- Desde que, no caso das "escutas", optou conspirar contra o governo legítimo da República e, depois, aceitou dar posse, nas circunstâncias de então, que o desaconselhavam, a um governo minoritário, passando de seguida a atacá-lo em cada uma das suas intervenções e assim contribuindo para a sua queda, que Cavaco Silva hipotecou quaisquer hipóteses, se alguma vez as teve, de desempenhar um papel de moderação, arbitragem e conciliação na cena política. Se qualquer sorriso na face de Cavaco Silva se assemelha sempre a um esgar, a partir daí qualquer apelo a um consenso, seja lá em que termos for, transformou-se num convite de Lobo Mau travestido de Capuchinho.
- Na sua mensagem de Ano Novo Cavaco Silva colou-se à "narrativa" do governo? Sim, mas muito pior do que isso: colou-se, mais uma vez, ao discurso anti-políticos e anti-partidos, optando por considerar um tal "interesse nacional", supostamente supra-partidário mas identificado com a estratégia da maioria, como elemento virtuoso e oposto à "mesquinhez" dos interesses partidários. Ora Cavaco Silva sabe que com este discurso, em vez de exercer a acção pedagógica que deveria ser apanágio do Presidente da República, está a ir ao encontro das ideias populistas e anti-democráticas dominantes em largos sectores da população.Mas como ninguém pode ser quem não é, Cavaco Silva não resistiu à tentação de tentar uma espécie de "dois em um": defender o "seu" governo e melhorar a sua imagem. Nada de novo.
- Se ao considerar que existe acima dos interesses legítimos e muitas vezes contraditórios dos partidos, instituições, cidadãos, etc, um chamado "interesse nacional", Cavaco Silva está a negar a própria essência da democracia, que dizer da sua afirmação considerando "a liberdade e os direitos de cidadania não foram postos em causa"? Será que com elevados níveis de emigração, empobrecimento e desemprego, com diminuição de direitos e cortes de salários e pensões, aumento das desigualdades, a liberdade, os direitos de cidadania e a própria iniciativa empresarial não estão a ser, no mínimo, gravemente mitigados? Pois... temos aqui mais uma confirmação, se necessário fosse, das convicções democráticas e liberais de Cavaco Silva. Também nada de novo, infelizmente.
Eu sou o Gato Maltês, um toque de Espanha e algo de francês. Nascido em Portugal e adoptado inglês.
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quinta-feira, janeiro 02, 2014
Cavaco Silva: sempre igual a si próprio
quarta-feira, janeiro 02, 2013
5 notas 5 sobre a Mensagem de Ano Novo do Presidente da República
- Quem se der ao trabalho de ler ou ouvir com atenção a mensagem de Ano Novo do Presidente da República verá que toda ela é construída com um objectivo principal: conseguir um aumento significativo dos seus índices de popularidade em futuras sondagens. Está lá tudo o que é caro a uma larga maioria da opinião pública: a preocupação com o crescimento económico e o risco de uma espiral recessiva; o desemprego, especialmente dos jovens; a necessidade de conseguir crédito em melhores condições, fazendo ouvir a voz do país na União Europeia; o apelo à unidade, ao "diálogo" e ao "consenso", sempre tão do agrado aos portugueses; a preocupação com a equidade dos sacrifícios; o envio de algumas normas do Orçamento de estado para fiscalização constitucional. Que, no seu conjunto, não se vislumbre qualquer outro tipo de coerência política entre os elementos que constituem esta sua mensagem, é outra questão bem diferente, como também ignoramos se este "piscar de olho" à opinião pública se destina a fortalecer a instituição presidencial e o actual ocupante do cargo no início de um ano que se apresenta como muito difícil e pode vir a tornar-se dramático. Digamos que os "crentes" tenderão a acreditar em tal coisa. Eu, que desde longínquos tempos de relação aluno/professor não nutro por Cavaco Silva particular entusiasmo, tendo a acreditar ser mais uma questão de ego.
