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segunda-feira, agosto 10, 2009

A ignorância histórica do "31 da Armada" (mas lá que teve graça...)

"Hino da Carta" - Hino Nacional de Portugal de 1834 a 1910 (ver letra aqui)
O “golpe de mão” da bandeira protagonizado nos Paços do Concelho da capital pelo 31 da Armada teve graça e, acho, não ofende. Resolvam pois lá o problema da ilegalidade com uma multa simbólica ou algo do género. Eu sei que não é bem a mesma coisa, mas também já pintaram a águia do meu clube de verde às riscas e limitei-me a soltar uma boa gargalhada.

Mas algo eu não perdoo aos meus colegas da "blogosfera": a ausência de conhecimentos históricos. De facto, o hino da monarquia não é a “Maria da Fonte”, que nunca foi Hino de Portugal e até foi adoptado pela república como saudação às entidades oficiais, mas sim o “Hino da Carta”. Para quem se quer afirmar como monárquico, trata-se de um erro de palmatória a revelar ignorância bem primária sobre o passado da pátria.

Aqui fica a correcção e a verdade histórica reposta, com a sugestão ao 31 para estudarem um pouco antes da próxima “partida”. Como dizia alguém: “apoiado pela ideia; porra para a gramática”! Mas lá que teve graça...

segunda-feira, setembro 10, 2007

A selecção de rugby e o hino nacional

Gosto pouco de gente que não pensa – ou pensa pouco. Certamente, muito menos do que deveria e os jornalistas e críticos de desporto, neste país, normalmente pensam pouco. Ele há excepções, e algumas vezes já aqui as referi.

Bom, vem isto a propósito dos comentários que já ouvi sobre o modo entusiasta e sentido (o que é verdade) sobre o modo como os jogadores da selecção nacional de rugby entoam o hino, no início dos jogos, em contraste com o que acontece noutros desportos, mormente no futebol, falando desde logo esses mesmos críticos num maior patriotismo e vontade de vencer. Será mesmo assim; será essa a razão? Sobre a (grande) vontade de vencer não tenho qualquer dúvida, tendo por lá passado, meio a brincar, e tendo amigos e familiares chegados que também por lá andaram, uns mais a sério do que outros. Patriotismo? Acho que sim, e falo pelos outros, que essa não é definitivamente religião que professe, embora não veja bem a razão porque Juan Murré, Cristian Spachuck e Juan Severino, que não nasceram portugueses tal como Deco ou Pepe, o possam ser mais ou menos do que Cristiano Ronaldo ou Nuno Gomes. A questão é bem outra.

Pela sua essência, o rugby é um desporto bastante mais colectivo do que o futebol. Quer isto dizer que as individualidades não são importantes? Claro que são, mas, ao contrário do que acontece no futebol, por exemplo, dificilmente um jogador de génio pode decidir um jogo ou disfarçar uma fraca exibição colectiva. Para se impor, precisa muito de todos os outros e, ainda mais, do espirito e acerto do grupo, como um todo. Por outro lado, o rugby é um desporto de combate, de conquista de terreno, necessitando uma equipa muito mais desse espirito de “corpo”, como um exército em combate, do que outros desportos com características bem diversas. Daí o “Haka” dos "All Blacks", um tradicional grito de guerra maori. Daí que o hino funcione muito como um cântico guerreiro, como elemento catalizador desse espírito de união e de combate, cantado a plenos pulmões com ganas de vencer, tal como quando um exército se prepara para o combate que pode decidir as suas vidas e dos seus. É fundamentalmente esta a razão, e sendo uma excelente razão seria também pouco razoável, e até talvez injusto, que se fizessem comparações com outros desportos sem estabelecer e ter presentes as diferenças. Lá por cantarem eventualmente o hino com bem menor vozeirão ou espirito guerreiro, estou certo que Cristiano, Jorge Andrade e Deco têm tantas ganas de ganhar como Vasco Uva, Luis Pissarra, Cristian ou os dois Juans. Que se conceda, pois, o direito á diferença ao que é diferente.