Para além do equívoco de chamar de "centro-direita" à denominada coligação PáF, que, na realidade, e a linguagem e argumentação usados no debate de ontem e de hoje bem o mostram, é de direita radical, outro erro comum é os "media" referirem-se ao conjunto PSD/CDS como "coligação". De facto, estamos, isso sim, perante algo bem mais parecido com uma "frente", no sentido marxista-leninista do termo e em tudo semelhante, embora de sinal contrário, às formadas no pós-guerra em alguns países do extinto Pacto de Varsóvia, em que alguns partidos de origem não-comunista, por motivos de sobrevivência política (e não só política), se diluíam sob a liderança e hegemonia comunista. Neste caso, foi o CDS, após a "demissão irrevogável" de Paulo Portas e por questões de pura sobrevivência política, que acabou por perder qualquer autonomia para se diluir numa frente de direita liderada e hegemonizada pelo PSD. Algum rigor de linguagem e alguns conhecimentos de História seriam bem-vindos a muitos jornalistas e comentadores da "nossa praça".
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
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terça-feira, novembro 10, 2015
terça-feira, outubro 13, 2015
De como a direita radical também quer ter o seu próprio PBX "(Partido Berdadeiramente Xuxialista")
Sou do tempo, logo após o 25 de Abril e durante o PREC, em que a esquerda radical e o PCP, face à resistência do PS em aderir a concepções não democráticas do regime, tentavam, por todos os meios, criar aquilo que ficou conhecido na História (talvez com mais propriedade na "petite histoire"), com algum humor à mistura, como o PBX, sigla do "Partido Berdadeiramente Xuxialista". Isto é, aquele que, sem qualquer independência ideológica e/ou programática, aderisse acriticamente a uma espécie de frente de esquerda liderada pelo PCP e destinada, tal como aconteceu em alguns países do leste europeu no pós-WWII, a tomar o poder.
Se como dizia Marx, a História se repete, primeiro como tragédia e depois como farsa, temos agora a direita radical a tentar criar o seu próprio PBX, isto é, um Partido Socialista sem qualquer tipo de autonomia ideológica e programática que alinhe, mesmo que com suaves críticas, mais ou menos inconsequentes, nas teses actualmente dominantes na direita europeia.
Os resultados, em ambos os casos, não deixariam de ter algumas semelhanças entre si. No primeiro, para além da perda total da democracia, teríamos o PS reduzido a uma espécie de partido satélite do PCP, um género de Demokratische Bauernpartei Deutschlands da antiga RDA; no segundo, uma castração da democracia, com a marginalização de 20% do eleitorado, o fim do enquadramento institucional da contestação e do movimento sindical, assegurados pelo PCP, e a "pasokização" do PS.
Como sempre aconteceu desde o 25 de Abril, independentemente dos compromissos a assumir poderem ser concluídos à esquerda ou à direita, e independentemente também das opções ideológicas de cada um (eu incluído), um Partido Socialista forte e independente é condição essencial para uma sobrevivência saudável do regime. O resto é miopia política.
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domingo, janeiro 25, 2015
Uma nota sobre a direita portuguesa nos 50 anos da morte de Winston Churchill
Agora que decorrem as comemorações dos 50 anos da morte de Winston Churchill, convém dizer que a maioria dos que agora, na direita portuguesa, o homenageiam teriam por certo estado contra ele durante a sua vida política e perante muitas das opções que então tomou. Pondo de parte alguns dos hábitos política e socialmente incorrectos que hoje em dia dificilmente seriam aceites pela direita portuguesa, mas que não vêm agora ao caso, Churchill arrastou o Reino Unido para uma guerra contra os desejos de uma esmagadora maioria da aristocracia (a sua classe social de origem) e do conservadorismo britânicos (da "direita" de então, digamos assim), partidários da política de "apeasement". Uma guerra que, se com enorme contribuição dos USA acabou por derrotar os nazi-fascismos, teve também como consequência imediata a ascensão do comunismo na Europa, a subsequente divisão desta e, a prazo, o fim do império britânico, o declínio do Reino Unido enquanto potência mundial e o fim do domínio da aristocracia na vida económica e política britânica, já de certo modo em causa desde o final da guerra de 14-18. "Last but not least", uma guerra que acabou por abrir caminho ao governo trabalhista de Clement Attlee, talvez o governo "mais à esquerda" da História do UK e aquele que deu início ao que hoje designaríamos por "descolonização". Digamos, pois, que não me parece a direita portuguesa mais radicalmente conservadora, como a do "Observador" e do "Blasfémias", tenha muita legitimidade para se reclamar do legado de um estadista com a dimensão de Winston Churchill. Mas lá que lhes dá jeito...
