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terça-feira, junho 21, 2011

Governadores Civis

Em vez de reunir a seu tempo com os Governadores Civis e de os informar que não tencionava renovar o respectivo mandato, o que é legítimo, ou mesmo que iria extinguir a função no cumprimento do que será o programa do governo, Passos Coelho anunciou ao que ia "por discurso", gerando uma onda de demissões e perdendo a iniciativa na condução do processo. Oh, senhor primeiro-ministro!, na próxima vez, antes de fazer o que quer que seja importa-se de pensar nas consequências?

Nota: Há males que vêm por bem: o "chumbo" de Fernando Nobre foi a oportunidade de Assunção Esteves. Bem esteve Maria de Belém ao afirmar que o nova Presidente da A. R. foi a sua primeira escolha. Penso o teria sido também de uma maioria dos portugueses.

segunda-feira, junho 20, 2011

Uma lição para Passos Coelho

A primeira lição que Passos Coelho deveria aprender: em política, a teimosia e o voluntarismo nem sempre dão bons resultados e o cumprimento estrito das promessas eleitorais, a "transparência e o "falar verdade" não são, por si sós, as únicas medidas para a avaliação positiva de um líder. Para além de, como dizia o "camarada" Mao, nunca se deverem travar batalhas que se sabem à partida perdidas. Foi uma autêntica derrota de principiante, numa cedência inútil ao populismo que o fará começar o mandato mais fragilizado perante o país e vendo a sua autoridade afectada face ao governo. 

Quanto a Fernando Nobre, irá arrastar-se, humilhado e sem autoridade, na Assembleia da República até vir a ser, o mais discretamente possível, substituído. Mas esta será, também para si, uma lição que jamais esquecerá e que, além de pôr termo a quaisquer veleidades políticas futuras, não deixará de ter repercussões na sua actividade profissional e na da organização (AMI) que dirige.

quarta-feira, junho 15, 2011

Fernando Nobre: e agora?

Parece-me enorme erro Passos Coelho sujeitar-se a uma derrota e expôr Fernando Nobre a uma humilhação apresentando-o na eleição para a presidência da Assembleia da República apenas para "cumprir uma promessa". Caso Nobre não demonstre inteligência suficiente para decidir retirar-se, o líder do PSD deveria tentar chegar a um acordo "honroso" com o presidente da AMI e apresentar um candidato credível  e prestigiado para a presidência do parlamento. Penso a democracia, a política e, consequentemente, todos nós ganharíamos com isso. 

terça-feira, junho 14, 2011

Um Nobre problema

O modo como vai resolver o problema Fernando Nobre (um problema que, lembre-se, ele próprio criou), mantendo a sua candidatura à presidência da Assembleia da República, optando por "desviá-lo" para uma pasta ministerial como Saúde ou Segurança Social (só de imaginar, percorre-me um frémito de angústia...) ou, pura e simplesmente, "dando-lhe um pontapé para cima" criando um qualquer cargo inócuo mas à medida do desmesurado ego do médico urologista e presidente da AMI, dirá alguma coisa sobre a personalidade de Passos Coelho como primeiro-ministro e o modo como irá desempenhar o respectivo cargo. Como há pouco me dizia um amigo (aliás, simpatizante do PSD) o ideal seria uma tirada à Salazar, do género: "sabe, senhor doutor, agradeço muito a sua disponibilidade mas, como não tive maioria absoluta, tenho de negociar com o CDS, que se mantém irredutível. Mas não se preocupe, pois tenho para si planos à altura da consideração e respeito que o senhor me merece e que por certo darão a v.exª a projecção que lhe é devida".

Ora nem mais; sem tirar nem pôr!  

terça-feira, abril 19, 2011

Fernando Nobre: e se mudássemos de assunto?

Para já, pelo menos enquanto mais nenhuma sua acção, omissão ou declaração o volte a justificar, penso a entrevista à RTP1 do passado domingo deveria encerrar o "caso" Nobre como matéria de discussão política relevante. Pelo menos nos termos em que tem sido até aqui colocada, isto é, nas suas opções contraditórias, na sua impreparação para o lugar que pretende ocupar, na sua ânsia de protagonismo, no conteúdo populista do seu discurso, etc, etc. Nesse campo, penso terem os portugueses ficado esclarecidos, ou pelo menos terem matéria para tal, e tudo o que seja continuar a "chover no molhado" poderá ter o condão de actuar no sentido inverso, transformando o "pecador" em mártir ou cordeiro pascal (é da época...).

