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sexta-feira, dezembro 04, 2015

Uma enorme vitória do SLB


Para além dos 400M em si mesmos e do facto do SLB se permitir assim, com um contrato a dez anos, ter garantias que lhe facilitam uma gestão criteriosa a longo prazo, passando a depender menos da capacidade de contrair dívida e das condições impostas por fundos de investimento e alguns agentes desportivos, o contrato com a NOS constitui ainda enorme vitória sobre a parceria Proença/Olivedesportos/FCP/SCP, provando a muitos dos chamados "clubes pequenos", apoiantes de Pedro Proença, quem de facto tem mais poder no futebol português. Vem ainda confirmar, se tal ainda fosse necessário, que não faz qualquer sentido SLB, FCP e SCP (pelo menos estes) continuarem a disputar uma Liga nacional, deste modo cada vez mais desequilibrada, que impede o seu crescimento e onde são autenticamente "parasitados" pelos restantes clubes.

domingo, setembro 20, 2015

A derrota no Porto

Apenas uma coisa a dizer sobre o jogo de hoje: já vi a equipa, com plantéis bem melhores do que o actual, jogar bem pior e fazer bem piores resultados nos jogos com o FCP. Convém talvez lembrar que a nossa ala direita jogava o ano passado na segunda divisão e que Gonçalo Guedes tem dezoito anos. Nada a apontar a jogadores e treinador, portanto, e muito menos a Luís Filipe Vieira e ao actual modelo de negócio, o possível e adequado na conjuntura. Nas circunstâncias, todos estão a fazer o melhor que podem. Viva o Benfica!

terça-feira, agosto 25, 2015

O problema Jonas

Começa a não ser novidade para ninguém - até já o Correio da Manhã o menciona - que o problema fundamental do SLB se chama Jonas. É ele que "obriga" Rui Vitória a adoptar um 4x2x4, um sistema de jogo que está longe das suas ideias e preferências mas é o único que pode rentabilizar o jogador. Mas pergunta-se: pode um sistema de jogo ser assim tão importante e condicionar, a um ponto extremo, o modo como uma equipa joga? No caso do SLB isso é claro: ao adoptar o 4x2x4, sistema herdado de Jorge Jesus e que pouca gente utiliza do mundo do futebol "civilizado", Rui Vitória defronta-se com dois problemas: 
  1. Para o sistema ter alguma eficácia exige determinados princípios e ideias de jogo (intensidade, profundidade, verticalidade, pressão em todo o campo, colocação defensiva, etc, etc - José Peseiro abordo-os ontem de forma brilhante no "Resultado Final") que não estão ao alcance de todos os jogadores e a não serem treinados e levados a um nível extremo de perfeição tornam a equipa demasiado desequilibrada defensivamente e menos eficaz nas suas acções ofensivas. Tal foi visível nos últimos jogos do SLB, com falhas defensivas gritantes, que só Júlio César conseguiu colmatar, e dificuldades idênticas para marcar, apesar dos 4-0 ao G.D. Estoril-Praia.
  2. Ao jogar em 4x2x4 a equipa, mesmo que insensivelmente, tende a reproduzir as ideias e as rotinas de jogo de seis anos com Jorge Jesus e como de certeza já não as treina cai num género de "terra de ninguém", de "nem sim nem sopas" que a descaracteriza e a torna numa "coisa em forma de assim". Por exemplo, foi visível na primeira parte do jogo contra o Arouca que, pelo menos a espaços, existe uma maior fluidez no jogo atacante, em contraste com algum futebol "de repelões" e de demasiada insistência no "um para um" dos tempos de Jorge Jesus, principalmente na ala direita quando tinha Maxi e Salvio, mas isso fez a equipa perder grande parte da sua eficácia atacante (e também defensiva, já agora).
Como podem Rui Vitória e Luís Filipe Vieira resolver o problema? Sentando Jonas no banco? Transferindo-o? No primeiro caso, gostaria de ver a reacção dos adeptos ao primeiro desaire ou exibição menos conseguida. No segundo caso, não o tendo feito, com medo do risco, no final da última época ou logo em Junho/Julho (no lugar de ambos, confesso, também teria tido grande dificuldade em dar esse passo), agora parece-me ser tarde. Um "bico de obra", claro.

sexta-feira, agosto 14, 2015

Luís Filipe Vieira: JJ ou "o pauzinho na engrenagem"

O SLB e Luís Filipe Vieira partiram para esta época escudados no facto de que um título de bi-campeão e dois anos em que, a nível nacional, apenas falharam uma Taça de Portugal lhes trariam a ausência de pressão necessária e concederiam a margem de manobra suficiente para desinvestirem um pouco na equipa, colocando o seu foco no reequilíbrio financeiro do clube, deste modo contratando menos e mais barato e compensando isso com o recurso à rentabilização do investimento realizado na formação. Em minha opinião, face à realidade do clube e nacional, esta era a estratégia correcta (no lugar de LFV teria feito o mesmo) e a contratação de um treinador que, pelo seu perfil, percurso e condições salariais, nela encaixasse fazia igualmente todo o sentido

