sábado, agosto 11, 2012

"Going For Gold" - The '48 Games (7/9)


"Going For Gold" (aka "Bert and Dickie") - The '48 Games - Episódio VII

Estupidez à solta em Düsseldorf

Independentemente das eventuais consequências disciplinares que a atitude de Luisão possa trazer para si próprio e, por acréscimo, para o clube; independentemente do exagero da atitude do árbitro do jogo, o que se passou hoje em Düsseldorf, incluindo a expulsão da Javi Garcia por reincidência em faltas duras ainda a cerca de 10' do intervalo, evidencia uma vez mais a falta de controle emocional da equipa, já demonstrada em ocasiões anteriores e para a qual tenho por várias vezes chamado a atenção neste blog". Independentemente de tudo isso (veremos o que vai acontecer e torço para que nada de grave daí advenha), perdeu-se um jogo de preparação essencial e uma parte da estabilidade e concentração necessárias para o início da época. Também para a autoridade de Luisão perante os árbitros - que, convém lembrar, é o capitão da equipa. Uma estupidez sem nexo e um autêntico tiro no pé que os nossos adversários não deixarão de saber aproveitar.

Nota às 16.25h: Se não houver Witsel, Jorge Jesus quer mesmo jogar assim, num 4x1x4x1 apenas com Javi com capacidade defensiva no meio-campo e dois laterais ofensivos como Maxi e Melgarejo? Será que não aprendeu nada com o que lhe aconteceu - e à equipa - há duas épocas? Confesso que começo a perder alguma paciência...

Pensamento olímpico do dia

Nos Jogos Olímpicos, e por muito que tal possa doer a muita gente, as medalhas não são todas "iguais", ou seja, não têm igual notoriedade ou importância independentemente da modalidade ou disciplina e, assim sendo, o "pay off" do investimento realizado não é igual. Quem disser o contrário está a ser hipócrita. Acresce que, em função de múltiplos factores (económicos, sociais, genéticos, desportivos, concorrenciais, etc, etc), a capacidade de cada país para ser competitivo e alcançar assim bons resultados, a sua "oportunidade de negócio", digamos assim, não é o mesma em todos os desportos/disciplinas, nem permanece imutável ao longo do tempo. Por exemplo, se o investimento no fundo e meio-fundo no atletismo se revelou correcto até há cerca de vinte anos, com a emergência africana ele acabou por não ser sustentável a prazo, cedendo o passo, muito graças aos portugueses de origem africana, a disciplinas mais técnicas. A canoagem, por exemplo, conseguiu os melhores resultados portugueses nestes Jogos Olímpicos, tendo os portugueses como adversários principais alguns dos países europeus económica e desportivamente mais desenvolvidos, o que só valoriza as prestações conseguidas. Mas pergunta-se: tendo isso em atenção, tal nível de resultados é sustentável a prazo, mesmo com um investimento acrescido? (é apenas uma pergunta e não contém qualquer opinião valorativa da minha parte, devo dizer). 

São fundamentalmente este conjunto de factores (e outros do mesmo tipo) que deverão ser analisados e tidos em conta nas decisões futuras sobre o investimento olímpico do país, muito mais do que a habitual luta entre federações desportivas por alguns milhares de euros e uns quantos dias de visibilidade mediática. 

sexta-feira, agosto 10, 2012

Friday midnight movie (2)



"Les Diaboliques", de Henri-Georges Clouzot (1955)
Filme completo. Versão original c/ legendas em inglês

"Going For Gold" - The '48 Games (6/9)


