Ao recorrer ao referendo, Papandreou joga o jogo do "tudo ou nada". Se vencer, terá condições políticas únicas para implementar as medidas de austeridade impostas e, principal e preferencialmente, cria desde já, com o simples anúncio desse referendo mas ainda mais se o vencer, condições únicas para renegociar com a UE numa posição de vantagem e chantagem políticas; se perder, arrasta consigo, num cataclismo de proporções inimagináveis, os "maus da fita": a Europa e a zona euro, fruto das hesitações, contradições e conflitos de interesse político dos seus dirigentes.
Digamos que não o acompanho no jogo - até pelas minhas posições de princípio contra as democracias plebiscitárias - mas tiro-lhe desde já o meu chapéu.