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quarta-feira, julho 01, 2015

Sub-21: a Suécia foi melhor. Ponto!

Ora vamos lá deixar-nos de tretas e "patrioteirismos" ao estilo "Rui Jorge geriu mal o jogo", "não fez as substituições correctas", "escolheu mal os marcadores de penalties" ou, pior, "perdemos mas fomos a melhor equipa". Nada disto é verdade, já que a partir dos 20/30' se percebeu que só um lance esporádico, um ressalto, um erro "de palmatória" do adversário podia dar a vitória à selecção portuguesa. Bernardo já não tinha "pique" para sair nos "dribles", William "andava aos papéis" no meio-campo, Sérgio Oliveira era como sempre "certinho" mas sem intensidade (e ele já de si não faz da intensidade de jogo uma das suas qualidades), deixou de haver discernimento nas combinações e a Suécia passou a estar sempre mais perto do golo. Por alguma razão Paulo Oliveira foi, em minha opinião, o melhor português no jogo de ontem, "safando", à sua conta, dois ou três golos quase feitos.

Os "penalties" falhados foram apenas a consequência de uma equipa que chegou à final em "surmenage" - talvez porque teve sempre de jogar mais perto dos seus limites nos confrontos anteriores - e, penso, depois de ter visto o jogo, ninguém acreditaria que a super desgastada e pouco eficaz selecção portuguesa fosse capaz de se superiorizar à Suécia num desempate em que a técnica de remate, a frescura física e a capacidade de concentração, estas duas últimas normalmente associadas, ditam leis. 

Não existem melhores equipas em abstracto e, ontem, a Suécia foi melhor e soube (ou conseguiu) aparecer em pleno no jogo decisivo. Ponto.

domingo, março 29, 2015

Esta coisa das selecções

Desde quinta-feira tenho feito um esforço para conseguir ver um destes jogos de qualificação para o Europeu de 2016. Operação fastidiosa, quase ou praticamente impossível. Em primeiro lugar, porque, no futebol actual, isto de arregimentar à segunda-feira, retirando-os à entidade patronal que lhes paga, alguns jogadores de topo para os pôr a jogar quatro ou meia dúzia de dias depois, pedindo à equipa seja brilhante, é tarefa quase impossível. Depois, porque, com esta mania de colocar um grande número de selecções nas fases finais, para ajudar a expandir o futebol nas Andorras e San Marinos deste mundo, os jogos resultam, salvo raríssimas excepções, demasiado desequilibrados, até porque as grandes selecções sabem que, mais tarde ou mais cedo, e mesmo que aqui e ali escorreguem, conseguirão o apuramento sem problemas de maior. Ontem, e por fim, lá consegui ver cerca de uma hora do Holanda-Turquia, e apenas porque o resultado deixava adivinhar um resto de jogo com alguma emoção, mesmo assim, e a partir da entrada de Bas Dost, quase se resumindo a bolas a pingar para a área "a ver se a coisa dava". Pouco, muito pouco para quem gosta de "bola". Venham, pois, o meu "Glorioso" e os quartos de final da Champions, para ver se a "malta" anima. 

terça-feira, outubro 14, 2014

Ah!, a selecção!

  1. Fiquei com a sensação de que algum equilíbrio (que me pareceu ilusório) conseguido pela selecção portuguesa a partir do 1/4 de hora final da primeira parte do jogo com a França se terá ficado mais a dever à desaceleração dos franceses, que optaram por controlar o jogo, do que a um efectivo maior acerto dos portugueses, pese embora a entrada de Willliam, na segunda-parte, mais pelo adiantamento de Tiago que tal permitiu do que pela exibição do jogador do SCP, tenha equilibrado mais a equipa. Veremos o que acontece hoje no Parken.
  2. A única novidade na equipa inicial do jogo com a França foi Cédric (e, a par de Eliseu, constituiu o dou dos piores). Bruno Alves e Pepe são "habitués" e "trintões; Eliseu também "trintão", tal como Tiago e Danny; Nani, Moutinho e Cristiano são desde há muito jogadores da selecção e apenas André Gomes constitui alguma novidade, embora já tivesse sido chamado por Paulo Bento, o mesmo acontecendo com William e João Mário. Curiosamente, desta vez não vi ninguém abespinhar-se com a "falta de renovação da selecção". Pois é, "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" e agora já não é preciso encontrar um pretexto para "correr" com Paulo Bento.

sábado, outubro 04, 2014

A convocatória

A primeira convocatória de Fernando Santos, mais do que obedecer a critérios estritos de natureza técnico-táctica, tem na sua base uma estratégia bem definida, que ultrapassa os citados critérios: agradar um pouco a toda a gente, prolongando o clima de apaziguamento e anti-crispação já claramente presente na sua conferência de imprensa de apresentação. Estamos aqui perante uma espécie de amnistia presidencial, de proposta de "fresh start", que me parecendo, para já, estratégia adequada no sentido de construir uma imagem de Fernando Santos nos antípodas do seu antecessor, não me parece susceptível, no seu período de vigência, de ultrapassar o muito curto-prazo, sem que o critério acabe por se reflectir negativamente no comportamento desportivo da selecção portuguesa.