O problema é que LFV, talvez confiante em demasia na capacidade de Jorge Mendes e, ingenuamente, menosprezando o "ego" e as ambições de Jorge Jesus, não conseguiu evitar que este fosse contratado pelo vizinho e velho rival da segunda circular, e esse foi o "pauzinho na engrenagem" que tudo mudou: do "se formos segundos classificados atrás do FCP (o SCP era visto, e bem, apenas como um "outsider") isso será tido como aceitável e não dará origem a grande contestação" (o que fazia todo o sentido, principalmente se acompanhado de uma boa carreira europeia, "calcanhar de Aquiles" de JJ), passou-se obrigatoriamente a "no mínimo, é necessário evitar a todo o custo ficarmos atrás do SCP , o que se traduz também no "se o SCP for segundo temos mesmo de ser campeões". É portanto esta inesperada e não controlada ida de Jorge Jesus para Alvalade, com o acréscimo de investimento subsequente por parte do SCP, que está a obrigar LFV, senão a uma mudança de estratégia (não é disso que se trata), pelo menos a uma sua correcção brusca e de última hora, obrigando a um maior e mais tardio investimento em contratações, a uma menor rentabilização imediata da formação e a algum agravamento da folha salarial do clube face ao previsto. Por último, será também esta correcção (prefiro chamar-lhe "acerto") de estratégia - com a qual, note-se, estou de acordo e me parece indispensável na conjuntura criada - que pode tornar a posteriori inadequada a contratação de Rui Vitória, Como num "puzzle", uma peça que encaixava perfeitamente numa determinada lógica pode agora, face a uma realidade global "reajustada", ter problemas com esse mesmo "encaixe". 

Digamos que para já, no curto-prazo e ao obrigar a este "acerto" de estratégia por parte do SLB, a contratação de Jorge Jesus por Bruno de Carvalho foi uma decisão acertada, um género de acção de comandos ou de um pequeno exército que desorientou o inimigo mais poderoso e o obrigou a um realinhamento indesejado. Se tal será suficiente para, no médio-longo prazo, colocar em causa o maior poderio institucional e financeiro de SLB e FCP, é coisa que veremos. Provavelmente, já a partir da próxima terça-feira.

sábado, junho 06, 2015

Marco Silva? Onde se explica "porque não"

Vamos lá agora imaginar que o SLB contratava Marco Silva para substituir Jorge Jesus. Se tudo corresse bem, isto é, se o SLB, com Marco Silva, fosse campeão nacional, seria indiscutivelmente uma enorme vitória da Luís Filipe Vieira e do clube, humilhando o rival de Alvalade. Mas as coisas também podem correr mal, ou até menos bem, não é assim? Caso o meu clube não conseguisse o título e ficasse atrás do SCP, estaríamos então perante uma derrota humilhante, que arrastaria possivelmente o clube, Luís Filipe Vieira e todo o trabalho da sua equipa de gestão dos últimos anos para a abismo. Entusiasmos infantis raramente são bons conselheiros.

Pois é, muitas vezes é preciso resistir aos impulsos do momento, mesmo quando estamos perante uma actividade em que as emoções desempenham papel de enorme relevo. E, além de tudo o mais, o SLB pode bem continuar a ganhar sem assumir o risco total da "glória ou morte", isto é, tendo Rui Vitória, Paulo Bento ou qualquer outro igualmente competente como treinador. Até porque no pé em que está o futebol, talvez Jorge Mendes seja tão ou mais importante do que um qualquer treinador.  

quarta-feira, junho 03, 2015

Jorge Jesus no SCP? Vou dormir descansado

Depois do bi-campeonato, Luís Filipe Vieira quer provar que os resultados conseguidos nos últimos anos dependem mais de si próprio, da reorganização que empreendeu no clube e do investimento realizado do que de Jorge Jesus. É uma jogada de elevadíssimo risco, mas se Vieira conseguir provar que está certo conseguirá um lugar na história do clube ao nível de um Cosme Damião ou de um Joaquim Ferreira Bogalho. Por mim, que considero os resultados alcançados se devem a uma combinação de factores onde o investimento realizado e a reorganização do clube assumem papel de destaque em conjunto com um modelo de jogo (o de Jorge Jesus) que funcionou bastante bem a nível interno mas reúne em si todas as condições para falhar no "grande futebol", não estou demasiado preocupado com estas mudanças, mas sim curioso para ver o que o futuro nos reserva. É que se o risco é grande para Vieira, para Jorge Jesus o gesto será quase suicidário, recolocando em cima da mesa a velha questão da dimensão do seu ego e da noção que possa ter das realidades.

