- É verdade que o governo mentiu ao dizer que não aumentaria impostos para depois agravar o IVA e a TSU (aqui a funcionar como um autêntico imposto) em 0.25 pontos percentuais; embora não seja daqueles que dizem qualquer governo deve sempre dizer a verdade, abdicando de gerir a informação, penso, neste caso, apenas perdeu com o modo como a geriu.
- É verdade que continuamos na ignorância do que se irá passar com a chamada "tabela única" da função pública e dos reflexos que ela irá ter nas respectivas remunerações, tudo levando a crer será, globalmente, num sentido da redução de salários.
- É também verdade que o governo, ou mais propriamente alguns ministros do CDS, brincaram com a vida dos portugueses ao mencionarem a possibilidade da redução do IRS em 2015, o que ficámos a saber não acontecerá.
- É verdade, como veremos mais adiante, que com esta decisão o governo parece trocar estratégia por votos, mas também é verdade que os partidos se fizeram para ganhar eleições e ainda bem que estas permitem aos governos enfrentar a decisão popular sobre as suas políticas.
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
sexta-feira, maio 02, 2014
O DEO, a estratégia e as eleições.
quinta-feira, dezembro 12, 2013
Da notoriedade mediática de Alexandre Soares dos Santos
segunda-feira, junho 03, 2013
João César das Neves propõe o regresso ao século XIX
segunda-feira, novembro 12, 2012
"Tonta", Isabel Jonet?
quinta-feira, junho 14, 2012
Liberais de pacotilha
terça-feira, abril 03, 2012
O liberalismo e a "lei do funil"
quarta-feira, janeiro 11, 2012
Os liberais e as privatizações
sexta-feira, junho 17, 2011
1ªs notas muito breves sobre a constituição do governo
- Ao contrário do que parecia ser a intenção anunciada, o governo não consegue abrir-se a alguns independentes da área do centro-esquerda. Pelo contrário, parece-me inclusivamente um governo ideologicamente bastante homogéneo e, adepto como sou de uma separação clara das águas quando exista uma maioria parlamentar suficiente para governar, não vejo nada de negativo nessa homogeneidade, até porque o PS se encontra vinculado ao MoU que constituirá parte relevante do programa governativo.
- Notei uma certa semi-desilusão nas pessoas da área mais liberal com as quem troquei uma ou outra opinião, necessariamente apressada. Faltará, talvez, um nome "de peso" nas Finanças, como Vítor Bento, por exemplo, que constituiria um sinal. Para mim, a questão não será essa, mas sim alguma falta de peso e experiência políticas em áreas fundamentais como a Educação, Saúde (ser director-geral bem sucedido nos Impostos é uma coisa e ministro é outra bem diferente), Economia e até mesmo Finanças, apesar do respaldo do P.R..
- Por outro lado, na Agricultura a experiência política será suficiente e existe o respaldo de Paulo Portas, mas numa área tão técnica Assunção Cristas parece um erro de "casting".
- Experiência política e competência técnica parecem coexistir na Justiça. Mas terá uma Paula Teixeira da Cruz tão "cortante", muitas vezes tão pouco "política", o perfil exigido para romper com o passado numa área onde as corporações impõem a sua lei ?
quarta-feira, abril 06, 2011
Apresentará o programa eleitoral do PSD medidas muito concretas? Não me parece...
- A necessidade de recorrer a "ajuda externa", com todo o conjunto de medidas a que o governo se vai obrigar, recomenda, à cautela, alguma contenção programática para que não exista contradição demasiado evidente (ou dramática...) entre intenção e realidade.
- O PSD terá necessidade de "angariar" o voto de um conjunto significativo e heterogéneo de portugueses, muitos deles agindo apenas em torno de um único denominador comum chamado "ódio a José Sócrates". Medidas demasiado ideológicas arriscam-se a alienar, talvez para o voto de protesto do BE, muitos desses votantes.
- Um futuro governo liderado pelo PSD irá querer justificar algumas das suas medidas mais penalizadoras com "o estado calamitoso em que encontrou o país" - que obviamente desconhecia, dirão... Como é óbvio, tal exige que essas medidas não constem de qualquer programa eleitoral. Pelo menos de modo explícito.