Desportivamente, oferece, contudo e para já, uma vantagem: as chamadas de Tiago, Danny e Adrien permitem dar ao meio-campo português um outro andamento e uma bem maior intensidade, algo que já não estava ao alcance de Veloso e Meireles (de Veloso nunca esteve) e que não me parece William Carvalho seja capaz de oferecer. Quanto ao futuro, no entanto, convém Fernando Santos perceba que a selecção portuguesa irá precisar de bem mais do que apenas um estado de espírito.  

quarta-feira, setembro 24, 2014

Fernando Santos

Estive a ver a conferência de imprensa de Fernando Santos, novo seleccionador nacional. E, embora estando de fora, não tendo vislumbrado razões suficientes para a demissão de Paulo Bento, há pelo menos uma coisa que vai mudar com Fernando Santos: deixámos de ter um seleccionador que transporta consigo um permanente ar crispado, uma enorme nuvem negra sobre a cabeça e uma atitude defensiva de quem parece ter tudo a temer do mundo.

Não sei de que modo o perfil comunicacional de Fernando Santos, mais coloquial e descontraído, pode influenciar as exibições e os resultados conseguidos pela selecção portuguesa, mas, não tendo quaisquer dúvidas de que, do ponto de vista curricular, se trata do "homem certo no lugar certo", acho que o ambiente de distensão criado pelo seu discurso é pelo menos muito bem vindo num país que bem disso precisa.

sexta-feira, setembro 12, 2014

Apenas uma nota sobre a demissão de Paulo Bento

Embora eu não me considere um entusiasta da selecção e do futebol de selecções, em termos gerais, quem acompanha o que vou escrevendo neste "blog" sabe o que penso sobre a selecção e também sobre Paulo Bento. Portanto, a única coisa que me limito a acrescentar na hora da demissão do seleccionador é que me parece tratar-se de uma cedência em toda a linha, e por parte de uma direcção da FPF demasiado fraca, à direcção do FCP, à facção mais radical da "rua" sportinguista e ao que resta na comunicação social dos defensores de Carlos Queiroz; aos seus porta-vozes e ao conjunto idiotas úteis que se limita a repetir, de modo acéfalo, a moda do momento e prepararam assim o caminho para o actual desenlace.
 
Posta de parte, ao que parece e pelas razões conhecidas, a hipótese Fernando Santos (um sucessor natural), só espero não se regrida aos tempos do seleccionador nomeado pela Olivedesportos e aos beijos na bandeira após cada golo.

segunda-feira, setembro 08, 2014

A selecção portuguesa em 10 pontos 10

  1. Será que já alguém perdeu uns minutos a pensar que, exceptuando Pepe, Coentrão e Moutinho, talvez também, apenas em certa medida, Nani, nenhum dos jogadores portugueses que actuaram ontem era melhor do que a maioria dos albaneses?
  2. Será que já alguém perdeu tempo a pensar que o trio de avançados da selecção portuguesa era composto por um "has been" (mesmo assim, o melhor deles), um "ponta de lança" que mostra desconhecer quaisquer princípios do jogo, sem escola, e um jogador abaixo da mediania que nunca passou de clubes da 3ª divisão europeia como o PAOK e o Wolfsburg?
  3. Será que os jornalistas e comentadores que fizeram coro pela "renovação da selecção" alguma vez perderam tempo a pensar que, no cenário actual, não pode haver renovação sem uma acentuada perda de qualidade? Ou, o que é fácil, limitam-se a repetir o que diz a "rua" futebolística? 
  4. Será que ainda é preciso perder tempo a pensar porque razão André Gomes e Ivan Cavaleiro não se conseguiram afirmar na equipa principal do SLB, ou é melhor fazer um desenho?
  5. Será que já alguém perdeu uns minutos a pensar porque razão, apesar de Jorge Mendes e de doses maciças de promoção, o SCP não conseguiu transferir um jogador (William Carvalho) que actua a "dez à hora", joga num espaço muito  reduzido, faz 99% dos passes para o lado ou para trás e não não consegue uma única jogada de desequilíbrio? 
  6. Será que a chamada "comunicação social" já pensou bem na sua responsabilidade no actual estado de coisas ao prover a "craques" jogadores que não ultrapassam a mediania, gerando assim expectativas irrealistas?
  7. Será que uma parte dessa mesma "comunicação social" já pensou bem nas responsabilidades que assume ao preferir discutir os "escândalos", ser porta-voz de interesses pessoais (próprios ou de terceiros) e dos clubes, optar pelo sensacionalismo, "fulanizar" as questões e assim sucessivamente em vez de analisar com rigor o jogo, a regulamentação desportiva, a organização do espectáculo, o negócio e a sua envolvente e por aí fora? Como é possível, ao fazer ontem "zapping", ter ouvido, na TVI24, um qualquer comentador, aos gritos e com ar zangadíssimo, afirmar que jogadores como Danilo (CSM) e André André (VSC) deviam ser convocados para a selecção?
  8. Será que comentadores como Freitas Lobo e treinadores pelos quais até tenho alguma consideração, como Vítor Pereira, que oiço por aí a pugnarem pelo regresso ao "futebol de rua", já pensaram que dos grandes jogadores portugueses dos últimos tempos, como Figo, Rui Costa e Cristiano Ronaldo, nenhum deles veio do "futebol de rua" mas sim de uma formação organizada e competente? Querem um regresso ao tal "futebol de rua"? Olhem para as deficiências técnicas e de compreensão de jogo de Eder e Bebé.
  9. Já alguém pensou que as renovações das grandes selecções nacionais, que não podem contratar jogadores, como aconteceu com as selecções de Portugal de 66, 84 e, agora, 04/06 são quase sempre problemáticas e não se fazem, normalmente, sem acentuada perda de qualidade?
  10. Já agora, também já pensaram que a selecção portuguesa de Eusébio, Coluna, José Águas Costa Pereira e Hilário perdeu, em 1961, meses depois do SLB se sagrar campeão europeu, 4-2 no Luxemburgo a a selecção de Scolari não foi além de um empate a duas bolas no Liechtenstein na fase de qualificação para o Mundial de 2006, no qual Portugal alcançaria o 4º lugar. Pois, estas coisas até acontecem por vezes aos melhores... 
Em jeito de epílogo: como ontem ouvi ao ex-internacional e capitão quase-honorário do SCP, Manuel Fernandes, que até não reputo de grande analista destas coisas da bola mas que desta vez foi certeiro, "para jogar na selecção é preciso ter classe e a maioria destes jogadores não a tem". O resto, acrescento eu, jogue André Gomes ou Adrien Silva (esta é a minha grande divergência com Paulo Bento em termos de nomes, já que prefiro a intensidade do jogador do SCP) são, como diria o treinador do meu "Glorioso", apenas "piners". 

