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domingo, fevereiro 03, 2008

D. Manuel II e Gaby Deslys - ou como nunca é tarde para aprender




Marie-Elise Gabrielle Caire (aka Gaby Deslys). (1881 - 1920)

Como o fim de semana é dado a estas curiosidades magazinescas e muito se tem falado da monarquia e do casamento Sarkozy/Bruni nestes últimos dias – e também como, parafraseando José Pacheco Pereira, nunca é tarde para aprender – esta é Gaby Deslys, actriz e bailarina que foi amante de D. Manuel II, relacionamento começado em 1909 ainda este era rei de Portugal, solteiro e outros dirão se bom rapaz. Para quem não sabe, D. Manuel foi casado de 1913 até à sua morte em 1932 com Augusta Vitória Hohenzollern-Sigmaringen, sua prima em 2º grau e ela própria familiar de Estefânia Hohenzollern-Sigmaringen, mulher de D. Pedro V, tio avô de D. Manuel II. O relacionamento entre rei e bailarina chegou a causar algum escândalo, talvez não por ele, pela razão de existir o que era bem comum na época (vidé Eduardo VIII e Alice Keppel), mas pelos presentes extravagantes que um rei em dificuldades para manter o trono e depois exilado lhe terá oferecido, entre os quais se conta, ao que dizem e não sei se será apenas propaganda republicana, um colar de pérolas então avaliado em US$ 70 000. Gaby era considerada na época um fenómeno mediático e uma das mulheres europeias mais elegantes, tendo vivido rodeada de alguns mistérios e escândalos (durante algum tempo existiram dúvidas quanto às suas origens) e feito uma considerável fortuna, claro. Morreu em 1920, em Paris, vitimada pela epidemia de gripe espanhola e deixou a sua fortuna aos pobres de Marselha e a sua casa na Corniche (Côte d’Azur) a uma instituição de caridade.

sábado, fevereiro 02, 2008

Sarkozy s'est marié

Houve tempos ("there was a time") em que príncipes (normalmente de principados perdidos) e playboys de segunda ou sabe-se lá de que escolha, latinos ou não quanto baste, protegidos de ditadores, gentlemen drivers de ocasião, casavam ou mantinham affaires, quando não apenas de cama, de diamantes e pérolas, com artistas de cinema e coristas, pin ups e aspirantes a divas, caça fortunas de ocasião. Parece que a moda passou para presidentes eleitos, mas também agora as coristas, travestidas de “modelos”, passaram a ter algum pedigree.

Não sei muito bem – ainda - o que isto quer dizer, e o fim de semana não é lá muito propício a elucubrações filosóficas. Mas há algo aqui de que não gosto, que me cheira a pechisbeque de ocasião, a demasiada futilidade assumida, muito Dom Perignon borbulhante por quem assumiu o lugar por uma escolha, nossa, e não por sucessão de uma qualquer dinastia, ou designação caudilhista. Por quem governa a França e não uma qualquer Bordúria ignota, representa um pouco da Europa e não uma qualquer San Théodorus.

Pois, há algo aqui que me escapa... e não será certamente o amor.