- Incongruência? Não tanto por ter dúvidas sobre a constitucionalidade do Orçamento de Estado e não ter optado pela fiscalização preventiva: enfim, algumas normas serão enviadas para fiscalização sucessiva e o facto de o Presidente da República o fazer, e não só os deputados, dará ao acto força política acrescida. Fundamentalmente por, e a levar a sério a sua mensagem de Ano Novo, Cavaco Silva se manifestar contra a política recessiva, a equidade questionável nos sacrifícios, o desemprego jovem, a pobreza e o agravamento das divisões entre os portugueses e promulgar um orçamento que todos sabemos irá agravar tudo isso. Para ser coerente, e aqui estou de acordo com o PCP e o BE - acontece - Cavaco Silva deveria ter exercido o seu direito de veto político.
- Cavaco Silva faz-me lembrar a história do Dr. Frankenstein e do monstro: criou laboriosamente este governo que desde sempre tende a fugir-lhe ao controlo. Falhou-lhe Ferreira Leite.
- Governo de iniciativa presidencial no horizonte, seja lá o que isso for? Pelo que conheço de Cavaco Silva e pelo que todos aprendemos com a sua já longa vida de governante, quererá sempre pairar sobre a política como um não-político e, portanto, não me parece arrisque um envolvimento desse tipo. Irá navegar à "vista", esforçando-se por se manter à tona. É da sua natureza e é isso que sabe fazer bem.
- Será bem mais interessante ver qual o impacto que esta mensagem do Presidente da República terá na actuação política do PS nos próximos meses do que propriamente pensar nos reflexos ela irá no governo. Neste último, arrisco que nenhuns; mas o mesmo já não direi em relação ao PS, onde me parece constituirá mais um fio na teia onde a direcção do partido teima em enredar-se.
terça-feira, janeiro 01, 2013
Um Bom Ano para todos! (3)
Vienna New Year's Concert 2012 - Vienna Philharmonic - Radetzky-March, op. 22
segunda-feira, janeiro 03, 2011
2011
Deixemo-nos de dispersões, fantasias e devaneios. O principal objectivo para 2011 é cumprir escrupulosamente com o que se encontra inscrito no Orçamento de Estado. E já a partir do primeiro trimestre, escusado será acrescentar. Esta é a questão-chave, sem o cumprimento da qual tudo o resto não passará de uma ou várias ilusões. E, como sabemos, para isso temos os sonhos, os livros e os filmes (e para os menos exigentes as telenovelas e as revistas do coração).
sábado, janeiro 02, 2010
A comunicação de Ano Novo do PR, a "verdade" e a "situação explosiva"
Uma questão (talvez a única), quanto a mim importante, que releva da mensagem de Ano Novo do Presidente da República é se, não se tratando de um comentário de Henrique Medina Carreira ou de uma crónica de Vasco Pulido Valente, muito menos das previsões da astróloga Maya, mas de uma comunicação aos portugueses do Supremo Magistrado da Nação, deve este utilizar expressões de tal gravidade ou potencialmente geradoras de algum alarme social como “podemos estar a caminhar para uma situação explosiva”. Principalmente sabendo nós todos que, embora o país esteja numa situação de extrema fragilidade (enfrenta uma necessidade inadiável de modernização social e económica – o seu principal objectivo – simultaneamente enfrentando graves problemas nas suas contas públicas, emprego e desigualdade social que muito condicionam o caminho para que se alcancem esses objectivos), a situação está longe de atingir o dramatismo da Irlanda (onde, apesar de tudo, não existe qualquer situação explosiva) ou até mesmo da bem mais comparável Grécia. Quanto a mim, seria de bom senso exigir a alguém que ocupa transitoriamente as funções de Presidente da República, sem prejuízo das exposição clara das suas ideias, responsabilidade política suficiente para evitar o dramatismo de tais expressões.