Já agora: vou dormir descansado, coisa que não fiz na noite em que empatámos em casa com o GD Estoril-Praia. 

segunda-feira, maio 18, 2015

"Back in business" ou 4 notas 4 sobre o "34"

  1. Por várias vezes critiquei aqui Luís Filipe Vieira, por os resultados desportivos não corresponderem ao anunciado e ao que - bem - ia sendo feito na reorganização do clube. Acho tinha razão e não retiro uma vírgula ao que então afirmei. Mas da mesma maneira que o critiquei, devo dizer que Luís Filipe Vieira é o grande obreiro deste bi-campeonato e destes três títulos de campeão conquistados nas últimas seis épocas. Porquê? Fundamentalmente, porque a partir do final da década passada teve finalmente condições e/ou soube compreender que não se conquistam títulos sem investimento, nas estruturas, na organização e na valorização do plantel, e, por muito que Jorge Jesus tenha tido um papel importante nessas conquistas, foi esse investimento, que começou na época de Quique Flores e claro que acompanhado por um crescimento da dívida mas também das receitas, o principal responsável pelo sucesso obtido. Faltou uma vitória na Liga Europa para que o brilho fosse ainda maior.
  2. Este bi-campeonato é ainda mais importante por ser o primeiro dos últimos anos conquistado tendo o FCP como adversário directo na parte final do campeonato e por, com o título da época passada, o SLB ter obrigado o seu adversário a uma mudança de fundo e contra-natura no seu "modus operandi", colocando-se, literalmente, nas mãos de um treinador (o que nunca tinha acontecido), numa estratégia de curtíssimo prazo e rompendo com o modelo de negócio de décadas da valorização e venda de jogadores do mercado português (primeiro) e estrangeiros (numa segunda fase). O investimento, com pouco ou fraco retorno, a que a mudança de estratégia obrigou o FCP irá com certeza reflectir-se negativamente na estabilidade financeira e desportiva no clube em anos vindouros. Significa isto também que o SLB se torna, pela primeira vez nas últimas décadas, o clube de referência no futebol português a nível de coerência de gestão, modernidade e estabilidade de projecto. Esta é uma enorme vitória do clube e de Luís Filipe Vieira. 
  3. Deve Jorge Jesus ficar o SLB? Depende. Se a estratégia passar fundamentalmente pela consolidação dos resultados a nível interno, com alguma subalternização da Champions League, a manutenção de Jorge Jesus pode ser a decisão correcta. Se o SLB quiser e tiver condições, numa fase que se prevê de desinvestimento,  para chegar com frequência aos 1/8 de final, aqui e ali aos 1/4 de final da Champions League, já sabemos o que (não)esperar de Jorge Jesus e da sua ideia de jogo. E a tal "aposta" na formação, será Jorge Jesus o treinador indicado para gerir essa estratégia? Francamente, e se interpreto bem as palavras de Vieira, ter 4 jogadores de "campo" e um guarda-redes vindos do Seixal num plantel de 25/26, não me parece constitua uma mudança de "paradigma" (como agora se diz) suficiente para entrar na equação que possa presidir à decisão sobre o treinador.
  4. Este bi-campeonato não pode servir para disfarçar as insuficiências. Ontem, num jogo que precisava de ganhar, o SLB, passados os primeiros 20' e depois do VSC acertar nas marcações, fez aquilo a que na gíria se poderia chamar "um jogo de merda", não deixando jogar o VSC mas quase não criando situações de golo. Ah! e se Jorge Jesus continuar a equipa precisa de encontrar, dentro ou fora do plantel, uma alternativa a Pizzi. Este dá o que pode, mas não me parece ser o suficiente.

quinta-feira, dezembro 04, 2014

O SLB e a formação

Será desnecessário repetir - já o tenho dito - que nenhum clube consegue ganhar títulos e dominar competições, mesmo que internas mas de forma sustentada, fundamentalmente com recurso a jogadores oriundos da formação. Mas tendo dito isto, devo dizer que me parece perfeitamente razoável, depois dos muitos milhões investidos no Seixal em infraestruturas e recursos humanos, aspirar, num futuro próximo, a ter num plantel de 25/26 jogadores quatro a cinco oriundos da formação. O problema é que até agora, com a possível excepção de André Gomes, não me parece ter sido possível ao centro de estágio do meu clube produzir um único jogador capaz de o fazer, seja ele português ou oriundo de Taipé ou do Burkina Faso.  Pior ainda: olhando de vez em quando para alguns jogos da equipa B, também não vislumbro por lá alguém capaz de o fazer. Isto, claro está, se as exigências não forem muito diferentes das dos últimos anos e espero elas sejam ainda um pouco maiores.

