segunda-feira, setembro 30, 2013

Adriano Correia de Oliveira e Manuel Alegre (8)

"Pedro Soldado" (Manuel Alegre - Adriano Correia de Oliveira)
Do LP "Adriano Correia de Oliveira" (1967)

O perdedor Bloco de Esquerda

Se o discurso de um dos vencedores da noite (Rui Moreira) foi politicamente vazio e apelou a um certo bairrismo populista, deixando no ar suspeitas de que poderemos estar perante um mero fenómeno passageiro, uma espécie de fogo-fátuo, o de um dos perdedores da noite (João Semedo) foi pouco menos do que patético. Ao optarem por pôr o assento tónico na derrota dos "partidos do governo", para a qual pouco ou quase nada ontem contribuíram, tentando daí colher louros indevidos, Semedo e o BE esqueceram-se, de repente, das sérias responsabilidades que tiveram na queda do segundo governo de José Sócrates, desse modo acabando por ajudar os agora por si tão atacados PSD e CDS a chegarem ao poder. Aliás, face à acentuada decadência do Bloco de Esquerda, e para não ficarmos apenas pelo campo do "achismo" mais ou menos fundamentado, seria interessante indagar junto dos seus eleitores dos últimos dez anos, principalmente entre os que deixaram de lhe entregar o seu voto, o que esperavam do partido e quais as razões da sua decepção e mudança de sentido desse mesmo voto.  Na ausência, infelizmente, desse estudo e dessa evidência, permito-me especular (e agora desculpem o "achismo") que esses mesmos simpatizantes e eleitores esperariam fosse o BE um género de "grilo do Pinóquio" do Partido Socialista, uma espécie de consciência crítica que evitasse uma maior "centralização" do PS e  fosse capaz de pressionar e negociar com este partido para acordos onde as ideias de esquerda pudessem fazer o seu caminho. Digamos que assumisse a nível nacional, e no campo político estrito, papel semelhante ao que a comissão de trabalhadores da AutoEuropa assume no campo das relações laborais, privilegiando o diálogo, a negociação e, sempre que nisso existam vantagens claras (e isto é indispensável), um acordo que considere vantajoso. 

Voltando ao campo da política "pura e dura", enquanto tudo se passou no campo da matéria de costumes (IVG, casamento "gay", etc), o BE lá foi conseguindo exercer o seu papel com alguma eficácia e sucesso; uma vez resolvidas - e bem -  estas questões, cada vez mais o BE, por manifesta incapacidade de resolver as suas contradições internas e renegar as origens dos partidos que o compõem (pode alguém ser quem não é?), se remeteu a um papel que fez dele uma espécie de "PCP dois", talvez com uma imagem um pouco mais jovem, urbana e "pós-moderna", mas sem a História, a coerência, a solidez ideológica e cultural e a implantação no terreno do verdadeiro PCP. Digamos que perdeu o seu "posicionamento" enquanto marca, a sua razão de existência. No meio de tudo isto, Louçã afastou-se (talvez prevendo a débâcle), Catarina Martins é uma irrelevância política sem o sex-appeal de Joana Amaral Dias ou o "je ne sais quoi" e a experiência de Ana Drago e a solidez de João Semedo esbarra na sua falta de carisma. Prevejo venha a ser bem difícil para o BE sair do poço onde se deixou cair.

