terça-feira, janeiro 15, 2008

O "Prós & Contras" de ontem

Duas notas depois do "Prós & Contras" de ontem:
  1. A construção no Campo de Tiro de Alcochete da megalómana “grande cidade aeroportuária” e a outorga de “compensações”, ou seja, licenças de construção a esmo e à revelia de qualquer plano director anteriormente aprovado, aos autarcas do Oeste vai transformar toda a área compreendida entre Leiria, Setúbal, Santarém e Vendas Novas num gigantesco subúrbio sul americano. A quem for ainda a tempo aconselho a emigração. Aos outros a eutanásia. Depois não digam que não avisei.
  2. A partir de determinada altura, uma das minhas curiosidades era ver quando o ministro Lino e a inefável Zita Seabra se começavam a tratar por “camaradas”.
  3. Sobre o novo aeroporto e a competitividade com Espanha ver aqui e aqui dois posts anteriores do "Gato Maltês".

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Mais notícias de um país de tristes

Duas pequenas notas de 2ª feira neste país de tristes:

  1. Basta ter ouvido hoje o fórum TSF, sobre a ASAE, para perceber o atraso, falta de preparação e ignorância do povo português, em pânico perante os mínimos indícios de uma modernidade que não entende, por isso vê como uma ameaça, a ela não conseguindo, sequer, tentar adaptar-se.
  2. A primeira página do jornal “A Bola” de hoje, quase totalmente preenchida com a notícia da contratação de um ignorado jogador romeno pelo Sport Lisboa e Benfica, é também ela sinal inequívoco do estado de falência a que chegaram o futebol português e os seus principais clubes. Também do estado de degradação moral e profissional de alguma imprensa desportiva em tempos considerada de referência. Patético.

The Hammer Collection (9)

"Scars Of Dracula", de Roy Ward Baker (1970)

domingo, janeiro 13, 2008

"Conta-me Como Foi"

Instado por alguns amigos e depois de ter lido algumas críticas favoráveis, dei por mim, no passado Domingo, a ver, pela primeira vez, um episódio completo de “Conta-me como foi”, um “formato” (não sei bem se lhe poderei chamar telenovela) de ficção, baseado numa ideia nascida em Espanha, que pretende contar de forma ligeira e descontraída, através de uma família da pequeníssima pequena burguesia suburbana, a vida em Portugal nos últimos anos da ditadura (acho acabará com o 25 de Abril, será assim?). A primeira impressão é que a “coisa” funciona, desperta a atenção e não requer especiais dotes de concentração. Certo para o fim a que se destina, pois. Também me parece existir algum cuidado de produção, na reconstituição de ambientes, nos adereços, talvez menos na maneira de falar. Excelente o resultado obtido com aqueles que são normalmente catalogados como “tipos populares” - tão importantes na captação de audiências - por caricaturais, muito na tradição do teatro de revista ou do seu prolongamento no cinema português da década de 40 do século passado. Também as crianças, que, assim de repente, me remeteram para o “Aniki-Bobó” de Oliveira. Enfim, a “coisa” não envergonha e é escorreita e atractiva, mesmo para quem, como eu, resume a sua experiência de telenovela e afins a três ou quatro episódios da “Gabriela” ou poucos mais da “Chuva na Areia”.

Decididamente menos bem algumas liberdades que se permitem ao argumento, que se compreendem como cedências para facilitar o fluir da história mas que a fazem o todo cair no facilitismo, na telenovela “pura e dura”. Assim, se podemos aceitar com facilidade que a filha de um alto funcionário do regime seja activa militante do movimento estudantil, já me parece um devaneio (no mínimo) que, na sociedade hiper-classista e estanque de então, sendo os pais simultaneamente grandes e ricos proprietários agrícolas e pertencentes, portanto, à aristocracia fundiária, a rapariga se tome de amores, espere criança e casamento do filho de um contínuo e que ambos falem da mesma maneira e com pronúncia semelhante. Claro que ajuda à dramatização, mas... O mesmo se pode dizer, em termos de verosimilhança, da visita a Londres da filha, cabeleireira de profissão, do casal (ele contínuo e ela costureira/doméstica), que mais não serve do que para acentuar o contraste entre uma sociedade moderna, democrática e aberta (a swinging London dos sixties) e o provincianismo de costumes do Portugal de Salazar. Muito menos que ela oiça, em 1969, como arquétipo da modernidade da música de então, um Cliff Richard de 1961. Sim, eu sei que é apenas um divertimento que se pretende didáctico, mas é exactamente por isso (por pretender ser didáctico) que deveria resistir a esse tipo de “facilidades”.