segunda-feira, julho 14, 2014

E no fim?... Ganhou mesmo a melhor equipa, que até foi a Alemanha

A Argentina deu ontem uma lição táctica de como se deve jogar contra esta Alemanha: "bloco" baixo, linhas juntas, fecho de todo e qualquer espaço e saídas rápidas a jogar, neste caso através da rapidez e técnica de Messi e Lavezzi, principalmente, com a sua capacidade de aceleração com a bola colada aos pés e superioridade no "um para um". Foi isso que Portugal deveria ter feito, neste caso aproveitando a capacidade de Cristiano e Hugo Almeida para ganharem vantagem nos "sprints" longos e para caírem nas costas dos defesas contrários. Foi o contrário disso o que o Brasil fez, desposicionando-se defensivamente com invulgar frequência (e é nos equilíbrios e transições defensivas que melhor se vê o dedo do treinador) e, mesmo sem Neymar, não aproveitando a capacidade de condução de bola de jogadores como Óscar e Willian. 

Não chegou, e ainda bem, pois não só ganhou a melhor equipa do Mundial, como eu tenho esta eterna mania de, salvo muito raras excepções, torcer sempre pelos "meus" europeus contra qualquer tipo de intromissão de gringos". A Argentina até teve as melhores oportunidades? Sim, talvez, mas quem, como eu, vê futebol e tem o bom hábito de o discutir quase desde que nasceu, está farto de grandes exibições e superioridade em oportunidades de golo, para, no fim, a maior parte das vezes, ganhar a melhor equipa, a mais concentrada, mais "madura", a mais fiel aos seus princípios e ideias (e a Argentina teve de abdicar de alguns dos seus) e, por fim, no conjunto, aquela com melhores jogadores. E não foram os alemães quem, por inépcia e desconcentração, falharam dois ou três golos em frente de Manuel Neuer.

Nota. Já agora, e a propósito de Manuel Neuer, perceberam bem a diferença entre um grande guarda-redes, de classe mundial, e uns daqueles de "engate", que por lá apareceram em equipas menores, a dar espectáculo e que deixaram quase toda a gente boquiaberta, com ar de papalvos?

quarta-feira, junho 25, 2014

Devem jogar sempre "os melhores"?

Numa selecção devem sempre jogar "os melhores", aqueles que, a cada momento, estejam em melhor forma? Bom, independentemente do carácter subjectivo e redutor (os melhores para fazerem o quê, para jogarem de que modo?)  subjacente à definição de "os melhores" (e já não é pouca coisa), convém lembrar que uma selecção quase não tem tempo para treinar e é no treino que se implementam princípios e modelos de jogo; "automatismos", se quisermos utilizar o termo mais habitual. Ora isso é impossível se, a cada momento, o seleccionador optar por esses tais "melhores", a não ser que, em vez de uma equipa, prefira ter um amontoado de 11, 14 ou 23 jogadores num conjunto sem qualquer nexo. Por isso, em qualquer selecção com um mínimo de ambições existe sempre um "núcleo duro", que forma a estrutura da equipa, ao qual, "au fur et à mesure", se vão juntando alguns, poucos, que vão dando provas de qualidade de jogo e maturidade competitiva para poderem constituir uma opção que comprovadamente possa acrescentar valor ao colectivo. Aliás, não é por acaso que as selecções que assentam a sua estrutura num clube - no modo como esse clube joga -, como foi o caso da Espanha nos últimos ano e é agora o caso desta Alemanha, um género de Bayern "reforçado", têm normalmente maiores possibilidades de êxito. O mesmo aconteceu, aliás, no já muito longínquo 1966 com a selecção portuguesa, formada na base do SLB, e, em menor escala, com a selecção de 2004, baseada no FCP de Mourinho.

