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terça-feira, julho 01, 2008

Ainda a selecção de Espanha e a unidade do país

Por muito que a selecção de futebol de Espanha seja tradicionalmente formada por jogadores das suas várias nacionalidades (nas épocas áureas do futebol basco estes estavam, frequentemente, mesmo em maioria), o que é um facto é que o apoio popular ao seu desempenho está muito longe de ser unânime, ou perto disso. Mesmo hoje, com a Espanha campeã da Europa, os esforço dos jornais castelhanos para mostrarem unidade no apoio à selecção e as tentativas muito meritórias do rei Juan Carlos, da família real e do presidente do governo, José Luís Rodriguez Zapatero, para aproveitarem a oportunidade, o que é um facto é que, como já aqui mencionei, numa cidade de 1.5 milhões de habitantes como Barcelona, e com uma área metropolitana onde vivem 3.0 milhões, apenas pouco mais de 10 mil pessoas vieram para a rua festejar. 10% da normal assistência a um jogo do Barça! Como termo de comparação, numa média cidade como Granada, e segundo o “Público de hoje, estiveram 30 mil nas ruas. Mas, mais evidente é o que se passou em Bilbau, a maior cidade basca com cerca de 350 mil habitantes (seria a 2ª cidade portuguesa) e uma área metropolitana com cerca de 1 milhão, onde, também de acordo com o mesmo “Público”, mil pessoas (corajosas, acrescento) festejaram nas ruas. Disse bem: mil!, não se enganou a ler... Quem quiser comparar, agora que vem aí o “Tour”, veja na televisão as etapas dos Pirinéus e tente calcular o número de espectadores que envergam camisolas da principal equipa basca e empunham Ikurriñas. Espanha...

segunda-feira, junho 30, 2008

Espanha...

Segundo a (neste caso) insuspeita "Marca", madrilena, madrilista e castelhana, mais de 10 000 pessoas comemoraram em Barcelona o título europeu da Espanha. Convém lembrar que na cidade vive 1 milhão e meio de habitantes e na área metropolitana 3 milhões... Como eu disse, um punhado de corajosos castelhanos e afins. Espanha...

Faits-divers de uma final

  • Momento do Europeu: quando Iker Casillas deu dois beijinhos á Rainha Sofia, que, aliás, ganhou em 2004 (é grega de nascimento - a propósito e para aqueles que acham que Deco e Pepe não deveriam jogar por Portugal por não terem nascido portugueses: por ter nascido grega e apenas ter adquirido a nacionalidade espanhola pelo casamento, Sofia da Grécia deveria poder ser Rainha de Espanha?) e em 2008. Também quando, ao festejar o golo, a Rainha ajeitou a saia para não se descompor.
  • Nunca vi tantas bandeiras de Espanha juntas, nem nas manifestações de extrema-direita. Mesmo quando Fernando Alonso foi campeão do mundo, durante largos minutos só vi bandeiras do Principado das Astúrias. Depois, a custo e como que envergonhada, lá apareceu uma bandeira de Espanha. No “Tour”, nas etapas dos Pirinéus, aí só aparecem Ikurriñas.
  • Ganhou um país cuja selecção não equipa com as cores nacionais, mas com as cores da sua federação, o que é bem mais correcto já que as selecções não representam os países mas as federações respectivas. Curiosamente, as cores do equipamento da selecção de Espanha são as cores da república. No caso da Alemanha, nem as cores do país nem da Federação respectiva (verde). Herança prussiana, acho, no preto e branco.
  • Foi preciso a polémica recente com a questão da letra para a “Marcha Real” (o hino de Espanha) para não ver os comentadores atrapalhados com o facto de o hino não ter letra. Na realidade tem várias, mas pouco adequadas a serem cantadas em ocasiões solenes e em público.
  • Angela Merkel faz a festa, deita os foguetes e apanha as canas. Ainda bem. Mas podia ter sido menos gélida quando cumprimentou Iker Casillas.
  • O melhor jogador de Espanha no Euro 2008 foi um brasileiro de nascimento, tal como o de Portugal. Neste caso, o único do meio-campo português que teria lugar em sector idêntico da “roja”.
  • Sérgio Ramos lá se enrolou na bandeira andaluza. Se fosse basco ou catalão, ou até galego, o que não teria sido dito.
  • Ainda não consegui ver na TV imagens do País Basco ou da Catalunha. Nesta ainda acredito haja alguns espanhóis (entenda-se: castelhanos e afins) a comemorar. No País Basco, mesmo que tenham vontade não acredito ousem. Mas talvez esteja enganado.
  • Exceptuando Pepe, talvez Ricardo Carvalho, Deco e Cristiano e, vamos lá, Nani como suplente, digam lá que outro jogador português teria lugar “de caras” nesta selecção de Espanha. Já perceberam, então, porque Portugal não ganhou o Europeu?

