Mostrar mensagens com a etiqueta Jogos Olímpicos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jogos Olímpicos. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, fevereiro 07, 2014

Portugal nos Jogos Olímpicos de Inverno

Num país onde não existem quaisquer condições para a prática de desportos de Inverno de alta (ou até de pequena) competição, onde tal tradição é inexistente, onde, tanto quanto sei, nem sequer existem campeonatos, que vão fazer dois atletas portugueses, "pescados à linha" na diáspora, aos Jogos Olímpicos de Inverno, onde nem sequer conseguirão minimamente destacar-se de uma multidão de participantes nas modalidades a que concorrem ("slalom" e "slalom gigante")? Acham que essa participação vai de algum modo contribuir para o desenvolvimento do desporto (em geral) e da modalidade (em particular)? Vai trazer prestígio para o país, seja lá o que isso for? Acham mesmo, utilizando uma linguagem tão cara ao actual poder, estamos perante uma "eficaz alocação de recursos"?

Sim, eu sei que a despesa será pouco mais do que irrelevante, mas isso dos custos é só para nos atirarem à cara quando se trata de funcionários públicos, reformados, pensionistas, saúde dos cidadãos e... quadros de Joan Miró? 

Nota: Está bem de ver que isto nada tem contra os simpáticos esquiadores portugueses, muito menos pelo facto de serem luso-descendentes, que se limitam a aproveitar a oportunidade e aos quais desejo a melhor sorte. 

sexta-feira, janeiro 18, 2013

"Doping" e moralismos

Perguntas:
  1. Quantos espectadores se entusiasmariam com a Volta a França sem o Tourmalet, o Aubisque, Alpe d'Huez, o Galibier e etc? Como uma vez disse Joaquim Agostinho, acham que essas montanhas se sobem de bicicleta, em competição, "só a comer bifes com batatas fritas"?
  2. Alguém se interessaria por uma final olímpica dos 100 metros em que todos os participantes fizessem tempos à volta dos 10 segundos e tal? Acham se corre esta prova em nove segundos e una pózinhos só a tomar vitaminas?
  3. E de provas olímpicas de natação sem os Mark Spitz, os Ian Thorpe e os Mike Phelps deste mundo? São todos uns anjos? 
  4. Quantos dos hipócritas que agora acusam e condenam Lance Armstrong o aplaudiram e endeusaram quando das suas vitórias sabendo todos nós, desde sempre, o que agora foi revelado?
  5. Para os jornalistas cá do sítio: e se um destes dias fosse revelado que algum dos heróis olímpicos indígenas, como Rosa Mota, Carlos Lopes, Francis Obikwelu e por aí, tinham recorrido a "ajudas"? Alguém põe as "mãos no fogo"?
Desabafo: vão-se lixar com os moralismos...

terça-feira, agosto 14, 2012

segunda-feira, agosto 13, 2012

"Going For Gold" - The '48 Games (9 e último)


"Going For Gold" (aka "Bert and Dickie") - The '48 Games - Episódio IX e último

Pensamento olímpico final

Vicente Moura, presidente do Comité Olímpico Português, afirmou, como justificação para os fracos resultados conseguidos pelos atletas portugueses em Londres, que "não temos desporto escolar nem universitário". Não nego a pertinência das afirmações de Vicente Moura - embora gostasse de as ter ouvido antes e não depois da participação portuguesa nos Jogos, mas também a isso me vou habituando - e também não ignoro a importância da prática desportiva entre os jovens, que transcende em muito a questão da alta-competição. Mas gostava de chamar a atenção para o seguinte: no tempo da ditadura existia desporto escolar (os campeonatos da Mocidade Portuguesa) e universitário (campeonatos universitários), uma escola de vela da MP e até três clubes (CDUL, CDUP e AAC) e três estádios universitários novinhos em folha (Lisboa, Coimbra e Porto) com vários campos relvados e pistas. Devo dizer, em desportos diferentes, participei em ambos, pelo que posso alegar "saber de experiência feito". Pese embora o ensino secundário e universitário estivesse então reservado às elites, o que muito limitava o campo de recrutamento, não consta Portugal tivesse um desporto de alta competição digno desse nome ou alcançasse melhores resultados nos Jogos Olímpicos nessa altura e nesse tempo. Mais ainda. Não me consta Carlos Lopes, António Leitão, Fernanda Ribeiro, Rosa Mota, Naide Gomes, Nelson Évora, Sérgio Paulinho, Armando Marques, Rui Silva, Francis Obikwelu, etc, fossem oriundos dos desporto escolar ou a sua evolução enquanto atletas se ficasse a ele a dever, mesmo que em limitada percentagem. 