"Going For Gold" (aka "Bert and Dickie") - The '48 Games - Episódio VI

Pensamento olímpico do dia

Parece que, para muita gente, os atletas portugueses presentes nos Jogos Olímpicos são insuscetíveis de crítica; são assim uma espécie de "Querido Líder" ou "Pai dos Povos" em versão atlética. Ou então  é o contrário: os "índios" (atletas) são sempre bons e os "chefes" (leia-se, os dirigentes) é que "têm a culpa". É a versão "popularucha", do "povo humilde e coitadinho"... Ou será, como aqui se sugere, que a sua prestação só poderá ser analisada por quem corra a maratona em menos de duas horas, os 100 metros em 9,60'' e assim sucessivamente? Confesso não entender. Será que todos os participantes portugueses fizeram sempre tudo bem feito? Deveriam todos eles ter estado presentes? Escolheram as opções estratégias e tácticas correctas? Todos se prepararam com igual racionalidade e afinco? Ou só quem é romancista, piloto de automóveis ou realizador de cinema pode ser crítico destas as actividades? O que me parece é que muita gente gosta demasiado de tabus, adora "vacas sagradas", confunde crítica com "má-língua" ou maledicência e não consegue ter o distanciamento suficiente para uma análise fria, lúcida e, tanto quanto possível, despida de "partis-pris". Tudo isto, sintomas e factores potenciadores do nosso atraso, pois claro.  

Zita Seabra: uma vez estalinista...?




Conclusão: Zita Seabra pode ter mudado de partido, mas as ideias, a imaginação delirante, o simplismo analítico, a ortodoxia, o radicalismo e o sectarismo militantes característicos do PCP continuam lá e bem vivos. Parece que a antiga dirigente da UEC quer mesmo fazer jus aos que dizem que os estalinistas não mudam de ideias nem de métodos: limitam-se a mudar de patrão.

Pergunta: Alguém ainda compra o "Diário de Notícias" de Joaquim Oliveira e João Marcelino?

quinta-feira, agosto 09, 2012

"Going For Gold" - The '48 Games (5/9)

"Going For Gold" (aka "Bert and Dickie") - The '48 Games - Episódio V

Fundação Paula Rego: um resquício de "vendetta"?


Recuso-me a acreditar que exista algum preconceito, alguma questão moral ou ideológica, algum resquício de "vendetta", na base da intenção do governo em extinguir a Fundação Paula Rego. Em nome da democracia e da liberdade, recuso-me a acreditar em tal coisa. Valha-nos que ainda vai existindo (subsistindo?) no próprio PSD (que, note-se, por outro lado também é o partido da inenarrável deputada Isilda Pegado) gente com alguma réstea de inteligência e de bom-senso. É uma pequenina esperança...

Pensamento olímpico do dia

Sim, eu sei que a credibilidade da imprensa desportiva se aproxima ou até mesmo já ultrapassou o nulo, mas mesmo mesmo para isso, para a demagogia e para a estupidez deveria haver limites. Hoje, o jornal "O Jogo" coloca em manchete, na sua primeira página, os montantes investidos na preparação dos atletas olímpicos de canoagem (1.4M), natação (2.4), judo (2.1) e atletismo (4.3) concluindo, por comparação, da injustiça cometida para com a canoagem. Uma estupidez, claro, já que se os resultados desportivos dependem em parte significativa do investimento realizado, nada permite concluir, apenas limitando-se o jornal a lançar de forma demagógica estes números à cara dos cidadãos, que a multiplicação do investimento na canoagem tivesse retribuição proporcional nos resultados obtidos. 

Se é indiscutível, pela simples verificação das classificações alcançadas, alguns desportos têm demonstrado maior sensibilidade ao investimento realizado (atletismo, judo e canoagem estarão entre eles), para questões de justiça ou injustiça (se é que tal é relevante - não o creio) ou de adequação do investimento não basta comparar as verbas disponibilizadas para cada um deles: cada desporto tem a sua realidade, a sua história, a sua capacidade para crescer, progredir e apresentar resultados e é em função disso que o investimento deve ser realizado. Mas, claro, num país em que se tornou moda atirar com custos e gastos à cara dos cidadãos empobrecidos, sem qualquer outra preocupação ou espaço reservado a uma simples análise custo/benefício, principalmente quando este não é tangível, e quando vemos que tal atitude parte demasiadas vezes do próprio governo do país, nada disto já causa qualquer espanto ou admiração.