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terça-feira, julho 17, 2012

CDS esquizofrénico e Relvas em Angola

  1. O CDS parece um partido atacado de esquizofrenia: está no governo e não quer que se saiba, disfarçando o melhor que pode, sabe e vai conseguindo; na Madeira, critica e recusa a mesma política de austeridade que o governo de que faz parte vai tratando de defender e implementar no continente. Está a precisar de um "shrink".
  2. O ministro Miguel Relvas vai a Angola numa missão de carácter económico e Álvaro Santos Pereira não o acompanha. Estranho, no mínimo. Bom, mas isto de Angola parece ser em exclusivo um assunto de Miguel Relvas, que até toma medidas punitivas contra quem, em Portugal, ousa desagradar à cleptocracia angolana. Os bons espíritos...  

domingo, outubro 09, 2011

Madeira: simples e claro

É muito fácil explicar o resultado das eleições regionais da Madeira: os eleitores que perderam a confiança em Alberto João Jardim e no PSD-M em virtude do endividamento excessivo, que conduzirá a Região ao resgate e consequente austeridade, não a quiseram dar a quem atribuem as mesmas responsabilidades a nível nacional. Explicação mais simples e lógica do que esta será difícil encontrar. 

Oráculo...

Alberto João Jardim conseguirá (o mais provável) ou não nova maioria absoluta nas eleições regionais de hoje. Mas tanto num caso como noutro, não completará este seu novo mandato: "razões de saúde" ditarão, a prazo mais ou menos breve (arrisco um ano ou ano e meio), a sua renúncia.

domingo, outubro 02, 2011

Seguro e o seu discurso sobre a Madeira

António José Seguro tem centrado o seu discurso político na questão da Madeira. Compreende-se: nunca Alberto João Jardim esteve numa posição tão fragilizada e, apesar da demarcação clara de Passos Coelho (que não de Cavaco Silva), nunca foi tão evidente a sua situação de "elo mais fraco do PSD" e, por arrastamento, do governo onde este partido é dominante. O "faux pas" de Passos Coelho e do governo no que diz respeito ao "timing" de apresentação da auditoria e do plano de resgate para a Região Autónoma dão a Seguro pretexto acrescido. Por outro lado, este discurso permite também ao PS desviar as atenções de eventuais responsabilidades do governo Sócrates numa deficiente execução orçamental do primeiro semestre, pois o partido poderá sempre invocar - e bem - que no caso madeirense estamos perante uma ilegalidade, algo bem mais grave do que "apenas"(!) um desvio orçamental. 

Mas como convém sempre analisar o outro lado das coisas, este discurso tem um ponto fraco e assume um risco. Começa por demonstrar - ponto fraco - que o PS, exceptuando algumas declarações avulsas de um ou outro seu dirigente ou deputado, não tem uma proposta política e económica alternativa de fundo ao actual discurso dominante sobre as crise do Euro e da dívida, e modo de as resolver. Quanto a mim, seria em torno dessa alternativa às propostas, por um lado, do Partido Popular Europeu e, por outro, do radicalismo de esquerda, que o PS deveria articular no fundamental o seu discurso e mobilizar os seus apoiantes. Acresce - enorme risco  - que numa eventual e talvez mais do que previsível vitória de Jardim nas eleições de 9 de Outubro com as percentagens habituais, e sem que o PS-Madeira consiga uma votação mais expressiva do que no passado recente, Seguro terá que assumir a estrondosa derrota desta sua estratégia. E, convenhamos, para que está há tão pouco tempo na direcção da partido, tal não constituiria, de facto, um bom augúrio.

quinta-feira, setembro 22, 2011

A "Sábado" e a Madeira

"Arrasador" o artigo da "Sábado" sobre a "obra feita" de Jardim. Nada que desconhecêssemos; mas também nada de substancialmente diferente do que podemos encontrar por aí em algumas autarquias. Exemplos mais emblemáticos? Alguns estádios do Euro 2004, pois claro, mas o desperdício não se ficará por aí, nem se esgotará nas rotundas e nas chamadas "novas centralidades".

A questão que quero levantar é contudo outra: sabendo toda a gente mais ou menos informada "do que é que a casa - madeirense - gastava", porquê só agora, quando todos batem em Jardim, a "Sábado" resolveu realizar e publicar esta reportagem? Porque é agora que a Madeira "vende" em termos jornalísticos? Pois, venderá: a populaça adora o "dá-lhe agora que ele está de costas", ou seja, cobardemente gosta de atingir que está em baixo embora bem o mereça e tanto tenha feito para tal. Mas onde para o dever de "denúncia" tão caro e tão frequentemente invocado pelo jornalismo? Pois, sumiu-se... tal como a coragem política de muita gente que só agora acordou.

Madeira: e o PSD nacional?