Quanto a Jorge Jesus ser o treinador indicado para este projecto, não vou entrar nessa discussão: já aqui o afirmei que, independentemente dos resultados que venham a ser conseguidos internamente durante esta época, Jesus já mostrou as qualidades e defeitos suficientes para, ao fim de seis épocas, se poder concluir da sua incapacidade para potenciar essas qualidades e limar suficientemente os defeitos, projectando a equipa para um outro patamar, o que obrigaria a uma natural evolução do modelo de jogo adoptado pela equipa objectivo que se tem revelado impossível com o actual treinador.

segunda-feira, agosto 11, 2014

As responsabilidades financeiras do SLB, Peter Lim e Jorge Mendes

Esta notícia do "Expresso" confirma o que eu já suspeitava e assinalei aqui: o SLB endividou-se excessivamente no curto-prazo para conseguir alcançar rapidamente os resultados desportivos de que a gestão de Luís Filipe Vieira carecia para que a contestação se não instalasse. Terá assim arriscado o crescimento sustentado do futebol profissional do clube. Restam agora duas opções:
  1. Ou a SLB arrisca o sacrifício desses mesmos resultados desportivos durante duas ou três épocas, com todas as suas consequências ao nível das receitas e da estabilidade da gestão, incluindo a desportiva.
  2. Ou consegue renegociar a sua dívida de curto-prazo de modo a alongar o prazo de amortização de uma sua percentagem significativa, transformando-a em dívida de médio/longo-prazo. Foi isso que o SCP fez e, como os tempos são agora outros no que diz respeito à banca,  o SLB poderá (é apenas uma hipótese, note-se) também estar a fazer com a anunciada cedência dos passes de Ivan Cavaleiro, João Cancelo e Bernardo Silva a Jorge Mendes e/ou ao fundo liderado por Peter Lim, endividando-se a médio-prazo (o valor dos passes está claramente sobre-avaliado, criando dívida), eventualmente com taxas de juro mais favoráveis, para amortizar de imediato uma parte da sua dívida bancária.
Talvez não fosse má ideia o nosso ignorante e preguiçoso jornalismo desportivo gastar uns minutos a pensar nisto.

terça-feira, agosto 05, 2014

Sport Lisboa e Benfica: talvez a questão essencial

A questão essencial que deve ser colocada a Luís Filipe Vieira, à direcção do SLB e à administração da SAD só secundariamente tem a ver com a venda dos passes de tantos jogadores este ano, com a qualidade, ou falta dela, dos jogadores contratados, com a capacidade do treinador para construir um equipa nova, com a escolha dos adversários nesta pré-época, mesmo com os compromissos financeiros de curto-prazo assumidos, etc, etc. Claro que estas não deixam de ser questões relevantes, mas a essencial, a decisiva a ser colocada é em que medida a direcção e a SAD presididas por LFV não terão, nos últimos anos, prejudicado o crescimento sustentado do futebol profissional do clube em troca da necessidade de obter títulos no curtíssimo prazo, objectivo essencial para que o actual presidente se mantivesse no poder. Ou seja, em que medida a estratégia não se subordinou à táctica e o médio/longo-prazo ao curto-prazo. Esta questão é ainda mais relevante quando, possivelmente, o clube e a SAD tiveram que adoptar soluções de engenharia financeira de risco para manter e reforçar o plantel na época passada (depois das frustrações de 2012/13 não permitirem novo falhanço), das quais pode agora a equipa, eventualmente, estar a sofrer as consequências em termos de contratações que permitam manter os resultados desportivos. Note-se que não estou a fazer uma afirmação, mas, pura e simplesmente, a colocar uma interrogação que penso ser relevante.

De qualquer modo, já assisti a muitas pré-épocas; vi muitos "campeões" e "grandes jogadores" das "ditas" desaparecerem mal começam os jogos a sério. As suficientes para, sem prejuízo das actuais e mais do que legítimas preocupações, manter ainda alguma  dose de confiança.  

