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quinta-feira, janeiro 17, 2013

O FCP, Liedson e o poder

O que pretende o FCP ao contratar em catadupa jogadores do Sporting Clube de Portugal? Moutinho, num negócio ruinoso para o SCP em termos de "brand equity", é, em certa medida, mas não totalmente, um caso à parte, pois encontrava-se em plena posse das suas capacidades técnicas, físicas e atléticas, embora em sub-rendimento por litígio com o seu clube de então. Mas Izmaylov, um caso clínico, e Liedson, no ocaso da sua carreira? Pura e simplesmente, pelo menos no curto-prazo e até se avaliar do verdadeiro rendimento dos jogadores, afirmar o seu poder enquanto clube, ao ponto de conseguir contratar jogadores e ex-jogadores emblemáticos e históricos de um "grande", tradicionalmente rival. Tal significa, utilizando o jargão dos negócios, que vai reforçando a sua "brand equity", ao mesmo tempo que vai minando e destruindo a do ex-rival (acho posso usar o termo). Como estratégia de poder, devo dizer tiro o meu chapéu, embora tal me custe. 

Não sei se a direcção e os adeptos do clube de Alvalade já entenderam o que está em jogo ou se estão à espera do choque de, um dia destes, verem Rui Patrício seguir o mesmo caminho. Será tarde, se é que já não o é.

quarta-feira, julho 07, 2010

O que a transferência de Moutinho revela sobre o FCP

Ao pagar pelo passe de João Moutinho um valor superior ao seu valor de mercado, e tal como aconteceu com a frustrada tentativa de desviar Jorge Jesus do SLB há poucas semanas, o FCP e, principalmente, o seu presidente, para além do enfraquecimento dos clubes rivais, não têm fundamentalmente em vista a melhoria qualitativa da sua equipa e do seu plantel. O objectivo fundamental destas acções é antes, acima de tudo e qual macho alfa envelhecido tentando impor-se a uma matilha que já tem dificuldades em controlar, uma tentativa gratuita de reafirmação de um poder que, no campo e fora dele, lhes tem vindo a fugir nos últimos tempos.

Sintoma de decadência de ambos, pois claro...

segunda-feira, julho 05, 2010

O caso João Moutinho, os contratos e a atitude dos clubes

Algo que o “negócio” João Moutinho vem relançar é o modo como muitos jogadores profissionais com contratos de médio/longo-prazo com um clube, contratos esses assinados de livre vontade e que, normalmente, são considerados positivos para ambas as partes quando da sua assinatura, forçam a respectiva ruptura quando já não lhes interessa cumpri-los. Foi assim – lembro-me – quando Miguel decidiu trocar o “meu” SLB pelo Valência e assim é agora com Moutinho.

Postos perante a hipótese de recuperarem algum do valor investido com o jogador ou de conseguirem realizar uma mais-valia significativa e a alternativa de o atleta ficar sem jogar até ao final da vigência do seu contrato, desvalorizando-se enquanto activo, os clubes têm optado por ceder à chantagem de jogadores e empresários. Se no curto-prazo tal pode parecer decisão sensata, no médio/longo prazo acaba por colocar os clubes numa posição extrema de vulnerabilidade face aos caprichos dos seus atletas e aos cantos de sereia de empresários e rivais.

Se a existência de contratos plurianuais no desporto profissional, mais especificamente no futebol, constitui uma resposta lógica e necessária para a estabilidade de uma relação profissional entre a entidade que contrata e o jogador contratado, para a gestão de um clube, por um lado, e de uma carreira, por outro, colocando ambos ao abrigo de imponderáveis e dos caprichos do curto-prazo, o método da “birra” acaba por colocar em causa o racional que está por detrás desta lógica, tornando-a descartável. Clubes e atletas deverão, pois, tirar daí as devidas conclusões sobre o que efectivamente lhes convém.

sábado, julho 03, 2010

Moutinho e a "brand equity"

Se o analisarmos de um ponto de vista puramente financeiro, e a crer nos 11 milhões anunciados, a venda do passe de João Moutinho ao FCP até pode ser considerada um bom negócio para o SCP: o jogador estava contrariado, fez uma má época, desvalorizou-se enquanto activo ao não ter sido convocado para o Mundial e, convenhamos, é um bom jogador, competente a nível nacional, mas mediano em termos europeus. No entanto, do ponto de vista da "brand equity" de uma instituição como o SCP o negócio parece-me aproximar-se perigosamente do desastroso.
Aguardam-se reacções em conformidade por parte da "rua" e de alguns notáveis sportinguistas.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Carvalhal e Liedson (mas também Moutinho)

Digo eu – que gosto de dizer coisas – que o SCP tem dois jogadores que, por provas dadas ao longo de várias épocas, possuem qualidades e categoria futebolística acima da mediania: João Moutinho e Liedson. Isto, apesar das promessas de um Miguel Veloso, até agora mais desejos da imprensa desportiva e da direcção financeira do clube do que realidades de “jogo jogado”.

