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terça-feira, novembro 04, 2014

A condecoração

Aquilo a que o país assistiu ontem, no Palácio de Belém, não foi mais do que uma encenação, por vezes até patética, concertada entre os partidos apoiantes do actual governo e o Presidente Cavaco  Silva, que teve como objectivo principal reforçar a hipótese de candidatura a Belém de Durão Barroso. Os elogios despropositados de Cavaco Silva à influência positiva que a nomeação de Barroso terá tido para Portugal e o "branqueamento" do seu abandono do cargo de primeiro-ministro outra intenção não tiveram senão conceder ao agora ex-presidente da Comissão Europeia alguma "patine" da respeitabilidade patriótica necessária para uma candidatura ao cargo com hipóteses, mesmo que remotas, de vir a ser bem sucedida. De caminho, Cavaco Silva, com a despropositada pressa demonstrada na entrega da condecoração a Barroso, em contraste com o que acontece com acto semelhante envolvendo José Sócrates, não deixou por mãos alheias mais uma tentativa de humilhar o anterior primeiro-ministro, mostrando mais uma vez ao país que a mesquinhez é um dos traços relevantes do seu carácter. Só estranho como Sócrates ainda não teve a coragem e desassombro políticos de declarar publicamente que não aceitará qualquer condecoração das mãos do actual Presidente da República. Ficava-lhe tão bem como o actual silêncio lhe fica mal.

Já agora, não será estranho ver, num futuro muito próximo, Cavaco Silva, o governo e os partidos da actual maioria bastante empenhados na candidatura de António Guterres a um qualquer alto cargo internacional, tentando afastá-lo de uma candidatura a Belém. Só se não puderem.

segunda-feira, abril 14, 2014

Para quem não me segue no "Twitter"

Para quem não é meu "amigo" no Facebook ou não me segue no Twitter, um "post" do saudoso João Pinto e Castro, de Agosto de 2004, sobre a "educação de excelência" dos tempos da ditadura, tão elogiada por Durão Barroso. Também fui episodicamente aluno do Liceu Camões, pelo que posso confirmar o que diz João Pinto e Castro, se tal fosse necessário.

domingo, fevereiro 13, 2011

Deve este governo continuar a governar? Em que condições? (ou onde se fala também em coerência...)

  1. Quantos daqueles que agora criticam - com razão - o governo por não governar, por não efectuar as reformas necessárias, não juntaram a sua voz às reivindicações corporativas e à demagogia populista da “rua” quando Correia de Campos e Mª de Lurdes Rodrigues tentavam efectivamente governar e efectuar algumas das reformas necessárias contra os interesses instalados? Ou já se esqueceram da demagogia dos partos em Badajoz, dos bebés nascidos em ambulâncias, das pseudo-urgências à porta de casa, da gritaria contra as “aulas de substituição” e as “avaliações”?
  2. Quantos dos que agora criticam o “apego ao poder” de José Sócrates, o “governar apenas com o intuito de se manter no poder”, não criticaram asperamente António Guterres por ter abandonado o “pântano” e Durão Barroso por “ter arranjado um emprego melhor”? Manter-se no poder ou dele decidir abdicar, desde que cumpridas as leis e as regras da democracia, não será opção legítima de quem é poder? Não estão tais situações constitucionalmente previstas em todos os Estados democráticos? Mudar para um emprego melhor (ainda para mais, e neste caso, de prestígio internacional para o país) não é aquilo que normalmente fazem aqueles que têm essa opção? Ou em vez de bramarem contra o “árbitro”, não teria sido bem melhor o PSD ter eleito em congresso um número dois bem mais competente?
  3. Quantos daqueles que hoje odeiam Jorge Sampaio por ter demitido um governo (mais correctamente, dissolvido a Assembleia da República) de um primeiro-ministro não eleito e que nem no partido a que pertencia gerava apoios significativos gritam hoje histericamente contra Cavaco Silva por este não demitir um governo (bom ou mau, foi escolhido por quem o pode fazer) clara e democraticamente sufragado há cerca de ano e meio pelos cidadãos? (Isto mesmo que este, e quanto a mim mal, não se tenha mostrado capaz de formar uma coligação maioritária).

Conclusão? Embora eu sempre ache e sempre diga que demasiada coerência torna as pessoas previsíveis e mesmo umas grandes “chatas”, que raio!, mesmo assim há “serviços mínimos” a cumprir. O que acho eu? Que salvo circunstâncias excepcionais e por isso mesmo pouco ou nada previsíveis - dois exemplos: incapacidade do país se continuar a financiar em condições aceitáveis ou existência de uma onda de contestação e distúrbios nas ruas (sérios, não estou a falar das habituais greves da CGTP ou das manifs. da FENPROF daquele senhor de bigode) que torne o país ingovernável -, e na impossibilidade de aprovação de uma moção de censura na Assembleia da República (a “direita” e a “esquerda radical” muito dificilmente se unirão com esse propósito), o Presidente da República terá toda a legitimidade para dissolver a AR no caso do governo se revelar incapaz de cumprir aquilo com que se comprometeu perante os portugueses e para o qual contou com a aquiescência do principal partido da oposição: o orçamento para este ano. Ou seja incapaz de apresentar e fazer aprovar igual documento para 2012.

Vale? Estamos conversados?

terça-feira, junho 09, 2009

Alguma coerência, s.f.f.

Quantos dos actuais acérrimos defensores da extrema importância para o país que constitui a manutenção de José Manuel Durão Barroso como presidente da Comissão Europeia se manifestaram contra, e até indignados, com aquilo que então consideraram ser a sua “fuga” para Bruxelas abandonando o governo do país?