quinta-feira, julho 31, 2014

Dois problemas-chave para Jorge Jesus e a SAD resolverem

Partindo do princípio Gaitán e Enzo Perez ficam no plantel (se tal não acontecer, as questões serão outras); Luisão, Jardel e Lisandro Lopez, que parecem ser as três principais opções para o eixo da defesa, irão recuperar rápido e tendo em atenção que o SLB não parece em condições de contratar um guarda-redes de qualidade claramente superior a Artur Moraes, que assuma a titularidade sem de modo inquestionável, Jorge Jesus e a SAD têm dois problemas-chave e urgentes para resolver:
  1. Quem vai assumir a posição "6", sabendo que Fejsa dificilmente voltará a jogar antes do início da 2ª volta do campeonato (e veremos em que condições). Como não me parece exista no plantel alguém com as características que o modelo de jogo de Jorge Jesus exige para a posição, o clube terá de contratar alguém (por empréstimo?, através de um fundo?) que possa entrar "de caras" na equipa.
  2. Como vai ser constituída a dupla de "pontas de lança", o que parece significar "quem irá assumir o papel de Rodrigo". Cardozo é inútil e Derley, independentemente daquilo que ainda tem que provar, parece ser bem mais uma alternativa a Lima. O mais parecido com Rodrigo será Franco Jara, mas é irregular e demasiadas vezes inconsequente. Resta Gaitán, o que implica manter o modelo mas mudar alguns princípios de jogo: Rodrigo é um "sprinter", que desse modo criava desequilíbrios, e Gaitán  é um driblador e um "pensador" de jogo. Jorge Jesus pode, em alternativa, mudar o sistema e passar a jogar apenas com um "ponta de lança",optando por mais um médio, mas não só este não é o seu modelo preferencial, como implica mudar demasiadas coisas. Veremos. 

terça-feira, julho 08, 2014

Clubes portugueses: dívida e estabilidade

Os principais clubes portugueses têm vivido nos últimos anos essencialmente da dívida que foram contraindo. Falando do meu clube, Luís Filipe Vieira finalmente percebeu (ou teve condições para implementar o que já tinha percebido) que apenas investindo a um nível semelhante ao do FCP conseguiria competir com este pela hegemonia do futebol português. E se esta hegemonia ainda não foi plenamente conseguida, o SLB conseguiu pelo menos dois títulos nacionais, uma Taça de Portugal e presença em duas finais consecutivas da Liga Europa, elevando o seu nível competitivo e tornando-se uma cada vez maior ameaça para o seu rival do norte. É preciso também perceber que a dívida não terá sido contraída apenas com recurso ao crédito bancário, agora cada vez mais escasso ou até inexistente, mas também através de processos de engenharia financeira que terão envolvido os chamados "fundos" e alguns empresários FIFA a esses fundos directa ou indirectamente ligados. Bem ou mal, com maior ou menor regulamentação do mercado (e já escrevi várias vezes o que penso sobre o assunto), foi assim que, com maior ou menor êxito, os três principais clubes portugueses foram vivendo. Há agora, pois, que pagar a factura.

Se há alguns anos não era tanto a necessidade de vender, mas a incapacidade para pagar em conformidade com as ofertas dos melhores emblemas europeus, que levava os clubes portugueses a venderem os passes dos seus melhores jogadores, a isso junta-se agora a necessidade de realizar valor para pagar a dívida entretanto contraída, pelo que daí resulta a impossibilidade de manter plantéis com um mínimo de estabilidade ao longo dos anos, até porque também a necessidade de recurso a processos de engenharia financeira se acentuará. A estabilidade necessária a qualquer organização bem sucedida, essa, tenderá transferir-se para as direcções e administrações dos clubes, seguindo o caminho já traçado pelo FCP há vários anos, e para a manutenção das equipas técnicas durante períodos mais longos, como acontece agora no SLB, assegurando desse modo a continuidade de culturas, filosofias e valores, quer a nível da gestão dos clubes, quer de processos e modelos de jogo. É a vida ou, parafraseando um outro, habituem-se.

