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quinta-feira, junho 16, 2011

O chefe de gabinete de Passos Coelho

Francamente, e ao contrário de muita gente, não consigo ver nada de especialmente positivo no facto do anunciado futuro chefe de gabinete de Passos Coelho, Francisco Ribeiro de Menezes, ter trabalhado com  Jaime Gama e transitado do gabinete de Luís Amado. Antes pelo contrário: tratando-se de lugares políticos, a mensagem que transmite é a do chamado "pântano do bloco central dos interesses", da promiscuidade ideológica e não de uma clara separação de águas, como parece estar agora felizmente a acontecer, entre os dois partidos-âncora da democracia portuguesa. Compreendo Passos Coelho precise de se apoiar em alguém experiente, mas penso teria sido preferível uma outra solução.

Significativamente, Gama e Amado são dois dos dirigentes mais "atlantistas" do PS, e que decidiram exactamente agora abandonar a vida política activa...

segunda-feira, novembro 15, 2010

"Estados de alma", senhor ministro Amado?

Claro que toda a gente tem direito a ter “estados de alma”, senhor ministro Luís Amado. Faz parte da condição humana e bem mais preocupado ficaria se não os tivesse, mesmo que exercendo episodicamente o cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros do meu país. Ainda bem que os tem, e fico assim bem mais descansado por saber ser governado por alguém como eu (digamos que um pouco mais inteligente, caso contrário não seria ministro) e não por um “robot”. Uff!!!

Mas já posso, devo e tenho mesmo o direito de lhe exigir a si, enquanto Ministro dos Negócios Estrangeiros do meu país e a quem pago uma parte do ordenado, que guarde lá esses desabafos sobre os seus “estados de alma” para a intimidade dos mais próximos, e não os partilhe com o primeiro jornalista que lhe apareça pela frente. É que - não sei se já reparou - nesse caso esses seus “estados de alma” deixarão imediatamente de o ser, passando a opinião política com o peso que lhe é atribuído pelo cargo que ocupa, e eu espero muito, mas mesmo muito (tenho mesmo o direito de lhe exigir – isso mesmo, exigir), que o meu país, onde por azar nasci fruto de circunstâncias fortuitas, não seja governado por “estados de alma”, mas sim por uma estratégia política tanto quanto possível correcta, definida pelo governo de que faz parte, e por acções que consequentemente a ponham em prática. Isso mesmo, senhor ministro Luís Amado, não quero partilhar consigo os seus “estados de alma” – aliás, não sendo seu amigo estou-me “nas tintas” para eles -, mas sim ter confiança na solidez dos governantes e reconhecer-me nas políticas que v. e o seu governo prosseguem.

O que demonstrou, senhor ministro Luís Amado, com a divulgação dos seu “estado de alma” (foi v. que afirmou tratar-se de tal coisa), tem um nome muito simples: incompetência para o cargo que ocupa e deslealdade para com o governo do qual faz parte - independentemente da qualidade do mesmo, que sabemos já viu melhores dias. É que, depois desse desabafo sobre “estados de alma”, senhor ministro, só espero não ter de assistir a vê-lo de seguida declarar, qual criança apanhada no rescaldo de um grande asneira, “desculpem, foi sem querer!”.

sábado, novembro 13, 2010

A entrevista de Luís Amado e a resposta de José Sócrates

Inteligente a resposta de José Sócrates à entrevista de Luís Amado ao “Expresso”. Não só evita demonstrar eventuais discordâncias políticas no seio do governo, como remete para a oposição o ónus da não existência de um governo de coligação, o que não sendo inteiramente mentira está longe de constituir verdade absoluta.

Gostava, no entanto, de ter ouvido uma resposta firme do primeiro-ministro à eventualidade, colocada por Luís Amado, de um abandono futuro da moeda única. Sair do euro é fundamentalmente uma questão política - muito longe, portanto, de se tratar de uma decisão ditada apenas por questões de ordem económica – e significa não só a derrota do projecto político de integração europeia iniciado com o 25 de Abril e com a democracia, de um Portugal moderno e progressivo, como a condenação do país a uma condição periférica e ao seu empobrecimento relativo. Que, dentro do governo, a ideia venha do seu ministro que se tem mostrado mais “atlantista”, não deixa de ser sintomático.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Os prisioneiros de Guantanamo; Luís Amado e a oposição

Ao declarar-se pronto a receber ex-prisioneiros de Guantanamo, o governo português está a enviar algumas mensagens subliminares. Em primeiro lugar a manifestar, explicitamente e por contraste para com George W. Bush, o seu apoio ao presidente eleito dos USA, Barack Obama, especificamente na sua atitude perante este caso, pelo seu simbolismo, mas, por isso mesmo – por esse seu valor simbólico - a ele não o limitando. Em segundo lugar a tentar “marcar um território seu” no que aos direitos humanos diz respeito. Em terceiro lugar a tentar limpar a sua imagem, “chamuscada”, perante o caso dos voos da CIA. Por último, a tentar marcar uma diferença de atitude, face ao governo Barroso, em relação à guerra do Iraque, pese embora a posição oficial do PS e a de Luís Amado em particular nunca tenham sido muito claras. Por tudo isto, não fazia qualquer sentido contactasse e ouvisse a oposição. Ferreira Leite entendeu o alcance das declarações de Luís Amado e reagiu tentando apanhar o combóio em andamento. Conclusão: Luís Amado, 1 – Ferreira Leite, 0.