Depois de uma das maiores sucessões de trapalhadas a que já assisti vindas de um governo, este tomou finalmente uma decisão sobre o presente e o futuro do grupo RTP. E, na conjuntura, embora "tarde e a más horas", a decisão adequada, incluindo nela o aproveitamento do "goodwill" gerado por uma decisão que parece ter o apoio de uma maioria dos portugueses para dar início a uma restruturação da empresa, adaptando-a, inclusivamente no seu "headcount", a um país e um mercado em crise. Nasceu torto - muito - mas contrariando o ditado, no essencial e no seu fim o processo lá se "endireitou". Estamos na semana em que tudo parece correr bem ao governo, mesmo quando pouco terá feito por isso.
Enfim, mas como o ministro Miguel Relvas tem o estranho condão de transformar em lixo tudo aquilo em que toca, ao mau estilo "king Midas in reverse", em vez de "gozar o momento" (malgré-lui, evidentemente) e ter-se limitado a anunciar na TV, em "prime time", a simples e necessária restruturação da empresa que teria de se seguir, resolveu desde logo adjectivá-la como "dolorosa", alertando tudo e todos para a hipótese - bem real - de uma redução importante de efectivos, começando assim e desde logo a transformar uma indiscutível boa decisão do governo num novo problema que este irá ter de enfrentar. Um exemplo de má gestão da comunicação e de como a verdade deve escolher o momento exacto para ser anunciada.
Mas pior, bem pior terá sido a reacção do PS, anunciando, bem ao estilo PCP, que não permitiria "operações de cosmética" para "emagrecer" a RTP. O que quer então o PS? Ter o melhor de dois mundos, isto é, manter o grupo RTP na esfera pública sem qualquer reorganização e restruturação que permita torná-lo mais "cost effective"? Ficar com o bolo (a boa decisão de manter a RTP no sector público) e simultaneamente comê-lo, isto é, esbanjar recursos inutilmente? É que deixando de ter subvenções do Estado e passando apenas a viver da taxa do audiovisual e das receitas de publicidade (neste caso com as limitações conhecidas e que não se aplicam "às privadas"), a RTP, mesmo salvaguardando o "serviço público", "está no mercado", e assim como não pode, dentro dos limites do razoável, deixar de pagar bem às suas estrelas do espectáculo (atenção aos populismos e demagogias sobre os "salários milionários"...), também não se poderá furtar a ter uma estrutura de custos, incluindo nestes os recursos humanos, que lhe permita ser concorrencial.
Dizer que este assunto da RTP representa uma vitória de Paulo Portas num "braço de ferro" com Relvas, é sintomático da obsessão "antirelvista" da comunicação social. Então não é o CDS e PPortas, que andam sempre a insistir na importância de cortar na despesa? O que é a RTP?!
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