Tendo dito isto, seria inteligente e mandariam o bom senso e as regras da boa gestão que Carlos Carvalhal, chegado ao clube, tentasse definir os princípios e construísse o modelo e sistema de jogo da equipa com base nestes dois jogadores, potenciando as suas qualidades e disfarçando o melhor que pudesse os seus pontos mais fracos, que todos os têm. Até porque, num caso pela sua idade (Liedson) e noutro pelas suas características (Moutinho), são ambos jogadores que não se antevê possam vir a abandonar o clube no curto prazo.

Carvalhal, ao arrepio do que acima afirmei, parece ter decidido de modo diverso e antagónico, atirando o pobre Liedson às feras no circo da área e colocando Moutinho quase como um segundo “pivot” defensivo. O resultado está já à vista: Liedson, que mesmo quando não marca chateia que se farta a defesa adversária (basta ter visto os últimos jogos da selecção e o jogo contra o SLB para o comprovar) já entrou em rota de colisão com o treinador. Como benfiquista, agradeço a Carvalhal, em época natalícia, a graça concedida. A ambos, Liedson e Moutinho, passo a informar que, caso queiram, o meu clube terá sempre à sua espera um lugar à medida dos seus desejos, perfis e ambições: no primeiro caso, ao lado de Cardozo, como opção a Saviola; no segundo, alternando com Aimar. É só quererem.

domingo, julho 27, 2008

Onde se fala das "novelas" do futebol de Verão, de João Moutinho e da hipótese de um "draft" ao estilo NBA

Depois da “novela” Cristiano Ronaldo segue-se, em versão low cost (ou série “B” se preferirem) o “romance” João Moutinho? Não será já altura de FIFA e UEFA começarem a encarar o problema e o modo de o resolver, evitando situações que só prejudicam o futebol e a sua credibilidade enquanto indústria e afastam investidores, põe em causa o investimento dos clubes e a liberdade dos atletas? Claro que jogadores e clubes assinaram um contrato de livre vontade a cujo cumprimento ambos se obrigam. Esta é uma posição de princípio que terá de ser tida em conta. Mas, simultaneamente, parece estarmos aqui perante uma daquelas situações em que a lei já terá sido claramente ultrapassada pelo movimento social e, por isso, nada melhor que legislar sobre o assunto de modo a enquadrar legalmente a situação emergente não a deixando ao "Deus dará".

Como fazê-lo? Francamente, tenho dúvidas, não me parecendo que a liberalização total, com os jogadores livres para se transferirem no final de cada época, deva ser considerada dado o prejuízo que isso acarretaria para o clube de origem e a indefinição que traria à formação e estabilidade dos plantéis. Mas que algo baseado ou influenciado pelo “draft” da NBA, que protegesse jogadores, clubes de origem e de destino, bem como o equilíbrio e qualidade dos espectáculos, devesse vir a ser, com maiores ou menores modificações, considerado, incluindo um tecto salarial que evitasse colocar a indústria demasiado à mercê de um qualquer Abramovich (com este ou outro nome) e valorizasse, isso sim, a qualidade da gestão desportiva e empresarial, já é algo que me oferece poucas ou nenhumas dúvidas. A UEFA e a FIFA, esta tão preocupada com a "escravatura", bem podiam, e deviam, preocupar-se com o caso.

Nota á margem: João Moutinho é indiscutivelmente um bom jogador. Pensa e executa com a rapidez suficiente, consegue manter um ritmo e intensidade de jogo elevados, sabe o que anda a fazer no campo, percebendo o que é uma equipa, um colectivo e um jogo de futebol, e preenche bastante espaço no meio-campo, participando com quase igual aproveitamento nas acções ofensivas e defensivas. Mais ainda, parece ter “cabeça”. Mas é indiscutivelmente frágil do ponto de vista físico-atlético. Jogar num campeonato mais competitivo, como a "Premiership", onde tudo acontece “mais depressa, com menos espaço e tempo e com mais vigor”, numa equipa média como o Everton, seria um bom e definitivo teste para sabermos da sua real capacidade para se impor, ou não, fora do futebol(zinho) doméstico.