quinta-feira, julho 05, 2012

O governo agradece ao Tribunal Constitucional

Ao declarar a inconstitucionalidade dos cortes nos subsídios de Natal e férias dos funcionários públicos, isto é, e como prefiro chamar-lhe, a redução em cerca de 14% do seu salário anual, mas mantendo a medida para o corrente ano numa decisão que me dispenso de qualificar e que suspende, de facto, a vigência da Constituição da República até ao final de 2012 (alguma vez haveria de estar de acordo com BE e PCP), o Tribunal Constitucional está a a oferecer de "mão beijada" ao governo o pretexto e a justificação para o lançamento de uma medida que, em função do descalabro da execução orçamental deste ano e seus reflexos nos anos seguintes, já estaria nas cogitações do executivo: o agravamento de impostos, principalmente do IRS, para o conjunto dos cidadãos, medida que permitirá mesmo arrecadar uma receita ainda superior à inicialmente prevista. Digamos que, ao contrário do que oiço por aí e pese embora o potencial recessivo da medida no médio prazo, para já o governo agradece.

"Sonhar Era Fácil" - a comédia no cinema português (4/5)

"Sonhar Era Fácil", documentário de António Pedro Vasconcelos (2012)

Regimental Ties (20)

Argyll & Sutherland Highlanders Regimental Tie


Argyll & Sutherland Highlanders Pipes and Drums

O fim do empréstimo de jogadores e alguns "escribas" de serviço

A proibição de empréstimos de jogadores entre clubes que disputam a mesma competição, decretada pela LPFP e desde sempre defendida neste "blog", é uma medida essencial para a garantia da chamada "verdade desportiva", e se quisermos importar linguagem do campo dos negócios, decisão regulatória fundamental para o normal funcionamento do mercado. 
  1. Em primeiro lugar porque garante uma saudável concorrência, em condições de maior igualdade financeira, já que deixam de existir clubes que, por via desses empréstimos, são autenticamente subsidiados por outros que actuam na mesma competição. E, mais uma vez, como não há almoços grátis...
  2. Depois, porque não faz qualquer sentido, é mesmo absurdo e presta-se a suspeição, um jogador actuar contra o clube com o qual tem contrato e lhe paga, total ou parcialmente, o ordenado.
  3. Por último, porque deixa de existir aquela "cena" habitual das falsas lesões para que um atleta não actue contra o clube com o qual tem contrato, criando condições de desigualdade com outros participantes na competição.
Claro que já vejo por aí escribas ao serviço daqueles a quem esta medida aparentemente prejudica, muitos sempre prontos a defenderem a verdade desportiva das "novas tecnologias", virem argumentar contra a medida em nome da luta contra o desemprego, das oportunidades para os jovens, etc, etc (sempre a mesma "cegarrega"...). A esses lembro o seguinte:
  1. O fim dos empréstimos é uma medida fundamental para assegurar a credibilidade da indústria e do negócio e, por via disso, do seu desenvolvimento e prosperidade, e tal deveria prevalecer sobre tudo o resto.
  2. A existência de equipas "B" serve exactamente para rodar esses jogadores mais jovens, numa Liga de Honra que se tem revelado bastante competitiva.
  3. Por último, o empréstimo de jogadores a clubes estrangeiros, como acontece já hoje com muitos clubes portugueses, permite que esses atletas conheçam e evoluam em realidades diferentes, provas muitas vezes mais competitivas, deixando, ao contrário do que acontecia há 20 ou 30 anos, de voltar para trás ao fim de quinze dias com saudades do bacalhau com batatas. E não me falem da impossibilidade de seguir de perto a evolução desses jogadores, pois muitos desses clubes de empréstimo têm portugueses, integrados nas respectivas equipas técnicas, com ligações aos clubes de origem, e a maioria destes clubes possuem já equipas de "scouting" estruturadas e presentes no terreno. 
Falta agora ir mais fundo e proibir as contratações, entre clubes que disputam a mesma competição no "mercado de Janeiro" ou com os campeonatos já a decorrer, bem como limitar o número de jogadores que cada clube pode incluir na sua folha salarial ou ter sob contrato.

quarta-feira, julho 04, 2012

Ainda a Cision e a medição do retorno dos patrocínios do futebol


Bom, a Cision insiste e por isso não me deixa espaço para não fazer o mesmo. Agora afirma que "as marcas que investiram na associação dos seus produtos ou serviços à selecção portuguesa viram o seu investimento ter um retorno de quase 100 milhões de euros" (98.5 milhões, para ser mais rigoroso e citando também o mesmo artigo). Sobre o mesmo assunto dos patrocínios desportivos, mas relacionado com os clubes portugueses de futebol, eis o que escrevi neste "blog" a 6 de Julho de 2009.  

“Segundo a Cision (empresa de monitorização de meios de comunicação citada hoje pelo “Público”), as nove principais empresas patrocinadoras da actividade “futebol”, em Portugal, alcançaram na última época um retorno de 433 milhões de euros face ao seu investimento (não menciona o investimento total mas fala de 43.7 milhões para os "três grandes" o que, portanto, não deve andar muito longe dos investimento total). Conclui ainda o “Público” que, em função desse retorno, investir no futebol é cada vez mais lucrativo. É uma conclusão errada, fruto de uma metodologia “de medida” inadequada e pouco rigorosa que converte o espaço e tempo de exposição, conseguidos pelas marcas nos diversos meios, em espaço publicitário valorizado a preços brutos “de tabela”. E porquê inadequada e pouco rigorosa?

