A questão-chave deve, isso sim, ser procurada a montante, onde ela teve origem, e essa é essencialmente uma questão política: que papel deve ter a “Caixa”, enquanto banco público, no mercado e no sector financeiro, onde a banca privada é dominante e maioritária? Deve actuar como qualquer outro banco ou deve reservar para si um papel específico? Pois é aqui que entram em jogo uma série de questões, desde as de natureza política e ideológica àquelas mais ligadas aos negócios - tão legítimas, aliás como as primeiras. Não sendo um “estatista” nem um ultra-liberal, como cidadão a quem parece útil a manutenção da “Caixa” como banco público, penso que, embora sujeita a determinado tipo de "guidelines" e controles específicos em virtude da sua natureza jurídica (pública) e que condicionem e/ou exijam regras de segurança reforçadas para determinados tipos de operações, face àquele que me parece dever ser o conceito “segurança com eficiência” por que se deve reger em virtude de ser exactamente isso o que os seus clientes nela procuram, nunca a CGD poderá deixar de, com as limitações indicadas (e admito que outras) e inerentes ao seu estatuto público, ter a agilidade suficiente para ser um player competitivo no mercado, o que significa adoptar para si uma parte significativa do “way of doing the things” dos seus concorrentes privados. Sem isso, dificilmente poderá ver reconhecido no mercado esse conceito de “segurança com eficiência”, e tenderá a voltar aos seus velhos tempos de uma vetusta instituição do Estado em que só a primeira das realidades (segurança) era cumprida.
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
sexta-feira, março 06, 2009
Uma pequena e despretensiosa reflexão sobre a Caixa Geral de Depósitos, a propósito das acções da Cimpor
A questão-chave deve, isso sim, ser procurada a montante, onde ela teve origem, e essa é essencialmente uma questão política: que papel deve ter a “Caixa”, enquanto banco público, no mercado e no sector financeiro, onde a banca privada é dominante e maioritária? Deve actuar como qualquer outro banco ou deve reservar para si um papel específico? Pois é aqui que entram em jogo uma série de questões, desde as de natureza política e ideológica àquelas mais ligadas aos negócios - tão legítimas, aliás como as primeiras. Não sendo um “estatista” nem um ultra-liberal, como cidadão a quem parece útil a manutenção da “Caixa” como banco público, penso que, embora sujeita a determinado tipo de "guidelines" e controles específicos em virtude da sua natureza jurídica (pública) e que condicionem e/ou exijam regras de segurança reforçadas para determinados tipos de operações, face àquele que me parece dever ser o conceito “segurança com eficiência” por que se deve reger em virtude de ser exactamente isso o que os seus clientes nela procuram, nunca a CGD poderá deixar de, com as limitações indicadas (e admito que outras) e inerentes ao seu estatuto público, ter a agilidade suficiente para ser um player competitivo no mercado, o que significa adoptar para si uma parte significativa do “way of doing the things” dos seus concorrentes privados. Sem isso, dificilmente poderá ver reconhecido no mercado esse conceito de “segurança com eficiência”, e tenderá a voltar aos seus velhos tempos de uma vetusta instituição do Estado em que só a primeira das realidades (segurança) era cumprida.
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
A democracia deveria funcionar assim
Existem sérias dúvidas sobre a razoabilidade do negócio de compra de acções da Cimpor, por parte da CGD, ao empresário Manuel Fino. Dúvidas não só legítimas como pertinentes em face do que é público sobre o teor desse negócio. Eu, pelo menos, tenho-as, mas devo confessar que o meu conhecimento de Bolsa e Banca – que é algum mas não aprofundado - não me permite ter dados suficientes para formar opinião. Para as esclarecer, o CDS-PP solicitou a presença do Presidente da “Caixa” na Assembleia da República, pretensão à qual a maioria deu provimento. Ainda bem. Faria de Oliveira terá assim possibilidade de esclarecer os deputados e os cidadãos sobre a compra de acções nas condições conhecidas e estes de aquilatar da oportunidade e “bondade” do negócio para o banco público e para o país, com todas as suas consequências. Também políticas, pois claro. A democracia funciona (ou deveria funcionar) assim.
segunda-feira, janeiro 12, 2009
Armando Vara e a demagogia do "Público"
Tendo dito isto, e falando agora em termos gerais e abstractos, não me parece exista lugar para qualquer tipo de escândalo pelo facto de ele – Vara -, ou qualquer outro quadro em situação idêntica, ser promovido ao escalão máximo de vencimento a posteriori, uma vez isso sendo prática comum da sua entidade empregadora. Trata-se de um fringe benefit ao qual acedeu quando da sua admissão na categoria que exerce, fazendo parte das regalias que a “Caixa” concederá aos seus directores e administradores tal como, eventualmente, neste e/ou noutros casos, muitas empresas proporcionam carro para uso particular, seguros de vida e de saúde, taxas de juro bonificadas, casa e viagens gratuitas para si e família (se "expatriados"), signing bonus, stock options, etc, etc. Nada de especialmente estranho, portanto. E o “Público” bem o sabe, como também sabe que está a ser demagógico e que Vara é um alvo fácil.
O que pode estar em causa, isso sim, são, a montante, as qualificações de Vara para as funções que exerce e o seu eventual papel de comissário político. Tal como poderiam estar os bónus eventualmente atribuídos sem justificação pelos resultados alcançados ou os vencimentos exessivos face às práticas do mercado. Mas isso são questões gerais e abstractas e, portanto, não personificáveis. Ou, como diriam os nossos amigos(?) de além-atlântico, “serão outros quinhentos” que no seu devido tempo já foram analisados e questionados.