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quinta-feira, janeiro 16, 2014

A banda sonora de "The Wolf of Wall Street" (1)

Elmore James - "Dust My Broom"

Fazer o contraponto entre a Máfia das ruas nova-iorquinas que filmou em "Goodfellas" e uma espécie de máfia de Wall Street é talvez demasiada cedência ao facilitismo e receita de êxito certo nos negros dias de hoje. Mas o tom de comédia negra, um pouco iconoclasta e por vezes mesmo a roçar ligeiramente o burlesco; a ausência de uma "moral" e a inteligente gargalhada de Scorsese perante o novo-riquismo ostentatório de carros rápidos, iates de luxo e "gajas boas", acaba por tornar credível o argumento e salvar um filme demasiado longo, mas que tem na sua banda sonora, a apelar ao documentário do autor sobre os "blues", um dos seus aspectos mais positivos. O "Gato Maltês" vai passar por aqui alguns temas.

terça-feira, março 16, 2010

Ainda a propósito de "Shutter Island", ou onde nos levam as conversas...

Lori Martin - "The Home Of The Boy I Love"
Palavra puxa palavra, conversa puxa conversa. Não sei se é mesmo assim mas dá jeito para o caso. Ora tendo-se ontem gerado por aqui uma interessante conversa a propósito de “Shutter Island”, que acabou em “Cape Fear”, o original de J. Lee Thompson e o “remake” de Scorsese, e na adolescente perversa protagonizada por Juliette Lewis neste último, dei por mim, enquanto “fan” da menina Lewis, a rebuscar quem teria sido Danielle Bowden no “Cape Fear” original, que não vi. E como o IMDB está lá para isso mesmo, concluí ter sido uma tal de Lori Martin, de quem nunca as minhas duas vidas, de cinéfilo e melómano, tinham ouvido falar. Nada que me envergonhe, dada a sua curtíssima carreira.

E porquê melómano? Porque, tal como Juliette Lewis, também Lori Martin fez uma incursão, mais ou menos bem sucedida, no mundo musical, em 1963. Digamos que não bem uma carreira, mas lá gravou, com sucesso relativo, um "single" para a bem conhecida Del-Fi Records, a mesma que editou alguns grupos de “surf music” e também o mais do que célebre, embora efémero, Ritchie Valens. O curioso é que esse "single" foi produzido - tan, tan, tan, tan!... - nada mais nada menos do que por Barry Mann, um dos nomes mais emblemáticos do Brill Building (isto anda mesmo tudo ligado, olá se anda!). Uma mais do que boa razão, portanto, para ouvirmos por aqui a menina Martin, antecessora, por certo que muito mais ingénua, da “devassa” miss Lewis. Ora oiçam lá!...

segunda-feira, março 15, 2010

A propósito de "Shutter Island"

Na sua crítica no “Ípsilon” a propósito de “Shutter Island”, Mário J. Torres fala de “Laura”, de Preminger, “O Arrependido”, de Jacques Tourneur e “Shock Corridor” de Samuel Fuller. Diz também que “o catálogo completo seria impossível e fastidioso”. Certo. Cá por mim, que dos que ele cita só vi “Laura”, acrescentaria, sem pensar mais de 5 segundos, “Suspicion”, “Spellbound” e “Vertigo”, de Hitchcock, “Cape Fear”, de Scorsese, ele mesmo (não tem qualquer mal citar-se a si próprio), e, talvez por aquela estranha personagem interpretada por Ben Kingsley, mas também por Kingsley, ele próprio, e as ressonâncias “nazis” no filme, o bem interessante “Death and the Maiden”, de Polanski, construído a partir do quarteto homónimo de Schubert. Já agora, e aquele obsessivo farol não nos remete para “The Lightship” de Jerzy Skolimowski?

Poderíamos continuar por aqui fora numa enumeração a várias mãos e quem nada conseguisse acrescentar perderia, o que só prova que sendo “Shutter Island” um filme “entretido”, que vale bem os seis euros, nada acrescenta de muito relevante àquilo que Scorsese já nos deu. Mas há muito que colecciono desilusões do autor e desde esse tempo que o meu Scorsese favorito passou a ser o de “The Blues” e “Il mio viaggio in Italia”. Se calhar não tanto por Scorsese; mas pelos que cita...

Nota: já depois de escrito o "post", um comentário de um leitor (a quem agradeço) fez-me descobrir que "O Arrependido" e "Out of the Past" são uma e a mesma coisa. Nesse caso, corrijo: vi o filme, claro.