Dir-me-iam então: e não devem os políticos falar sempre verdade aos portugueses? Bom, independentemente do conceito de verdade absoluta conter em si mesmo algo de totalitário (haverá uma só verdade? “A verdade é só uma, Rádio Moscovo não fala verdade” - lembram-se?), para além da verdade ou inverdade das afirmações de Cavaco Silva na sua mensagem de Ano Novo - e já exprimi a minha opinião de que sendo grave e devendo ser enfrentada sem tibiezas, a situação actual estou certo não atingirá tais píncaros de dramatismo - e também independentemente de poder interrogar-me sobre se o presidente Aníbal Cavaco Silva terá sempre falado verdade aos portugueses (olhe que não...olhe que não!...), em termos gerais e abstractos a minha resposta terá de ser negativa: não! Por muito que isso possa parecer uma heresia numa época em que a coscuvilhice é rainha, não é absolutamente necessário, nem, muito menos, um dado adquirido, que os políticos devam dizer sempre a verdade aos seus concidadãos. Haverá ocasiões, e existem inúmeros exemplos disso ao longo da História mesmo vindos da parte de políticos e estadistas de excepção (no bom sentido, note-se!), em que, por questões de vária ordem, muitas vezes em situações dramáticas e mesmo em favor do bem comum, será preferível alguma contenção, por vezes meia verdade ou até uma pequena ou grande mentira. Aliás, devo dizer que não só o brandir da tal "verdade" está muitas vezes associado ás maiores tragédias da História, como o aceno sistemático dessa mesma “verdade”, como arma política, esconde normalmente, isso sim, alguma insuficiência nessa mesma luta política, um pouco de incapacidade para o debate das ideias, para o contraditório democrático, para o encontrar de soluções conjunturais negociadas entre quem tem da sociedade visões diferentes e, por vezes, até contraditórias ou antagónicas. Portanto, é essa “verdade” absoluta e insofismável por si apregoada um dos maiores obstáculos ao diálogo e aos acordos que O Presidente da República parece querer atingir.
Vindo de quem vem, nada de novo neste “país de tristes”. Mas por certo já teria sido tempo de ter aprendido...
Dir-me-iam então: e não devem os políticos falar sempre verdade aos portugueses? Bom, independentemente do conceito de verdade absoluta conter em si mesmo algo de totalitário (haverá uma só verdade? “A verdade é só uma, Rádio Moscovo não fala verdade” - lembram-se?), para além da verdade ou inverdade das afirmações de Cavaco Silva na sua mensagem de Ano Novo - e já exprimi a minha opinião de que sendo grave e devendo ser enfrentada sem tibiezas, a situação actual estou certo não atingirá tais píncaros de dramatismo - e também independentemente de poder interrogar-me sobre se o presidente Aníbal Cavaco Silva terá sempre falado verdade aos portugueses (olhe que não...olhe que não!...), em termos gerais e abstractos a minha resposta terá de ser negativa: não! Por muito que isso possa parecer uma heresia numa época em que a coscuvilhice é rainha, não é absolutamente necessário, nem, muito menos, um dado adquirido, que os políticos devam dizer sempre a verdade aos seus concidadãos. Haverá ocasiões, e existem inúmeros exemplos disso ao longo da História mesmo vindos da parte de políticos e estadistas de excepção (no bom sentido, note-se!), em que, por questões de vária ordem, muitas vezes em situações dramáticas e mesmo em favor do bem comum, será preferível alguma contenção, por vezes meia verdade ou até uma pequena ou grande mentira. Aliás, devo dizer que não só o brandir da tal "verdade" está muitas vezes associado ás maiores tragédias da História, como o aceno sistemático dessa mesma “verdade”, como arma política, esconde normalmente, isso sim, alguma insuficiência nessa mesma luta política, um pouco de incapacidade para o debate das ideias, para o contraditório democrático, para o encontrar de soluções conjunturais negociadas entre quem tem da sociedade visões diferentes e, por vezes, até contraditórias ou antagónicas. Portanto, é essa “verdade” absoluta e insofismável por si apregoada um dos maiores obstáculos ao diálogo e aos acordos que O Presidente da República parece querer atingir.
Vindo de quem vem, nada de novo neste “país de tristes”. Mas por certo já teria sido tempo de ter aprendido...
sábado, dezembro 26, 2009
Mensagens de Natal e Ano Novo
Se números sobre as audiências das mensagens de Natal e Ano Novo das várias personalidades públicas são medidos e disponibilizados pela audiometria, seria interessante avaliar- e é possível fazê-lo – qual a percentagem da audiência efectiva que conseguiu reter e é capaz de reproduzir a linha geral de alguma dessas comunicações ou recorda alguma das ideias nelas contidas.
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