Por isso mesmo, mais do que "os melhores", devem jogar aqueles que "dêem mais garantias" a quem os dirige, isto é, aqueles que, pela sua qualidade técnica, maturidade e capacidade competitiva, pela sua experiência em determinado contexto colectivo e competitivo, melhor e de forma mais qualificada possam pôr em prática uma ideia de jogo previamente definida a assimilidada. Ora se Paulo Bento cometeu erros na abordagem dos jogos com a Alemanha e com os USA - e já aqui e aqui os nomeei, depois do primeiro jogo e antes do segundo - não se poderá alguma vez dizer que não seguiu, na lógica das suas convocatórias, um padrão adequado ao que acima descrevo, tendo juntado ao tal "núcleo duro" jogadores que tinha vindo a integrar gradualmente, tais como William Carvalho, André Almeida, Éder e Rafa e tendo incluído na lista dos 30 alguns outros nomes (João Mário, André Gomes, Ivan Cavaleiro, Anthony Lopes, etc). O resto, o que se diz por aí, com algumas notáveis excepções como esta, é um misto lamentável e explosivo de ignorância e do populismo do mais desbragado. "Vão-se catar"!

segunda-feira, junho 23, 2014

Paulo Bento: voltemos à convocatória

Como a minha paciência é infinita e o combate à estupidez não pode ter tréguas, vamos lá tentar analisar a convocatória de Paulo Bento focando os nomes mais badalados "que deviam lá estar e não estão". Mas vamos tentar fazê-lo com "cabeça, tronco e membros", tendo em atenção duas questões fundamentais:
  1. Estamos restritos a um grupo de 20 jogadores - retirando os três guarda-redes - o que significa para entrar A tem de sair X, para entrar B tem de sair Y e assim sucessivamente, coisa que vejo demasiadas vezes esquecida.
  2. Uma fase final de um Mundial, tal como uma revolução, não é propriamente um "picnic" e, portanto, temos de considerar gente com alguma experiência do "grande futebol", seja ao nível de selecções, seja de clubes.
Tendo isto em atenção, vamos lá analisar os nomes mais "badalados": Cédric, Antunes, Adrien e Quaresma.
  1. Cédric. É um razoável defesa-direito e fez uma boa época. Mas quem sairia? André Almeida, que não faz pior o lugar e tem as vantagens de ser polivalente e ter experiência de Champions League e Liga Europa? Um dos quatro centrais, sendo que Ricardo Costa tem a vantagem de também fazer as "laterais", jogar num campeonato mais competitivo e ter grande experiência internacional, no seu clube e na selecção? Amorim, que alia à maturidade e experiência internacional o facto de fazer também "6" ou "8"? Impossível.
  2. Antunes. Para além de Coentrão, é o único defesa-esquerdo "canhoto" com um mínimo de capacidade para jogar na selecção. Quem sairia? André Almeida? Mas tal obrigaria a encontrar mais uma solução para a direita, já que isto é como um cobertor: tapa de um lado, destapa do outro. Alguém de um meio-campo que sempre me pareceu deficitário em termos de número de jogadores convocados (já lá vamos)? Além do mais, Antunes faz apenas um lugar: com esse "handicap", tem a categoria-extra suficiente para justificar a convocação?
  3. Adrien. Ora aqui está um ponto: com o "déficit" de gente a meio-campo, em boas condições físicas, eu teria convocado Adrien, apesar da sua escassa experiência internacional. Retirando quem? Em minha opinião, um ponta de lança, já que, teoricamente, Postiga e Hugo Almeida seriam suficientes uma vez que Cristiano também pode ser utilizado na posição. Mas percebo Paulo Bento: Adrien é exclusivamente um "8" e tanto Meireles, como Moutinho e Amorim fazem bem a posição. Ironicamente, prova-se a posteriori e em face das lesões ainda bem Paulo Bento levou três pontas de lança. E se o preterido tivesse sido Rafa? Era outra opção e sobre Rafa, que nunca vi jogar "com olhos de ver", não me pronuncio. Mas Adrien é talvez a minha única discordância com Paulo Bento, embora não veja como a sua inclusão no grupo dos convocados poderia, por si só, mudar alguma coisa que se visse.
  4. Quaresma. Contrariamente ao que tenho lido, tenho quase a certeza a não opção por Quaresma nada tem a ver com questões do foro disciplinar ou semelhantes, mas sim com a sua incapacidade para entender o jogo e a sua total falta de sentido colectivo. Ricardo Quaresma é uma firma em nome individual, um jogador por conta própria, que, fazendo de vez em quando (muito de vez em quando, note-se) os seus números de ilusionismo, dificilmente pode ter lugar numa equipa que faça do colectivo a sua arma principal, como acontece no futebol moderno. E não se trata apenas de "defender ou não defender", mas de entender o jogo, uma equipa e as suas movimentações. Aliás, um dos sintomas da fraqueza do FCP 2013/14 foi exactamente a dependência da equipa desses "números" de Quaresma e a preponderância que o jogador veio a ter nos melhores resultados da equipa.
Estamos conversados?

