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segunda-feira, junho 27, 2011

O "Expresso" não sabe copiar e vai ter que escrever 50 vezes "Renovação" em vez de "revolução"

Simpaticamente, o "Expresso" resolveu este fim de semana transcrever um "tweet" meu. Digamos que só lhes fica bem enriquecer assim o conteúdo do jornal, que bem precisado está.. No original, o "tweet", a propósito das dissidências no Bloco de Esquerda, dizia mais ou menos isto: "será que depois da Renovação Comunista vamos ter a Renovação Bloquista?". Claro está que qualquer pessoa minimamente informada perceberia que quando escrevia Renovação Comunista estava a referir-me ao movimento de dissidentes do PCP do qual Carlos Brito e Edgar Correia são os nomes mais conhecidos, comparando a génese da sua institucionalização com o que se passa actualmente no BE. Pois parece-me que o "Expresso" terá pensado que os "twitters" são todos (ou eu em especial) uns ignorantes e, zás, catrapás, toca de substituir "Renovação" por "revolução", o que altera todo o significado do que escrevi e o torna mesmo incompreensível. Enfim... se o "Expresso" não é capaz de fazer algo tão simples como copiar, como querem que acreditemos no que por lá dizem? 

quinta-feira, janeiro 20, 2011

A morte de Don Kirshner e a ignorância jornalística do "Expresso"

De facto, a ignorância jornalística não tem limites. A propósito da morte de Don Kirshner (ver "post" neste "blog") o "Expresso" não só lhe chama "compositor de Elvis Presley" (não tenho ideia que Kirshner alguma vez tenha composto o que quer que fosse, muito menos nada de relevante ou para Presley) como, para justificar tal epíteto, lhe atribui a autoria de "You've Lost That Lovin' Feelin'". Duas notas:
  1. Embora Presley tenha interpretado "You've Lost That Lovin' Feelin'", pouca gente o saberá, já que o tema foi êxito retumbante, isso sim, na voz dos Righteous Brothers (editado em Dezembro de 1964 - #1 em Fevereiro de 1965), aos quais ficará para sempre ligado. Aliás, para além do "cover" de Elvis Presley existe uma lista infindável de versões, algumas bem mais conhecidas do que a de Presley.
  2. Os seus autores são Barry Mann, Cynthia Weil e Phil Spector, nomes incontornáveis da música popular, do Brill Building e da Aldon Music de Kirshner e Al Nevins, claro. Mas daí a atribuir-se a sua autoria a Kirshner...
  3. Os nomes do Brill Building indissoluvelmente ligados à carreira de Presley depois da passagem deste da SUN para a RCA são Jerry Leiber e Mike Stoller, autores de temas como "Treat Me Nice", "Baby I Don't Care", "Love Me", "Jailhouse Rock" e por aí fora.

Uma lástima, já que o "Expresso" tem obrigações.

domingo, janeiro 16, 2011

O "Expresso" jogou à "batalha naval" e atirou um submarino ao fundo

Começo por dizer que não sou perito em questões de Defesa Nacional e muito menos conhecedor de assuntos relacionados com a defesa marítima. Por isso mesmo, não estou em posição de aferir da utilidade dos tão falados submarinos, embora tenha por hábito dizer que ainda não vi nem ouvi da parte dos defensores da sua indispensabilidade o que quer que fosse que me tenha cabalmente convencido de tal coisa. Enfim, também pelo que li e ouvi - embora, reafirmo, leigo em tal matéria – quer-me bem parecer que a Marinha Portuguesa não quis ver-se amputada da sua unidade de submarinos, mais por questão corporativa do que pela sua utilidade efectiva para as missões que competem às forças armadas, e que talvez seja bem esta a questão que levou à dita compra. E como, no fim do dia, eram provavelmente em maior número e mais influentes aqueles a quem o investimento convinha, pelas mais variadas razões, lá vieram os descendentes dos U-Boat a 500M a unidade.

Bom, mas tendo dito isto e marcado o meu território, “serve a presente” para declarar que o modo como o “Expresso” desta semana aborda a avaria do tal “Tridente” (é o nome do claustrofóbico submergível), que apesar do título do jornal e do sentido que este tenta dar à notícia me parece ser mais um caso de "running adjustments" do que avaria propriamente dita, me parece tudo menos sério, bem mais ao estilo de conversa de taxista e de “bater” porque é popular e caiu em desgraça do que análise ao assunto efectuada com a seriedade que tal mereceria.

Et tu, “Expresso”?

terça-feira, novembro 30, 2010

Péssimo jornalismo!

