente com os académicos, alguns deles brilhantes, é primordialmente um homem de “back office” tendo dificuldade em assumir o papel de “executivo”, de líder e decisor de um grupo. Falta-lhe carisma (algo que lhe tem sido frequentemente apontado), lida mal com as ”luzes da ribalta”, tem dificuldade em encontrar um discurso motivador e mobilizador (a “gaffe” da “porcaria” da FPF acompanhá-lo-á para toda a vida) e em passar para a opinião pública uma ideia-força (quando o tenta, soa “pífio”). Sobra-lhes – aos académicos - normalmente em conhecimentos e profundidade de análise o que lhes falta em capacidade para hierarquizarem os problemas e soluções, definindo o que é fundamental e o que se revela apenas acessório, o que dificulta a abordagem dos problemas e o subsequente encontrar de soluções. Como são preferencialmente estudiosos, raramente possuem o dom da comunicação e o “povo” prefere todos os José Hermano Saraiva deste mundo a alguém como José Mattoso, por exemplo. Por possuírem este perfil, esta personalidade e características, têm dificuldades trabalhar sujeitos a “deadlines”, em perceber que o tempo é um bem escasso no mundo dos não-académicos e sentem-se incompreendidos e inseguros, têm pouca paciência quando questionados pela “pessoas comuns”, por quem os pressiona e quer resultados em tempo considerado útil. Enfim, poderia continuar mas tornar-se-ia fastidioso.
Este parece-me ser o perfil que mais se enquadra na personalidade do actual seleccionador nacional, assim sendo, alguém mais talhado para um cargo de director técnico de uma federação do que para um lugar de executivo, como o é o de um treinador. Significa isto que nunca poderá ter sucesso como treinador de primeira linha? Num clube, onde tudo é mais frenético, onde teria de conviver com uma hierarquia desportiva e financeira impaciente e por vezes agressiva, com solicitações de vária ordem na área social para os jogadores, onde passaria grande parte do seu tempo a actuar como gestor de conflitos, tenho sérias dúvidas. Numa selecção como a portuguesa, onde a pressão é menor e se tiver tempo para um trabalho estruturado, de organização, pode conseguir deixar alguns frutos em termos de formação e até mesmo, eventualmente,alcançar um ou outro resultado um pouco mais relevante na selecção principal. Veremos se o consegue...
Como vimos, nem Deus nem Diabo.
terça-feira, junho 08, 2010
Três notas sobre a selecção
- Eu, que não passo de um entusiasta do futebol, embora admita que um pouco mais conhecedor e interessado do que o comum adepto, ando desde há meses a dizer e escrever que Simão tem feito uma época desgraçada. Bastava ver alguns jogos do Atlético e perceber como se "escondia" do jogo para tal concluir. Parece que tanto os jornalistas desportivos como o seleccionador nacional finalmente terão chegado a conclusão semelhante. Custou, hem?!...
- Por vezes é preciso defender Queiroz... Acontece... Os que o criticam por ter chamado um médio defensivo (Amorim) para o lugar de um avançado (Nani) devem ser os mesmos que acham um treinador deve jogar com 10 avançados se estiver a perder. Talvez lembrar que Duda só joga a defesa (e mal...) na selecção (no Málaga é ala-esquerdo) e que Coentrão pode jogar indiferentemente em qualquer posição do lado esquerdo da equipa. Ah!, e Paulo Ferreira também pode ser solução para o lado esquerdo da defesa, se for necessário adiantar um dos outros dois. Nenhuma destas soluções é melhor do que Nani? Pois claro que não, mas bem melhor do que qualquer das outras alternativas existentes na lista dos 30.
- Pepe lá jogou(?) uns dez minutitos... Ou andou lá pelo relvado(?) dos “wickets” e dos “overs”. Francamente, ou a selecção portuguesa chega ao jogo com o Brasil com o primeiro lugar no grupo assegurado - do que duvido - e Pepe alinha nesse jogo para ganhar ritmo ou não sei muito bem qual é a ideia... Eu, modesto adepto do futebol, até acho que Pedro Mendes faz bem melhor a posição...
segunda-feira, junho 07, 2010
Selecção, patrocínios e populismo
Como bem se pôde ver nas TVs durante o fim de semana prolongado, o populismo, tempo de antena e falta de noção das realidades à volta da selecção nacional de futebol pouco mudaram de Scolari para Queiroz. Única diferença? Queiroz parece manifestamente um erro de “casting”, de pouco à vontade no papel.
E porque pouco mudou? Bom, desde que os patrocínios entraram “a sério” no futebol, neste caso na selecção nacional, tornou-se absolutamente necessário, para que os patrocinadores rentabilizem o seu investimento, valorizar ao máximo, e até aos limites do absurdo, a actividade patrocinada, utilizando os “media” para a respectiva promoção e difusão. No fundo, quanto maior for o valor atribuído pelo “grupo-alvo”de consumidores à actividade patrocinada, neste caso a selecção nacional de futebol, maior será o valor reconhecido da marca patrocinadora e mais elevada a verba pedida pela FPF aos patrocinadores. Nada mais simples e evidente, portanto, e os relativamente bons resultados conseguidos nos últimos anos pela selecção portuguesa por certo ajudaram a aumentar o valor dos patrocínios e a rentabilidade das verbas investidas. O Euro 2004, disputado em “casa”, e a personalidade de Scolari ajudaram na implementação deste modelo.
Ponto frágil do negócio? Simples: uma má prestação da equipa portuguesa no Mundial* facilmente poderá degenerar em enorme desilusão e revolta para os portugueses (vejam o que aconteceu em 2002), com a subsequente desvalorização do valor reconhecido às marcas associadas. Para a FPF acarretará a necessidade de apagar rapidamente a imagem perdedora com recurso à demissão do seleccionador - mesmo que, porventura, este se tenha revelado competente - e a uma “fresh start” como resposta. Pois, não há almoços grátis...
*Em bom rigor, qual a prestação que se pode considerar “normal” para a selecção nacional no Mundial 2010? Muito simplesmente, apurar-se para os 1/8 de final, com o 2º lugar no grupo, e eliminar qualquer adversário do grupo concorrente que não seja a Espanha (a Suiça, por exemplo). Menos do que isso seria uma má prestação e a partir daí não vale a pena especular. Mas caso tenha de defrontar a Espanha nos 1/8 de final – o que parece ser o cenário mais provável - e perder, poderá considerar-se a sua prestação dentro do satisfatório.
quarta-feira, maio 26, 2010
Carlos Queiroz: importa-se de não dizer disparates?
quarta-feira, abril 21, 2010
Dois "posts" sobre "bola": 2. Ruben Amorim e a selecção
Pode Queiroz vir ainda a emendar a mão? Não sei, mas se o fizer poderá estar a cometer um outro erro para corrigir o primeiro: não sendo a fase final de um Mundial propriamente um passeio no campo e, portanto, sendo a experiência internacional e de selecção um dos dois activos mais importantes para determinar quem são os seleccionáveis (o outro serão as prestações técnico - tácticas na última época, claro), não sou grande adepto de convocatórias de estreantes nestas ocasiões. Veremos o que faz Queiroz...