domingo, fevereiro 03, 2013

2 notas 2 sobre o SLB-VFC

  1. André Gomes tem aquilo a que se costuma chamar na gíria futebolística "bons pés". Sabe pisar, tem visão de jogo e bom passe à distância. Mas faz demasiadas asneiras (perdas de bola, "cartões") e joga a um ritmo e com uma intensidade e agressividade competitivas notoriamente inferiores aos dos seus colegas, o que é fatal no futebol de alto nível e no modelo de jogo do SLB de Jorge Jesus. As asneiras podem-se ir corrigindo; o resto tenho muitas e sérias dúvidas. Se me fiz entender...
  2. Esta equipa do Vitória Futebol Clube é patética de má. Se bem me lembro, fez o primeiro remate à baliza aos 87 ou 88' perante a pior exibição da época do SLB. Não sei como joga numa I Divisão. A crise está a cavar ainda mais o fosso entre os participantes na Champions League e os outros, principalmente os clubes que dependem do financiamento e apoio autárquico ou regional, que são quase todos. Rio Ave FC e GD Estoril Praia encontraram outros meios de sobrevivência. Ou a UEFA reformula o quadro competitivo europeu, permitindo a fusão de Ligas ou a criando uma Liga Europeia, ou o Liga portuguesa se transformará num longo e imenso bocejo, com as consequências previsíveis nas respectivas receitas, mesmo de SLB e FCP.

Matiné de Domingo (12)


"The Snows Of Kilimanjaro", de Henry King (1952)
Filme completo c/ legendas em português

O PS, o "TV Rural" e o "regresso à terra"

A abstenção da direcção da bancada parlamentar do PS na votação da proposta da maioria para o regresso do programa TV Rural à RTP, caucionando, de facto, aquela peregrina ideia de Paulo Portas de pôr a RTP Internacional na dependência do Ministério dos Negócios Estrangeiros, terá sido grave. Mas bem mais grave, e revelando o total desnorte ideológico do partido, terá sido não ter a dupla Seguro/Zorrinho entendido que tal proposta não se limitava a colocar o parlamento como programador da RTP, muito menos estávamos apenas perante uma patetice mais ou menos populista; na realidade, essa proposta contém em si uma enorme carga ideológica, uma certa ideia de "regresso à ruralidade", à "terra", que é um dos pilares em que assenta a actual estratégia de "empobrecimento", sendo que os restantes serão uma significativa redução salarial, a "reindustrialização do país" ("que floresçam mil Sorefames"), a indispensabilidade da emigração, a desregulamentação acentuada do mercado de trabalho e, em certa medida, o "chamamento" daquele elemento mítico da História de Portugal que é o mar. Em última análise, trata-se de um - também ele mitificado, tal como o mar - regresso ao "modelo EFTA" que esteve na origem das elevadas taxas de crescimento do país nos anos 60 do século passado. Só que se passaram 50 anos, a EFTA já não existe (já agora, o "império" também não), Portugal é uma democracia e faz parte da UE e da Zona Euro, a globalização e a liberalização do comércio fizeram o seu caminho e os portugueses evoluíram - e muito, felizmente - na sua formação, aspirações e comportamentos. O problema é que esse tal mito do "regresso" à agricultura e à indústria, pelo menos a essas duas vertentes do passado, faz o seu caminho, mesmo entre muito boa gente que normalmente não vota nos partidos que apoiam o actual governo, e daí a abstenção oportunista da direcção do PS. O melhor exemplo é o do PCP, mas pelo menos esse, propondo o abandono da UE, do Euro e uma certa "albanização" do país, traz alguma coerência ao debate.

Vamos lá ver... Em termos gerais, Portugal não se desindustrializou, nem sequer "abandonou" a agricultura e as pescas, na mira do dinheiro fácil dos fundos estruturais. Portugal reconverteu esses sectores (e o vinho, as frutas, o azeite e o calçado são os exemplos mais frequentemente citados de reconversão bem sucedida - mas há mais), em função de uma nova realidade que colocava outro tipo de problemas de competitividade, bem diferentes daqueles do passado. Nem sempre o terá enfrentado sem erros, nem tal reconversão terá sido sempre bem conseguida. Talvez o país não tenha conseguido gerar, globalmente, um modelo bem sucedido alternativo ao "modelo EFTA". Mas não existe um regresso ao passado; à "terra", ao têxtil do Vale do Ave e à metalomecânica da cintura industrial de Lisboa, e era saber identificar e combater ideologicamente o que se esconde por detrás de propostas na aparência apenas inocentes ou patetas, como a da criação de um programa herdeiro do "TV Rural", a primeira obrigação do PS e da direcção Seguro/Zorrinho.