Sou dos que acha Pedro Passos Coelho, na sua entrevista à RTP, se demarcou o "quanto baste" de Alberto João Jardim e do "forrobodó" da Madeira. Nenhum presidente do PSD, nos últimos anos, fez campanha com e por Alberto João Jardim? Certo, pelo menos directamente nas campanhas eleitorais da Região Autónoma. Mas Passos Coelho não manifestou apenas a certeza de não se deslocar ao arquipélago (duas ilhas e uns rochedos): foi veemente e claro na condenação e no seu distanciamento face às políticas e aos métodos jardinistas. Por mim, se a realidade não vier a desmentir o que disse, basta-me e estou esclarecido.

Mas atenção: se da parte do presidente do PSD posso considerar o assunto arrumado, já o mesmo não poderei dizer em relação ao PSD enquanto partido político que apoia o governo. O PSD-M é autónomo? Pois admitamos que sim, que o seja. Mas gostaria, e acharia mesmo indispensável, ver uma declaração política da direcção do PSD nacional demarcando-se do acontecido na Região Autónoma da Madeira e manifestando o seu afastamento da candidatura de Alberto João Jardim a mais um mandato como Presidente do Governo Regional, bem como do partido regional e candidatos que o apoiam. Digamos que está isso em falta, e competiria a Pedro Passos Coelho, enquanto presidente do partido, mover as suas influências internas para que tal viesse a acontecer. Tal não seria mais do que consequência lógica das afirmações inequívocas feitas na entrevista que concedeu a Vítor Gonçalves. 

sexta-feira, setembro 16, 2011

Madeira: as perguntas a fazer

As notícias de hoje sobre a Região Autónoma da Madeira, mais do que contribuírem para avaliarmos da natureza política do regime que vigora no arquipélago e do perfil do respectivo Presidente do Governo Regional, avaliação essa já feita há muito tempo mesmo que por aqueles que por conveniência política ou pessoal sempre ao personagem se vergaram, lançam uma perplexidade e autorizam uma pergunta: como é possível que num país europeu desenvolvido, democracia de quase 40 anos consolidada, membro da UE há 25 anos, integrante da zona Euro desde o final da década de noventa, um governo de uma Região Autónoma consiga sonegar informação sobre as suas contas anos a fio? Que mecanismos de controlo existem e, caso existam, como foi possível contorná-los? Como podemos ter a certeza casos idênticos não se possam repetir nos Açores, autarquias, etc, etc? Ou será que tais mecanismos de controle e "reporting" não existem ou não funcionam e estamos apenas dependentes da honestidade, ética, perfil político, personalidade, etc, dos detentores de cargos políticos de governação? É a resposta a estas perguntas que ajudará a definir o país em que vivemos. 

Região Autónoma das Bananas



Basta!

Caso ainda exista uma maioria de gente decente nos orgãos dirigentes do PSD, só lhes resta uma alternativa: anunciar o não-apoio do partido à recandidatura deste senhor(?) à presidência do Governo Regional da Madeira. Caso essa maioria não exista, resta às pessoas decentes que por lá conheço e algumas até estimo anunciarem publicamente lhe retiram, a título pessoal e enquanto simpatizantes ou militantes do PSD, qualquer apoio. Se o fizerem, o país ficará um pouco mais respirável; caso o não façam, serão coniventes no forrobodó e perderão qualquer autoridade para pedir sacrifícios e lançar novas medidas de contenção e austeridade. Enfim... perderão toda e qualquer autoridade para governar o país.
Ah!, e fico a aguardar o Senhor Presidente da República se manifeste. Ou deverei antes dizer, parafraseando o senhor(?) da fotografia, "o Sr. Silva"?

sexta-feira, novembro 05, 2010

Os clubes secundários de Lisboa e Porto

Não sei se já repararam no declínio dos chamados clubes secundários das duas grandes cidades, Lisboa e Porto. Na capital, o Estrela faliu e o CFB, se para lá não caminha, debate-se, na Liga de Honra, com graves problemas financeiros e desportivos; o SCP, não podendo ser considerado um clube secundário, enfrenta problemas financeiros por demais conhecidos. No Porto, Boavista (este depois de ter sido campeão nacional e participante regular nas provas da UEFA) e Salgueiros remeteram-se às competições amadoras e Leixões dificilmente se "aguenta" na I Liga. Enquanto isto acontece, alguns clubes de cidades de média dimensão alcançam resultados desportivos de algum relevo: SC Braga, com forte contributo da sua autarquia (a verdadeira dona do clube) substitui o Boavista como"challenger" na luta pelo título e participante nas provas europeias; VSC, que consegue ter assistências regulares de 20 000 pessoas, parece querer assumir o lugar de destaque que a sua dimensão justifica; Nacional, com enorme apoio financeiro do Governo Regional, consegue resultados desportivos muito acima do que a sua importância enquanto clube poderia esperar e Marítimo (para quem o Governo Regional está a construir um estádio) apenas o não acompanha por total inépcia da sua gestão desportiva.