Rui Costa e Luís Filipe Vieira

Luís Filipe Vieira prepara-se para oferecer a Rui Costa um presente envenenado: o lugar de Director Desportivo do SLB, esvaziado de poderes pela própria existência de LFV, da sua personalidade, mentalidade e princípios de actuação. Trata-se apenas de um expediente saloio - demasiado “rabo escondido com gato quase todo de fora” - para criar uma “almofada” de amortecimento que permita á gestão de LFV manter-se no poder por mais algum tempo. Demasiado, e Rui Costa é também demasiado importante para o clube para se deixar imolar pelo fogo de modo tão ingénuo e extemporâneo.

sábado, janeiro 12, 2008

MST, VPV. AB, o "Expresso", o "Sol" e o futuro da pátria

O “Gato Maltês” tem estado para aqui a pensar - e o “Gato Maltês às vezes pensa, principalmente quando, como hoje, o Benfica não ganha e faz triste figura –, em propor a tão insignes figuras e instituições nacionais como, por exemplo, MST, VPV, AB, “Expresso” e “Sol” que, pelo menos durante uma semana (uma semaninha, não custa nada), em vez de estarem permanentemente preocupados com assuntos de sobremaneira graves e estruturantes para o futuro da pátria e na nação – e o “Gato Maltês”, apesar de muito arraçado e de ter tido os seus ascendentes e agora os descendentes espalhados aí pelo mundo, lá nasceu e cresceu por aqui – tais como as bolas de Berlim com ou sem creme, colheres de pau, rissóis das “tias” e ginginha “com elas”, por exemplo (é verdade, e das iscas e da fava rica, já algum deles se lembrou?), talvez fosse tempo de fazerem uma pausa e, para variar, descontraírem e arejarem um pouco a cabeça, distraindo-a de tão profundos pensamentos e passando a dedicar, durante essa semana, alguma da sua energia, papel e bytes a assuntos de índole um pouco mais ligeira, quiçá fútil, que os distraiam de tão magnos e preocupantes problemas. É que o “Gato Maltês”, se calhar por não ser fumador (vá lá, de vez em quando lá fuma um “Romeo e Julieta” nº 1, pecado confesso), até se preocupa com a saúde de tão brilhantes mentes e instituições - caraças! - e não os deseja, de modo absolutamente nenhum, ver em sofrimento súbito por via de uma qualquer surmenage!

Assim, e em conformidade com o desejo acima expresso (sem aspas e com letra minúscula), o “Gato Maltês” propõe que tão ilustres e reconhecidos cidadãos e instituições, durante uma semana (só uma, vá lá), dissertem apenas sobre problemas sem importância, que não exijam grande estudo e tempo de consulta, conhecimentos académicos e coisas de magitude tal e tamanha. Para isso, não se importa mesmo nada de deixar aqui algumas pequenas sugestões, que, pensa, poderão bem caber dentro dessa definição, não se importando, contudo, que outras de conformação semelhante ou até julgadas mais discipiendas lhe possam ser ajuntadas. Como exemplo – e, frise-se, trata-se apenas de um exemplo – aqui ficam algumas sugestões e “dicas” (segue lista) à consideração dos referidos destinatários: estabilização orçamental; crescimento económico; desemprego; modelo de desenvolvimento e da nova estrutura aeroportuária; rede(?) de alta velocidade; abandono escolar e modelo de gestão da rede de escolas públicas; reforma da administração; desigualdades sociais; situação da Justiça; sustentabilidade da segurança social e do SNS; reconversão empresarial; integração europeia e futuro da União; modernização e liberalização da sociedade portuguesa nas chamadas questões de sociedade; flexibilidade e legislação laboral, corrupção; actuação sindical e concertação social, etc, etc, etc.

Como se pode sem qualquer esforço verificar, nenhuma delas tem qualquer relevância, mas, que raio, a vida também não se pode levar sempre demasiado a sério, pois não? E, como disse, é só uma semana. Uma pausa, uma simples semaninha.

Clássicos do Cinema (46)



"The Outlaw" de Howard Hughes (1943)

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Novo aeroporto: discutir a remodelação do governo ou focar o essencial?

Claro que depois do episódio da localização do novo aeroporto, a manutenção de Mário Lino no governo só me faz lembrar o filme de Gus van Sant “To Die For” (em português “Disposta a Tudo”) ou a anedota que referia tudo o que um grupo de escuteiros seria capaz de fazer para conseguir obter um canivete suíço, mas colocar agora o centro do debate, o foco, na questão da remodelação governamental, não é política, é mais “coscuvilhice”. No limite, petite politique, que é o que este país tem de sobra e não de falta. O foco do debate deverá ser colocado, isso sim - e cada vez mais -, ainda na questão do tipo de estrutura aeroportuária a construir, no papel da Portela e da articulação com a futura rede ibérica de alta velocidade, o que pressupõe a montante modelos de desenvolvimento diferenciados e antagónicos. E mesmo duas visões diferentes para a Península. É que não se pode dizer que a melhoria dos níveis de educação dos portugueses, o choque tecnológico (seja lá o que isso for) e a Finlândia são os objectivos a atingir e o padrão de referência e, simultaneamente, insistir e reforçar um modelo de desenvolvimento baseado na especulação imobiliária, nas grandes e sumptuárias obras públicas e tendo da integração peninsular de Portugal uma visão megalómana e “lusocêntrica”. Ou melhor, pode: mas a primeira torna-se apenas propaganda.

"Les haricots sont pas salés" - old time cajun music (1)


Octa Clark & Hector Duhon - "Le 'Tit Nègre a Tante Dolice"

quinta-feira, janeiro 10, 2008