domingo, junho 29, 2008

Os países do Euro 2008 e a música - Turquia

Buhurizade Mustafa Itri Efendi (1640?-1711) - Neva Kâr

Pergunta de "pé-rguntar"

A propósito: que aconteceu à tão propalada operação a um pé de Cristiano Ronaldo, anunciada em parangonas após a eliminação da selecção portuguesa do Euro 2008?

sábado, junho 28, 2008

Os países do Euro 2008 e a música - Suiça

Arthur Honegger (1892-1955) - Concertino para piano e orquestra
Ilana Vered (piano) e a Swiss Radio Symphony Orchestra dirigida por Matthias Bamert

segunda-feira, junho 23, 2008

Os países do Euro 2008 e a música - República Checa

Antonin Dvorak (1841-1904) - Sinfonia nº9 ("Do Novo Mundo"). 1º andamento
Orquestra Filarmónica de Dublin dirigida por Derek Gleeson

sábado, junho 21, 2008

Os países do Euro 2008 e a música - Polónia

Frédéric Chopin (1810-1849) - Nocturno Op. 9 nº 2. Interpretação de Yundi Li

Ainda o Portugal-Alemanha - agora vamos lá à táctica

Tenho lido e ouvido por aí que a Alemanha terá surpreendido Portugal ao optar por um duplo pivot defensivo, tentando anular o jogo “entre-linhas” de Portugal, e por dois alas abertos num 4x2x3x1 que, em vez do 4x4x2 habitual, que se arriscava a bater onde Portugal era mais forte (os centrais), atingia a selecção portuguesa nos seus pontos mais vulneráveis: as laterais, tentando simultaneamente desposicionar Petit. Certo, o que só demonstra a inteligência de Joachim Löw (a propósito, lê-se como “love” – o trema fecha o “o” e o W vale “v” – e não outras barbaridades que tenho ouvido) qual general antes da batalha. Independentemente da pouca flexibilidade táctica de Scolari e tendência para a sobrevalorização das questões tácticas em Portugal, expressão prática da esperteza saloia (por um acaso, li hoje no “Público” uma frase de Sun Tzu que vem mesmo a propósito: “táctica sem estratégia é o ruído antes da derrota”), não me parece, de tão óbvia, a alteração alemã tenha sido uma inteira surpresa nem deva ser assim tão valorizada. A questão será bem outra. Perante essa opção, para a qual Löw tinha opções fiáveis, que poderia fazer Scolari? Muito pouco, ou até mesmo quase nada.

Vejamos. Scolari recuou Simão e colocou-o a jogar na esquerda, onde rende menos do ponto de vista atacante, para tapar as investidas de Lahm e ajudar Bosingwa, o mais atacante dos laterais portugueses e o menos experiente em competições de topo. Certíssimo. Que mais alternativas tinha? Nenhuma, claro está: não existiam no “banco” laterais mais fiáveis nem alas mais consistentes a “fechar”, do ponto de vista táctico. Quaresma e Nani não seriam, assim, opções a ter em conta de início para responder à táctica alemã. Em relação ao duplo pivot defensivo alemão Portugal até arranjou rapidamente solução, criando perigo e marcando dois golos, pois se no ataque a flexibilidade e classe dos executantes, assim como as opções no “banco”, se iam revelando suficientes para resolver os problemas, nas laterais elas eram escassas ou nulas.

Que tento provar com isto? Pura e simplesmente que, apesar da táctica não ser um dos pontos fortes de Scolari não deve ser sobrevalorizada (no fundo, rendeu apenas um golo aos alemães enão evitou que sofressem dois), mas também que, e ao contrário do que por aí se diz , não existem bons generais sem bons soldados e Portugal não tinha, de facto, os melhores soldados. Tinha-os, de sobra, para algumas posições, mas faltavam claramente soluções credíveis e diferenciadas em outras áreas (defesas laterais e pivots defensivos, por exemplo – para além do guarda-redes e centímetros em toda a equipa que permitissem melhorar o jogo aéreo, o que já é estratégia), que possibilitassem mesmo, no limite, a adopção de um sistema de jogo alternativo quando necessário (que também nunca foi treinado, diga-se). Nada que já não se soubesse e aqui não tenha sido em devido tempo referido, mas que a demagogia e o populismo trataram de fazer esquecer. Mas, no fundo, no fundo, o que faltou foi a Croácia: Portugal, muito provavelmente, estaria nas meias-finais e nada disto tinha razão de ser.

sexta-feira, junho 20, 2008

Os países do Euro 2008 e a música - Itália

Antonio Vivaldi (1678-1741) - Concerto "Grosso Mogul", 1º andamento (allegro)
Academia Montis Regalis - Enrico Onofri, violino.

Portugal perdeu com a Alemanha? Mas onde está a anormalidade?

