sexta-feira, agosto 09, 2013

"Silly Season" - Elvis Presley & Shelley Fabares (1)

Elvis Presley & Shelley Fabares - "Spring Fever"

"Swaps": demasiado ruído

Ora vamos lá ver, uma vez que existe já demasiado ruído sobre o assunto...

Nada existe de ilícito, incorrecto ou muito menos de ilegal no facto de uma entidade financeira tentar vender produtos do tipo "swap" ao Estado, embora já me pareça, no mínimo, pouco ético que o faça tendo como principal "selling proposition" o facto desses produtos permitirem "mascarar"as contas públicas. O que está errado e é completamente inaceitável é:
  1. O Estado comprar produtos financeiros especulativos e/ou de alto risco susceptíveis de, com elevado grau de probabilidade, virem a prejudicar seriamente esse próprio Estado e, por acréscimo, o país, os cidadãos e os contribuintes. Escusado acrescentar que deve estar vedado o exercício de funções governamentais a quem teve responsabilidades directas nessas eventuais decisões de compra, tenha ou não agido com dolo.
  2. Alguém que exerceu funções directas e de responsabilidade em entidades financeiras que propuseram ao Estado a compra de produtos destinados a "mascararem" as contas públicas alguma vez vir a exercer funções de responsabilidade no governo ou na direcção de organismos e empresas públicas.
Como é óbvio, e para que não haja confusões, nada disto tem a ver com o Estado não ser livre de contratar o seu pessoal dirigente e executivo entre os quadros da banca privada ou de empresas financeiras. Pode e deve fazê-lo desde que se cumpram condições suficientes de ética e idoneidade e essas contratações constituam uma mais valia para o serviço público.

quinta-feira, agosto 08, 2013

Futebolzinho

O futebol português é isto: em dois jogos e a jogar contra dez durante cerca de 80 minutos, o G.D. Estoril-Praia, 5º classificado do último campeonato português, apenas conseguiu marcar um golo, e de "penalty", ao despromovido último classificado do campeonato de Israel. 

"Silly Season" - Frankie Avalon & Annette Funicello (3)

Frankie Avalon & Annette Funicello - "Beach Party Tonight"

Oscar Cardozo e os jornalistas-talibans.

Nos países mais evoluídos e civilizados, até um homicida, mesmo um "serial killer, tem direito a um julgamento justo e, depois de cumprir a pena, mais ou menos pesada, a que for condenado, tem oportunidade de se redimir e reintegrar na sociedade. Em Portugal, a condenação máxima será de vinte e poucos anos e, no caso de bom comportamento, uma vez cumprida metade da pena o preso pode ter direito a usufruir de liberdade condicional, o que facilita, e ainda bem que assim é, a sua reintegração social.

Infelizmente, parece que para muitos jornalistas desportivos que julgam carregar às costas a justiça e a moral do mundo, autênticos "puritanos" da alma e "talibans" dos comportamentos, alguns atletas profissionais, mais concretamente jogadores de futebol, não só não têm direito a julgamento imparcial e justo, como são condenados à partida, nas páginas dos jornais, nas rádios e nas televisões, ao degredo, ao exílio, ao banimento ou até, no limite e quais hereges de antanho, a serem queimados nas fogueiras dos seus (jornalistas) tempos de antena.

O profissional Oscar Cardozo teve, após o jogo da final da Taça de Portugal, um comportamento público grave e condenável, desrespeitando a sua hierarquia e o clube onde exerce a sua profissão. De acordo com a lei, compete ao clube proceder a averiguações e, sendo caso disso, levantar o respectivo processo disciplinar, findo o qual deve ser definida a respectiva penalização. Tarde ou cedo, melhor ou pior, foi isto que foi feito. Cumprida essa penalização, compete agora também ao clube averiguar se existem ou não condições para a plena reintegração do atleta na estrutura e no grupo de trabalho de que faz parte. Penso apenas o clube - e estou a falar de administração, direcção, equipa técnica, etc - estará na posse de todos os elementos necessários a uma decisão. Tudo o que vá para além disto, incluindo, claro está, o julgamento e condenação sumários no espaço mediático, é tão caracteristicamente troglodita, como quaisquer cânticos entoados no estádio pedindo o regresso do jogador. Com uma atenuante para os autores dos cânticos: ao contrário do que acontece com jornalistas, comentadores e "ofícios correlativos", ninguém lhes pede conhecimentos, imparcialidade e que estejam acima das emoções do momento. Estamos conversados?   

O tal "empobrecimento" é isto

Os últimos números do INE sobre a criação de emprego (aqui e aqui) são bem o retrato do que significa o tal "regresso à agricultura" e do futuro para onde o governo e a "troika" pretendem conduzir Portugal: um país de empregos desqualificados e mal pagos, sazonais e/ou de enorme precariedade e produzindo bens de baixíssimo valor acrescentado. No fundo, o caminho inverso àquele que Portugal deveria seguir para se aproximar dos Estados mais desenvolvidos e civilizados da UE. Para quem tinha do tal "empobrecimento" uma visão puramente teórica e abstracta, aqui estão os factos reais e concretos: empobrecer é isto, e ainda agora a procissão não saiu da igreja.

quarta-feira, agosto 07, 2013

4ªs feiras, 18.15 h (s/n) - "Nouvelle Vague" (reposição)

"A Bout de Souffle", de Jean-Luc Godard (1960)
Filme completo c/ legendas em inglês

"Silly Season" - Frankie Avalon & Annette Funicello (2)

Annette Funicello - "Pyjama Party"

A "troupe" de "faz-tudos"

Oiço alguns dirigentes políticos (eu disse, "alguns") e cada vez acho se parecem mais com aqueles participantes nos programas sobre futebol, um de cada clube, ao mau estilo "Trio d'Ataque", capazes das figuras mais ridículas e infantis, dos raciocínios mais abstrusos, de abdicarem de qualquer dignidade e integridade (se é que as têm), sem qualquer ponta de noção do ridículo, para defenderem quem lhes paga e dá oportunidade de ali estarem. Exceptuando o caso de meia dúzia de fanáticos para quem o partido é o "seu" clube, não me parece seja isto os portugueses esperam de quem os governa.

Claro que me lembrei disto ontem ao ver a conferência de imprensa do secretário de Estado Pedro Lomba (mas de Pedro Lomba seria de esperar muito mais?) e a argumentação do governo, de fazer rir o mais sisudo, perante as trapalhadas do secretário de Estado Pais Jorge. Enfim, valha-nos que perante tal cena, digna de qualquer "troupe" de "faz-tudos" (sem qualquer ofensa para os ditos) do velho Coliseu dos Recreios da minha infância, até José Gomes Ferreira teve oportunidade de brilhar a grande altura. Digamos que já sem a obrigação daquelas ridículas entrevistas/propaganda a Estela Barbot, Gomes Ferreira fica a agradecer ao governo este seu momento.