Bom, em primeiro lugar porque se tratam de dois tipos diferentes de comunicação com funções específicas, cada uma utilizando linguagens também diferentes e de tipo distinto, que, portanto, não podem ser avaliadas pela mesma bitola. Em segundo lugar porque a metodologia utilizada considera que todo o espaço ou tempo da peça (escrita, reportagem TV, notícia de rádio, etc) onde a marca é mencionada é contabilizado para efeitos do cálculo do retorno, mesmo que a marca aí seja mencionada apenas uma vez ou “apareça” de forma difusa ou esporádica. Em terceiro lugar porque esse espaço e tempo são contabilizados em valores “brutos”, de “tabela”, e não líquidos de descontos, bónus, etc, o que tornaria o resultado bem diferente. Em quarto luga, porque a avaliação é apenas quantitativa e não qualitativa, isto é, não entra em conta com questões tais como a adequação à estratégia e “valores” da marca, compreensão e memorização da mensagem, etc. Em quinto lugar porque não mede os seus efeitos ao nível do consumidor e do mercado, isto é, quais as alterações que terá provocado no comportamento dos consumidores face a esse mercado, “categoria” de produto e marca (compra, recompra, hábitos de consumo, etc). Se quisermos ir mais longe, a montante não “mede” a adequação da marca ou do negócio patrocinador à actividade patrocinada - em termos de identidade de “valores” e imagem - identificação entre patrocinador e patrocinado, apropriação da actividade patrocinada pela marca patrocinadora na mente do consumidor, etc.

E depois termino:

"Como informação adicional, existem, hoje em dia, metodologias de "research" que permitem responder, com bem maior eficácia e rigor, a este tipo de questões, e que poderão constituir uma ferramenta essencial, ao nível das empresas e das marcas, na tomada de decisões sobre este tipo de investimentos".

Fica dito e repetido.

A enésima comissão de inquérito a Camarate

Devo dizer que começo por não entender muito bem a razão de ser das comissões de inquérito parlamentares à queda do avião que transportava Sá Carneiro, Amaro da Costa e outros passageiros em Dezembro de 1980, em Camarate. Em primeiro lugar porque penso a investigação deveria ter sido de imediato entregue a peritos de aeronáutica, um género de NTSB portuguesa, ou semelhante, caso exista por cá tal coisa ou, em alternativa, tivesse havido a possibilidade de o solicitar a um país estrangeiro. Tanto quanto julgo saber, não terá sido assim que se procedeu. Depois, porque só no caso dessa comissão independente de peritos concluir pela forte probabilidade da existência de crime deveriam o Ministério Público e as polícias ser chamadas a integrar a investigação: tanto quanto sei, ambas estas entidades estiveram envolvidas na investigação desde o início. Por fim, caso se concluísse pela existência de incúria, procedimentos incorrectos no transporte aéreo, falhas evidentes de segurança, etc, etc, caberia então aos deputados ouvir quem julgassem adequado e legislar ou propor recomendações no sentido de melhorar todos esses pontos e evitar a repetição de desastres ou crimes semelhantes. Logo aqui tudo nasceu mal, e o que nasce torto... 

E o resultado de tudo ter nascido torto foi que o assunto se transformou numa questão essencialmente política e não num inquérito destinado a averiguar e concluir, com rigor, das causas da tragédia e nomear e punir os responsáveis, se os houvesse. Agora lá teremos a enésima comissão de inquérito que irá, também pela enésima vez e desconhecendo eu os deputados tenham alguns conhecimentos técnicos ou científicos sobre aeronáutica ou investigação de acidentes que permitam se pronunciem, chegar ou não a uma conclusão, e caso cheguem sem que esta não venha ferida de total credibilidade. Tudo isto depois de se ter gasto mais algum dinheiro inutilmente. Não seria melhor CDS e PSD "declararem e mandarem publicar" que sim, que foi um crime, perpetrado por autores desconhecidos contra não se sabe bem quem (até poderá ter sido contra o piloto do avião) e acabava-se esta vergonha?

Nota: o que terá levado o PS a votar a favor de mais esta comissão de inquérito, em vez de, pura e simplesmente, se ter abstido? Confesso ter dificuldade em perceber o que espera conseguir de positivo, para si e para o esclarecimento do caso.

"Sonhar Era Fácil" - a comédia no cinema português (3/5)

"Sonhar Era Fácil", documentário de António Pedro Vasconcelos (2012)

"ab origine" - esses originais (quase) desconhecidos (36)

Mais um original de Jackie Edwards de um êxito do Spencer Davies Group: "Somebody Help Me". Curiosamente, embora escrito por Edwards, o tema apenas foi por ele gravado e editado posteriormente à gravação do Spencer Davies Group, mas não consegui confirmar a data exacta. 

O #1 do Spencer Davies Group em 1966