terça-feira, novembro 04, 2008

Pacheco Pereira e o tratamento mediático da entrevista de Ferreira Leite: o rabo a abanar o cão?

Num aspecto José Pacheco Pereira tem razão ao analisar no seu Abrupto o tratamento mediático dado à entrevista de Ferreira Leite ao DN e á TSF: de facto, a presidente do PSD fez algumas afirmações interessantes e teceu algumas críticas importantes à governação Sócrates. Sem dúvida. Só que, por inabilidade e imperícia política, e não por culpa dos media ou do PS como JPP pretende fazer crer numa afirmação que tem tudo de “o rabo a abanar o cão”, essas críticas e afirmações foram “abafadas” por um sound byte de todo despropositado sobre o desemprego na Ucrânia e em Cabo Verde, uma armadilha que Manuela Ferreira Leite montou para si própria e da qual apenas ela e os seus assessores e conselheiros, entre os quais o próprio JPP, serão responsáveis. Assim sendo, parece-me que ao ilibar Ferreira Leite e responsabilizar terceiros, Pacheco Pereira nada mais está a fazer do que tentar desculpabilizar-se a si próprio.

Black Mask (3)

História(s) da Música Popular (104)

Gene Pitney - "24 hours From Tulsa" (Bacharach-David)


Timi Yuro - "Only Love Can Break A Heart" (Bacharach-David)
Bacharach & David (VII)
Ora depois do “pedimos desculpa por esta interrupção, o programa segue dentro de momentos”, retomo o “História(s) da Música Popular e a série dedicada a Hal David e Burt Bacharach. Com Gene Pitney, claro, depois da introdução que constituiu o tema “The Man Who Shot Liberty Valance”. Que eu saiba ou desse por isso, Bacharah e David compuseram mais cinco temas para Pitney: “24 Hours From Tulsa” (nada de brejeirices, sff), “Only Love Can Break A Heart”, “True Love Never Runs Smooth”, “The Fool Killer” e “If I Never Get To Love You”, este último que todos nós que gostamos destas coisas conhecemos melhor na interpretação de Marianne Faithfull, embora exista uma anterior de Timi Yuro que também gravou “Only Love Can Break A Heart”. Curiosidade? “Only Love Can Break A Herat” (não confundir com “Only Love Can Break Your Heart” de Neil Young) só não foi #1 nos USA por causa de um outro tema ligado a Gene Pitney: “He’s a Rebel”, por si composto para as Crystals e que foi #1 em Novembro de 1962.

Pois a escolha recai hoje sobre a versão de Pitney de “24 Hours From Tulsa” (segundo a wikipedia, foi nesta cidade de Oklahoma que nasceu a ideia de construir a célebre Route 66) e de Timi Yuro para “Only Love Can Break A Heart”. E recai muito bem, sem dúvida!

Paulo Castro Rangel, com nome do meio e tudo!

Existem nas sociedades – em todas – pessoas das quais nunca escutámos ou lemos nada de especialmente brilhante ou inovador, sinais de desempenho notável nas funções que desempenharam no passado, nada, mas mesmo nada, que as tivesse feito stand out from the crowd, mas que, no entanto, nos são sistematicamente apresentadas como sendo a antítese de tudo isso: brilhantes, notáveis, eruditas, cultas, de uma competência técnica e profissional a toda a prova. Existem vários exemplos bastante próximos, e já aqui falei da desilusão que tem constituído a performance da António Costa enquanto presidente da CML e comentador residente na “Quadratura do Círculo” da SIC Notícias, duas funções suficientemente distantes nas suas características para que, em pelo menos uma delas, fosse possível ouvir ou notar no citado algo que confirmasse as “suspeitas” de brilhantismo, ou pelo menos de competência, que tão bem nos tinham sido “vendidas”. Mas quando o produto é mau não existe boa campanha promocional que o torne um êxito e, mais cedo ou mais tarde, perante a “prova do algodão”, o engano é descoberto e o flop destino certo. Razões? Certamente várias, desde a preguiça na utilização das “little grey cells” (é muito mais fácil repetir o que se ouviu) à falta de qualidade e/ou interesses vários de muitos jornalistas e fazedores de opinião, blogosfera incluída para que não me acusem de discriminação.

