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quarta-feira, abril 15, 2015

Redução da TSU para as empresas e relação entre "capital" e "trabalho"

Este artigo de António Bagão Félix no "Expresso" é uma das peças mais interessantes de contestação à ideia do governo de redução da TSU das empresas que me foi dado ler nos últimos dias. Falta a Bagão Félix, um dos últimos herdeiros consequentes do pensamento democrata-cristão em Portugal e talvez na Europa, ir um pouco mais além no seu raciocínio e concluir dos porquês de tal afã governamental. Ora tentemos, com o respeito devido a Bagão Félix...

No fundo, a proposta de redução da TSU em alguns pontos percentuais para as empresas, que nunca relançará o investimento ou contribuirá para relançar criar um qualquer número significativo de empregos, mesmo que desqualificados e mal pagos,  mais não é do que um passo complementar no programa de alteração da relação entre o "capital" e o "trabalho" (evidente nas alterações à legislação laboral) e da transferência de valor entre ambos, a favor do "capital", que tem vindo a ser prosseguida por este governo desde a sua posse. Daí o tal afã governamental em efectivá-la o mais rapidamente possível, sabendo que dificilmente poderá esperar algo de semelhante possa vir a ser proposto por um governo PS ou algum outro, de coligação, em que este partido participe. "Chumbada" na rua a compensação directa entre empregadores e empregados, proposta inicialmente, se formos analisar as restantes formas possíveis de compensação elencadas por Bagão Félix (aumento do IVA, de outros impostos ou um agravamento do "déficit"), em todas elas está implícita uma transferência de encargos dos empregadores (do "capital") para o os cidadãos em geral, mesmo que não directa e integralmente para o "trabalho". Mesmo no caso da "não compensação" pelo aumento do "déficit", tal corresponderia sempre a um agravamento da dívida, que teria de ser pago no futuro com o contributo de todos e, como se tem visto, incidindo preferencialmente os respectivos encargos nos trabalhadores por conta de outrem e beneficiários dos vários tipos de pensões. No fundo, e na sua essência, tem sido este o programa aplicado.

sexta-feira, junho 12, 2009

As entrevistas de Rui Costa

As entrevistas de Rui Costa a “A Bola” e RTPN são apenas um conjunto de lugares comuns, um enunciado de frases politicamente correctas que nada adiantam para a compreensão da gestão do futebol profissional do clube. O seu único objectivo é anunciar o apoio do actual director desportivo e administrador da SAD a Luís Filipe Vieira, deste modo condicionando a oposição e alguns notáveis, dada a popularidade de Rui Costa junto dos sócios do clube, na apresentação de qualquer alternativa credível no próximo acto eleitoral.

Perante o que se avizinha, e apesar do golpe de estado estatutário que constitui a antecipação das eleições, a oposição benfiquista tem bem aquilo que merece, pois não se compreende que, em face da desastrosa gestão desportiva dos últimos anos (muito mais de uma década), os sócios e adeptos do SLB se tenham mostrado como que anestesiados, apenas se conseguindo mobilizar, com eficácia, contra a gestão de Vale e Azevedo (vá lá!) e, mesmo assim, apresentando um projecto sem ideias consubstanciado num candidato presidencial (Manuel Vilarinho) medíocre. Ou então agitando de modo sebastiânico o nome de um ex-empresário de jogadores sem passado no clube e de passado mais do que duvidoso fora dele (José Veiga).

Começo a estar de acordo com Bagão Félix quando afirma que será preferível deixar LFV concorrer sozinho a confrontá-lo com alternativas tão pobres que só o podem fortalecer no seu desvario. Mas apetece-me perguntar: por onde tem andado estes anos todos o seu benfiquismo, prezado António Bagão Félix? Com a sua ausência, e de outros ilustres benfiquistas, perdeu o clube, perdemos todos nós.

terça-feira, junho 09, 2009

António Bagão Félix: muitos milhares de benfiquistas esperam por si. Assuma-se!

Sou o mais possível avesso a messianismos, a homens providenciais; sabemos bem, nós portugueses, onde isso nos tem conduzido e qual o seu resultado. Mas existem ocasiões difíceis - aquelas em que tudo parece demasiado apocalíptico para que nos possamos eximir a assumir uma posição - em que, por um conjunto de circunstâncias, existe alguém que pela sua personalidade, pela sua competência, pela sua notoriedade e confiança que pode inspirar se encontra melhor posicionado do que qualquer outro para poder levar por diante uma determinada tarefa que um conjunto de outros homens lhe pode, com o seu permanente escrutínio, apoio e capacidade crítica, pontualmente delegar. Ocasiões em aquilo que está em jogo ultrapassa em muito qualquer comodismo ou interesse pessoal, representando, isso sim, instituições, património e valores pelos quais milhões se bateram ao longo da vida e cujas vitórias nos confortaram nos piores momentos e derrotas contribuíram para toldar alguns dos nossos momentos de maior felicidade. Instituições a quem muito devemos e que muito a nós nos devem e que, por isso mesmo, não podem continuar entregues a quem delas se apropriou para fins espúrios e com interesses pessoais mais ou menos ilícitos ou pouco claros.

Na vida da prestigiada instituição que é o Sport Lisboa e Benfica, este é seguramente um desses momentos. Na vida do cidadão e benfiquista António Bagão Félix este seria, com certeza, o momento de assumir, com um programa claro que aponte para a devolução do Sport Lisboa e Benfica ao lugar a que tem direito no desporto e no futebol português e integrado numa lista de benfiquistas honestos e competentes, o lugar que muitos benfiquistas, como eu, anseiam que assuma. É isso que centenas de milhar ou mesmo milhões esperam de si. Compreender esse apelo e assumir com coragem o voto que lhe delegamos num dos piores momentos da história do nosso clube seria certamente não apenas mais uma manifestação inequívoca do seu fervor benfiquista, mas, muito mais do que isso, constituiria seguramente a sua “finest hour”.