Não nego, como acima já disse, a importância do desporto escolar, que não se esgota na sua contribuição futura para a melhoria dos resultados alcançados no desporto de alta-competição. Mas antes do COP lançar mão da ladaínha e dos lugares-comuns do costume, talvez não fosse má ideia pensar um pouco antes de falar, analisando os factos e as condições em concreto em vez de "deitar da boca para fora" o que possa "parecer bem" ou ter impacto mediático. Nos salazarentos tempos da ditadura, a desculpa costumava ser a "falta de instalações", o que também calhava sempre bem... Pelo que oiço e leio, não me parece se tenha aprendido grande coisa... Infelizmente.

As Olimpíadas de Hitler (1/2)

"Olympia", de Leni Riefenstahl (1938)
Parte I:  "Fest der Völker"
Filme completo c/ legendas em inglês

sábado, agosto 11, 2012

"Going For Gold" - The '48 Games (7/9)


"Going For Gold" (aka "Bert and Dickie") - The '48 Games - Episódio VII

Pensamento olímpico do dia

Nos Jogos Olímpicos, e por muito que tal possa doer a muita gente, as medalhas não são todas "iguais", ou seja, não têm igual notoriedade ou importância independentemente da modalidade ou disciplina e, assim sendo, o "pay off" do investimento realizado não é igual. Quem disser o contrário está a ser hipócrita. Acresce que, em função de múltiplos factores (económicos, sociais, genéticos, desportivos, concorrenciais, etc, etc), a capacidade de cada país para ser competitivo e alcançar assim bons resultados, a sua "oportunidade de negócio", digamos assim, não é o mesma em todos os desportos/disciplinas, nem permanece imutável ao longo do tempo. Por exemplo, se o investimento no fundo e meio-fundo no atletismo se revelou correcto até há cerca de vinte anos, com a emergência africana ele acabou por não ser sustentável a prazo, cedendo o passo, muito graças aos portugueses de origem africana, a disciplinas mais técnicas. A canoagem, por exemplo, conseguiu os melhores resultados portugueses nestes Jogos Olímpicos, tendo os portugueses como adversários principais alguns dos países europeus económica e desportivamente mais desenvolvidos, o que só valoriza as prestações conseguidas. Mas pergunta-se: tendo isso em atenção, tal nível de resultados é sustentável a prazo, mesmo com um investimento acrescido? (é apenas uma pergunta e não contém qualquer opinião valorativa da minha parte, devo dizer). 

São fundamentalmente este conjunto de factores (e outros do mesmo tipo) que deverão ser analisados e tidos em conta nas decisões futuras sobre o investimento olímpico do país, muito mais do que a habitual luta entre federações desportivas por alguns milhares de euros e uns quantos dias de visibilidade mediática. 

sexta-feira, agosto 10, 2012

"Going For Gold" - The '48 Games (6/9)