Título do “Expresso” on-line: “Será que a zona euro se vai fragmentar”? Esta afirmação, catastrófica e alarmista, deixa antever o pior, seja, uma forte possibilidade de desagregação da moeda única com todas as dramáticas consequências, de ordem política e económica, que se poderiam imaginar. Depois, vamos ler a entrevista com Iain Begg, professor da London School of Economics, e Friedrich Heinemann, do Centro de investigação Económica Europeia, e concluímos da muito pouca probabilidade de tal cenário, praticamente afastado por ambos os especialistas.

Não são necessários mais comentários sobre este tipo de jornalismo...

sábado, junho 26, 2010

A entrevista de Mª de Lurdes Rodrigues

Indispensável ler a entrevista ao “Expresso” de Mª de Lurdes Rodrigues, o(a) melhor ministro(a) da educação da democracia. Duas coisas ficam bem evidentes, mesmo que, aqui e ali, se possa discordar de algumas das suas medidas e respectivas justificações e, por vezes, tenha também demonstrado, no exercício do cargo, alguma inabilidade ou inexperiência políticas:
  1. Como, com a conivência e/ou participação activa da comunicação social, a demagogia e o populismo contaminam e impregnam tudo à sua volta, impedindo uma discussão séria e estruturada dos problemas.
  2. Que nunca existirá nenhuma reforma estruturada e consistente do ensino sem um prévio afrontamento político e respectiva derrota dos ultra-conservadores, e até reaccionários, sindicatos do sector, corporação que José Sócrates, por cobardia e/ou fraqueza política, nunca quis directamente afrontar e cuja onda de contestação os partidos da oposição à sua direita aproveitaram para cavalgar.

sábado, fevereiro 07, 2009

"Expresso": uma notícia lamentável como resposta a uma (não) argumentação lamentável

O que acho, por vezes, espantoso é o modo como os jornais, mesmo os “de referência” - se é que a categoria ainda existe - tomam os leitores por parvos (e muitos deles bem o merecem). Veja-se esta notícia do “Expresso”:

“Dois ex-funcionários das empresas de Manuel Pedro e Charles Smith garantiram ao Expresso que grande parte da documentação dos escritórios sob suspeita no caso Freeport foi eliminada um dia antes das buscas da PJ de Setúbal, a 9 de Fevereiro de 2005.”

1ª pergunta: Qual a credibilidade desta fonte? Quais as funções que os referidos funcionários desempenhavam? Porque saíram da empresa e em que condições? Qual o seu relacionamento com os seus empregadores, agora "ex"? Porque só agora se manifestam?

2ª pergunta: Foi eliminada grande parte da documentação dos escritórios sob suspeita. Sabendo que isso - eliminação de material de arquivo obsoleto - é algo comum acontecer nas empresas, existe algum indício ou garantia de que essa documentação estava, de algum modo, relacionada com o negócio Freeport, ou tratar-se-á apenas de algo circunstancial?

Continua a notícia:

“A destruição dos documentos foi, segundo as mesmas fontes, ordenada por Manuel Pedro, o consultor português para a aprovação do projecto de outlet em Alcochete, indiciando que estaria a par da operação policial”

1ª pergunta: Manuel Pedro foi o consultor português para a aprovação do projecto Freeport, mas era também um dos sócios da empresa. Nessa qualidade não tinha total autoridade para decidir da destruição de arquivos ou outro material da empresa que poderia nada ter que ver com o caso ou com a visita da PJ?

2ª pergunta: Qualquer prova de corrupção ou ilegalidades envolvendo personalidades do Estado, tais como membros do governo ou dirigentes da autarquia, estaria devidamente guardada nos arquivos da empresa, para quem a quisesse facilmente consultar?

Acho que é suficiente, cabendo, no entanto, perguntar se face a uma eventual ausência de provas por ausência de delito não será melhor urdir desde já uma justificação que mantenha para sempre a suspeita. Se assim for, digamos que me resta dizer que a teoria da cabala terá aqui uma resposta ao seu nível: lamentável. Pura e simplesmente lamentável.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Garcia Leandro, Marx, a "Sala do Risco" e o regime

Garcia Leandro não é Oscar Carmona, nem estamos em 1925 perante um julgamento de militares revoltosos, mas a entrevista e declarações do General ao “Expresso” e “SIC Notícias” têm, propositadamente ou não, com razão ou sem ela – e não sou eu que lha vou negar mau grado um certo tom catastrofista que está longe de ser bom conselheiro -, algo de “Sala do Risco”. Claro que, ao recordar o antigo Presidente da República da ditadura e personalidade destacada da revolta de 28 de Maio de 1926, terá o General lido uma parte do “18 do Brumário” (“quanto a mim mostro, pelo contrário, como a luta de classes em França criou circunstâncias e uma tal situação que permitiu a um personagem medíocre e grotesco fazer figura de herói” – Karl Marx, op. citada). Mas esqueceu-se de ler a frase com que o mesmo Marx abre esse seu texto sobre Luís Bonaparte: “Hegel faz notar algures que todos os grandes acontecimentos e personagens históricos ocorrem, por assim dizer, duas vezes. Esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”.

