Não sei se Paulo Macedo virá ou não a ser um bom ministro da Saúde. Por mim, que sou um defensor do Estado-Providência, espero que proceda a uma racionalização do SNS de modo a que este consiga prestar cada vez com maior eficácia os seus serviços a todos (repito: todos) os cidadãos, e será em função disso que farei a minha avaliação. Mas o que acho lamentável é o processo de intenções que lhe está já a ser movido, vindo de sectores da esquerda radical, pelo facto de ter trabalhado na Médis e, para tal gente (da esquerda radical), isso significar que, enquanto ministro, irá defender os grupos privados de saúde, em geral, e a Médis, em particular. No limite, e levado este raciocínio às últimas consequências, tal significaria que ninguém poderia mudar de emprego para uma empresa concorrente, nos sectores público, privado ou entre ambos, sem carregar consigo a suspeição de o fazer sempre para defender os interesses da sua anterior entidade empregadora. Sobre o que este raciocínio revela de sectarismo, mentalidade mesquinha e persecutória, "ódio de classe" e estreiteza de vistas, não vale a pena acrescentar o que quer que seja. Haja pachorra.
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
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domingo, junho 26, 2011
quarta-feira, janeiro 30, 2008
A nova ministra da saúde e a especulação política
Em Portugal existe uma enorme tendência para se especular e fazer previsões sobre o mais pequeno acontecimento, desfocalizando daquilo que é realmente importante e significativo, dos factos e da sua análise, o que é meio caminho andado para a falta de rigor e para o erro subsequente. Vem isto a propósito da nova ministra da saúde e das especulações sobre se vai ou não manter a anterior política, se vai ou não fechar urgências, se tudo isto não passa de uma operação de cosmética ou, no limite, de uma plástica com mais ou menos "botox" ou silicone. Deixemos as especulações para quem as alimenta e para os que delas se alimentam. O que se pode dizer pois, factualmente, da nova ministra da saúde? É médica, apoiante de Manuel Alegre e, apesar de formalmente “independente”, tem ocupado cargos nas burocracias política e da saúde por via da seu alinhamento partidário. Convenhamos, analisando estes factos, que curriculum mais antagónico com aquilo que, na conjuntura, seria necessário, dificilmente se poderia encontrar. O resto, o futuro, a Deus pertence, mau grado algumas pitonisas e profetas sempre prontos para umas palavrinhas de ocasião. Já agora, apenas um conselho à nova Srª Ministra: ao contrário do que afirma Constantino Sakelarides hoje no “Público”, o pior que Ana Jorge pode fazer, se quiser prosseguir as reformas - o que, dado o seu CV, duvido queira fazer -, é “ter capacidade para descer ao terreno e falar com as pessoas". Normalmente, isso é o caminho percorrido por quem pretende deixar tudo na mesma.
terça-feira, janeiro 29, 2008
O 1º grande erro de José Sócrates
No actual governo existiam dois ministros que eram pedras basilares naquilo que se poderia chamar, utilizando um palavrão retirado do léxico do "marketing" e da gestão, o seu “posicionamento”, isto é, que eram essenciais à identificação e valores que este governo pretendia assumir perante os cidadãos, fossem ou não seus apoiantes, à sua identidade: a imagem e os valores da reforma e da mudança, da modernização do país e da luta contra as corporações. Estes eram o ministro da saúde e a ministra da educação. A saída de um deles constitui um golpe profundo e indiscutível naquilo que se poderia chamar a personalidade do governo e, logo, na credibilidade da imagem que construiu perante os portugueses e lhe tinha granjeado, segundo as sondagens, níveis de aceitação elevados, no limiar da maioria absoluta. É o primeiro erro significativo (enorme) do governo de José Sócrates – já de si, num contexto em que a reforma da Administração Pública parece esquecida -, na medida em que é o primeiro, descontando a saída de Campos e Cunha que se demitiu por auto iniciativa, que o atinge na sua própria essência. Mais ainda, revela-se exposto à chantagem de Manuel Alegre, à agenda mediática e à agitação de rua das novas Marias da Fonte. Vai portanto enfraquecê-lo, atingi-lo na perda de confiança e desânimo dos seus apoiantes, fortalecer a dos seus adversários e os resultados das sondagens futuras irão revelar isso mesmo.
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