segunda-feira, abril 21, 2014

SLB: 3 razões de fundo para um título

  1. Mesmo no futebol actual, por si só o investimento não faz de um clube muitas vezes campeão, nem consegue resultados desportivos consistentes e sustentáveis. São necessárias mais coisas: "heritage" (o conjunto de valores que constituem o património do clube), uma ideologia e filosofia vencedoras, uma "massa adepta" representativa, um modelo de negócio adequado, organização, uma política coerente de recrutamento e selecção (incluindo aqui a escolha do treinador), uma ideia de jogo compatível, etc, etc. Por fim, até uma situação geral - económica, política e social - favorável joga muitas vezes um papel determinante, como foram os casos do Vitória Futebol Clube no final dos anos 60 e início de 70 e do FCP no período pós-25 de Abril. Mas tendo dito isto, sem investimento adequado aos resultados que se pretendem atingir também não existem campeões nem esses resultados são prolongáveis no tempo.  E existindo em doses variáveis tudo o resto, convém notar que o SLB apenas conseguiu inverter a sua menorização em termos de resultados desportivos quando decidiu investir ao nível do FCP. Este é um facto incontroverso, que está na génese de tudo o resto e uma decisão que tem a sua origem nas  últimas direcções do clube presididas por Luís Filipe Vieira. Com erros, hesitações, aprendizagem no tempo, algum populismo pernicioso que parece nos últimos tempos afastado e tudo o resto, claro. Mas, goste-se mais ou menos do personagem, o seu a seu dono.
  2. O modo como a SAD do clube aprendeu a mover-se no complicado mundo dos "fundos" de jogadores e das influências dos empresários constitui também uma das razões que está na base da melhoria dos resultados desportivos do futebol profissional. Neste campo, a aproximação a Jorge Mendes (uma vez mais: goste-se ou não do personagem) e o aproveitamento da influência deste junto de grandes clubes europeus jogou um papel fundamental. Por vezes, com demonstrações de alguns excessos de poder da parte de Jorge Mendes em algumas "sobras" que teremos tido que engolir, reconheço. Mas teria sido possível diferente? Não estando "do lado de dentro", não sei. Mas parece difícil.
  3. Embora muitos benfiquistas (não é o meu caso: é assunto que não me diz nada) não gostem de ver tão poucos jogadores portugueses no plantel, devo dizer essa é uma das razões do sucesso. Porquê? Em primeiro lugar, porque o chamado "mercado interno" foi e é um terreno de domínio tradicional do FCP, onde era e continua a ser difícil ter vantagens competitivas. Em segundo lugar, porque as últimas contratações por FCP e SCP de alguns dos "jogadores revelação", portugueses ou estrangeiros, do campeonato português (Josué, Licá, Carlos Eduardo, Vítor) se têm revelado autênticos "flops" (ou perto disso). Em compensação, contratações como as de Di Maria, Witsel, Javi Garcia, Matic, Fejsa, Siqueira, Garay, Rodrigo, Gaitán, Enzo, Maxi, Luisão, Sílvio (apesar de português, é uma contratação no "exterior"), David Luiz, Ramires, Markovic, Oblak, etc, provam, apesar de alguns falhanços inevitáveis, que o clube se movimenta bem nesta área. Veremos como as coisas irão evoluir, mormente na área da formação. No entanto, um aviso: com excepção do FC Barcelona, que mesmo assim também contrata jogadores pagando milhões inatingíveis por qualquer clube português, nenhum clube europeu consegue manter-se sistematicamente no topo (ao seu nível, claro) apenas ou fundamentalmente com recurso à formação. 

terça-feira, janeiro 28, 2014

O "caso" André Gomes

Que se lixe a gripe por uns minutos, pois já estou demasiado irritado com tanto disparate que oiço à volta da alegada venda dos direitos económicos do jogador André Gomes. Vamos por partes:
  1. O facto da megalomania e populismo de Luís Filipe Vieira o terem levado, com o "sonho" de chegar à final da Champions League, a não ter vendido o passe de nenhum jogador no Verão; do não apuramento, sequer, para os 1/8 de final da mesma competição; e, de forma mais estrutural, da situação financeira do clube, o SLB precisava, neste momento, de financiamento a curto prazo, eventualmente mesmo de tesouraria.
  2. Como todos também sabemos, o financiamento bancário fácil e barato acabou e a situação financeira do clube já está demasiado desequilibrada para suportar um agravamento. Mais ainda, um qualquer empréstimo deste tipo apareceria nas contas do clube como dívida.
  3. Depois da venda do passe de Matic - um jogador.chave da equipa - dificilmente LFV poderia arriscar a venda de mais alguma das figuras essenciais da equipa (Rodrigo, Gaitán) sem colocar demasiado em causa os resultados desportivos, num momento em que a equipa lidera o campeonato, o FCP parece fragilizado e o SCP ameaçador.
  4. O recurso a uma operação com os contornos da venda dos direitos económicos do jogador André Gomes (um "não-titular") a um empresário, actuando este, como tem sido habitual em relação a muitos clubes portugueses, como "financiador de último recurso", surge assim, no curto-prazo, como um excelente negócio: consegue-se o financiamento, este não é contabilizado como dívida mas como uma venda e, mais tarde, em ocasião conveniente, tudo será acertado com recurso aos esquemas do costume: compra do passe de um jogador por  valores inflacionados, de um jogador excedentário representado por esse empresário, etc, etc.
Problemas? No curto-prazo e do ponto de vista financeiro o negócio é excelente. Mas a longo prazo deixa o clube demasiado dependente de interesses de terceiros na gestão dos seus recursos, principalmente humanos. Entretanto, é pesar e decidir.

