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segunda-feira, setembro 09, 2013

O "lobby" do Colégio Militar

Os ex-alunos do Colégio Militar querem mesmo preservar a tradição, o que seria louvável enquanto simbolismo se a soubessem adaptar a novos tempos e tal servisse de referência histórica para as novas gerações, ou manter um reaccionário regime de "apartheid" do tipo "rapazes para um lado, raparigas para o outro" ou "elite para o ensino liceal do "Colégio" e "ralé" para o ensino técnico dos "Pupilos"? Nada de "misturas", não é? Bom, conhecendo gente do "núcleo duro" ligado a tal campanha, não me espanta um pouco dessa ideologia reaccionária (bem mais do que apenas conservadora, quero fazer justiça aos conservadores) possa estar presente em alguns, não todos, desses espíritos. Mas faço justiça de pensar que, nem todos partilhando dessa visão da sociedade e do mundo, a fusão dos institutos militares de ensino é bem mais o pretexto e a ocasião ideal para possibilitar uma maior afirmação, fortalecimento e capacidade de actuação de um "network", um lobby" na sociedade portuguesa cuja influência, com as mudanças na estrutura classista da instituição militar e no actual perfil dos alunos do "Colégio", estaria destinada ao declínio ou apenas à exibição sem consequências da "barretina" na lapela dos casacos. No fundo, parece-me ser esta a única explicação lógica que justifica ver alguma gente inteligente a colaborar em tal campanha.

terça-feira, julho 10, 2012

O ministro Álvaro e os "lobbies"

Diz o ministro Álvaro Santos Pereira que "este governo não tem medo de ir contra os lobbies" (não sei bem porquê, o Jornal de Negócios escreve "lobbys"). É uma afirmação estúpida, já que em democracia ninguém pode governar sistematicamente contra os "lobbies" e uma boa governação implica mesmo saber determinar e escolher correctamente, a cada momento, qual a opção a tomar em função dos diversos interesses e forças em presença. É isto a política, e é exactamente também por isso que nos USA, uma referência democrática, a actividade de "lobbying" se encontra autorizada e devidamente regulamentada. Álvaro Santos Pereira, que passou parte da sua vida adulta no Canadá e tanto gosta de fazer gala das suas influências anglo-saxónicas nas formas de tratamento, deveria sabê-lo e evitar fazer demagogia dizendo disparates.