Conclusões? Acho o assunto merece uma análise mais aprofundada, mas, para já, esta situação parece ser bem demonstrativa das fragilidades evidenciadas por clubes que, não tendo alcançado dimensão nacional (SLB) ou de "bandeira" de uma região com importância suficiente para questionar o poder central (FCP), apenas conseguem massa crítica para sobreviver e alcançar resultados desportivos de relevo com um fortíssimo apoio e interligação com as estruturas locais de poder, o que mais dificilmente acontece nas grandes cidades.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Duas notas sobre a catástrofe madeirense

  1. O luto e o respeito por todos aqueles que sofreram e sofrem as consequências da catástrofe madeirense não pode significar o silêncio sobre as razões que poderão ter contribuído para tornar as suas consequências mais gravosas. Antes pelo contrário: o respeito pelos madeirenses e pelo seu futuro exige que se enterre a hipocrisia e se critique e altere aquilo que eventualmente possa ter contribuído para tal. Sebastião de Carvalho e Melo, o exemplo do déspota iluminado, enterrou os mortos e cuidou das necessidades imediatas dos vivos; mas também tratou de transformar um burgo medieval numa cidade moderna e mais apta a enfrentar os elementos. E, já agora, estamos (acho) bem longe do despotismo, ainda mais de qualquer um que possa contribuir para nos iluminar o caminho.
  2. Ainda hoje se desconhece o número exacto de mortos causado pelas cheias de 1967 na região de Lisboa: vivia-se em ditadura e o regime estava bem longe de querer que os portugueses se apercebessem da dimensão do desastre. O que sabíamos era apenas o que era “visado pela censura” ou ”soprado” pelos muitos cidadãos (na altura, ainda súbditos) e organizações, muitas delas ligadas aos sectores mais progressivos da Igreja Católica, que se dispuseram a ser solidários. Hoje em dia, vivemos em democracia; mesmo na Região Autónoma da Madeira e apesar dos “percalços” locais. Gostaria muito de concluir ser isso o suficiente para que a desinformação de 1967 se não repita.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Os direitos constitucionais segundo o PR

Acabei de ouvir o Presidente da República declarar na RTPN que os professores têm constitucionalmente direito a manifestar-se. Sem dúvida. Seria o primeiro a lutar por isso caso esse direito lhes fosse negado. Pena que Cavaco Silva não seja tão veemente na defesa dos direitos constitucionais dos deputados da oposição madeirense e na exigência do cumprimento da legalidade constitucional nesta região autónoma. Lamentável...

terça-feira, novembro 11, 2008

A democracia "chewing gum" de Cavaco Silva

Na sua única intervenção, até ao momento, sobre a questão da Assembleia Regional da Madeira, o Presidente da República, ao desvalorizar a questão política centrando as suas preocupações puramente em questões de carácter económico (“no momento em que o país atravessa grandes dificuldades, a nossa preocupação tem de estar centrada no desemprego, na competitividade das empresas, no endividamento"), está a secundarizar e subalternizar o estado de direito democrático e, mais, a revelar uma concepção puramente instrumental da democracia – dos direitos, liberdades e garantias. Digamos que do tipo chewing gum: mastiga enquanto lhe sabe bem e cospe quando começa a amargar. Preocupante, mas nada de verdadeiramente inesperado.

quinta-feira, novembro 06, 2008

"PSD-Madeira suspende Parlamento até decisão judicial sobre deputado do PND"

Algo não muito distante disto chamava-se no século XIX governar em ditadura. A de João Franco custou a vida ao rei D. Carlos e ao Príncipe Herdeiro Luís Filipe, tendo assim conduzido à implantação da República.

Deputado do PND impedido de entrar no parlamento(?) madeirense!

Então, em que ficamos? Sr. Silva ou Presidente de todos os portugueses?

quarta-feira, abril 16, 2008

Os portugueses ainda esperam um gesto de Cavaco Silva

Não basta a Cavaco Silva usar a sua influência de bastidores para que o bom senso possa prevalecer no relacionamento entre o poder madeirense e a respectiva oposição e, principalmente, para colocar um limite à linguagem desabrida e carroceira do presidente do governo regional e ao seu desrespeito pelas instituições da democracia, pelo que se viu anteriormente aplaudida pela segunda figura do Estado, o presidente da Assembleia da República, o último que o deveria fazer. Eleito por mais de metade dos portugueses, em sufrágio directo e universal, e representando legitimamente todos eles, seria indispensável para estes, como exemplo, escutar uma palavra ou assistir a um gesto público do Presidente da República sobre o respeito e a ética que deve presidir ao relacionamento entre orgãos do Estado e o comportamento, ao nível da linguagem e dos actos, exigível a todos os seus representantes democraticamente eleitos. Está, pois, em dívida para com os portugueses.

PS. Gostei de ouvir Manuel Alegre pronunciar-se sobre o caso. Pena que não tenha tido a mesma atitude perante as declarações de Jaime Gama.

segunda-feira, abril 14, 2008

Pesidente da República ou "Sr. Silva"?

Esta semana, Aníbal Cavaco Silva terá oportunidade de demonstrar se visita a Madeira na qualidade de "Sr. Silva" ou a Região Autónoma da Madeira na qualidade de Presidente de todos os portugueses.