"Going For Gold" (aka "Bert and Dickie") - The '48 Games - Episódio VI

Pensamento olímpico do dia

Parece que, para muita gente, os atletas portugueses presentes nos Jogos Olímpicos são insuscetíveis de crítica; são assim uma espécie de "Querido Líder" ou "Pai dos Povos" em versão atlética. Ou então  é o contrário: os "índios" (atletas) são sempre bons e os "chefes" (leia-se, os dirigentes) é que "têm a culpa". É a versão "popularucha", do "povo humilde e coitadinho"... Ou será, como aqui se sugere, que a sua prestação só poderá ser analisada por quem corra a maratona em menos de duas horas, os 100 metros em 9,60'' e assim sucessivamente? Confesso não entender. Será que todos os participantes portugueses fizeram sempre tudo bem feito? Deveriam todos eles ter estado presentes? Escolheram as opções estratégias e tácticas correctas? Todos se prepararam com igual racionalidade e afinco? Ou só quem é romancista, piloto de automóveis ou realizador de cinema pode ser crítico destas as actividades? O que me parece é que muita gente gosta demasiado de tabus, adora "vacas sagradas", confunde crítica com "má-língua" ou maledicência e não consegue ter o distanciamento suficiente para uma análise fria, lúcida e, tanto quanto possível, despida de "partis-pris". Tudo isto, sintomas e factores potenciadores do nosso atraso, pois claro.  

quinta-feira, agosto 09, 2012

"Going For Gold" - The '48 Games (5/9)

"Going For Gold" (aka "Bert and Dickie") - The '48 Games - Episódio V

Pensamento olímpico do dia

Sim, eu sei que a credibilidade da imprensa desportiva se aproxima ou até mesmo já ultrapassou o nulo, mas mesmo mesmo para isso, para a demagogia e para a estupidez deveria haver limites. Hoje, o jornal "O Jogo" coloca em manchete, na sua primeira página, os montantes investidos na preparação dos atletas olímpicos de canoagem (1.4M), natação (2.4), judo (2.1) e atletismo (4.3) concluindo, por comparação, da injustiça cometida para com a canoagem. Uma estupidez, claro, já que se os resultados desportivos dependem em parte significativa do investimento realizado, nada permite concluir, apenas limitando-se o jornal a lançar de forma demagógica estes números à cara dos cidadãos, que a multiplicação do investimento na canoagem tivesse retribuição proporcional nos resultados obtidos. 

Se é indiscutível, pela simples verificação das classificações alcançadas, alguns desportos têm demonstrado maior sensibilidade ao investimento realizado (atletismo, judo e canoagem estarão entre eles), para questões de justiça ou injustiça (se é que tal é relevante - não o creio) ou de adequação do investimento não basta comparar as verbas disponibilizadas para cada um deles: cada desporto tem a sua realidade, a sua história, a sua capacidade para crescer, progredir e apresentar resultados e é em função disso que o investimento deve ser realizado. Mas, claro, num país em que se tornou moda atirar com custos e gastos à cara dos cidadãos empobrecidos, sem qualquer outra preocupação ou espaço reservado a uma simples análise custo/benefício, principalmente quando este não é tangível, e quando vemos que tal atitude parte demasiadas vezes do próprio governo do país, nada disto já causa qualquer espanto ou admiração. 

Citius, Altius, Fortius (5)


Antuérpia, 1920

quarta-feira, agosto 08, 2012

"Going For Gold" - The '48 Games (4/9)


"Going For Gold" (aka "Bert and Dickie") - The '48 Games - Episódio IV

Portugal: participação olímpica e desenvolvimento económico e social

Portugal participou pela primeira vez nos Jogos Olímpicos em 1912, em Estocolmo, e ganhou a sua primeira medalha em 1924, em Paris (hipismo). Desde essa sua primeira participação até 1976, nos Jogos de Montreal, todas as medalhas conquistadas o foram naquilo que poderíamos chamar a área dos desportos aristocrático/militares (hipismo, esgrima e vela), que, aliás, tiveram grande importância na génese dos Jogos Olímpicos, numa época em que apenas as elites sociais e económicas tinham condições (tempos livres e dinheiro) para a prática desportiva, para se tornarem verdadeiros "sportsmen". O Portugal da 1ª República e, depois, da ditadura era um país demasiado pobre, onde qualquer disseminação da prática desportiva era impossível, sem uma classe média digna desse nome, em número e poder, e onde as Forças Armadas e a aristocracia fundiária foram sempre, aliás,  dois dos apoios mais incondicionais do regime que governou o país entre 1926 e 1974.

