terça-feira, agosto 04, 2009

10 clássicos de cine-esplanada (2)



"Oklahoma", de Fred Zinnemann (1955)

Arguidos, condenados e candidatos

Quando os direitos, liberdades e garantias definidores de um Estado de direito democrático estão em jogo, é bom que não se fique calado. Sejamos claros: apenas sentença jurídica transitada em julgado que o impeça pode limitar a candidatura de cidadãos a cargos políticos, desde que todas as outras condições exigíveis estejam preenchidas. Por isso mesmo, nada pode impedir Isaltino Morais ou qualquer outro cidadão constituído arguido, pronunciado, acusado ou condenado (peço desculpa de eventual menor rigor mas não sou jurista) de se candidatar a uma autarquia ou a um lugar de deputado, neste último caso, desde que um partido aceite incluí-lo nas suas listas.

Algo diferente é um partido ou grupo de cidadãos determinar incompatibilidades para a sua candidatura por essa organização, tal como Luís Marques Mendes o fez – e muito bem -, mas essa é uma decisão estritamente política que apenas a eles compete e diz respeito. Em última análise, compete aos eleitores decidir, com o seu voto, e à justiça julgar. Quando a moral, com a inerente hipocrisia, tende a substituir-se a critérios que deveriam ser apenas políticos e jurídicos, é caso para dizer que algo vai mal para a democracia e para a liberdade.

"Sealed with a kiss" - 20 garage party hits (4)

The Association - "Never My Love"

segunda-feira, agosto 03, 2009

Isaltino e o "povo da SIC"

Algo convém não esquecer no dia da condenação em 1ª instância de Isaltino Morais e no preciso momento em que caixas de comentários de "blogs", "sites" de informação e jornais “on-line” serão com certeza inundadas dos habituais insultos do “povo da SIC” sedento do sangue dos “ricos e poderosos” mas sempre com a memória curta, demasiado curta: quem elegeu Isaltino Morais durante mandatos sucessivos, com mais do que confortáveis maiorias, foram os eleitores, cidadãos portugueses residentes ou recenseados no concelho de Oeiras, ao que dizem, o concelho com maior número de licenciados no país. Foram eles, todos eles, que também foram hoje julgados e condenados. Tenham vergonha!

Não sabiam? Quem elege constantemente para seu presidente alguém com o perfil do autarca de Oeiras - tal como quem elegeu Hitler só poderia esperar algo de parecido com o genocídio e o holocausto - alguma vez pôde imaginar o resultado seria diferente ou se preocupou muito com o que, hoje, foi dado como provado?

Já agora. Se o julgamento teve condenados teve também um vencedor e espero ninguém o esqueça. Chama-se Luís Marques Mendes e foi o mais competente presidente do PSD dos últimos anos.

"Sealed with a kiss" - 20 garage party hits (3)

Len Barry - "1, 2, 3"

Beat (5)

"On Burroughs Work" - a poem by Allen Ginsberg
The method must be purest meat
and no symbolic dressing
actual visions & actual prisons
as seen then and now.

Prisons and visions presented
with rare descriptions
corresponding exactly to those
of Alcatraz and Rose.

A naked lunch is natural to us,
we eat reality sandwiches.
But allegories are so much lettuce.
Don't hide the madness!

sábado, agosto 01, 2009

As virtudes públicas da menina Amaral Dias

Na vida normal, a das pessoas comuns, é vulgar clubes de futebol aliciarem jogadores de equipas adversárias para mudarem de emblema. Todos os anos isso acontece e é anunciado nas páginas dos jornais, constituindo novela de entretenimento do defeso e fonte lucrativa da imprensa desportiva. Aliás, em muitos países, como no Reino Unido, existe até regulamentação que estabelece as respectivas normas legais.

Na vida normal, a das pessoas comuns, é prática no mercado empresarial as organizações aliciarem trabalhadores da concorrência para uma mudança de emprego, sejam directores, executivos, quadros, técnicos ou meros executantes. É bom que isso aconteça, pois esse é um dos modos de progressão na carreira e na sociedade e também de premiar os mais competentes e que mais se distinguem nas suas profissões. Também de promover as melhores empresas e de as fazer progredir. Está assumido que a confidencialidade é norma a ser seguida nesse tipo de assuntos e nunca ninguém pôs em causa tais procedimentos.

Na vida normal, a das pessoas comuns, as vedetas da rádio e TV, também muitos jornalistas da imprensa, mudam frequentemente de patrão. Em Portugal, da SIC para a RTP, de alguma destas para a TVI, desta para qualquer das outras e "ipso facto, vice-versa e paralelamente". As revistas do “coração” fazem mesmo disso capas e preenchem páginas intermináveis com tais “mexericos”. Nunca vi ninguém vir a público reclamar, ficar escandalizado ou queixar-se à entidade patronal com a qual tem contrato. Ou, vamos lá, à sempre tão propensa ao ridículo ERC.

No entanto, na vida “anormal”, preenchida pelos políticos que são gente de excelsas virtudes, direi mesmo candidatos a virgens vestais ou com direito a futuro lugar na santidade quiçá com ajuda adequada junto do Espírito Santo por intervenção do Sr. cardeal Saraiva Martins, estas práticas, aceites na sociedade, são repudiadas aos gritos de “vade retro, t’arrenego, satanás” e a menina Amaral Dias não é capaz de guardar delas o seu sacrossanto dever de confidencialidade. Normalmente, eu, cidadão comum que vivo uma vida normal, começo por desconfiar de gente assim, que gosta de alardear em público tão excelsas virtudes. Vícios privados? Espero bem que sim, pois, como pessoa comum e como tal condenada às profundezas do inferno, partilhá-lo com a visão, mesmo que fugaz e esporádica, da menina Amaral Dias sempre contribuiria para me amenizar as duras penas.

10 clássicos de cine-esplanada (1)

" The Flame and the Arrow", de Jacques Tourneur (1950)

"Sealed with a kiss" - 20 garage party hits (1)

Procol Harum - "A Whiter Shade Of Pale"