Como aqui afirmei a propósito da entrevista a Fátima Campos Ferreira, ocupando Fernando Nobre o lugar mais importante nas listas de candidatos do PSD e tratando-se de uma eleição para a Assembleia da República, de onde sairá o futuro executivo, e não de uma eleição presidencial, seria agora tempo de confrontar Fernando Nobre e os restantes candidatos mais relevantes de todos os partidos concorrentes com questões do foro político stricto sensu. Isto não significa que todas as dúvidas levantadas e críticas surgidas a propósito da candidatura de Fernando Nobre não tivessem, em si mesmo, relevância política. Nada disso: a sua relevância política é e foi inquestionável. Mas uma vez esgotadas - e acho, pelo menos para já, o estão - é importante que o candidato (e os candidatos: lembro que o "cabeça de lista" do PS por Lisboa é alguém com a relevância e densidade política de Ferro Rodrigues) seja também confrontado com a política "pura e dura", com as opções sobre as quais irá(?) ter que se pronunciar na futura Assembleia da República. E, convém lembrar, foi a eleição de Passos Coelho como sucessor de Ferreira Leite que repôs a política, em vez dos "escândalos", dos "casos" e da "moral", no lugar de onde nunca deveria ter saído.

segunda-feira, abril 18, 2011

A entrevista a Fernando Nobre: então e a política?

Sim, eu sei que a actualidade era o facto de Fernando Nobre ter aceite a candidatura a deputado em função da possibilidade de vir a ser eleito Presidente da Assembleia da República e de ter declarado que renunciaria ao mandato se não conseguisse tal objectivo. Também, claro, a sua (não) preparação para tal lugar, o seu ziguezaguear ideológico e o facto de ter sido convidado por mais de um partido. Sim, eu sei que isso é que era notícia e era a essas questões que os portugueses esperavam ouvir respostas. Mas, caramba!, o homem é "cabeça de lista" por Lisboa (o círculo eleitoral mais importante) e concorre pelo partido que lidera as sondagens! Por esse motivo, talvez tivesse sido importante que Fátima Campos Ferreira tivesse guardado algum do seu  tempo de entrevista para alguma perguntas de carácter mais político, como, por exemplo, que pensa Nobre da crise da UE e do Euro, da situação económica e financeira, do serviço nacional de saúde e da educação, que estratégias acha adequadas para o futuro do país, etc, etc. É que o cidadão Fernando Nobre propõe-se assumir o segundo lugar na hierarquia do Estado, um lugar eminentemente político, caramba! Assim, na ausência dessas perguntas, gorou-se a oportunidade de conhecer um pouco do pensamento de Fernando Nobre sobre esse tipo de assuntos. Talvez o seu lugar vazio!  

domingo, abril 10, 2011

Nobre

Bom, para o PSD a candidatura de Fernando Nobre teve para já uma virtude: preencher algum espaço mediático num dia em que ele tenderia a ser preenchido quase a 100% pelo congresso do PS e discurso final do seu líder. Ficar-se-á por aqui?

Vejamos: a fraca campanha e inexperiência política revelada por Nobre nas presidenciais não augura de facto nada de muito brilhante, principalmente porque agora estamos perante eleições legislativas onde a política "pura e dura" estará no posto de comando. Mais ainda quando como adversário estará um político experimentado e com capital de simpatia pessoal como Ferro Rodrigues, capaz de captar votos à esquerda do PS e não só. Por outro lado, a "conversão" de Fernando Nobre a candidato partidário e algum oportunismo que a apresentação desta sua candidatura nas listas do PSD pode revelar parecem estar a gerar algum desconforto junto de alguns sectores da direita. Também os seus zigue-zagues políticos não deixarão de fornecer armas de arremesso ao PS e principalmente ao BE, de quem Nobre foi mandatário nas Europeias de 2009. No mínimo, é uma jogada bem arriscada de Passos Coelho, que pode tender a mostrar algum desespero mas também eventualmente a colher alguns benefícios. Veremos o que nos dirão as próximas sondagens, mas o problema é que me parece o actual avanço do PSD nunca recomendaria estas jogadas de risco (nem o partido delas necessitaria).

Já agora: uma coisa eu, como cidadão, critico abertamente: a possibilidade do PSD entregar o segundo lugar na hierarquia do Estado a alguém sem qualquer experiência política e que tem demonstrado um percurso errático nessas suas convicções. Se a apresentação da sua candidatura a deputado pode constituir um risco político, tal é coisa que só ao PSD diz respeito. Mas a perspectiva de Fernando Nobre ascender a Presidente da Assembleia da República já é uma questão que envolve todos os portugueses e revela algum menosprezo pelas instituições democráticas. Espero bem Passos Coelho pondere tal intenção.