Vamos lá a ver:

A selecção portuguesa perder 3-2 com a Alemanha, tri-campeã mundial e idem europeia, é a coisa mais natural do mundo; só não o será para a megalomania de alguns comentadores e jornalistas. Nunca Portugal ganhou quando ambas as equipas necessitavam de o fazer: ganhou 1-0 num jogo particular, 1-0 quando a Alemanha já estava apurada (qualificação do Mundial 86), 3-0 quando para Portugal era indiferente o resultado (Euro 2000) e isso permitia que entrasse descontraído, com a segunda equipa.

O poder físico-atlético (altura, peso, potência muscular, velocidade – por exemplo, Rooney e Tevez não sendo altos possuem elevado poder físico-atlético), por muito que Luís Freitas Lobo diga que com a bola “rente á relva” são todos iguais – não são -, ditou, como seria de esperar, a sorte do jogo: só isso permite a Podolski “cavalgar a linha” e centrar perante a passividade de Bosingwa e Pepe, no 1º golo, e a Schweinsteiger aparecer mais rápido que Paulo Ferreira a marcar, com a convicção de um ¾ perante a área de validação contrária. Idem para as bolas paradas (já agora, viram como a Alemanha não fez uma única falta em zona central, perigosa para a sua baliza, face ao perigo que Cristiano e Simão poderiam representar nesses lances?), mas vejamos: independentemente de questões mais técnicas, do tipo marcação “zona” ou “homem a homem”, a equipa portuguesa é demasiado baixa, e ninguém consegue ser campeão, hoje em dia, com uma equipa de tão baixa estatura, mais a mais com um guarda-redes com enormes deficiências nas saídas às bolas altas. Aliás, esse era também o problema, por exemplo, do tão elogiado Manuel Bento, tão visível nas competições europeias contra equipas que faziam dos cruzamentos para a área uma constante do seu jogo (Liverpool e Ian Rush são lembranças sempre presentes). No campeonato português não se joga assim, mas em contra-ataque, e, por isso, privilegiam-se guarda redes rápidos a saírem às bolas rasteiras. Por outro lado, o “pivot defensivo” e o "ponta de lança" são normalmente elementos essenciais no auxílio á defesa nas bolas paradas (Cardozo faz isso bem no Benfica). Ora a selecção portuguesa não o pode fazer com jogadores como Petit e Nuno Gomes. A equipa precisa pois, urgentemente, de crescer em altura e em poder físico-atlético fora do sector defensivo (Meira, Pelé e Hugo Almeida? Manuel Fernandes se finalmente ganhar a consistência de jogo que lhe tem faltado?), sem perder demasiado os seus princípios e modelo de jogo, e de arranjar um guarda-redes que preencha os requisitos mínimos para este tipo de competições a alto nível. Mas desde quando o não tem, apesar do sobrevalorizado Baía? Desde os tempos do apogeu de Vítor Damas?

Bom, apesar de tudo isto a selecção portuguesa, no Europeu, atingiu os ¼ de final em 96, as ½ finais em 2000, a final em 2004 e os ¼ de final este ano, para além das ½ finais no mundial de 2006. Na Europa, para além da Alemanha, França e Itália, conhecem alguém, nos últimos anos, consistentemente, melhor? Ou preferem a estrela cadente Grécia? Já se interrogaram, num intervalo da megalomania ou quando esta cede, mesmo que fugazmente, lugar à inteligência, se a selecção de um país como Portugal não terá atingindo os seus limites, o seu Princípio de Peter? É bom que o façam quanto antes, para que o desgosto os não mate.

quarta-feira, junho 18, 2008

Os países do Euro 2008 e a música - Holanda

Jan Pieterszoon Sweelinck (1562-1621) - "Ballo del Granduca". Interpretação, no cravo, de Bob van Asperan

segunda-feira, junho 16, 2008

Os países do Euro 2008 e a música - França

Camille Saint-Saëns (1835-1921) - Danse Macabre

Suíça - Portugal: razões para uma derrota

Antes que se gastem resmas de papel, quilos ou litros de tinta, milhões de bytes e que Rui Santos desenvolva cinco mil oitocentas e vinte e sete teorias da conspiração sobre a derrota, a feijões, da 2ª selecção de Portugal com a Suíça, aqui vão as razões:

  • Ausência de um condutor de jogo a meio-campo, uma alternativa a Deco mesmo que um degrau abaixo.
  • Presença em lugares-chave de 2 jogadores claramente sobre-avaliados pela crítica ao longo da época, talvez pelo extremo interesse que a venda dos seus passes assumiria para os respectivos clubes: Miguel Veloso (uma 2ª edição de Hugo Viana?) e Ricardo Quaresma, a quem falta cérebro, ciência de jogo e a noção exacta do que é o futebol.
  • Uma arbitragem vista assim pela Marca, neste caso fonte independente: “Muy mal. Una competición como la Eurocopa no se puede permitir estos arbitrajes caseros, por mucho que no hubiese nada en juego. La UEFA pierde credibilidad. Se equivocó en un gol anulado y un penalti no pitado a Portugal. Y, con ese criterio, el penalti a favor de Suiza, no era."

Acho que é suficiente; o resto é perder tempo.