Paulo Bento? Pensemos com o cérebro, sff.

Paulo Bento chegou à FPF pouco depois do início do apuramento para o Europeu de 2012, em situação muito difícil para uma selecção que tinha conseguido apenas um ponto em seis possíveis (empate em casa com Chipre e derrota na Noruega). Qualificou a equipa para a fase final e, depois, num grupo de extrema dificuldade, com Alemanha, Holanda e Dinamarca, todos eles ex-campeões europeus (e da era moderna, não dos tempos da "bola quadrada"), chegou aos quartos-de-final e meias-finais, sendo eliminado na marcação de "pontapés da marca de grande penalidade" pela campeã do Mundo, da Europa e futura bi-campeã, que golearia a Itália na final (4-0). Foi um excelente resultado obtido com o pior conjunto de jogadores dos últimos 25 anos. Terei de recuar aos "seabrinhas", do período pós-Saltillo, para encontrar pior plantel.

Depois viria a conseguir o apuramento para o actual Mundial, naquilo que podemos considerar "serviços mínimos", um "suficiente menos", mas mesmo assim um resultado que cumpria com os objectivos. Não vai agora a selecção portuguesa cumprir os tais "serviços mínimos" apurando-se para os 1/8 de final num grupo que até nem era dos mais complicados, mas o mesmo acontecerá com a Espanha, a Inglaterra (ambos apurados para o Mundial sem recurso ao "play-off") e os que, entre os europeus, mais adiante ainda veremos. E o mesmo aconteceu com a França, campeã do Mundo em título, em 2002 (um empate e duas derrotas com zero golos marcados). Aliás, convém aqui lembrar a tradicional dificuldade das selecções europeias nos Mundiais disputados fora do seu continente, onde apenas a Espanha ganhou numa competição quando os efeitos "jet lag" e climatérico não estavam presentes (África do Sul).

Responsabilidades de Paulo Bento? Sim, numa má abordagem ao jogo com a Alemanha, tentando jogar "de igual para igual", com "pressão alta" e a linhas demasiado subidas, quando a constituição da equipa e o adversário recomendariam o contrário. Sem essa má escolha talvez a derrota tivesse sido menor ou até o empate tivesse sido possível. Má escolha de jogadores? Mas alguém é capaz de afirmar, com honestidade e pensando com o cérebro e não com outras partes do corpo menos adequadas a tal função, que Adrien, Cédric e Quaresma (os habitualmente citados; não me lembro de mais ninguém) poderiam ter feito a diferença? Responsabilidade nas demasiadas lesões musculares e numa deficiente adaptação às condições climatéricas? Sou leigo na matéria, mas penso o mesmo acontecerá com 99.999% dos que por aí oiço com opinião definitiva sobre o assunto. Aguardo as equipas médica e técnica da selecção se pronunciem. 

Tendo isto em atenção, deve Paulo Bento continuar como seleccionador? Estando de fora, francamente, não vejo porque não nem onde a FPF poderá conseguir melhor opção: Del Bosque, com outras obrigações, e Roy Hodgson, podendo a FA contar com outros recursos financeiros, vão também eles continuar. Não sejamos "mais papistas do que o Papa" e preparemos racionalmente o futuro, deixando-nos de populismos e dos tradicionais "oito/oitocentismos" bacocos. Certo?

quarta-feira, junho 18, 2014

Joga o Manel ou joga o Joaquim? - ou a delícia dos "treinadores de bancada"

Continuando com estas coisas do Mundial, e agora falando do jogo contra os USA, devo dizer também estou farto de histórias do tipo "joga o Manel ou joga o Joaquim", "devia pôr o António já que o José está castigado/lesionado". Ora a primeira pergunta que se deve fazer antes de começar a atirar com nomes para a praça pública, é: "o que vai encontrar a selecção portuguesa nesse jogo"? "Que problemas vai defrontar e como pensa resolvê-los mantendo, no essencial, os seus princípios e ideia de jogo"? Ora partindo destas premissas e tendo em atenção o que vi no jogo dos norte-americanos contra o Gana (Paulo Bento e a sua equipa técnica terão visto muito mais jogos), o que vai a equipa portuguesa encontrar? Penso que uma equipa americana a jogar num bloco "médio-baixo", defendendo bem pelo meio e explorando o contra-ataque pelas alas (Dempsey, principalmente) e o passe longo para o substituto de Altidore (lesionado). Ora isto significa que a selecção portuguesa vai forçosamente ter mais bola; vai ter de a fazer circular no meio-campo adversário e jogar a toda a largura do terreno, para abrir espaços, assumir o jogo e ter paciência se o golo tardar. Muita paciência, mesmo. 

