Na sua crítica no “Ípsilon” a propósito de “Shutter Island”, Mário J. Torres fala de “Laura”, de Preminger, “O Arrependido”, de Jacques Tourneur e “Shock Corridor” de Samuel Fuller. Diz também que “o catálogo completo seria impossível e fastidioso”. Certo. Cá por mim, que dos que ele cita só vi “Laura”, acrescentaria, sem pensar mais de 5 segundos, “Suspicion”, “Spellbound” e “Vertigo”, de Hitchcock, “Cape Fear”, de Scorsese, ele mesmo (não tem qualquer mal citar-se a si próprio), e, talvez por aquela estranha personagem interpretada por Ben Kingsley, mas também por Kingsley, ele próprio, e as ressonâncias “nazis” no filme, o bem interessante “Death and the Maiden”, de Polanski, construído a partir do quarteto homónimo de Schubert. Já agora, e aquele obsessivo farol não nos remete para “The Lightship” de Jerzy Skolimowski?
Poderíamos continuar por aqui fora numa enumeração a várias mãos e quem nada conseguisse acrescentar perderia, o que só prova que sendo “Shutter Island” um filme “entretido”, que vale bem os seis euros, nada acrescenta de muito relevante àquilo que Scorsese já nos deu. Mas há muito que colecciono desilusões do autor e desde esse tempo que o meu Scorsese favorito passou a ser o de “The Blues” e “Il mio viaggio in Italia”. Se calhar não tanto por Scorsese; mas pelos que cita...
Nota: já depois de escrito o "post", um comentário de um leitor (a quem agradeço) fez-me descobrir que "O Arrependido" e "Out of the Past" são uma e a mesma coisa. Nesse caso, corrijo: vi o filme, claro.