Existem dois acontecimentos, em certa medida paralelos, nos guiões de "Downton Abbey" e no "follow up" de "Upstairs, Downstairs", histórias separadas por cerca de 15 anos e pela distância entre uma "stately home" no Yorkshire rural e uma "town house" em Belgravia, que permitem estabelecer bem a diferença entre o pedantismo balofo, telenovelístico e bem comportado do "pastelão" de Julian Fellowes ("Downton Abbey") e a perversidade e, digamos que até, o carácter ligeiramente subversivo da história concebida por Heidi Thomas para a sequência de acontecimentos que têm lugar no imaginado número 165 de Eaton Place. Enquanto, no primeiro caso, a aristocrata (Lady Sybil), relativamente bem comportada mas com ideias "avançadas", se apaixona perdidamente, num amor puro e quase virginal, pelo "chauffeur" irlandês que luta pela justa independência do seu país, casam e só não têm muitos meninos porque Lady Sybil morre de parto, no caso de "Upstairs, Downstairs" Lady Persephone limita-se a um "affaire" de cama" com o "chauffeur" da família e, oh, perversidade das perversidades, muito pela beleza física deste e por via das suas simpatias por Oswald Mosley e a sua British Union of Fascists. Digamos que nenhuma destas pequenas narrativas fazem o essencial das respectivas histórias, mas, para além de um certo tom de comédia inteligente presente em "Upstairs, Downstairs", são suficientes para marcar bem uma diferença.
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
Mostrar mensagens com a etiqueta Upstairs Downstairs. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Upstairs Downstairs. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, novembro 04, 2013
domingo, outubro 20, 2013
A nova "Upstairs, Downstairs"
Estreou ontem na RTP2 o "follow up" de "Upstairs, Downstairs", cuja acção começa em 1936, cerca de sete anos depois de terminada a série original (que, salvo erro, terminava com o "crash" de 1929). Esta sequência da primeira série estará longe de ter o impacto da original (apenas duas temporadas num total de nove episódios), mas o primeiro episódio, ontem exibido, evidencia pelo menos duas situações interessantes da História de Inglaterra do século XX: as ligações de Wallis Simpson aos nazis, via Joachim von Ribbentrop, ministro dos Negócios Estrangeiros do Reich a partir de 1938, e a posição corajosa de Anthony Eden, que chegou a demitir-se do Gabinete em protesto contra a política de "apaziguamento". Quanto o resto, a série é "entretida" e vagamente divertida, descarta o pedantismo balofo e o estilo "telenovelesco" de "Downton Abbey" e do seu mentor Julian Fellowes e inclui ainda a minha favorita Keeley Hawes ("Spooks", "Tipping the Velvet" e "Murder in Mind").
Subscrever:
Mensagens (Atom)