Assim sendo, Paulo Bento, entre o Manel e o Joaquim, o António e o José, terá de escolher aqueles que se sintam mais confortáveis neste processo e melhor possam interpretar o modo como a equipa terá de se comportar neste panorama que se "perspectiva". Quem? Não vejo os treinos, não falo com os jogadores, não conheço a sua condição técnica, física e psicológica, etc, etc. Mas, com todas estas ressalvas, quer-me parecer que, ceteris paribus, a fiabilidade e jogo aéreo de Ricardo Costa podem ser preferíveis à rapidez de Luís Neto; a capacidade defensiva de André Almeida, mesmo destro, talvez leve a melhor sobre a técnica de Veloso a colocar a bola à distância; talvez deva jogar no meio-campo quem tenha maior capacidade para cair rapidamente sobre as alas, quer nos movimentos defensivos, quer nos atacantes; Postiga cai como peixe na água neste panorama e, se a coisa se complicar, Vieirinha e Varela podem vir a ter uma palavra durante o jogo. Mas isto digo eu, treinador de bancada um pouco a contra-gosto, agradecendo desde já quem me conteste com argumentação a propósito.

terça-feira, junho 17, 2014

Portugal-Alemanha: ainda o equívoco - e também o jornalismo desportivo.

A estupidez das pessoas não tem limites e a da grande maioria dos jornalistas e comentadores de futebol ainda menos. Pois não é que vejo por aí dominante a opinião de que a selecção portuguesa "até entrou bem no jogo", a "pressionar alto" e jogando "olhos nos olhos" com os alemães? Pois eu direi - e já o fiz aqui - que o problema começou aí mesmo, em querer jogar em "pressão alta" e de "igual para igual" com esta fortíssima selecção da Alemanha (um género de misto Bayern/Borussia, não sei se já perceberam), mais a mais com Hugo Almeida e Cristiano Ronaldo, jogadores muito mais adequados para explorarem, a partir de um bloco baixo, as transições rápidas e o eventual espaço deixado livre atrás da defesa contrária. Ao entrar do modo como entrou (que lhes terá passado pela cabeça, a jogadores e equipa técnica?), a selecção portuguesa pôs-se a jeito e a partir dos 11', em inferioridade no marcador, lá se foi qualquer possível hipótese de optar pelo plano que me pareceria mais adequado. Digamos que a jogar como o fez, a selecção portuguesa, em vez de optar pela estratégia anglo/lusa de Aljubarrota, resolveu fazer o papel da cavalaria francesa em Crécy, Poitiers e Azincourt, e a da franco/castelhana na mesma Aljubarrota. Desastre.

Quero dizer com isto que com a estratégia adequada os portugueses poderiam não ter perdido o jogo? Não me parece; não sou doido nem vou tão longe. Mas poderiam, pelo menos, ter evitado a goleada e o enxovalho, o que, sendo realista, era tudo o que se lhes pedia: uma derrota assim pelo tangencial ou, com uma dose cavalar de sorte e igual ajuda dos deuses e dos santos milagreiros, um empatezito providencial. Assim, puseram-se a jeito e foi o que se viu. 

segunda-feira, junho 16, 2014

Postiga ou Hugo Almeida?

Ao contrário do que tenho por aí lido e ouvido, não me parece a opção de Paulo Bento entre Postiga e Hugo Almeida tenha que ver com a dimensão física do jogo nem, sequer, demasiado com a forma física de um ou outro jogador. O que me parece é que tudo vai depender muito mais da forma como o seleccionador português "perspectivar" (é assim que se diz agora em "futebolês") o jogo: se pensar vai ter de jogar durante largos períodos num bloco mais baixo e em transições rápidas, jogará o canhoto Hugo Almeida, mais à vontade nesse tipo de jogo, derivando com a propósito para a faixa esquerda desde terrenos recuados e arrastando assim um central contrário o que permite a entrada de Cristiano pelo meio e/ou o internamento de Coentrão. Se Paulo Bento achar que a equipa pode jogar um pouco mais "subida", com largos períodos "em posse" e fazendo circular a bola no meio-campo contrário, jogará Postiga, que entende bem melhor esse tipo de movimentos. 

O que é que eu acho? Bom, acho que a primeira opção é a que tem mais probabilidades de se verificar, mas também que nenhuma equipa que não seja constituída por alienígenas será capaz de jogar 90' em Salvador da Baía, à uma da tarde e mesmo na espécie de Inverno que por lá agora vigora (devo dizer só lá estive em Dezembro/Janeiro, pleno Verão, pelo que as condições eram diferentes e substancialmente mais gravosas), em permanentes transições rápidas e, por isso, vai ter que saber, em alguns períodos, gerir o ritmo de jogo com bola. Quero com isto dizer que, se me parece Almeida será opção inicial, prevejo nenhum deles jogue os 90'. Veremos...