Nota final: Nada disto significa que esteja de acordo alguém que não um clube de futebol profissional possa deter os direitos económicos de um jogador ou que aceito a quase total desregulação do mercado actualmente existente. Mas, infelizmente, esta é a lei e os clubes, quaisquer que sejam, não podem deixar de aproveitar as oportunidades.

terça-feira, janeiro 07, 2014

Luís Filipe Vieira e a "formação"

Luís Filipe Vieira deveria ter algum cuidado com algumas das suas afirmações. Com excepção do caso, demasiado específico para poder ser extrapolado, do F.C. Barcelona, não conheço nenhum clube da Europa do futebol que consiga, de modo consistente e sustentado no tempo, ser bem sucedido com recurso maioritário à formação. Acresce que mesmo o SLB consiga formar bons jogadores a ritmo elevado - o que é sempre difícil - existirão ainda dois problemas: a tendência para muitos desses jogadores, se de verdadeira "classe", serem demasiado cedo atraídos pelos grandes clubes europeus, muitas vezes ainda antes da idade de seniores, e o facto deste modelo ser uma espécie de "copycat" do que está a fazer o SCP, que neste campo tem maior experiência e já leva algum avanço . Digamos que se o SLB conseguisse um ou dois casos de sucesso por triénio no aproveitamento da sua formação, já me daria por satisfeito e tal já justificaria o investimento realizado.

Mas penso saber interpretar Luís Filipe Vieira: o excessivo endividamento do clube e a escassez de crédito estão a pôr em causa o actual modelo de negócio do SLB e a formação parece ser a fuga possível. No fundo, Vieira faz soar uma campainha de alarme que nos devia deixar a todos nós - benfiquistas - bastante preocupados com o futuro desportivo do clube.

quinta-feira, janeiro 02, 2014

Sobre a entrevista de Luís Filipe Vieira

Se o SLB precisava de vender o passe de algum ou alguns dos seus jogadores esta época - e precisava - melhor seria tê-lo feito em devido tempo, no chamado mercado de Verão, dando hipótese à equipa técnica de preparar a época com um plantel o mais próximo possível daquele de que iria dispor durante a maior parte dessa mesma época e não desfalcando a equipa nem quebrando sua empatia com os adeptos quando, agora, a fase das decisões se aproxima. Luís Filipe Vieira não o fez pensando no apuramento para os 1/8 ou 1/4 de final da Champions League, o máximo a que qualquer equipa portuguesa pode aspirar nas condições actuais? Bom, com as aquisições realizadas, não me parece a venda do passe de um ou dois jogadores pudesse, em condições normais, colocar esse objectivo em elevado risco de incumprimento e, além de tudo o mais, o encaixe financeiro realizado com a venda desses passes seria sempre bastante superior ao conseguido com o apuramento para a fase a eliminar da CL, podendo mesmo o clube vir a conseguir atingir ambos os objectivos. Assim, falhou os dois e, perdido o apuramento para os 1/8 de final da CL, arrisca-se, desfalcando agora a equipa, a aumentar a probabilidade de vir a falhar outros importantes objectivos desta época, principalmente o Campeonato Nacional.

O que me parece é que Vieira "embarcou" - mais uma vez - naquele género de euforia populista (o "sonho", como lhe chamaram) que achava o SLB teria francas ou mesmo algumas hipóteses de vir a jogar a final da Champions League no seu estádio, e assim agiu em conformidade. Fez mal, já que o rigor da gestão e da condução de uma equipa de futebol profissional se dão mal com este género de devaneios. Agora, tenta emendar a mão. Digamos que emenda um erro com outro erro. Como benfiquista, espero e torço para que dê certo.  

domingo, setembro 29, 2013

Vieira, os árbitros e as suas próprias responsabilidades

Luís Filipe Vieira tem toda a razão em protestar contra a má qualidade (ou qualquer coisa mais) das arbitragens e o modo como têm, directa ou indirectamente, prejudicado o SLB neste início de época. Mas deve lembrar-se que, ao fazê-lo, está também, e em certa medida, a passar um atestado de incompetência a si próprio e à incapacidade que tem vindo a demonstrar, ao longo dos anos, para alterar o estado de coisas vigente no futebol português. Para além disso, está também a afastar o foco da sua liderança; da incapacidade demonstrada, apesar do investimento realizado e dos resultados financeiros que começam a ser preocupantes, para apresentar resultados desportivos acima do sofrível. Está também a aligeirar as responsabilidades que cabem ao treinador que escolheu ("o seu treinador") e que chega à sexta jornada do campeonato completamente "perdido na tradução": sem modelo e sistema de jogo definidos, jogadores em má forma e outros fora do seu lugar. Tudo isto vem provar que "estabilidade" não significa apenas manter o treinador, e que ela pode coexistir com a sua mudança ou estar ausente mesmo ele se mantendo.

