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sexta-feira, março 06, 2009

"A Bola", o jornalista Santos Neves e os jogadores "naturalizados"

O jornalista Santos Neves descreve hoje em “A Bola” (não linkável) as razões essenciais que deveriam estar na base da convocação de jogadores que não tenham tido sempre a nacionalidade portuguesa para representarem a selecção principal da FPF: cantarem o hino, não passarem férias nos países de origem - onde residem família e amigos - e manifestarem esse desejo, como se esta última condição não fosse comum a todos os jogadores (nascidos em Portugal, na Bechuanalândia ou na Conchichina), já que não me consta algum profissional de futebol seja obrigado a representar a respectiva selecção.

Bom, ainda bem que nunca tive jeito suficiente para me tornar profissional de futebol, pois, para Santos Neves, eu, embora português desde que nasci em Lisboa na freguesia de Stª Isabel, nunca poderia, mesmo que fosse o “melhor do mundo”, representar a selecção portuguesa de futebol. Atente-se: não canto o hino - esse disparate de “egrégios avós” e de “marchar contra os canhões” (livra!!!) - e sempre que posso passo a fronteira, nas férias ou fora delas. Como é que o jornalista Santos Neves resolveria tal problema? Poderia passar férias no estrangeiro desde que não em Malta, Espanha ou França, países onde os meus antepassados nasceram? Ou essas regras só valem para portugueses de segunda, seja, aqueles que já tiveram outra nacionalidade e são assim obrigados a demonstrar, à laia de conversão religiosa ou tribal, o seu amor e fé nos destinos da nova pátria, muito para além do que as leis gerais do país estipulam?

Pois, assim vai o jornalismo desportivo...

terça-feira, maio 27, 2008

A "novela" Mourinho e a imprensa portuguesa

Basta "dar uma volta" pelos jornais desportivos italianos para perceber o que se passa com a novela Mourinho: Moratti, presidente do Inter, ter-se-á comprometido ou apalavrado com José Mourinho em Março; entretanto o Inter, com Roberto Mancini, foi campeão e finalista da Taça de Itália, este tem mais três anos de contrato e Moratti, face também a uns adeptos divididos (basta ler em diagonal os comentários na “Gazzetta dello Sport” e do “Corriere dello Sport”), está indeciso e mostra-se receoso em despedir Mancini; em função disso, Mourinho pressiona o Inter e Moratti através de Luís Figo e da imprensa portuguesa, inclusivamente prometendo facilidades para a contratação de Lampard, Quaresma e Deco, alguns dos “seus rapazes”. Aliás, a imprensa desportiva internacional tem sido bastante discreta e pouco conclusiva no tratamento deste tema, com excepção de um artigo na “Gazzetta dello Sport” e de uma ou outra citação de... “a Bola”, sempre pronta para uns fretes (não está só, infelizmente).

Nota: sou um admirador de José Mourinho, o que não impede, claro está, o exercício do meu sentido crítico.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Mais notícias de um país de tristes

Duas pequenas notas de 2ª feira neste país de tristes:

  1. Basta ter ouvido hoje o fórum TSF, sobre a ASAE, para perceber o atraso, falta de preparação e ignorância do povo português, em pânico perante os mínimos indícios de uma modernidade que não entende, por isso vê como uma ameaça, a ela não conseguindo, sequer, tentar adaptar-se.
  2. A primeira página do jornal “A Bola” de hoje, quase totalmente preenchida com a notícia da contratação de um ignorado jogador romeno pelo Sport Lisboa e Benfica, é também ela sinal inequívoco do estado de falência a que chegaram o futebol português e os seus principais clubes. Também do estado de degradação moral e profissional de alguma imprensa desportiva em tempos considerada de referência. Patético.