sábado, outubro 04, 2008

"Lipstick On Your Collar" (9)

"Lipstick On Your Collar" - Buddy Holly: "Raining In My Heart"

Roger Corman classics (23)

"The Wasp Woman" (1959)

Mercedes e ciganos...

Um amigo e colega de trabalho, inglês, residente em Lisboa no início dos anos noventa, dizia que a melhor publicidade que se poderia fazer à Mercedes era mostrar alguns dos táxis de Lisboa, que apesar da sua mais do que proveta idade continuavam a prestar bons serviços à comunidade e aos seus proprietários. Lembrei-me disto ao ler a notícia do "Expresso", citada pelo “Público”, sobre o facto da marca desaconselhar a venda de carros a membros da etnia cigana. Má decisão: comerciando os ciganos de terra em terra, de feira em feira, certamente precisam de um carro robusto, durável, pelo que a sua preferência pela Mercedes seria com certeza um bom contributo para estas características – reconhecidas – da marca. Mas parece que os seus representantes estão mais preocupados com a imagem de “prestígio”, upperclass, que pensam lhe está associada, achando que um Mercedes nas mãos de alguém de etnia cigana para isso nada contribui, muito pelo contrário. Nesse caso, resta-me aconselhar a marca a suspender as vendas a outros grupos, penso bem mais numerosos e também associados à preferência pela marca, a saber: “patos-bravos”, “socialites”, jogadores de futebol, traficantes de droga e outros membros da sociedade emergente. Pode até acontecer que deixem de vender carros, excepto talvez alguns Classe A, mas resolvem de uma assentada o problema da “imagem”. “Bute lá”?

A Comissária Paula Monteiro, a PSP e os jogos de futebol

Entre o início dos anos oitenta e 1995 assisti com alguma frequência a jogos de futebol em Inglaterra; em Londres, para ser mais preciso. Atravessei, portanto, nesses meus rituais de algumas tardes de sábado, toda a época negra do hooliganismo e fui assistindo às medidas tomadas para o debelar, entre as quais e elaboração de regulamentos que se cumpriram, a reconstrução dos estádios que iria culminar no Europeu de 1996, a criação da "Premiership" e a transformação do futebol num espectáculo para toda a família. Durante esse período, nunca assisti a claques transformadas em bandos de arruaceiros ostentando símbolos vagamente neo-nazis (a iconografia nazi é sempre garantia de fascínio para os mais novos ou intelectualmente menos dotados) caminhando para os estádios sob protecção policial, petardos lançados durante os jogos apesar de, no início, ainda existirem zonas nesses mesmos estádios de difícil controle, como os célebres peões atrás das balizas (o futebol, em Inglaterra, é um desporto com grande inserção na working class, e esses peões permitiam a existência de bilhetes muito baratos para os mais jovens), as entradas e saídas nas estações de metro eram feitas ordenadamente seguindo as indicações da polícia, etc, etc. Tudo isto se passava, como disse, há mais de dez anos, em alguns casos há mais de vinte.

Ora pergunto-me como é ainda hoje possível ver a comissária Paula Monteiro, de cada vez que há um jogo entre os chamados “grandes”, lançar alertas na televisão como se viesse aí, por mor de um simples jogo de futebol, o perigo de uma grave alteração da ordem pública, a polícia a conduzir os tais bandos de arruaceiros para os estádios o que, acho, só potência um ambiente de violência latente e onde entram munidos de toda a palafernália que mencionei, petardos a rebentar nas bancadas de estádios novinhos em folha e dotados de todos os modernos sistemas de controle e vigilância e tudo o mais que agora não quero dar ao trabalho de recordar. Como é possível, pergunto? A resposta é, infelizmente, muito simples: como em tudo na vida, são as pessoas que fazem a diferença. Principalmente, aquelas que dirigem.

sexta-feira, outubro 03, 2008

Traduções...

No episódio de ontem da série “Enemy at the Door”, transmitida pela RTP Memória e já aqui recomendada, uma das personagens principais, médico, perguntava a uma doente, no seu consultório, se ela não seria “doctor’s daughter”, ou seja, filha de um médico. Tradução da frase nas legendas: se ela não era “filha de um doutor”. Pergunta: “a frase era de tradução difícil”? Resposta: “não, bastava saber falar português corrente”!

"Lipstick On Your Collar" (8)

"Lipstick On Your Collar" - Gene Vincent: "Be-Bop-A-Lula"

Julgam que não ia falar do "meu" Benfica?

O “meu” Benfica joga e ganha com a mesma naturalidade e aparente facilidade com que Quique Flores conversa com os jornalistas sobre as suas opções técnicas, os seus jogadores, o futuro da equipa, o que fez e o que quer realizar. O contraste com o ar crispado e de mal com o mundo de Paulo Bento ou com a atitude de mestre escola de aldeia a querer agradar ao regedor de Jesualdo é por demais evidente. Para quem tiver dúvidas sobre a importância das lideranças, veja-se o contraste, também, com a desorganizada e caótica equipa de Camacho ou a “certinha” mas sem brilho e sem chama equipa de Fernando Santos. Claro que tem melhores jogadores (alguém os escolheu, não é assim?), mas só isso não é suficiente nem justifica tudo. Mas talvez o, até aqui, sucesso tenha começado no à vontade e know how profissional demonstrado por um tal Rui Costa na sua primeira conferência de imprensa. Lembram-se?

Anglophilia (51)





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Ainda o PSD e o Kosovo

Claro que para conhecer a opinião do Presidente da República sobre a questão do Kosovo, mais a mais tendo em atenção o cordial relacionamento de longa data entre ambos, bastaria a Manuela Ferreira Leite ter falado ao telefone com Cavaco Silva. Mas ao optar por solicitar uma audiência formal, a líder do PSD quis acima de tudo enviar ao partido e ao país sinais inequívocos de que, primeiro, a posição que iria propor ao partido teria o acordo e seria a mesma que a do PR, segundo, que o PSD, numa altura em que se fala abertamente de uma relação mais crispada ou menos consensual entre o governo e Cavaco Silva, continuaria a ser ainda o partido “natural” do PR, situação mais reforçada com a eleição de Ferreira Leite e o momento, aparentemente, mais turbulento do relacionamento entre São Bento e Belém. Mas como tudo tem também sempre um reverso, será que assim Ferreira Leite consolida a sua imagem de líder forte e com ideias próprias ou está apenas a tentar remeter para Cavaco a imagem incómoda de efectivo líder da oposição?