segunda-feira, maio 19, 2014

Futebol à 2ª feira

  1. Sou um "tradicionalista", mas como não me considero um "conservador" penso a tradição pode reformar-se e deve sempre ceder o seu lugar quando estejam em causa valores mais importantes e que por isso devem prevalecer. Por isso mesmo, e perante as imagens que ontem vi da entrada do público para o estádio do Jamor, colocando em sério risco a integridade física e a vida de muitos (lembrei-me de Hillsborough), penso não faz qualquer sentido manter a disputa da final da Taça de Portugal num estádio irreformável e com setenta anos de vida, deixando vazios estádios modernos onde os poderes públicos investiram algumas centenas de milhões de euros. Os acessos por transporte público (hoje em dia o meio de transporte preferencial para aceder a um estádio de futebol) são muito deficientes, a comodidade e visibilidade para o público, com bancadas pouco inclinadas, um corredor de escoamento para espectadores e uma pista de atletismo a afastarem-nos do relvado, é má de qualquer lugar, as estruturas de apoio (casas de banho, bares, etc) escassas e as condições de segurança para esquecer. A sorte foi que ontem era um SLB - Rio Ave FC, mas gostaria de saber o que teria acontecido num SLB-FCP ou SCP. Espero nunca se venham a trocar uma febras e uns "picnics" na mata do Jamor por vidas humanas.
  2. Sim, eu sei que os 120' da final de Turim e os muitos jogos disputados constituem atenuante de peso, mas o "meu" SLB continua a chegar aos finais de época fisicamente mais desgastado do que acho seria aceitável. Responsabilidade do modelo de jogo que, apesar da mais assisada rotação de jogadores permitida por um plantel qualitativamente superior, continua a causar enorme desgaste. E é o momento das vitórias o mais indicado para, com sensatez, identificar os problemas.
  3. A escolha de jogadores para uma fase final de um Europeu ou Mundial não é propriamente um concurso de popularidade, muito menos a atribuição de um prémio aos que mais e melhor se distinguiram no seus clubes durante uma época. Deve ter na sua base, para além da experiência de cada jogador no "grande futebol", um conceito de gestão de grupo por parte do seleccionador, bem como uma ideia de jogo para a equipa englobando princípios, modelo e capacidade de entender o modo como a equipa joga. Parece-me ser isto que Paulo Bento desde sempre entendeu e interiorizou a a esmagadora maioria de jornalistas e comentadores ainda não percebeu. Continuar a insistir na discussão de nomes sem ter isto em atenção é enorme disparate.

terça-feira, novembro 26, 2013

Paulo Bento e os chamados jogadores "naturalizados"

Mais uma vez, Paulo Bento toma uma decisão correcta, agora no que diz respeito à convocação de jogadores que não tenham tido sempre a nacionalidade portuguesa. Ao afirmar que não actuará no sentido de apressar qualquer processo de naturalização, está a colocar todos os candidatos, qualquer que sejam as suas situações ou actividades profissionais que exerçam, em igualdade de circunstâncias. Ao frisar que poderá convocar todos os que reúnam condições legais para tal, isto é, que tendo obtido a nacionalidade portuguesa preencham, perante a FIFA, os requisitos necessários para representarem a respectiva selecção, está também a adoptar o único critério objectivo e não discriminatório. Espero que estas afirmações do seleccionador encerrem de vez um discurso com laivos de xenofobia e para o qual já cheguei a ver gente invocar o lugar onde tinham nascido os filhos, a nacionalidade da mulher, o cantarem ou não o hino ou, pasme-se, o local escolhido para as férias. Já agora, mal se compreenderia que alguém pudesse candidatar-se a deputado ou exercer funções ministeriais e não pudesse integrar a selecção nacional de futebol...

Da Constituição da República Portuguesa:

Artigo 4º - São cidadãos portugueses todos aqueles que como tal sejam considerados pela lei ou por convenção internacional.

Artigo 13º - Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

Artigo 15º - Aos cidadãos dos Estados de língua portuguesa com residência permanente em Portugal são reconhecidos, nos termos da lei e em condições de reciprocidade, direitos não conferidos a estrangeiros, salvo o acesso aos cargos de Presidente da República, Presidente da Assembleia da República, Primeiro-Ministro, Presidentes dos tribunais supremos e o serviço nas Forças Armadas e na carreira diplomática.

quarta-feira, novembro 20, 2013

3 notas 3 sobre o Suécia-Portugal

  1. Ontem, ao ver durante a 2ª parte a defesa sueca postada quase em cima da linha de meio-campo deixando livre atrás de si todo um terreno que Cristiano chamou seu, lembrei-me que o problema dos maus resultados da selecção portuguesa contra equipas de segundo plano, principalmente nos jogos em "casa" (Irlanda do Norte e Israel), talvez tivesse menos a ver com a tão apregoada questão de "mentalidade" e bem mais com o que se passa em campo, no chamado "jogo jogado". Acontece que essas equipas tidas como mais fracas vêm jogar contra a selecção portuguesa com as suas linhas muito juntas e recuadas, num bloco baixo, exactamente aquilo que menos se adequa às características da maior parte dos jogadores portugueses, a cuja selecção falta quem jogue em "drible" curto ou em tabelas junto da área contrária, "inventando" espaços. Por isso, nesses jogos, e até contra uma Suécia bem "fechadinha" no Estádio da Luz, vimos a selecção portuguesa finalizar demasiadas vezes as suas jogados com centros para a área, tendo mesmo uma dessas jogadas culminado com o golo português. Digamos que antes de partirmos para explicações metafísicas, talvez não seja mau olhar para o campo.
  2. Antes que os meus amigos "lagartos" me cubram de impropérios... Rui Patrício é o melhor guarda-redes português. Quando penso nas alternativas (Beto, Eduardo) tenho mesmo um calafrio. Mas o  facto é que o registo de Patrício nos tempos mais recentes se salda por um erro tremendo no jogo contra Israel, um enorme "peru" no jogo da Taça contra o SLB e, no mínimo, um pintaínho já crescidote no jogo de ontem. Digamos que já não estamos perante aquela história de "um erro todos cometem", mas de uma sucessão de "baldas" que um guarda-redes de uma selecção europeia de primeira linha não pode dar. Felizmente para Patrício e infelizmente para quem gosta de ver a selecção portuguesa ganhar, de momento não vejo melhor opção. Mas convém que Patrício se vá cuidando e o SCP, já que estamos a falar de "frangos", não veja no seu guarda-redes a "galinha dos ovos de oiro". 
  3. Paulo Bento tem ideias (normalmente boas, provam-no os resultados), acredita nelas, defende-as com "unhas de dentes" até ao fim, fala directo e responde do mesmo modo. Em Portugal, tal manifestação de personalidade é vista como teimosia e arrogância. A esses eu respondo: venham mais como Paulo Bento. 