sábado, fevereiro 02, 2013

A Assembleia Geral do SCP

Só quem nunca participou numa Assembleia Geral de clube em tempos de crise (e eu participei em muitas, do meu clube, nos conturbados tempos de Damásio e Vale e Azevedo) pode pensar que na AG do SCP, marcada para o próximo dia 9, se irá discutir o que quer que seja, entre barafunda, gritos e berros e, talvez, mesmo alguma violência física. Como diria António José Seguro, "vou ser muito claro": caros "sportinguistas": deixem de se centrar no imediato na análise da gestão desportiva. O problema-chave do SCP, neste momento, é conseguir negociar com os credores, principalmente com o BES (mais fácil graças ao sportinguismo de José Maria Ricciardi) e com o Millenium, uma solução para a dívida que, nos próximos anos, penalize o menos possível a possibilidade de manter uma equipa de futebol minimamente competitiva, com isto querendo dizer que possa bater-se sem demasiados problemas pelos lugares europeus. Ora não consigo ver onde a realização da tal Assembleia Geral e a destituição de Godinho Lopes, em previsível ambiente de empurrões e insultos, possa ajudar o clube a atingir tais objectivos. Godinho Lopes tem sérias responsabilidades no estado actual do SCP? Sim, claro, tal como muitos outros. Mas, pelo que acima digo, parece-me terem razão alguns proeminentes sócios do SCP em não se mostrarem muito entusiasmados com a realização da tal AG do clube. Assim sendo, paradoxo dos paradoxos, poderá bem vir a acontecer ser a actual situação dramática do clube, para a qual Godinho Lopes muito contribuiu, a acabar por "salvar a cabeça" do seu actual presidente, pelo menos por mais uns meses.   

Documentário de sábado (4)

 A célebre adaptação radiofónica de Orson Welles de "A Guerra dos Mundos", de H. G. Wells (1938)
Legendado em castelhano

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Friday midnight movie (27) - Sci-Fi (V)

"The Man With The X-Ray Eyes", de Roger Corman (1963)
Filme completo c/ legendas em português

"Zero Dark Thirty"

Pois, "Zero Dark Thirty", o tão polémico novo filme de Kathryn Bigelow, não é mais do que um razoável filme de acção, entretido, com um piscar de olho feminista e que tanto se podia passar com a ""caça a Osama Bin Laden como com outra coisa qualquer do mesmo género: real, mais ou menos romanceada ou do tipo "os factos narrados e as personagens descritas neste filme são puramente ficcionais". Já "The Hurt Locker" não passava de um bom filme, sem mais, mas mesmo assim com uma maior densidade humana e  dramática que não se vislumbra em "Zero Dark Thirty". Sai-se (de uma salada gélida com três pessoas a assistir - assim vão os cinemas) "igualinho" a como se entrou. Ponto final. Se quer mesmo ver um filme de Bigelow realmente interessante, prefira "Strange Days" e não diga que não o avisei... 

Charlie Gracie (3)

"Butterfly" (1957)

Fernando Ulrich e a cidadania

Vivemos num país livre. Felizmente e para bem da maioria e mal dos que não sabem usar ou conter a palavra. Por isso mesmo, Fernando Ulrich é livre de dizer o que lhe apetece desde que não infrinja a lei e não serei eu que virei para aqui dar-lhe lições de moral. Mas terá também de arcar com as consequências daquilo que diz. É assim a democracia e é assim a liberdade. Felizmente, e por pura casualidade, também não tenho conta no BPI nem com o Banco em causa mantenho qualquer tipo de actividade. Felizmente, porque isso poupa-me ao trabalho de me deslocar hoje ao Banco e encerrar a minha conta, deixando bem claro os motivos porque o faria. E era isso que os criticam à "boca fechada" ou abertamente estas afirmações de Fernando Ulrich deveriam hoje fazer. Chama-se cidadania e seria bem mais eficaz que quaisquer palavras.