Quando acontecem atentados e, principalmente, massacres em países como a Noruega, imediatamente lemos e ouvimos expressões de incredulidade por tais acontecimentos poderem ter lugar em países pacíficos, sociedades abertas e tolerantes, como se tal violência pudesse ser exclusiva de países e sociedades que nos habituámos a associar, bem ou mal, a uma tradição de violência e radicalismos intolerantes, mesmo que democráticas. Convém talvez lembrar que se o comunismo surgiu na violenta Rússia dos "czars" e a América que nos habituámos a associar aos massacres escolares, embora pátria da democracia, se fundou na violência, no segregacionismo, na escravatura e em alguns fundamentalismos religiosos, o nazismo nasceu, cresceu e implantou-se na nação mais culta da Europa, pátria de Beethoven e Schiller, berço do romantismo e de nomes fundamentais da literatura, da filosofia e da música. Ah!, dir-me-ão, mas também do militarismo prussiano. Pois... mas a esses limitar-me-ei a lembrar a História para lhes dizer que o relacionamento entre os militares prussianos e o nazismo foi sempre tudo menos pacífico, para não dizer mesmo conflitual, algumas vezes ao ponto da ruptura.
Caro JC
ResponderEliminarComo uma premonição, em 1924, Herbert Adolphus Miller, na sua “Race, Nations and Classes; the psychology of domination and freedom” (ed. J.B.Lippincott C.º, Filadelfia, London, etc.) , escreveu, a pp 135:
“Patriotismo a cem por cento e confiança na superioridade nórdica são as duas ideias mais perigosas no mundo de hoje; elas levam-nos exactamente nuja direcção oposta à que deve tomar a civilização para sobreviver. As objecções fudamentais que se lhe podem fazer são: 1.º - não encontram nenhum fundamento nos factos; 2.º - organizam um estado emotivo de remotas e desastrosas consequências.”
O recente caso ocorrido na Noruega é a confirmação.
Cordialmente