terça-feira, setembro 03, 2013

O SLB no fecho do mercado

1. A primeira afirmação que se pode fazer sobre o plantel do SLB após o fecho do mercado é que estamos perante o melhor e mais equilibrado conjunto de jogadores dos últimos anos, embora, para tal, tivesse sido necessário perder nos Barreiros e ganhar "à rasca" ao Gil Vicente (duvido Oblak, Fejsa e Siqueira estivessem no plantel se os resultados e as exibições tivessem sido outros). Mesmo apesar da lesão de Salvio, uma baixa de peso, existem agora boas (ou pelo menos caras) opções para todos os lugares e alternativas credíveis, ou pelo menos aceitáveis, aos designados como "titulares". Ora vejamos:
  • Oblak é uma boa alternativa a Artur Moraes.
  • Sílvio e André Almeida são boas alternativas a Maxi Pereira. No caso de André Almeida, pergunto-me mesmo não será ele a melhor opção para o lugar.
  • Mantém-se o trio de centrais utilizado na época passada e Steven Vitória é certamente melhor e mais experiente alternativa do que Roderick ou Miguel Vítor.
  • Finalmente, existe uma opção credível para o lado esquerdo da defesa: Siqueira é um jogador com rotina do lugar e do futebol europeu, para além de preencher as características que um lateral deve ter para o futebol de Jorge Jesus.
  • No meio-campo existem agora alternativas a Matic (Fejsa) e a Enzo Perez (Amorim), podendo aí ainda actuar, em último recurso, André Almeida, já que, como sabem os que por aqui passam, não vejo em André Gomes qualidades para integrar o plantel principal.
  • Quanto ao meio-campo ofensivo e ataque, apesar da "baixa" de Salvio, as opções são muitas e variadas. Desnecessário será enumerá-las.
A estratégia (infelizmente tudo tem sempre dois lados) é conhecida: com este plantel a administração da SAD poderá afirmar ter dado ao treinador todas as condições para uma época bem sucedida, e se tal não acontecer restar-lhe-à apontar o responsável. Enfim, não sendo eu um grande entusiasta de Jorge Jesus, tenho de dizer que as coisas nem sempre são assim tão simples quando toca à repartição de responsabilidades

2.  O problema é que os maus resultados (quem não ganha tem mais dificuldades em valorizar e vender jogadores e sofre maior pressão dos adeptos para não o fazer), em conjunto com outras questões menos evidentes (perda de influência junto de empresários ou menor influência destes no mercado?), estão a dificultar a implementação do modelo de negócio que tem permitido o equilíbrio financeiro do clube. A não ser que o mercado russo ainda reserve alguma, pouco provável, surpresa, a ausência de um encaixe financeiro significativo é preocupante. Depois de ter afirmado que somente a partir da próxima época o SLB não seria obrigado a gerar mais-valias significativas com a venda de jogadores (embora não tenha explicado como nem porquê) Luís Filipe Vieira e a administração da SAD deveriam ser agora fortemente questionados sobre este assunto.

sábado, agosto 03, 2013

SLB: a incapacidade para crescer?

Sim, eu sei que estes jogos de pré-época valem o que valem, mas parece desde já se poderá adiantar que o que custa a compreender no SLB de Jorge Jesus/Luís Filipe Vieira é a incapacidade da equipa para crescer, corrigindo os seus erros e insuficiências e melhorando, ou pelos menos mantendo, os seus pontos fortes. Pior: por vezes, parece mesmo existir uma tendência quase suicida para mudar e enfraquecer  o que está bem sem corrigir o que está mal. Razões? Bom, é fácil acusar a "teimosia" de Jorge Jesus e quem o faz não deixa de ter alguma, por vezes até muita razão. Mas vou um pouco mais longe e pergunto, para além disso, se na implementação do seu modelo de negócio, mais especificamente na gestão de recursos humanos e na política de contratações, o clube não se deixou ficar muito pouco dependente das suas opções e interesses e demasiado dependente de terceiros. E também se, neste aspecto, o negócio Roberto/Pizzi não poderá ser apenas o exemplo visível de uma realidade bem mais vasta. Veremos...

sexta-feira, maio 31, 2013

As tentações de Luís Filipe Vieira

Pressionado ainda mais a conquistar títulos nos próximos dois anos depois da renovação do contrato com Jorge Jesus, tentando provar a sua razão, Luís Filipe Vieira poderá ser levado à tentação de investir no curto-prazo valores acima dos que o clube pode suportar, endividando-se acima do razoável e hipotecando desse modo o futuro do SLB a médio e longo prazo. Confio o não fará? Digamos que confio mais na actual situação de escassez no mercado do crédito e no bom-senso e capacidade de gestão de administradores como Soares de Oliveira, Nuno Gaioso e José Eduardo Moniz do que capacidade de LFV para não ceder às tentações. 

Digamos que não sei o que me assusta mais: se a continuação da "seca" de títulos se as eventuais tentações de Vieira.