Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
segunda-feira, fevereiro 13, 2012
A "manif"
sexta-feira, dezembro 09, 2011
O BE, a Ruptura/FER e os talibãs
segunda-feira, agosto 08, 2011
Contestação em Setembro?
domingo, junho 26, 2011
A esquerda radical e Paulo Macedo
sexta-feira, junho 10, 2011
Das razões da derrota do BE ao futuro do centro-esquerda
terça-feira, junho 07, 2011
A questão-chave do BE
terça-feira, abril 19, 2011
PCP e BE nunca sequer saíram do PREC
segunda-feira, abril 04, 2011
O Bloco de Esquerda, o PCP e a IV Internacional
quinta-feira, fevereiro 24, 2011
O voluntarismo de Daniel Oliveira e um dos dramas da sociedade portuguesa
Estou a falar do Bloco de Esquerda, do PCP e dos muitos eleitores e militantes do PS que ainda acreditam que o poder pode ser mais do que gestor da desgraça. Estou a falar dos sindicatos, dos movimentos sociais, de quem tem espaço na comunicação social.”
Este pensamento de Daniel Oliveira, que embora sendo militante do “Bloco de Esquerda” (digamos em seu abono que pouco "ortodoxo"), tenho como democrata sincero e empenhado, constitui, de facto, um dos dramas da sociedade portuguesa: a existência, à esquerda, de um grupo significativo de defensores das instituições democráticas que, honestamente, ainda pensam qualquer acordo alargado (a velha “frente”...) que inclua o PCP, o BE e o actual sindicalismo conservador pode constituir uma alternativa democrática, não radical, solidária e modernizadora da sociedade portuguesa. Mais ainda, que é estrategicamente possível, para além de iniciativas tácticas localizadas, qualquer aliança entre o PCP, “vanguarda da classe operária”, e o BE ou quaisquer outras “forças” sem a hegemonia de quem se assume como “vanguarda” da classe a quem cabe um um papel histórico no derrube do capitalismo. Pior, que tal coisa é possível no quadro da UE ou não implicando o abandono desta, com todas as suas consequências.
Na realidade, as propostas voluntaristas de Daniel Oliveira, pela sua inexequibilidade já por várias vezes provada, muitas delas de forma trágica, acabam por demonstrar exactamente o contrário do que ele pretende: não existe qualquer alternativa democrática não radical e, portanto, não anti-capitalista (e o capitalismo é condição sine qua non da democracia política, note-se), modernizadora da sociedade portuguesa, geradora a prazo de maior justiça social (mesmo que com o dramático sacrifício actual de uma geração) que possa ser protagonizada pelo PCP, BE e o actual sindicalismo. Trazer quem neles se revê e acredita em soluções por si protagonizadas para o campo da democracia liberal e da economia baseada na livre iniciativa, lutando, neste campo gerador de desigualdades, por uma sociedade mais justa e solidária, mais aberta e tolerante, mais igual apesar das desigualdades que necessariamente gera, é uma tarefa de todos os que se revêm na democracia e no progresso social. Assim sendo, espero um dia seja possível dar as boas-vindas ao Daniel Oliveira. Digamos que já estivemos mais longe...
sábado, fevereiro 19, 2011
A moção" do "Bloco" e o seu texto
terça-feira, fevereiro 15, 2011
Um agradecimento ao "Bloco de Esquerda" - ou, para ser mais exacto, ao papel que assumiu em defesa do regime e da democracia liberal
De facto, o BE veio ocupar um espaço político (o seu crescimento comprova-o) deixado vago pelo PCP com a dissolução do “proletariado urbano”, com a substituição das cinturas industriais por uma pequena burguesia suburbana e culturalmente autónoma e por aquilo que se pode chamar, embora de modo demasiado redutor, de deriva centrista do PS: um eleitorado mais jovem (mas nem sempre), pós-moderno e radical, relativamente marginal face ao “status quo”, demasiado liberal e individualista, desalinhado, para se reconhecer no conservadorismo tradicional, no monolitismo e ortodoxia comunistas ou na disciplina e cinzentismo dos grandes partidos de poder.
Foi portanto esta, e de modo muito genérico, a base de crescimento do BE, e cuja contestação ao regime ou puro e simples afastamento da política institucional o partido ajudou a enquadrar e institucionalizar, conduzindo-a ao “redil” do sistema (lembram-se da “ovelha negra” do PSR?) e forçando mesmo o PS a cedências em muitas das emergentes questões de “costumes”. Sem o enquadramento desses cidadãos, que o BE em “boa hora” levou a cabo, sem a institucionalização, que realizou, desse potencial de contestação, convenhamos que algumas das manifestações populares da crise poderiam (sabe-se lá?!...) assumir expressões e formas bem mais violentas e de difícil controle. O regime e todos nós, os que nos revemos numa democracia liberal e numa sociedade aberta e progressiva, não conservadora e cosmopolita, devemos ao “Bloco” este agradecimento; e o anúncio de apresentação da sua "moção de censura" nada mais representa do que mais um passo no cumprimento desta sua tarefa histórica. Malgré lui, provavelmente!
quinta-feira, fevereiro 10, 2011
A moção
Duas coisas serão curiosas de analisar na moção de censura ao governo que o “Bloco de Esquerda” irá apresentar na Assembleia da República:
- Em primeiro lugar se a sua redacção será de molde a “piscar o olho” à direita parlamentar, única hipótese de a moção ter alguma eficácia e de deixar esta em maus lençóis face a uma sua mais do que provável abstenção, pelo menos da parte do PSD. Caso não o seja, optando o BE por uma formulação mais radical “à esquerda”, isso significa que o partido não tem qualquer intenção de derrubar o governo e apenas pretende “marcar a agenda política” e, assim, capitalizar o descontentamento popular face às medidas de austeridade. Passaria a ser uma questão apenas a dois, entre BE e PCP.