quarta-feira, dezembro 17, 2014
Um artigo ignorante do "Expresso" sobre a Igreja Anglicana
Talvez alguém no "Expresso" devesse explicar à ignorante autora deste artigo que a fundação da Igreja Anglicana não se deveu a nenhum "capricho" de Henrique VIII, nem a um qualquer seu devaneio "amoroso" (desde quando os Reis do século XV/XVI casavam por amor?), mas constituiu, isso sim, uma arma política importante na luta de Inglaterra e do seu Rei contra as potências continentais dominantes, católicas e aliadas do Papado, França e Espanha. É por esse motivo que Clemente VII, e embora a Igreja Romana nunca tenha mostrado demasiados pruridos em anular matrimónios quando tal lhe convém, nunca autorizou o divórcio de Catarina de Aragão. Também é sintomático que Maria ("Bloody Mary"), única filha de Catarina e Henrique e que antecedeu Isabel I no trono, tenha tentado restaurar, à custa de perseguições religiosas que lhe valeram o "cognome, a obediência a Roma durante o seu curto reinado (5 anos). É pois a política, e não o amor!
sábado, junho 28, 2014
sábado, maio 24, 2014
sábado, maio 10, 2014
quarta-feira, março 05, 2014
A 1ª Guerra Mundial - BBC 2003 (10/10)
10º Episódio - "War Without End" (legendas em português)
terça-feira, março 04, 2014
A 1ª Guerra Mundial - BBC 2003 (9/10)
9º Episódio - "Germany's Last Gamble" (legendas em português)
segunda-feira, março 03, 2014
A 1ª Guerra Mundial - BBC 2003 (8/10)
8º Episódio - "Revolution" (legendas em português)
domingo, março 02, 2014
A 1ª Guerra Mundial - BBC 2003 (7/10)
7º Episódio - "Blockade" (legendas em português)
sábado, março 01, 2014
A 1ª Guerra Mundial - BBC 2003 (6/10)
6º Episódio - "Breaking the Deadlock" (legendas em português)
sexta-feira, fevereiro 28, 2014
A 1ª Guerra Mundial - BBC 2003 (5/10)
5º Episódio - "Shackled To A Corpse" (legendas em português)
quinta-feira, fevereiro 27, 2014
A 1ª Guerra Mundial - BBC 2003 (4/10)
4º Episódio - "Jihad" (legendas em português)
sábado, fevereiro 08, 2014
sábado, janeiro 18, 2014
sábado, dezembro 07, 2013
Documentário de sábado (20)
7 de dezembro de 1941: "Tora! Tora! Tora!" - The Real Story of Pearl Harbor
terça-feira, outubro 29, 2013
O PCP e Loures
Não percebo o espanto pelo acordo entre PCP e PSD em Loures:
- Em primeiro lugar porque se trata de um acordo local, sem repercussões a nível nacional, embora admita o PCP venha a ter alguma dificuldade em explicá-lo aos seus militantes. Mas enfim, nada de tão complicado como explicar o Pacto germano-soviético, o massacre de Katyn, Budapeste 56, Praga 68, Tiananmen 89 ou Pyongyang na actualidade (ou Angola, já agora). E o PCP, melhor ou pior e até mesmo quando o comunismo ainda era prestigiado enquanto ideologia, lá se foi "safando".
- O movimento comunista internacional e a URSS nunca tiveram, ao longo da sua História, qualquer problema em se aliar ao Diabo ou a Deus (compromisso histórico entre o PCI e a DC, neste último caso) para defender aquilo que consideravam ser os seus interesses mais imediatos ou de longo prazo. A História está cheia desses exemplos. Não vale a pena enumerá-los, mas, já agora, lembra-se da ditadura argentina de Videla?
- Ao contrário do que muitos comentadores pouco informados dizem, o PCP está longe de ser um partido apenas de "protesto ou de "contestação". É e sempre foi um "partido de poder", ao ponto de muitas vezes ter privilegiado a obtenção de lugares no "aparelho de estado" e, como agora, o fortalecimento das suas posições de poder em detrimento de outro tipo de acções ou de alianças ditadas por uma real ou aparente maior proximidade ideológica.
E ficamos "neste género assim"...
domingo, julho 28, 2013
A "União Nacional" de Massamá
Quero pensar - quero mesmo - que o apelo de Pedro Passos Coelho a uma "União Nacional" nada tem de desprezo pela democracia, de apelo ao esbatimento das naturais e saudáveis diferenças ideológicas e programáticas entre os portugueses. Quero pois acreditar nas convicções democráticas do primeiro-ministro e desta gente que nos governa, incluindo as do próprio Presidente da República. Quero acreditar, embora esteja longe de de assumir manifestações de fé e absolutas certezas.
Por isso mesmo, acho o que estas palavras de Passos Coelho denotam é uma enorme e escandalosa falta de conhecimentos e estudo da História das Ideias e de Cultura Política, o que não é exactamente o mesmo do que ter aprendido nas "jotas" os esgares da "petite politique", as "tricas" e a ciência das pequenas e saloias conspirações de poder das concelhias e distritais. Infelizmente, neste campo está o político de Massamá bem mal acompanhado, quer por gente da sua geração, dentro e fora do seu partido (Seguro navega nas mesmas águas), quer por gente, como Cavaco Silva, para quem esse tipo de leituras e aprendizagem deve constituir pouco menos do que um longo bocejo e enorme maçada. Se lhes juntarmos gente como Moedas e Borges, formados em escolas de excelência técnica mas onde se despreza a política ou esta passa muito ao largo, temos cozinhado o "caldo de cultura" que nos vai governando e mantendo à míngua. No fundo, talvez um curso parisiense de filosofia e ciência política não lhes fizesse assim tão mal.
sábado, maio 11, 2013
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