É já depois do 25 de Abril, com uma democratização que abriu finalmente algumas portas a uma massificação da actividade desportiva já timidamente ensaiada nos finais da ditadura, com o crescimento económico dos anos 60, que o estado de coisas começa a mudar; e muda por onde podia mais facilmente fazê-lo num país ainda a caminho do desenvolvimento e do estatuto europeu: pelas corridas de fundo, onde o investimento em infraestruturas e metodologias de treino é reduzido e basta uma estrada e vontade de correr para se conseguir progredir. É a partir da medalha de prata de Carlos Lopes nos 10 000 metros, em Montreal, que começa a época da dominação portuguesa nas provas de fundo do atletismo. E é também após a democratização começada com o 25 de Abril, com o seu espírito igualitário, que as mulheres conquistam as suas primeiras medalhas (Rosa Mota na maratona de Los Angeles).

Vamos ter de esperar por Sydney e por um Portugal já membro de pleno direito da UE, um país já terciarizado, com uma classe média em expansão e integrado no primeiro mundo desenvolvido, para que a distribuição de medalhas atinja desportos mais sofisticados e onde o investimento é maior (judo, triatlo, ciclismo e, agora, canoagem), ou provas de atletismo integradas nas chamadas disciplinas técnicas, muito graças aos portugueses imigrantes africanos de primeira ou segunda geração. No fundo, também um sinónimo de desenvolvimento, pois apenas os países mais desenvolvidos são estruturalmente destino de emigração.

Como se pode ver, percorrer a história da participação olímpica portuguesa é também visitar a evolução do país nos últimos quase 100 anos. O que virá agora e no futuro, quando a política de "empobrecimento" parece ter sido erigida em desígnio nacional?

terça-feira, agosto 07, 2012

Citius, Altius, Fortius (4)

Estocolmo, 1912 - Os primeiros Jogos Olímpicos com participação portuguesa

"Going For Gold" - The '48 Games (3/9)


"Going For Gold" (aka "Bert and Dickie") - The '48 Games - Episódio III

RDA (mas não só): o outro lado dos Jogos Olímpicos


Nota: não tenho uma visão moralista ou hipócrita sobre a questão do "doping". Como disse um dia o "velho" Joaquim Agostinho, "ninguém sobe os Alpes e os Pirinéus de bicicleta apenas a comer bifes com batatas fritas". E pergunto-me sempre se alguém se interessaria por uma final dos 100 metros em que todos os participantes fizessem marcas acima dos 10 segundos, já que, para além do treino, das condições morfo-fisiológicas necessárias e da evolução da medicina desportiva, não tenho ilusões sobre sobre o que também influencia os grandes resultados e a luta que se trava constantemente entre os "métodos" que potenciam o alto rendimento dos atletas e o controlo anti-dopagem, tentando as diversas instâncias desportivas manter o "doping" dentro dos limites do socialmente tolerável, isto é, o suficiente para permitir grandes marcas mas sem dar demasiado nas vistas. E este foi exactamente o problema da defunta RDA, como o foi de outras atletas, detectadas ou não, do leste europeu (Jarmila Kratochvilová, por exemplo), ou dos USA (Florence Grifith-Joyner, Jackie Joyner-Kersee e, mais tarde, Marion Jones etc): deram demasiado nas vistas, o que descredibilizou as marcas alcançadas. Alguns dos seus registos, principalmente nos lançamentos masculinos e na velocidade e meio-fundo (800 e 1500 metros) femininos, ainda hoje, mais de vinte anos depois, se mantêm como máximos mundiais.