- O PS já demonstrou que, estrategicamente, vai marcar o PSD "homem a homem", ou seja, "medida a medida" e proposta a proposta". Por isso mesmo, talvez seja preferível para o PSD "esvaziar" um pouco essa estratégia.
- Por último, e talvez mais importante e entroncando no ponto 3, num contexto de grave crise, que gera demasiada insegurança entre os cidadãos, mudanças demasiado radicais, neste caso num sentido ultra-liberal relativamente desconhecido para uma sociedade civil fraca e tradicionalmente dependente do Estado, arriscam-se a gerar ainda mais insegurança, gerando medo e alienando votos.
segunda-feira, fevereiro 21, 2011
Ainda as afirmações de Alexandre Soares dos Santos: uma reflexão política
Mas é ainda algo mais: tal como aconteceu no já longínquo episódio da ida de Belmiro de Azevedo à Assembleia da República, aberta de propósito para que pudesse estar presente, estamos perante mais um episódio de ataque aos políticos e à política, neste caso, curiosamente, protagonizado por quem, independentemente dos méritos demonstrados e da sua capacidade empreendedora, que certamente terá, viu o seu “core business” beneficiado por um modelo de desenvolvimento que privilegiou a grande distribuição e o mercado interno em prejuízo dos (agora tão em voga) bens transacionáveis e da exportação.
Não será portanto estranho o entusiasmo e louvor, explícito ou implícito, com que o episódio foi recebido pelos arautos do ultra-liberalismo – através de “blogues” e “media” respectivos, principalmente os dedicados às questões de carácter económico -, partidários de um estado minimalista - reduzido às suas funções essenciais - da desregulação dos mercados e de uma diluição do Estado Social, substituídas grande parte das suas funções por um modelo assistencialista fundamentalmente assegurado por instituições de carácter privado. Mais: deste modo defensores, “à outrance”, do domínio quase absoluto de um poder empresarial não eleito em detrimento de um poder político democrático regulador da livre iniciativa e com um papel activo na igualdade de oportunidades e na correcção das desigualdades sociais.
Mais difícil de entender será o silencio conivente de muitos outros, que na esquerda radical ou no centro-direita democrata-cristão, bem como no primado do político e do Estado-Social, se reconhecem. Desse silêncio apenas se deve tirar uma conclusão: o que para eles é, acima de tudo, fundamental é “bater no Sócrates”, mesmo que para tal seja necessário recorrer ao mais profundo desrespeito pelos princípios orientadores da democracia, pelos valores ideológicos que defendem, pela ética e pelo debate político civilizado (já agora, pela boa educação). Assim sendo, depois, quando lhes tocar pela porta, espero não venham por aí queixar-se.
sexta-feira, fevereiro 04, 2011
"Livre escolha"?
Pois...
segunda-feira, abril 05, 2010
Os escândalos de pedofilia e o combate político
sexta-feira, setembro 19, 2008
Ortodoxia ultra-liberal e as próximas eleições
Quando os ortodoxos ultra-liberais reafirmam as suas convicções, contrariando as evidências, estamos a entrar no campo do mais puro e intransigente domínio da fé, algo a que alguns deles, cá do “rectângulo”, não se têm mostrado de todo hostis na sua já longa vida política, desde que a fé era bem outra e os deuses tinham nomes da longínqua China ou da mais próxima Albânia. Não admira, portanto, que em alguns países como os USA ortodoxia ultra-liberal e radicalismo religioso andem frequentemente de mãos dadas, partilhando até “tickets” presidenciais. Por cá, mais modestos e humildes nas consequências, aposto apenas que haverá alguns temas que não serão discutidos nas próximas eleições legislativas, a saber:
- A privatização da Caixa Geral de Depósitos.
- A alteração do modelo da Segurança Social, substituindo-o ou complementando-o por um outro baseado em fundos de pensões privados.
- A eventual reformulação (o que é diferente da sua reforma) progressiva do Serviço Nacional de Saúde, substituindo-o por um sistema privado de seguros.
Ainda bem: mais tempo e espaço fica para o que efectivamente importa! A fé ultra-liberal, essa, por certo continuará, pois, tal como também o PCP, pertence ao domínio do sagrado. Os outros – liberais, sociais-democratas, conservadores – não terão outro remédio senão entender-se ou divergir no governo do profano.