- A construção no Campo de Tiro de Alcochete da megalómana “grande cidade aeroportuária” e a outorga de “compensações”, ou seja, licenças de construção a esmo e à revelia de qualquer plano director anteriormente aprovado, aos autarcas do Oeste vai transformar toda a área compreendida entre Leiria, Setúbal, Santarém e Vendas Novas num gigantesco subúrbio sul americano. A quem for ainda a tempo aconselho a emigração. Aos outros a eutanásia. Depois não digam que não avisei.
- A partir de determinada altura, uma das minhas curiosidades era ver quando o ministro Lino e a inefável Zita Seabra se começavam a tratar por “camaradas”.
- Sobre o novo aeroporto e a competitividade com Espanha ver aqui e aqui dois posts anteriores do "Gato Maltês".
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
terça-feira, janeiro 15, 2008
O "Prós & Contras" de ontem
segunda-feira, janeiro 14, 2008
Mais notícias de um país de tristes
Duas pequenas notas de 2ª feira neste país de tristes:
- Basta ter ouvido hoje o fórum TSF, sobre a ASAE, para perceber o atraso, falta de preparação e ignorância do povo português, em pânico perante os mínimos indícios de uma modernidade que não entende, por isso vê como uma ameaça, a ela não conseguindo, sequer, tentar adaptar-se.
- A primeira página do jornal “A Bola” de hoje, quase totalmente preenchida com a notícia da contratação de um ignorado jogador romeno pelo Sport Lisboa e Benfica, é também ela sinal inequívoco do estado de falência a que chegaram o futebol português e os seus principais clubes. Também do estado de degradação moral e profissional de alguma imprensa desportiva em tempos considerada de referência. Patético.
domingo, janeiro 13, 2008
"Conta-me Como Foi"
Decididamente menos bem algumas liberdades que se permitem ao argumento, que se compreendem como cedências para facilitar o fluir da história mas que a fazem o todo cair no facilitismo, na telenovela “pura e dura”. Assim, se podemos aceitar com facilidade que a filha de um alto funcionário do regime seja activa militante do movimento estudantil, já me parece um devaneio (no mínimo) que, na sociedade hiper-classista e estanque de então, sendo os pais simultaneamente grandes e ricos proprietários agrícolas e pertencentes, portanto, à aristocracia fundiária, a rapariga se tome de amores, espere criança e casamento do filho de um contínuo e que ambos falem da mesma maneira e com pronúncia semelhante. Claro que ajuda à dramatização, mas... O mesmo se pode dizer, em termos de verosimilhança, da visita a Londres da filha, cabeleireira de profissão, do casal (ele contínuo e ela costureira/doméstica), que mais não serve do que para acentuar o contraste entre uma sociedade moderna, democrática e aberta (a swinging London dos sixties) e o provincianismo de costumes do Portugal de Salazar. Muito menos que ela oiça, em 1969, como arquétipo da modernidade da música de então, um Cliff Richard de 1961. Sim, eu sei que é apenas um divertimento que se pretende didáctico, mas é exactamente por isso (por pretender ser didáctico) que deveria resistir a esse tipo de “facilidades”.
Rui Costa e Luís Filipe Vieira
sábado, janeiro 12, 2008
MST, VPV. AB, o "Expresso", o "Sol" e o futuro da pátria
O “Gato Maltês” tem estado para aqui a pensar - e o “Gato Maltês às vezes pensa, principalmente quando, como hoje, o Benfica não ganha e faz triste figura –, em propor a tão insignes figuras e instituições nacionais como, por exemplo, MST, VPV, AB, “Expresso” e “Sol” que, pelo menos durante uma semana (uma semaninha, não custa nada), em vez de estarem permanentemente preocupados com assuntos de sobremaneira graves e estruturantes para o futuro da pátria e na nação – e o “Gato Maltês”, apesar de muito arraçado e de ter tido os seus ascendentes e agora os descendentes espalhados aí pelo mundo, lá nasceu e cresceu por aqui – tais como as bolas de Berlim com ou sem creme, colheres de pau, rissóis das “tias” e ginginha “com elas”, por exemplo (é verdade, e das iscas e da fava rica, já algum deles se lembrou?), talvez fosse tempo de fazerem uma pausa e, para variar, descontraírem e arejarem um pouco a cabeça, distraindo-a de tão profundos pensamentos e passando a dedicar, durante essa semana, alguma da sua energia, papel e bytes a assuntos de índole um pouco mais ligeira, quiçá fútil, que os distraiam de tão magnos e preocupantes problemas. É que o “Gato Maltês”, se calhar por não ser fumador (vá lá, de vez em quando lá fuma um “Romeo e Julieta” nº 1, pecado confesso), até se preocupa com a saúde de tão brilhantes mentes e instituições - caraças! - e não os deseja, de modo absolutamente nenhum, ver em sofrimento súbito por via de uma qualquer surmenage!
Assim, e em conformidade com o desejo acima expresso (sem aspas e com letra minúscula), o “Gato Maltês” propõe que tão ilustres e reconhecidos cidadãos e instituições, durante uma semana (só uma, vá lá), dissertem apenas sobre problemas sem importância, que não exijam grande estudo e tempo de consulta, conhecimentos académicos e coisas de magitude tal e tamanha. Para isso, não se importa mesmo nada de deixar aqui algumas pequenas sugestões, que, pensa, poderão bem caber dentro dessa definição, não se importando, contudo, que outras de conformação semelhante ou até julgadas mais discipiendas lhe possam ser ajuntadas. Como exemplo – e, frise-se, trata-se apenas de um exemplo – aqui ficam algumas sugestões e “dicas” (segue lista) à consideração dos referidos destinatários: estabilização orçamental; crescimento económico; desemprego; modelo de desenvolvimento e da nova estrutura aeroportuária; rede(?) de alta velocidade; abandono escolar e modelo de gestão da rede de escolas públicas; reforma da administração; desigualdades sociais; situação da Justiça; sustentabilidade da segurança social e do SNS; reconversão empresarial; integração europeia e futuro da União; modernização e liberalização da sociedade portuguesa nas chamadas questões de sociedade; flexibilidade e legislação laboral, corrupção; actuação sindical e concertação social, etc, etc, etc.
Como se pode sem qualquer esforço verificar, nenhuma delas tem qualquer relevância, mas, que raio, a vida também não se pode levar sempre demasiado a sério, pois não? E, como disse, é só uma semana. Uma pausa, uma simples semaninha.