terça-feira, março 26, 2013

A selecção

Não tendo tido oportunidade de ver o jogo da selecção portuguesa com Israel, devo dizer existiram no jogo de hoje no Azerbaijão, logo no seu início, duas jogadas que explicam bem porque a equipa portuguesa tem sofrido muitos golos com Paulo Bento, desde que subiu as suas linhas para conseguir rentabilizar Ronaldo e passou a assumir mais o jogo. Em ambas essas ocasiões, a equipa adiantou-se em bloco e foi apanhada completamente desposicionada e com poucos jogadores atrás da linha da bola ou capazes de assumirem rapidamente o seu posicionamento defensivo, tal como tinha acontecido no jogo da Rússia, problema aí agravado por ter perdido a bola em zona proibida. Nestas duas ocasiões, valeu a equipa azeri ser tecnicamente incipiente, o que dificultou a sua acção atacante colectiva. Falta à equipa um bom "pivot" defensivo, que a organize defensiva e ofensivamente nessa zona do campo, e um Raul Meireles dos velhos tempos, com ritmo e intensidade de jogo. Mas com Vieirinha (boa exibição), Danny e Postiga no ataque, ter marcado dois golos está acima das minha expectativas.

Nota pelas 19.45H: Acabei de ouvir David Borges falar da "casmurrice" de Paulo Bento. Pois... neste país quem tem ideias, acredita nelas, não bajula, nem muda ao primeiro sopro de vento ou é "casmurro" ou arrogante.

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

A selecção

Com Paulo Bento, a selecção portuguesa mudou os seus processos de jogo, passando a jogar mais em "posse" e subindo no terreno, conseguindo assim rentabilizar Cristiano Ronaldo, pouco influente na era Queiroz. Tal foi positivo, mas, em contrapartida, parece ter perturbado todo o processo defensivo, parecendo a equipa ter passado a desvalorizar esse momento do jogo, desconcentrando-se com inusitada facilidade. Quanto ao resto, jogadores como Custódio, Amorim, Neto, Eduardo e Nelson Oliveira não têm categoria nem apresentam intensidade de jogo para uma selecção que aspira a estar no "top ten" do "ranking" mundial e soluções apenas medianas como João Pereira, Veloso e Postiga, sem que se vislumbrem alternativas credíveis para a sua titularidade (talvez apenas Eder, que também não se afasta dessa mesma mediania), são bem o espelho de uma equipa que está a anos-luz de selecções do passado e de muitos dos seus rivais actuais. Basta ter visto o França-Alemanha, o Holanda-Itália ou o Inglaterra-Brasil. Habituem-se...  

terça-feira, outubro 16, 2012

Rúben Postiga e Helder Micael

Uma selecção que tem a sua zona central de organização e finalização entregue a Rúben Micael e Helder Postiga, jogadores que na época passada eram suplentes utilizados do Real Zaragoza, uma equipa que lutou pela manutenção até à última jornada, um lateral-esquerdo sem pé esquerdo (Miguel Lopes), suplente do FCP, sem experiência do futebol de alto nível e que, por ausência do pé útil, não ajuda nos desequilíbrios ofensivos, não pode ter grandes ambições de ganhar a equipas com qualidade acima do Luxemburgo ou Azerbaijão. É esta falta de jogadores categorizados e desequilibradores, em conjunto com a péssima forma de outros (Nani), que constitui, de facto, o problema principal da selecção portuguesa quando tem de jogar contra equipas em "bloco baixo" e com um nível futebolístico já mediano, e não a não-convocação de Eliseu, o "sistema alternativo" e outras invenções da crítica. No fundo, os jogos com a Rússia e a Irlanda do Norte não foram assim muito diferentes: mais de 70% de "posse de bola" mas enorme lentidão de processos e consequentemente poucas oportunidades claras de golo. Na fase final de um Europeu, contra equipas de nível elevado, que jogam "de igual para igual", contra as quais é possível jogar em transições rápidas pelas alas e quando é possível treinar a mecanização colectiva durante algum tempo, o problema torna-se bem menos evidente, até porque também é possível "igualizar" mais a forma dos jogadores. E atenção a Israel...