Quanto a mim, modesto blogger de ocasião e horas vagas, pergunto-me se, sendo Garcia Leandro General do exército português e ocupando um cargo de nomeação não partidária e teoricamente independente na organização estatal enquanto responsável pelo Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, lhe deve ser permitido criticar livre e publicamente o regime do modo e nos termos em que o fez. A Oscar Carmona foi-lhe retirado o comando da 4ª Divisão; mesmo assim todos conhecemos o resto da história. Mas essa foi a vez da tragédia, pois claro...

sábado, janeiro 12, 2008

MST, VPV. AB, o "Expresso", o "Sol" e o futuro da pátria

O “Gato Maltês” tem estado para aqui a pensar - e o “Gato Maltês às vezes pensa, principalmente quando, como hoje, o Benfica não ganha e faz triste figura –, em propor a tão insignes figuras e instituições nacionais como, por exemplo, MST, VPV, AB, “Expresso” e “Sol” que, pelo menos durante uma semana (uma semaninha, não custa nada), em vez de estarem permanentemente preocupados com assuntos de sobremaneira graves e estruturantes para o futuro da pátria e na nação – e o “Gato Maltês”, apesar de muito arraçado e de ter tido os seus ascendentes e agora os descendentes espalhados aí pelo mundo, lá nasceu e cresceu por aqui – tais como as bolas de Berlim com ou sem creme, colheres de pau, rissóis das “tias” e ginginha “com elas”, por exemplo (é verdade, e das iscas e da fava rica, já algum deles se lembrou?), talvez fosse tempo de fazerem uma pausa e, para variar, descontraírem e arejarem um pouco a cabeça, distraindo-a de tão profundos pensamentos e passando a dedicar, durante essa semana, alguma da sua energia, papel e bytes a assuntos de índole um pouco mais ligeira, quiçá fútil, que os distraiam de tão magnos e preocupantes problemas. É que o “Gato Maltês”, se calhar por não ser fumador (vá lá, de vez em quando lá fuma um “Romeo e Julieta” nº 1, pecado confesso), até se preocupa com a saúde de tão brilhantes mentes e instituições - caraças! - e não os deseja, de modo absolutamente nenhum, ver em sofrimento súbito por via de uma qualquer surmenage!

Assim, e em conformidade com o desejo acima expresso (sem aspas e com letra minúscula), o “Gato Maltês” propõe que tão ilustres e reconhecidos cidadãos e instituições, durante uma semana (só uma, vá lá), dissertem apenas sobre problemas sem importância, que não exijam grande estudo e tempo de consulta, conhecimentos académicos e coisas de magitude tal e tamanha. Para isso, não se importa mesmo nada de deixar aqui algumas pequenas sugestões, que, pensa, poderão bem caber dentro dessa definição, não se importando, contudo, que outras de conformação semelhante ou até julgadas mais discipiendas lhe possam ser ajuntadas. Como exemplo – e, frise-se, trata-se apenas de um exemplo – aqui ficam algumas sugestões e “dicas” (segue lista) à consideração dos referidos destinatários: estabilização orçamental; crescimento económico; desemprego; modelo de desenvolvimento e da nova estrutura aeroportuária; rede(?) de alta velocidade; abandono escolar e modelo de gestão da rede de escolas públicas; reforma da administração; desigualdades sociais; situação da Justiça; sustentabilidade da segurança social e do SNS; reconversão empresarial; integração europeia e futuro da União; modernização e liberalização da sociedade portuguesa nas chamadas questões de sociedade; flexibilidade e legislação laboral, corrupção; actuação sindical e concertação social, etc, etc, etc.

Como se pode sem qualquer esforço verificar, nenhuma delas tem qualquer relevância, mas, que raio, a vida também não se pode levar sempre demasiado a sério, pois não? E, como disse, é só uma semana. Uma pausa, uma simples semaninha.