Outros perdedores (menos óbvios) da noite eleitoral

  • O discurso de Rui Moreira. 
Rui Moreira obteve uma vitória retumbante e ficamos-lhe a dever o ter posto fim à carreira política do execrável e ultra-populista Menezes. Mas convenhamos que a sua vitória merecia mais do que um discurso vazio de qualquer conteúdo político e do que uma ideologia reduzida ao bairrismo/regionalismo ("o nosso partido é o Porto" ou o estilo "no Porto mandam os portuenses") a fazer lembrar uma "narrativa" que teve os seus dias de glória nos tempos da dupla Pedroto/Pinto da Costa. Rui Rio, um dos seus principais apoiantes, por certo não se terá sentido lá muito bem e agora, talvez com a colaboração de Manuel Pizarro (mas o PS Porto também não inspira lá muita confiança), Rui Moreira vai ter demonstrar o seu discurso terá sido um mero acidente de percurso. Ou será que não foi?
  • O povo de Oeiras
Dar a vitória a uma lista que se reclama - e apoiada e patrocinada - por quem se encontra a cumprir penade prisão por crime exercido no exercício das suas funções é de molde a assustar qualquer cidadão decente. Que isto se passe no concelho com um os mais elevados - senão o mais elevado - níveis de instrução do país, é de estarrecer. Depois, e provavelmente, ainda os ouviremos a "dizer mal" da política e dos políticos".
  • José Rodrigues dos Santos
A um "pivot" da RTP na noite eleitoral pedia-se contenção; uma atitude discreta que fizesse evidenciar aquilo que era realmente importante: resultados e comentários. Como de costume, José Rodrigues dos santos fez exactamente o contrário e resolveu ser estrela, tentando, qual Fred Astaire (sem ofensa a este, claro), "encher o ecrã" com a exuberância das suas movimentações e esgáres à Jerry Lewis (igualmente sem ofensa para este). Pena não ter tropeçado no balde ou no sabão.
  • Comentadores/Televisões
A responsabilidade não será sua (dos comentadores), mas do facto das televisões terem optado por  promover os seus políticos/comentadores/estrelas em vez de cederem o lugar do comentário a politólogos, jornalistas e académicos, apesar de tudo sempre mais independentes e distanciados. Quando isso aconteceu, pelo menos na SIC Notícias, já passava da meia-noite. Pode ser que muitos gostem, mas não só assim se estabelecem os maus padrões do que deve ser o debate político, como se sacrificam o rigor, a análise e a compreensão do que está em causa. No fundo, aquilo a que assistimos foi a uma penosa profusão de "Trios de Ataque" da política. 

domingo, setembro 29, 2013

Matiné de Domingo (40)



"Witness for the Prosecution", de Billy Wilder (1957)
Filme completo c/ legendas em português

Vieira, os árbitros e as suas próprias responsabilidades

Luís Filipe Vieira tem toda a razão em protestar contra a má qualidade (ou qualquer coisa mais) das arbitragens e o modo como têm, directa ou indirectamente, prejudicado o SLB neste início de época. Mas deve lembrar-se que, ao fazê-lo, está também, e em certa medida, a passar um atestado de incompetência a si próprio e à incapacidade que tem vindo a demonstrar, ao longo dos anos, para alterar o estado de coisas vigente no futebol português. Para além disso, está também a afastar o foco da sua liderança; da incapacidade demonstrada, apesar do investimento realizado e dos resultados financeiros que começam a ser preocupantes, para apresentar resultados desportivos acima do sofrível. Está também a aligeirar as responsabilidades que cabem ao treinador que escolheu ("o seu treinador") e que chega à sexta jornada do campeonato completamente "perdido na tradução": sem modelo e sistema de jogo definidos, jogadores em má forma e outros fora do seu lugar. Tudo isto vem provar que "estabilidade" não significa apenas manter o treinador, e que ela pode coexistir com a sua mudança ou estar ausente mesmo ele se mantendo.

sábado, setembro 28, 2013

sexta-feira, setembro 27, 2013

Friday midnight movie (56) - Zombie (III)

"Day of the Dead", de George A. Romero (1985)
Filme completo c/ legendas em português

"Lipstick On Your Collar" - série completa (6/6)

"Lipstick On Your Collar", de Dennis Potter (1993)
6º e último episódio

Passos Coelho: "pé no balde e bolo na cara"

Embora tal seja verdade, Pedro Passos Coelho, ao dizer que "a vida do governo não depende destas eleições", estando a precaver-se contra os resultados negativos que as últimas sondagens parecem querer indiciar, está também a fazer uma afirmação que se arrisca a contribuir para a desmobilização de uma boa parte do seu eleitorado, já de si pouco atraído por alguns dos candidatos apresentados pelo partido ou pela coligação em alguns dos principais concelhos das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Poderia dizer o contrário, isto é, afirmar que uma derrota clara se arriscaria a provocar a demissão do governo? Claro que não; mas, em prol do seu próprio governo, e - pelos vistos - não tendo imaginação ou argumentos sólidos que lhe permitiam apelar ao voto, poderia pelo menos conseguir estar calado, coisa que o actual primeiro-ministro parece ter cada vez maior dificuldade em fazer. Autenticamente, esta foi uma actuação ao bom estilo "pé no balde e bolo na cara".

The Satellite/Stax records story (22)

Rufus Thomas - "It's Aw'rite" (1962)