Bom, mas toda esta introdução tem um outro destinatário, para além do já mencionado António Costa. Refiro-me, agora, ao actual presidente do grupo parlamentar do PSD, Paulo Castro Rangel de seu nome, como diria o malogrado e divertido Alves dos Santos da TV dos meus salad days. Confesso, quando da sua nomeação para o cargo, nunca ter percebido das razões do entusiasmo que, um pouco por todo o lado, entre apoiantes do PSD e seus opositores, por aí grassou, na cidade e no mundo, como se alguém houvera descoberto a quintissência do génio político. Do ouvido e lido no antecedente, nada me ficara, excepto o irresistível impulso para não ler ou mudar de canal ou frequência. Mau sinal! Mas eis senão quando, do passado fim de semana, aí vem um enorme coelho saído da cartola, quase diria uma lebre bem orelhuda: no preciso momento em que o governo nacionaliza o BPN perante quase unânime aprovação e reconhecimento dessa mesma inevitabilidade, por questões que são do conhecimento geral e por isso me escuso referir (já agora, gostaria de saber o que aconteceria se, na conjuntura actual, o governo deixasse falir o banco, como alguns à posteriori sugerem), Paulo Castro Rangel, com uma rigorosa noção dos timings políticos, acusa-o de querer impor um “capitalismo de estado”. De repente, esfrego os olhos; talvez tenha lido mal. Não, não o que Paulo Castro Rangel afirmou (diz que se referia às obras públicas, mas, na sua falta de noção de timing, esta afirmação apenas o terá convencido a si próprio), mas a lista de administradores e gestores do BPN. A rever: José Oliveira e Costa, Manuel Dias Loureiro, Daniel Sanches, Guilherme Oliveira Martins. Ah, e o inevitável Miguel Cadilhe, o mais político dos ex-ministros das finanças – agora queixando-se de ter sido vitimado pelo seu próprio veneno - e personalidade desde sempre dedicada a efectuar a ligação entre os interesses económicos nortenhos, o Estado e os governos. Tudo empreendedores de reconhecido mérito, executivos graduados nas melhores escolas de gestão - de Stanford a Kellog, do INSEAD ao MIT, pois claro. Gente de primeira água da chamada “sociedade civil”... Mas será que alguém duvida?

domingo, novembro 02, 2008

O mundo em guerra (50)

USSR

A entrevista de Manuela Ferreira Leite

Manuela Ferreira Leite geriu mal a sua entrevista ao DN e à TSF, demonstrando a já sua reconhecida inabilidade política. Deixou que uma gaffe (a sua afirmação sobre o desemprego na Ucrânia e em Cabo Verde), tornada sound byte, que, apesar do muito que possa conter de verdadeiro, um candidato a primeiro ministro nunca deveria ter pronunciado, se sobrepusesse a todo o conteúdo dessa mesma entrevista.

Apenas mais um reparo. Por muito que a ligação por TGV Lisboa-Madrid (especificamente criticada por MFL e a única que defendo) seja de rentabilidade duvidosa é a única politicamente defensável, já que se vê com dificuldade como possa Portugal ficar excluído da rede ibérica de alta velocidade numa península economicamente integrada. Acrescem ainda duas questões. O seu custo é significativamente inferior (menos de metade) ao da ligação Lisboa-Porto; mesmo que a sua rentabilidade esteja assegurada, não consigo imaginar qual a função estruturante da linha Lisboa-Porto sem a respectiva ligação a Madrid.

Les Belles Anglaises (XV)









MG TA (1936-1939)

sábado, novembro 01, 2008

Roger Corman classics(30)


" The Premature Burial" (1962)

Ainda os professores: o trabalho burocrático

Uma das “queixas” recorrentes dos professores incide sobre a carga de burocracia, tida como excessiva, que os impede de se dedicarem com total entrega à parte “nobre” (digamos assim) da sua profissão: o acto de ensinar. Digo, desde já, que não me custa a acreditar exista alguma burocracia inútil a ser cumprida, grande parte dela originada, talvez, por uma centralização excessiva no Ministério da organização do ensino público, centralização essa que nunca vi ser seriamente posta em causa pelas organizações sindicais do sector. Controlar à distância exige sempre uma complexidade acrescida. Mas permitam-me, também, deixar uma pergunta. Conhecem alguma profissão ou função intelectualmente responsável, dentro de uma organização complexa baseada no conhecimento e no trabalho intelectual, onde, para além do exercício das suas facetas mais “nobres”, da parte visível do iceberg, da actividade de “front office”, não exista também a obrigatoriedade de cumprir, fazer cumprir e preencher, pelas mesmas pessoas, uma série de tarefas que podemos considerar como burocráticas, menos vistosas e mais dentro da área do normalmente considerado, depreciativamente, como dirty work (reportings, procedimentos, trabalho de organização e restruturação, etc, etc)? E é ou não verdade que só um bom cumprimento e adequada execução dessas tarefas pode permitir a melhoria dos resultados nas tais funções de “linha” - “nobres” - e o progresso da organização no seu todo? Pela sua própria natureza e trabalho realizado durante anos em condições difíceis, melhor do que ninguém o PCP tinha obrigação de o reconhecer.