Os principais atletas portugueses, daqueles pertencentes a uma segunda linha mundial que em Jogos Olímpicos lutam para poderem classificar-se para as respectivas finais (Marco Fortes, Patrícia Mamona e Sara Moreira, entre outros) preferiram participar num desvalorizados campeonatos da Europa e trazer de lá umas "medalhitas" e classificações honrosas mas enganadoras, "pour épater le bourgeois", em vez de concentrarem a sua preparação nos Jogos Olímpicos, onde sabiam dificilmente poderiam alcançar classificações entre os oito ou, até, doze primeiros. Uma questão de opções...
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
sábado, agosto 04, 2012
sexta-feira, agosto 03, 2012
"Zorro est arrivé"?
Perante a possibilidade bem real de falhar o valor previsto de "déficit" para este ano, perante o risco de uma Espanha à beira do resgate, atrapalhado por um acordão desfavorável do Tribunal Constitucional e assim sucessivamente, tan, tan, tan, tan, na hora H "Zorro est arrivé", tentando salvar o governo com um relatório demagógico sobre as Fundações e umas tantas promessas e contas por confirmar sobre as parcerias público/privadas. É o regresso do vingador mascarado na sua versão "Correio da Manhã". Digamos que se queriam salvaguardar alguma credibilidade poderiam pelo menos ter começado por ser mais rigorosos no relatório sobre as Fundações. Assim, Zorro limita-se a um papel de aprendiz de salvador... Mas como Passos Coelho governa para os "simples", talvez não fosse de esperar muito mais.
3 notas 3 sobre uma manhã olímpica
- Para além do atletismo ser dos desportos com projecção mundial talvez o único onde a Europa está longe de ser o continente dominante, os campeonatos da Europa deste ano, disputados menos de um mês antes do início dos Jogos Olímpicos, não tiveram qualquer relevância em termos classificativos e de "amostra" para o que poderia acontecer nos Jogos de Londres: muitos dos melhores atletas optaram, pura e simplesmente, pela ausência. Por isso mesmo, é desonesto acenar com os títulos de vice-campeão ou vice-campeã da Europa (e etc) para provar a validade das candidaturas desses atletas a medalhados ou sequer finalistas olímpicos.
- É certo e mais do que sabido que os resultados dos lançamentos em Jogos Olímpicos e Mundiais são sempre, no seu conjunto, inferiores a muitos dos resultados conseguidos pelos mesmos atletas ao longo da época. O controlo "anti-doping" assim o determina. Comparar os resultados obtidos nessas condições com os melhores resultados obtidos nessa época é, pois, um disparate.
- Como é possível que Portugal envie aos Jogos Olímpicos um atleta cuja marca obtida nos 400 metros barreiras, nas eliminatórias, foi 51,40 segundos? Isto numa prova em que o "record" nacional é 48,77 segundos e na qual Portugal já conseguiu um 4º lugar, por José Carvalho, nos Jogos de 1976? Será que o combate ao desperdício tem apenas que ver com o populismo do relatório (aliás de credibilidade duvidosa) sobre as Fundações ou a muito propagandeada renegociação das Parceria Público/Privadas (da qual, aliás, ainda estamos para ver quais os resultados efectivos)?
quinta-feira, agosto 02, 2012
As memórias dos Jogos Olímpicos e a actual subalternização da política.
No fundo, se pensarmos bem, algumas das principais memórias desportivas dos Jogos Olímpicos, aquelas que ficaram para a História ou nos lembram, no presente, as grandes lutas desportivas do passado, estão também indissoluvelmente ligadas à luta política, ou têm uma determinada conjuntura política como os necessários referencial e pano de fundo que lhes deram essa dimensão "bigger than life". Exemplos? Jessie Owens em 1936, Berlim; o célebre jogo "blood in the water", de polo aquático, entre a Hungria e a URSS, em 1956, Melbourne, tendo como pano de fundo o esmagamento da revolução húngara; John Carlos, Tommie Smith e o "black power" nos jogos do México, em 1968; a final de basquetebol entre os USA e a URSS em 1972, em Munique; a luta entre Nadia Comaneci, de uma Roménia pouco alinhada com as teses de Moscovo, e as soviéticas nos jogos de Montreal; e até o incidente entre a a sul-africana Zola Budd, correndo pelo UK devido ao boicote à África do Sul, e a americana Mary Decker, nos 3000 metros obstáculos dos jogos de Los Angeles. Como pano de fundo, desde o final da WWII e até à implosão da URSS e do "bloco comunista", a luta pela hegemonia desportiva entre URSS, RDA e USA, que levou à criação de autênticos monstros de laboratório e à obtenção de marcas e registos que ainda hoje se mantêm e nos causam incredulidade.
