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domingo, setembro 26, 2010

Sobre a utilização do "Magalhães"

Se 74% dos professores do 1º ciclo considera “excelente/ muito bom” ou “bom” o programa “e.escolinha” e 57% utilizam o computador “Magalhães” na sala de aula apenas uma vez por semana (aliás, estou até convencido que este número se encontra empolado), é provável que esta baixa frequência de utilização tenha um e só um motivo: a total ou relativa iliteracia informática de um número significativo de professores e o seu desinteresse por inverter a situação na profissão que exercem.

É natural: não existe qualquer incentivo significativo para que um professor melhore as suas qualificações e em nenhum campo do conhecimento humano um professor gosta de mostrar saber menos do que o aluno.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

domingo, dezembro 13, 2009

"e-escolas" e "e-escolinhas" ("Magalhães") na "Quadratura do Círculo" por António Lobo Xavier: para se perceber o que está em causa

O “Gato Maltês” anda muito “numa” de recomendar a palavra dos outros. Hoje recomenda a excelente análise de António Lobo Xavier, na “Quadratura do Círculo”, aos programas “e-escolas” e “e-escolinhas” (“Magalhães”), salientando, numa exposição clara e didáctica, os seus vícios e virtudes, qualidades e defeitos e dissecando, sem recurso a demagogia ou populismo, o modo, nem sempre correcto ou isento de fins propagandísticos, como os projectos foram geridos pelo governo.

Tudo isto perante um discurso confuso e pouco objectivo do ex-ministro Mário Lino (que me pareceu muito mal preparado) e as patéticas tentativas de José Pacheco Pereira tentando apenas, com recurso à demagogia e populismo que, infelizmente, se tornaram dominantes no PSD actual, tirar, a qualquer preço, dividendos políticos da situação, mesmo que para isso fosse obrigado a raciocínios enviesados e obtusos.

Vale a pena ver e ouvir para entender o que está em causa.

terça-feira, dezembro 08, 2009

A Fundação para as Comunicações Móveis, o seu controle pela AR e as prioridades do PSD

Nada tenho contra a formação de uma comissão de inquérito parlamentar à Fundação para as Comunicações Móveis. Parece-me, até, uma excelente ideia, já que controlar e zelar pela boa aplicação dos dinheiros públicos é uma das principais funções da Assembleia da República, quaisquer que sejam o governo ou a composição da câmara. Mas tendo dito isto, faço notar duas coisas: em primeiro lugar que tudo seria bem mais eficaz se a AR pudesse receber em devido tempo, neste e em outros casos semelhantes, periodicamente e de forma normalizada (ou até ser-lhe disponibilizada “online”, pois para tal foram os deputados dotados recentemente de tecnologia apropriada: não deve lá estar só para enfeitar ou para poderem ler as notícias da "bola"...), a informação necessária, isto é, ainda a tempo de uma acção que corrija eventuais desperdícios, irregularidades ou até mesmo ilegalidades e não quando pouco já há a fazer a não ser denunciá-los “a posteriori”; em segundo lugar, lamentar que casos bem mais graves não tenham dado origem a semelhante escrutínio e que apenas a FCM ou, mais propriamente, o “Magalhães”, objecto da galhofa e do anedotário nacional pelas razões erradas (distribuir computadores pelas crianças gratuitamente ou a preços reduzidos é, na sua essência, um projecto que tem muito de positivo) e não por aquilo que deveria ter sido seriamente questionado em devido tempo, seja objecto de investigação. Mas compreende-se: o “Magalhães” é um projecto emblemático do governo de José Sócrates e a opinião publicada afecta ao PSD, aproveitando os erros e a gestão demasiado propagandística do projecto por parte do governo, foi-se encarregando de, ao longo do tempo, deitar à terra as sementes do populismo que tem presidido à imagem que do “Magalhães” construiu uma parte, talvez significativa, da opinião pública. Enquanto isto acontece, a “contra-revolução” na educação, com a entrega da sua gestão à Fenprof de Mário Nogueira, prossegue com o apoio do PSD e o "déficit" do SNS aumenta sem que o mesmo partido sequer se pronuncie. Estamos conversados...

sexta-feira, maio 01, 2009

As imagens do "Magalhães" - ou de como um "fait-divers" político pode revelar algo bem mais grave no funcionamento do Estado

O recente episódio sobre a utilização indevida de imagens, recolhidas numa escola, num tempo de antena do PS é apenas mais um episódio do fait-divers político em que erros de gestão do governo, neles incluído o excesso de propaganda, deixaram enredar o “Magalhães”, um projecto que continha em si (e continua a conter), na sua essência e objectivos, muito de positivo. Claro que, tratando-se de assunto fácil de explorar pelos vários populismos, a oposição não se fez rogada, aproveitando a inércia criada pela armadilha propagandística em que o governo se deixou aprisionar para, tal como um judoca aproveita a força do adversário para o derrubar, fazer a festa, deitar os foguetes e apanhar as canas. Enquanto fait-divers político, confesso, o assunto pouco me interessa e prefiro, apesar dos erros, salientar o que é essencial num projecto que disponibiliza computadores gratuitamente – ou quase - a crianças em idade escolar.