- Em segundo lugar ver qual a opção do PCP, que ou irá atrás do BE ou terá que se explicar muito bem aos seus militantes. E atenção: o PCP não costuma brincar em serviço. Mas, de facto, perdeu aqui a iniciativa política, embora o partido, pela sua própria natureza, costume recuperar bem destas situações de algum desconforto parlamentar.
Mas, para já, parece-me que será o PSD o partido mais incomodado com esta iniciativa “bloquista. Se optar pela mais do que provável abstenção desagrada ao anti-sócratismo mais populista e radical, que, quer queiram quer não, constitui, neste momento, uma boa parte da sua base eleitoral e, principalmente, da “vanguarda” da opinião publicada; e a não aprovação de uma moção de censura será sempre assinalada como uma vitória do governo e do primeiro-ministro. Se votar a favor tal será recebido com desconforto por uma boa parte do mundo empresarial e dos negócios, e o PSD não escapará à acusação, pelo PS, de actuação “aventureirista”, “anti-patriótica”, “causadora de instabilidade” e por aí fora, sendo obrigado a enfrentar eleições sob o peso deste anátema . Mas penso que, entre estas duas opções, o PSD optará pela “responsabilidade”.
domingo, novembro 21, 2010
Rui Tavares e as bolsas de estudo
Tendo dito isto, o que não podemos esquecer é que Rui Tavares é deputado europeu, cargo que exerce em nome de um partido (neste caso o “BE” mas poderia ser qualquer outro) e por isso mesmo o seu gesto tem obrigatoriamente uma leitura e significado políticos, estando longe de ser inocente. Muito pelo contrário, neste tempo de enorme afastamento entre os cidadãos e os políticos, em que estes e executivos de empresas são vistos (demasiado frequentemente, com razão) como privilegiados e beneficiários de regalias e sinecuras consideradas inadequadas e imerecidas, situação exacerbada por uma comunicação social populista, a atitude de Rui Tavares irá sem qualquer dúvida funcionar em benefício da sua imagem enquanto político, mas também da do partido que representa e do alastramento de uma ideia populista que tende a entranhar-se na sociedade. Uma atitude, em si própria, com todas as características de um gesto altruísta, transforma-se assim numa decisão com um óbvio significado político e cujo altruísmo pode mesmo, por essa via, ser questionado. Para além disso, funcionando como exemplo, assume também um evidente significado moral, e se nada ou muito pouco me afectam os benefícios que o próprio e o “BE” podem retirar do gesto de Rui Tavares, já confesso o meu desconforto perante “exemplos morais” apontados à nação quais setas envenenadas, uma vez que na base de qualquer totalitarismo existe quase sempre uma ou outra ideia de superioridade moral.
Bom, dir-me-ão, assim sendo não teria sido bem melhor Rui Tavares não ter dado publicidade ao seu gesto, anulando assim qualquer potencial perversidade nele contida e evitando leituras políticas? Pessoalmente, acho teria sido preferível, em nome do altruísmo de uma ideia que considero positiva. No entanto, ao dar publicidade ao seu gesto Rui Tavares também potencia a possibilidade de o ver multiplicado a muitos níveis na sociedade, o que não deixa de ser benéfico para os que podem vir a necessitar de apoios desse ou de outro tipo.
Conclusão? Pois... Felizmente o mundo não é a “preto e branco” e entrincheirarmo-nos em ideias pré-concebidas nem sempre constitui a melhor opção para o compreender.
quinta-feira, julho 22, 2010
Louçã e a constituição
quarta-feira, junho 09, 2010
O BE "cantando e rindo"...
Já agora, não sei que dirão dos que, na indústria cinematográfica, são contratados para papéis ou convidados como figurantes de soldados e oficiais SS, soldados japoneses em cargas “banzai”, prisioneiros judeus dos campos de extermínio (incluindo crianças), índios americanos, pioneiros soviéticos ou pretos submetidos à escravatura, hereges e carrascos nos tempos da Santa Inquisição...
E que tal, qual “talibans” da pedagogia, elaborarem uma lista do que pode ou não ser recreado? Talvez um novo código Hays, não?
quarta-feira, maio 05, 2010
Tretas...
O que é efectivamente importante e o PS vai ter que determinar é se, e de que modo, a candidatura de Alegre serve ou não, neste momento específico e num futuro próximo, maioritariamente, os interesses do partido. Se o partido concluir pela positiva, e como desde Maquiavel a moral pouco ou nada tem a ver com a política, haverá sempre uns sapos bem conhecidos, quais tenras coxinhas de rã, prontos a serem deglutidos. Essa é que é essa!