Como vêm, nem sequer é necessário repescar questões políticas "stricto sensu", como boicotes, países não convidados por questões políticas, o massacre de Munique, as questões entre amadorismo e profissionalismo, também elas de natureza essencialmente política e social, para concluir da enorme carga política dos Jogos. Nada contra, claro: a política é parte essencial da vida e nunca um acontecimento desta magnitude poderia ou até deveria ficar fora dela. Ainda bem que não ficou e, no fundo, talvez seja mesmo a actual subalternização da política em favor da economia e das finanças uma das razões que têm vindo a contribuir para tornar os Jogos Olímpicos de 2012 dos mais desinteressantes de sempre.
quarta-feira, agosto 01, 2012
Sálvio, o SLB e os extremos
Devo dizer que entendo a perplexidade de muitos benfiquistas perante a contratação de mais um extremo, neste caso o jogador Sálvio, numa equipa onde as soluções para as alas atacantes parecem abundar. Mas se o entendo, devo dizer não partilho a 100% algumas das críticas. Porquê? Bom, vejamos...
Uma das críticas que mais frequentemente fiz neste "blog" à equipa na época passada teve a ver com a falta de desequilibradores/rompedores nas alas (quem me lê lembra-se disso), essenciais numa equipa que joga em " transições rápidas", principalmente quando defronta adversários que optam por um "bloco baixo". Pior, depois de Rodrigo, que fazia isso bem pelo meio, se ter lesionado em São Petersburgo, tal lacuna esteve na origem da falta de capacidade ofensiva evidenciada pela equipa em muitos jogos da segunda metade da época, situação agravada pelas medíocres prestações de Emerson e pela necessidade de Maxi avançar com pouco critério, expondo a equipa defensivamente. Se bem se lembram, na última época em que o "Glorioso" foi campeão existiam Ramires e Di Maria, dois jogadores que davam profundidade e verticalidade ao jogo da equipa. Perguntarão, com todo o cabimento, se não existiam Bruno César, Gaitán, Nolito e, até, Djaló? Sim, claro, mas se Djaló chegou tarde e é uma incógnita, Bruno César e Gaitán não são jogadores com essas características de desequilibradores/rompedores, capazes de dar ao futebol da equipa a verticalidade e profundidade necessárias (jogavam nos seus clubes de origem no "meio" e Bruno César até parece ir voltar esta época a essa sua posição), e Nolito, o único com algumas dessas características, jogando com o "pé contrário" acaba por ser mais um jogador de "diagonais", um segundo "ponta de lança" que surge das alas, ao estilo de David Villa, do que um ala "puro e duro".
Portanto, se olharmos com cuidado para as contratações/regressos deste ano, verificamos que, embora preenchendo teoricamente as mesmas posições, com Ola John, Enzo Perez e Sálvio, ou mesmo Melgarejo, quer este jogue a lateral-esquerdo ou na frente, estamos perante jogadores com características completamente diferentes de Gaitán, Bruno César ou até mesmo Nolito, e quanto a mim, independentemente do seu valor, bastante melhor adaptados aos princípios e modelo de jogo preconizados por Jorge Jesus. A pergunta será então "e porque foram contratados Bruno César e Gaitán" para lugares que não eram os seus? Bom, mas independentemente do valor já demonstrado por ambos e da sua utilidade já comprovada para o Sport Lisboa e Benfica, essa é a "pergunta de um milhão de dólares". Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira que respondam, se souberem.
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