Tendo dito isto, o que as últimas notícias sobre o tal caso das imagens indevidamente utilizadas vem comprovar – e, isso sim, é bem mais grave e por isso já me interessa – é, em primeiro lugar, a total irresponsabilidade com que o Estado continua a adjudicar projectos em outsourcing a empresas quase desconhecidas, pouco estruturadas e com pouco trabalho anterior que possa garantir a sua credibilidade (serão estas as tais PMEs a que Ferreira Leite queria dar preferência?) e, em segundo lugar e apesar dos efectivos de que dispõe, a sua incapacidade aparente para controlar o trabalho dessas mesmas empresas e a ausência, apesar da burocracia existente (ou se calhar por causa dela), de responsabilização interna pelas falhas emergentes.

Esta sim, é uma situação estrutural, por isso mesmo grave, que atravessa governos e é responsável por ineficiências que custam o dinheiro dos contribuintes e o enfraquecimento do próprio Estado.

sábado, março 07, 2009

"Magalhães" - ou como um bom projecto quase pode ser arruinado por uma gestão deficiente

O projecto Magalhães (leia-se: qualquer projecto que possibilitasse o acesso gratuito ou a preços reduzidos a computadores pessoais por parte de uma grande maioria de crianças do ensino básico) teria tudo para se tornar um projecto emblemático e popular para qualquer governo. Tem a ver com novas tecnologias (ou seja: para além da sua evidente utilidade e funcionalidade, está na moda), destina-se às crianças, cuja protecção e importância que lhes é concedida são hoje símbolos do desenvolvimento e superioridade civilizacional das sociedades ocidentais, e insere-se num aprofundamento da importância atribuída à educação, uma questão-chave nas sociedades do conhecimento. Penso que apenas nos professores, como se tem visto avessos a qualquer mudança que de algum modo os possa incomodar no seu conservadorismo corporativo que se traduz no “entra na aula, “despeja" a matéria, sai da aula e “já está” - e onde também se entrincheiram muitos infoexcluídos -, o projecto poderia gerar algumas resistências. Para além, claro, daqueles para quem “se há governo, eu sou contra” ou alguns outros para quem o partido é como o seu clube do coração: tudo o que vem do adversário é negativo e há que ganhar nem que seja com um golo irregular marcado já fora do tempo e com o árbitro comprado.

Bom, tendo dito isto, parece-me podermos concluir que o actual projecto Magalhães, sem prejuízo dos resultados finais que me parecem continuarão a ser positivos (apetece-me incluir aqui um racional à Helena Matos - isto é, partindo do particular para o geral e exemplificando com a vizinha do lado - e dizer que a filha de oito anos da minha empregada doméstica irá ter um computador gratuito ao abrigo do projecto, algo que nunca poderia comprar), acabou por ver muitos desses seus resultados, digamos que, ofuscados pela má gestão do projecto por parte do Estado e do governo. Parece-me, mesmo, que este se poderá considerar um daqueles case-studies destinados a exemplificar como uma deficiente e incorrecta gestão e execução de um projecto podem prejudicar, ou até destruir, algo inicialmente bem concebido.

Apenas três questões:
  • Não previa o governo, perante uma comunicação social cada vez mais tablóidizada e interactiva, com destaque para o “povo da SIC” nos "fóruns de opinião", e com a irrupção da blogosfera, que o overacting do primeiro ministro no papel de Sr. Oliveira da Figueira, num governo que é apontado a dedo como “useiro e vezeiro” na utilização da propaganda, teria repercussões negativas e se voltaria contra o projecto?
  • Não previu o governo que, tratando-se de um projecto emblemático e que a ser bem sucedido constituiria um crédito relevante para a sua acção, qualquer pequeno pormenor que pudesse vir a correr mal seria objecto de uma enorme exploração por parte de quem se opõe ao governo? Que fez para evitar que algo pudesse correr mal?
  • Como foi possível que, depois de toda a controvérsia e maledicência que o projecto já tinha gerado nos “media”, fossem entregues computadores com erros grosseiros de português no software utilizado? Ninguém verificou? Ninguém controlou? Podemos confiar num Estado onde a falta de rigor e o laxismo atingem estes níveis? - já agora, e um pouco lateralmente, irá o fornecedor de software ser penalizado?

    Estas – e eventualmente outras do mesmo tipo – parecem-me ser, para além do ensurdecedor ruído de fundo infelizmente inevitável, as questões importantes a colocar e que o assunto me sugere. Alguém que lhes dê resposta, por favor.